CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

domingo, julho 12, 2026

POEMA DOMINICAL (23)

 Sem necessidade de esclarecimentos: dois saudosos sacerdotes, dois cultores da nossa literatura.

Recorte do matutino


Arrebatado sinto-me e absorto

Perante o brilho repousante e calmo

Da lua cheia, que de palmo a palmo

Vou percorrendo, qual Jesus no Horto... 

Como se à terra já estivesse morto,

Indiferente a tudo, então me acalmo:

E vou rezando fervoroso salmo

Na soledade do luzente porto... 

E no silêncio astral do plenilúnio

Fico tranquilo, livre de infortúnio,

A palmilhar meu doce eremitério... 

Ao clarão do luar, fujo do mundo:

E então sou monge, de andar profundo,

A recitar na lua o meu saltério... 


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