CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quarta-feira, novembro 10, 2010

Parque Dez de Novembro

Vamos relembrar o balneário que, por décadas, proporcionou um refrigério aos manauaras. Denominado de Dez de Novembro para assinalar o primeiro aniversário do Estado Novo, em 1938, foi construído aproveitando o leito do igarapé do Mindu.
Apenas para os da segunda idade: Estado Novo foi o título da intervenção mais profunda no governo do País. Em resumo, foi o reinício da ditadura de Getúlio Vargas, que se estendeu até 1945. 

Antonio Maia,
Jornal do Commercio
Manaus, 27 set. 1970

O governante estadual de então era denominado de interventor. Assim, o Amazonas era dirigido pelo interventor Álvaro Maia. Muito já se falou deste falecido político. Foi excepcional homem das letras, tanto na prosa quanto no verso, mas o Estado, entretanto, padeceu sob a sua direção.
Para dirigir a Prefeitura de Manaus, Álvaro escolheu ao irmão Antonio Maia (1936-1941), a quem coube a construção desse "banho" público. Interessante que do outro lado da rua, na rua Darcy Vargas ou V8, na época, existiam os "banhos" particulares; tudo nas margens do mesmo igarapé. Ainda se encontra vestígios do balneário, que funcionou até o início dos anos 1970.

Para melhor entender o benefício prestado aos moradores de Manaus, tomei o depoimento de um frequentador, Herbert Ribeiro, nascido em 1944, e que curtiu aquele ambiente em seu melhor momento. Herbert e eu fomos camaradas na Polícia Militar, mas ele logo optou pela vida civil, tendo sido professor capacitado e dedicado. Registrou ele:
O logradouro construído sobre o leito e margens do igarapé do Mindú, aproximadamente hoje no entroncamento das ruas Recife e Darcy Vargas, serviria para o lazer e satisfação das famílias amazonenses, principalmente nos domingos e feriados. Era provido de piscina natural, área verde, zoológico e um restaurante que oferecia uma culinária regional.
Ao longo de uma vereda que fazia uma bifurcação com as ruas acima citadas, hoje Efigênio Sales ( V-8), havia inúmeras chácaras todas utilizando o igarapé do Mindú.
O apogeu do Parque Dez, para a minha geração, vai do final dos anos 1950 pela década de 1960. Lembro-me ainda que no decorrer do primeiro semestre de 1961, pelas tardes, a partir das 16h, com a colaboração dos seguranças efetuamos gostosas peladas com times de seis jogadores. Frequentavam o local adolescentes e rapazes de vários locais: Adrianópolis, Aleixo, Chapada, São Geraldo etc.

Jornal do Commercio. Manaus, 30 jul. 1970
Eu morava na rua Paraiba entre a rua Belo Horizonte e o V-8 de hoje, e comandava um time imbatível... Seis "craques" de bola: Cleuton, filho da dona Maria Reis; Coroca, filho da dona Cordolina; Wilson e Cotreca, filhos da dona Raquel; meu primo Dinho e eu, Herbert, conhecido por Betinho.
Que saudade... que saudade!
Jornal do Commercio. Manaus, 30 jul. 1970
 

domingo, junho 13, 2010

MEMORIAL AMAZONENSE (XXIV)

1892 – Nasce em Manaus, Manuel Severiano Nunes, filho de Francisco Severiano Nunes e de Honorina Gonçalves Nunes. Envolvido na política, ao lado de Álvaro Maia, exerceu diversos cargos, talvez o último tenha sido o de secretário de Justica (1954). Afastou-se do cargo para disputar a vaga de senador da República. O PSD, seu partido, foi vencido pelo PTB de Plínio Coelho. Severiano Nunes, como era conhecido, afastou-se de Manaus, em definitivo.

1897 – Morre em Manaus, Manoel Urbano da Encarnação, considerado o primeiro morador do bairro de Educandos. Sertanista, tem seu nome gravado na exploração do rio Purus, inclusive como auxiliar do cientista Williams Chandless. Foi sepultado no cemitério de Santa Helena, no bairro de São Raimundo.


1904 – Nasce no seringal Goiabal, situado no município de Humaitá (AM), Antonio Botelho Maia, irmão de Álvaro Maia. Graduou-se em Agronomia. Mas seguiu os passos políticos do irmão que, ao tempo da ditadura de Getúlio Vargas, exerceu por mais de uma década a Interventoria Federal.
Nessa situação, Álvaro nomeou Antonio Maia para dirigir a Prefeitura de Manaus. Em sua gestão, foi contruido o Balneário do Parque Dez, inaugurado em 1938. Já desativado, dele restam duas edificações.
Antonio faleceu no Rio de Janeiro em 1993.
Henrique (esq) no Gledar

1948 – Nasce no bairro de Educandos, em Manaus, Henrique Antonio Mendonça. Enfrentou o grupo escolar Machado de Assis e a escola paroquial do padre Antonio Plácido de Souza, vigário do bairro. O curso secundário, em parte, realizou no Seminário São José, quando fez parte da direção do Gremio Literário e Esportivo Dom Alberto Ramos (Gledar), em 1963.

Cubatão, 1969
Rio, 2009
Em 1967, deixou Manaus para se instalar primeiramente em Santos (SP), onde trabalhou na Refinaria de Cubatão. Ainda circulou por outras refinarias e plataformas de prospecção no país. Mudou-se enfim para o Rio de Janeiro, onde hoje reside, com a família (a esposa Vilma e a filha Yara) na Barra da Tijuca. Dirigindo sua empresa, segue trabalhando junto à Petrobras.
Esse cara, é meu irmão. Parabéns!