CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

9 de novembro de 2013

CANUDOS E A PM DO AMAZONAS (2)

Recorte de A Crítica, de 21 novembro 1958
Em comemoração ao Dia da Bandeira, que se comemora a 19 de novembro, o jornal A Crítica publicou “A História de uma Bandeira”. Reproduzo nesta data, para lembrar a solenidade que a Polícia Militar do Amazonas conduziu na quinta-feira (7), para recordar o retorno da expedição que marchou contra Canudos.
Pequenas notas sobre o evento canudense, de minha autoria, foram enfeixadas em um folheto, que foi graciosamente distribuído aos presentes e segue à disposição dos interessados.
 

A PM conserva uma Bandeira que tremulou em Canudos

DRAPEJANDO NA VANGUARDA DAS FORÇAS LEGAIS AINDA MOSTRA O SANGUE DOS QUE TOMBARAM NO CUMPRIMENTO DO DEVER – SEU COMANDANTE CONTA AO REPÓRTER O EPISODIO DE CANUDOS

 
“Sucedendo o marechal Floriano Peixoto, em 1894, o Dr. Prudente José de Moraes Barros, foi o primeiro presidente civil da República” – assim começou o coronel Cleto Potiguara Veras, comandante da Policia Militar do Estado, falando ao repórter sobre a participação da PM na Guerra de Canudos.

“Faço esse relato histórico para que possamos chegar ao ponto em que a corporação de que me orgulho em comandar, fez parte das páginas da História Pátria”.
E continuando: Prudente de Moraes esforçou-se pela pacificação do país. Cessou a Revolução Federalista e houve anistia geral; depois, porém, registrou-se a campanha de Canudos.

E explicou-nos o comandante da PMA: “Foi a luta contra um fanático, Antônio Conselheiro, que reunira num arraial uma multidão de sertanejos, os chamados “jagunços”, que obedeciam sem medir consequências, cegamente, ao Conselheiro, e enfrentavam vitoriosamente as expedições policiais do Exército, com artilharia, comandada pelo coronel Moreira Cesar, foi dizimada com seu chefe. Tornou-se necessária a ação de mais de cinco mil homens para, depois de grandes sacrifícios, ser arrasado o arraial, cujos defensores morreram todos”.

“Aí é que entra a Polícia Militar do Amazonas. No dia 4 de agosto, quarta-feira, de 1897 – assim discrimina o relatório do tenente-coronel Cândido José Mariano – frisou o nosso entrevistado – embarcou para a Bahia, com um contingente de 249 praças de pré e 24 oficiais e graduados, o então 1º Batalhão da Força Pública do Amazonas.

A missão da milícia amazonense era tomar parte nas operações que se realizavam em Canudos, onde um homem fanático instruía e guiava os sertanejos a manter guerrilhas em oposição ao governo de Prudente  de Moraes.

“A colaboração da tropa miliciana amazonense foi tão eficiente na manutenção da ordem além das fronteiras de seu Estado, que até hoje possui e conserva com troféu de batalha, a Bandeira Nacional que essa corporação carregou, quando fazia parte da vanguarda das forças que penetrara em Igreja Nova, em que se pode distinguir o furo de balas e o sangue dos companheiros tombados em combate, no último reduto dos jagunços de Canudos em que estes se renderam às forças legais”.

“Tempos depois recebeu a milícia amazonense num preito de gratidão da mulher baiana, pela conduta heroica mantida nas caatingas do Nordeste uma bandeira nacional bordada a ouro, que se encontra na sala de troféus e armaduras medievais desta corporação, juntamente com quadros de fatos históricos, obras de grandes pintores nacionais e estrangeiros”.

Também o povo paraense – disse o coronel Veras – prestou a sua homenagem aos heróis de Canudos, praças, graduados e oficiais da milícia amazonense. Gratidão aos 47 heróis tombados no cumprimento do dever, nas caatingas da Bahia. Consta de uma coroa de louros fundida em ouro”.

“O oficial que comandou brilhantemente a milícia amazonense na memorável campanha foi o bravo tenente-coronel Cândido José Mariano, acima citado”.

Notas:

Na entrevista do coronel Cleto, são perfeitamente identificáveis as lendas que “ainda” perduram no tocante a participação da PMAM na campanha de Canudos. Refiro-me às Bandeiras.

  1. A Bandeira Nacional conduzida pela tropa encontra-se marcada pela campanha. Já deveria ter sido examinada cientificamente para atestar se há sangue e pólvora no tecido.
  2. Já a bandeira bordada, não se trata de prêmio da “mulher” baiana. Mas, sim, das esposas dos oficiais amazonenses que seguiram para Canudos. Como a lenda grega, enquanto aguardavam os combatentes, teceram a Bandeira.
  3. Os troféus citados seguem no Museu Tiradentes, abrigado no Palacete Provincial.