CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

18 de janeiro de 2014

CORONEL WILDE BENTES (2)

 
Coronel Bentes, na posse
do comando-geral da
PMAM
Para recordar o coronel Wilde de Azevedo
Bentes, ex-comandante da Policia Militar do
Amazonas, reproduzo a página do jornal
TRIBUNA DE ÓBIDOS, que circulou no 2º
trimestre de 2000, editado pelo Paulo Onofre
Lopes de Castro, para saudar o
“filho da terra”.
Como é fácil observar, desde a circulação,
mais de uma década já se escoou e muita
água passou sob a ponte Rio Negro, de
sorte que esta transcrição sofreu pequenos
acertos de rumo.
Esta é a segunda parte.

A INFÂNCIA

Wilde Bentes teve uma infância normal, como todas as crianças de sua época.
Estudava e ajudava o pai que era comerciante, mas como não poderia deixar de ser,
ele fugia para tomar banho na beira do rio, ali perto do comércio do seu Isaac
Hamoy. Sua mãe, July de Oliveira Bentes, era muito religiosa e lhe ensinou, com
austeridade, os primeiros mandamentos da Lei de Deus. Seu pai, Romero de
Azevedo Bentes, mais conhecido por Nerico, era cartorário, virou escrivão do
Ofício.
Depois de aposentado, abriu um comércio no flanco direito do Mercado Municipal,
onde continuou trabalhando. "Tínhamos uma fazenda lá no município de Oriximinã,
no igarapé dos Currais, e todos os finais de ano íamos passar as férias por lá,
pescando, tomando banho, comendo ovos de tracajá - naqueles tempos, podia",
lembra.

Dos tempos de garoto, Wilde Bentes se lembra da professora Glória com quem
aprendeu as primeiras lições. "Para reforçar os estudos, meu pai me botou na
aula particular com o professor Manduca, onde eu apanhei muitos “bolos” na aula
de matemática. No primeiro dia na nova escola, foi tudo muito bem, no segundo
dia, sem aviso nenhum, já houve uma sabatina. Eu cheguei em casa com as mãos
inchadas", recorda sorrindo e olhando para as mãos, reconhecendo que
"foram esses “bolos” de palmatória que me motivaram a estudar muito bem
matemática e, graças a Deus, eu nunca mais apanhei um bolo lá. Hoje eu já não
concordo com esse tipo de educação", raciocina calculando.

Seus amigos daquela época era o Max Chocron, que hoje é médico. Em Manaus,
ele se reúne sempre com o Pedro Gato, com o Dr. Nivaldo e a Zeny. "Há quatro
anos a minha filha sofreu uma queda de motocicleta e o Dr. Nivaldo foi quem
tratou dela, em sua clínica", agradece, sem censurar a filha, lembrando que na
sua época só existiam lambretas e a sua brincadeira de moleque era correr e
brincar de manja dentro d´água.

Como seu pai tinha um comércio no mercado, próximo do rio, ele tinha que sair
escondido para uma parte do rio que ficava depois do começo do Hamóy.
"A turma dessa época me chamava de Bigú. Eu não sei o motivo desse apelido.
O meu irmão mais velho, que hoje é advogado, já era chamado de Bigú e, como
eu era parecido com ele, também me tornei Bigú".

"Nós éramos nove irmãos, eu sou o oitavo deles. Atualmente tenho dois irmãos
em Óbidos, o Waldir, que é aposentado do Cartório, e o Wilton, que é pecuarista;
em Belém moram o Wilson, a Nilda, a Nilma, o Wulfio, o Wulfir. A Nelci já é
falecida", recorda Bentes. (segue)