Max Carphentier Luiz da Silva (1945-) nasceu em Manaus, revelando-se
poeta no conjunto da literatura amazonense na década de 1970. Pertence à segunda
geração do Clube da Madrugada, que administrava a página O Canto do Poeta, Max é
membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas e da Academia
Amazonense de Letras.
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| Recorte de A Crítica, 11 julho 1976, circulado há 50 anos |
REENCONTRO
Max Carphentier
Tenho-te agora mais antiga e / menos imponente / como os vestígios de uma catedral: / as asas de teus pés não mais conseguem / te suster no altiplano do sonho / e é forçoso dizer-te que os teus braços / não mais podem elevar-se sobre os montes / pra acender a manhã de que eu precise / nos desmaios das lágrimas noturnas.
Ah, aquela luz sonorizada / agora no teu rosto é apenas lenda / das fontes que a inventaram nos teus olhos. / Considero teus quadris: / ainda batismais e resolutos, / mas de seus extremos não mais pendem / minhas vestes azuis na redenção / de anjo crucificado sobre a neve.
Assim também teus cabelos, tua pele, / teus seios / (também teus seios não são mais as águias / prontas para o sacrifício do cordeiro) / tudo de ti, amor, vencidamente, / despiu-se dos milagres verdadeiros / que o amor enquanto busca te impusera.


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