CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sexta-feira, maio 29, 2020

MARCO GOMES (1954-ONTEM)

Contra-capa do Agora...
Surpreendido, mas não tanto, pois acompanhava o diário virtual do Marquinho, no qual ele narrava sua batalha contra um câncer. Ao sair para o Cecon, sob sol e chuva e isolamento, deixava registrada sua mensagem de otimismo. Agradecia a todos, beijava aos que o acompanhavam. Sabia do tamanho do gigante que enfrentava, mas não temia. Estava sempre a engendrar artimanhas para combater o Golias. Infelizmente, não conseguiu. 
Conheci o Marquinho nas salas do Chá do Armando (aquela entidade semi-filosófica, movida a uísque e outros gêneros). Ele, acompanhado da máquina fotográfica, estava sempre a escolher o melhor ângulo e disciplinar os filósofos, a fim de produzir as milhares de fotos que certamente constituem seu acervo, e que gostaria de compartilhar.

Marco e sua marca: o sorriso

Reconheço, sou de pouco sorriso e nenhuma circulação noturna, características básicas do amigo, portanto, não podia conhecer ao Marco, sempre sorridente, animado para qualquer parada. Todavia, ano passado pude me aproximar mais, quando ele e o Celestino embarcaram fundo na produção de uma Feira Cultural, ocupando a Praça da Polícia. Estive em algumas reuniões e sei, que os poucos recursos obtidos, não permitiram o brilho da festa que o entusiasmo do Marco era capaz de produzir. Ajudei como pude, mas fiquei devendo bem mais. 

Capa do livro Agora...

Em setembro do ano passado, ganhei o Agora eu conto... retalhos do rebotalho (Ed. Utopia, 2017). Estava lá na dedicatória: ao cel. Roberto Mendonça, minhas crônicas com bafo-de-onça. Ao ler o material literário, fiquei amigo do Marco, sem que ele soubesse. Agora, o Agora me serve de ligação com ele, e pelo quanto soube diariamente, através de seus posts, transmitir-me, e aos amigos e irmãos em geral - a dose forte, combativa para suplantar esse momento tão doentio de nosso país. 

Até a eternidade, amigo novo de guerra!

sábado, março 14, 2020

CÂNCER DE PRÓSTATA: DEPOIMENTO


Em tempos de coronavírus, compartilho o texto de Marco Gomes, o Marquinho, que trava uma luta contra o câncer de próstata. Enfrenta com altivez e serenidade, sem pieguismo e sentimentalismo.


Em tempos de afronta ao abraço e o impedimento de se estender a mão ao amigo, envio ao Marquinho – homem do sorriso – outro sorriso, com meus votos de sucesso.


DEPOIMENTO REAL SOBRE O CÂNCER DE PRÓSTATA

mARCO gOMES

Depois de postar diariamente matérias sobre o câncer de próstata e como o NOVEMBRO AZUL está sempre em cartaz, darei meu depoimento visceral, como tudo que faço, sobre o tema.
Sabemos que a PRÓSTATA é uma glândula genital masculina do tamanho de uma noz, localizada entre a bexiga e a pélvis. Ela começa a se desenvolver, aumentando o seu tamanho durante a adolescência, devido a ação da testosterona, ela chega a seu tamanho médio, que é de aproximadamente 3-4cm na base, 4-6 na parte céfalo caudal, e 2-3 na parte anteroposterior.
Os homens com maior propensão a ter problemas relacionados a ela, são os de pele negra, sedentários e os que apreciam um bom churrasco como eu.
Todo homem no decurso de sua existência terá problemas de próstata, não tem pra onde correr, se ficar o câncer come.
Por isso, não só aqueles que tenham um parente direto afetado pelo câncer (pai, irmão). Todos nós a partir dos 50 anos, temos que monitorar a próstata fazendo coleta de sangue pra saber como anda seu antígeno prostático específico (PSA), que é usado principalmente para pesquisar câncer de próstata em homens assintomáticos.
É também um dos primeiros exames realizados em homens que apresentam sintomas que podem ser causados pelo câncer de próstata.
Pertenço a geração dos anos 60, época em que, (logico) não havia a maravilha da internet, portanto, sem redes sociais, instrumento indispensável nos dias atuais.
Distante do Sul maravilha, ilhada e cercada por uma floresta exuberante, rios e igarapés caudalosos e límpidos. Tínhamos toda liberdade para exercitar o corpo e a mente. As ruas eram extensões de nossos quintais, onde organizávamos brincadeiras como: futebol, barra bandeira, garrafão, amarelinha, camone boy, cemitério, e às deliciosas caí no poço, esconde-esconde, brincadeira de casinha e a melhor de todas, de médico.
Os vários igarapés que cruzam a cidade, (hoje transformados em esgotos), serviam como megas piscinas olímpicas para prática de natação. A educação trazíamos do berço para serem esmeriladas por mestres zelosos e vigilantes.
Tive a felicidade de ser aluno da professora Polinésia Pires de Carvalho (dona Zizí, cuja mãe dona Maria, foi quem criou Carmen a qual chamavam de doida). Naquele tempo existia a sabatina, instrumento didático para aprender de cor Matemática, levei muito bolo nas mãos (nem por isso fiquei traumatizado, a ponto de precisar de apoio psicológico, aliás, essa era uma profissão sem futuro na taba).
Quando se mijava fora do caco, o couro comia, coisa normal e sadia.
Os pais tinham o dever e a responsabilidade de nortear os caminhos da prole. Isso foi antes da revolução pedagógica norte-americana que criminaliza um puxão de orelha, já o filho pode pintar o caneco, agredir os genitores tendo como égide, esses esdrúxulos Conselhos Tutelares, quase sempre, feudo de políticos bundas moles e seus apaniguados analfabetos e pedófilos (aliás, coisa rara outrora).
Como eu era feliz e sabia. Sou saudosista sim senhor, amava aquela paz de outrora, onde não havia, atropelos, muito menos atropelados, a vida tinha prioridade.
Universitário curtia @Ivan Lins, Gonzaguinha, @Chico Buarque, Taiguara etc. Hoje é @Luan Santana, Pablo Vi(a)tar, pagodes e a nefasta máfia do dendê, que a rede globo nos empurra goela abaixo, com graus, gêneros e orgulhos.
Como nada é perfeito, a culpa sempre é dos governantes, que só propagam suas lambanças, omitindo coisas básicas como educação e saúde, assim como eu, existem homens ignorantes que desconhecem uma coisa vital inerente a todos nós: a próstata.
Da poesia vesti a fantasia do poeta e saí por aí. Sempre fui outsider as normas e convenções usando e abusando de tudo que me desse na telha. Ancorado pela estupidez machista e pela minha própria ignorância, até meus 60 anos desconhecia completamente a próstata, esse negócio de ‘dedada no cu’, nem pensar.
Até que após uma farra com meu parceiro e amigo @Jersey Nazareno, paralisou geral minhas funções ejetoras (tranquei o cu e a pica).
Fiquei 18 meses com uma sonda vesical introduzida em minha uretra, que precisava ser trocada cada 15 dias para evitar infecções. Não pensem nunca que isto é indolor.
Graças ao doutor @Roger Alves, que bancou do próprio bolso as custas com os preparativos para a operação, hoje em dia faço uso do canal competente, para esvaziar minha bexiga.
O câncer, ainda me corrói as entranhas e, para esta terceira fase, vou à luta sem lenitivo ou otimismo piegas. Vou encará-la de frente e lutar pela minha vida. Pois não acredito em paraíso, prefiro esticar minha estada neste vale de lágrimas, ouvindo boa música e sorrindo sempre.

terça-feira, dezembro 03, 2019

ALMIR DINIZ: 90 ANOS


Destaque para a vasta cabeleira de Marius Bell. Almir Diniz
prova do repasto, enquanto Pedro saúda o chefe
A saúde do poeta Almir Diniz não permitiu à família e aos amigos efetuar uma celebração condigna pelo seu nonagésimo aniversário, exuberante, como convém. No entanto, por sua solicitação, no residencial Sainte Marie, ondo moro, brindamos no último sábado ao vate careirense. O texto abaixo pertence ao amigo Marco Gomes (Marquito), a quem agradeço a gentileza.



BEBENDO NA FONTE DOS IMORTAIS

Atendendo ao convite do escritor e historiador coronel Roberto Mendonça, fui na agradável companhia do meu amigo Marius Bell, beber do tradicional ‘chá’ da intelectualidade baré, nas dependências do seu condomínio residencial.
Ontem o ‘chá’ foi dedicado ao escritor e poeta Almir Diniz, pela passagem de seus noventa anos, comemorado com seus pares: coronel Roberto Mendonça, Pedro Lindoso, Aguinaldo Figueiredo, Zemaria Pinto, Eylan Lins, Silvia Grijó, João Pinto e sua esposa Elis, Marius Bell, todos sob o olhar atento e zeloso de dona Aníria, esposa do poeta.
Lembrei dos primórdios quando o ‘chá’ foi instituído na casa do saudoso Anízio Melo, e que juntamente com os poetas Simão Pessoa e Zemaria Pinto, ajudamos a fundar o Sindicato dos Escritores, sendo signatários da Ata, em que o Anísio foi o primeiro presidente, e cujos sonhos hoje amarelados, são papéis carcomidos pelas traças e a mim custodiados em alguma pasta guardados.
Mesa da festa, com o aniversariante encoberto pela jarra. 

Foi uma noite agradável, onde, não só acrescentei conhecimentos as minhas parcas informações, como conheci tête-à-tête, figuras das quais só ouvia falar.
Agradeço a todos pela receptividade, porém, meu espírito desgarrado, em pele de lobo da estepe solitário, decididamente não se enquadra em confrarias, até porque, nada possuo para somar.
Continuo como outsider e a disposição como fotógrafo, para registrar suas tertúlias de vates.
Todas imagens são autorais.