CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

15 de julho de 2015

NOTAS PARA A HISTÓRIA DA PMAM

Antigo quartel da PMAM, na
Praça da Polícia 

Uma disputa entre o coronel comandante-geral da Polícia Militar e o sargento presidente da Associação dos Sargentos da Força Estadual já se espalha pelas redes sociais. Trata-se de uma luta inglória que apenas desmerece seus protagonistas. Enquanto duas autoridades policiais deblateram, buscando cada qual demonstrar sua “importância”, a comunidade vive assustada com os violentos crimes que diariamente preenchem o noticiário local.

A cidade já viveu momentos mais calmos, contudo, as etapas do progresso trouxeram as adversidades próprias. Quinze anos depois da implantação da Zona Franca, o saudoso jornalista Nelson Braga escrevia, em diário local, um artículo (abaixo transcrito) expondo as adversidades que a Policia Militar já enfrentava. Nada assemelhado ao duelo fratricida que se desenrola na corporação de Cândido Mariano. 

 

A POLÍCIA MILITAR

Nelson Braga (*)


Nota-se que há muita gente querendo fazer média política a custa da Polícia Militar. Qualquer fato que envolva integrantes daquela corporação é tratado e comentado de modo negativo, recusando-se ao policial fardado o rudimentar direito de defesa. Ninguém procura apurar a verdade, ninguém menciona o trabalho meritório da Policia Militar na manutenção da ordem pública. Esquecem, quase todos, que, em qualquer instituição, seja de que natureza for, sempre há bons e maus elementos. Ninguém diz, por exemplo, que em Manaus existe, atualmente muita falta de respeito às leis e à pessoa humana.
Recorte de jornal (*)


Antigamente a gente ia a qualquer lugar, certo de não ser perturbado por bebados, desordeiros e maconheiros. As casas não tinham grades porque quase não haviam assaltos nem arrombamentos. Hoje, os ladrões andam soltos e os homens de bem ficam atrás das grades, colocadas em portas e janelas por medida de segurança. Os maus elementos chegam aos balneários com uma garrafa de cachaça debaixo do braço e, daí a pouco, começam a perturbar o sossego público, empurrando os mais fracos, passando a mão em moças que não conhecem e que, por temor a represálias, ficam caladas, enquanto outros enfiam a raquete de frescohol na cara dos banhistas ou a represálias, dos banhistas ou soltam palavras de baixo calão à torto e direito, sem respeitar quem está por perto.
E, quando a Policia Militar chega para coibir abusos e prender maus elementos sempre aparece gente para lhes dar cobertura e exigir respeito aos direitos individuais, esquecendo-se que, quem tem direitos tem deveres e, entre estes estão, em primeiro lugar, o respeito às leis, às normas de civilidade e, principalmente, aos direitos dos outros. Hoje em dia, poucos são os que respeitam os velhos, as mulheres e as crianças.

Os "filhinhos de papai" e os protegidos políticos fazem gato e sapato na cidade e nos lugares públicos sem que ninguém lhes ponha a mão. São uma classe de privilegiados acima das leis e da ação preventiva da Polícia Militar, protegidos por políticos e gente de dinheiro, enquanto o policial fardado é criticado e levado ao tribunal da opinião pública por qualquer coisa muitas vezes, injustamente. É preciso por um basta a essa maneira preconceituosa de tratar a Policia Militar, assim como é preciso terminar com a proteção indevida aos marginais de casaca.

A Policia Militar cumpre o seu dever constitucional de manter a ordem pública e cabe ao povo prestigiá-la para que se torne cada vez melhor e mais eficiente. É preciso que certos políticos deixem de proteger desordeiros e não esqueçam que oficiais e praças da Polícia Militar também votam. Vamos todos contribuir para que Manaus volte a ser o que era: uma cidade feliz e pacata, onde todos podiam andar e dormir tranquilos.

(*) A Crítica, 16 de julho de 1983