CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

terça-feira, outubro 22, 2024

CAPUCHINHOS EM MANAUS

As ordens religiosas têm diligenciado a publicação de seus feitos nas terras amazônicas. Conheço ao menos três publicações editadas pelos padres Salesianos e Espiritanos, e a terceira pelos Capuchinhos, que acabam de inaugurar uma Exposição fotográfica no Centro Cultural Palácio da Justiça, marcando a sua mais que centúria atuação missionária. A publicação dos capuchos A Igreja sobre o rio, originalmente em italiano, o governo do Amazonas fez reproduzir pela Secretaria de Cultura, em 2012.

Da Igreja... recortei alguns tópicos já postados neste Blog, ora faço nova transcrição referente à instalação da igreja paroquial de Adrianópolis. Devo lembrar que a paróquia da antiga Vila Municipal encontra-se sob o encargo dos missionários do PIME.

Igreja de Nazaré em Adrianópolis

Diversas eram as motivações que sustentavam a construção de uma igreja no bairro chamado Vila Municipal; centro de muito peso com um número considerável de habitantes, mas, sobretudo, pertencentes a um grupo social que vem definido como “de uma certa condição”. Já em 1913 o bispo dom Frederico Benício de Souza Costa tinha concedido a faculdade de celebrar a missa numa residência privada, mas a esperança de que se procedesse à construção de uma igreja; assim foi comprado um pedaço de terra; “quarenta metros de fundo situado no ângulo direito da praça Silvério Nery [hoje de Nossa Senhora de Nazaré], foi instituída a tradicional comissão, da qual vem chamado a fazer parte também Frei José [de Leonissa], e finalmente em dois de agosto de 1914 se procede à colocação da primeira pedra.

A cerimônia foi imponente e viu a participação de todas as autoridades civis e religiosas, mas justamente naquele dia chefiou a Manaus “o sinistro anúncio da conflagração europeia”; um raio em céu sereno -- escreve no seu relatório Frei Evangelista -- que contrariou todos os projetos começados.

No grupo de capuchinhos que já havia mais de dez anos encontrava-se em missão no Amazonas, merece ser recordada, sobretudo a atividade de Frei José de Leonissa; depois de ter ido recuperar-se no Pará de uma “gravíssima doença nos olhos” que não lhe permitia nem mesmo celebrar a missa, insistiu com o prefeito para construir uma igreja no bairro Vila Municipal de Manaus. Um lugar “um pouco longe da igreja paroquial” [a de São Sebastião], mas, segundo Frei José, “um centro que promete e se pode dizer o melhor lugar de Manaus no presente, iluminado com luz elétrica, servido pelo bonde e residência já de muitas famílias. Merece toda a atenção de um pastor de almas.

domingo, outubro 20, 2024

DIA DO POETA

 Ao pesquisar subsídios para diferentes estudos nos jornais de Manaus, frequentemente me deparei com poesias ali publicadas. Era evidente a presença dos autores dessa vasta produção – os poetas. Encontrei obras de diversos níveis, desde poetas já renomados até aqueles que ainda se tornariam conhecidos, além de uma infinidade de ilustres anônimos. No mês passado, concentrei meus esforços em organizar o material coletado, com a intenção de talvez publicá-lo; no entanto, como não tenho habilidades métricas, estou em busca de uma parceria para a finalização do projeto.

Outro detalhe marcante foi a reprodução da arte poética em todos os periódicos, sejam estudantis ou gremistas ou comerciais. Enfim, a ampliação de colaboradores verificava-se em dia festivo, sendo o Dia das Mães o de maior prestígio.

Para saudar este Dia do Poeta, exponho dois poemas: o primeiro, recolhido na pesquisa, do saudoso mestre Guimarães de Paula, publicado em A Gazeta, (26 out. 1951), há quase 73 anos; coincidência, a idade de Renato Mendonça, autor do segundo poema, ilustre coparticipante deste espaço.

Recorte do periódico citado

SONETO DA FLOR

Quanta paz e delicadeza de cor...

São as mãos benditas da natureza,

Usando as tintas do Criador!

Refletindo-nos tão pura beleza. 

            Seriam as azaleias e a rosas,

            Dignas representantes do mundo da flor?

            Não só estas, mas tantas, formosas,

            Que a Natureza nos abona, com amor. 

E, para fazer jus à imagem do belo,

Diria que, apenas estas duas flores,

Revigoram os sentimentos meus. 

            Não há pintor a imitar um fulgor singelo,

            Nem nos faça esquecer todas as dores.

            Apenas um é capaz de nos prover: Deus! 

                                                           Renato Mendonça

 

sábado, outubro 19, 2024

SENADOR LOPES GONÇALVES (1870-1938)

 
Ao comemorar o Jubileu de Ouro de atuação no Rio Negro (AM), em 1965, os Salesianos então sob a direção de dom Pedro Massa publicaram um livro registrando os caminhos percorridos e os personagens – eclesiásticos e leigos – que cooperaram na obra. Abuso do livro editado – De Tupan a Cristo, postando algumas páginas bem esclarecedoras, páginas que fornecem pormenores da história amazonense.

O senador Lopes Gonçalves é o personagem desta postagem, e quem conta o fato é o próprio prelado. Augusto Cesar Lopes Gonçalves nasceu em Vitória do Mearim (MA) em 1870 e faleceu no Rio em 1938. Bacharel pela Faculdade do Recife, foi senador (1915-23) pelo Amazonas e Sergipe (1924-30). Houve uma Escola com o nome deste senador em Manaus, localizada na esquina da rua Luiz Antony com Dez de Julho, ora pertencente ao sistema SENAI. 

Página do livro referente ao senador 

Certa vez, discutia-se no Senado o projeto que declarava o dia 25 de dezembro, dia festivo em comemoração da data cristã universal. Ele opunha-se com maior ou menor felicidade aos argumentos apresentados por João Luiz Alves, senador pelo Espírito Santo, que defendia o projeto. Este havia me pedido que ficasse perto de sua cadeira para sugerir-lhe alguns argumentos que não lhe ocorressem no momento, na emergência da refrega que subia de calor e intensidade, interessando vivamente os senadores.

Rui Barbosa estava ausente, mas defenderia o projeto se estivesse presente, como em seguida declarou.

Lembro-me que em determinado momento, Lopes Gonçalves disse: “A Constituição não reconhece a Deus. Este nome aqui não deve ser pronunciado e dou minha razão que agradará ambas as partes. O nome de Deus (desculpem reproduzir a palavra que ele usou), suja a pureza do nosso regime e também a política suja o nome de Deus; é por esse motivo que nos é proibido pronunciá-lo aqui”.

Por grande maioria o projeto foi aprovado e o Dia de Natal entrou no número dos feriados da República. O senador, embatendo-se comigo, pois não havia notado minha presença, pela escuridão do recinto, não se alterou dizendo-me: Padre, eu defendo a religião, não a ataco. Talvez fosse esta a sua intenção.


domingo, outubro 13, 2024

DIA DA PADROEIRA E DAS CRIANÇAS

N.S. Aparecida
 A postagem pertence a apreciação de Renato Mendonça, meu distinto irmão e cooperador bissexto, nesta data sempre confusa. Acrescento eu, que a festa do 2º domingo de outubro, portanto, hoje 13, acontece em Belém do Pará venerando a Mãe de Deus, com o Círio de Nazaré. Que as bençãos de Nossa Mãe santíssima seja pródiga com nosso
país. Amém.


APARECIDA DAS CRIANÇAS

12.10.2024

 O dia hoje sempre desperta uma curiosidade para saber porque o Dia das Crianças está no mesmo pacote de comemoração com o da Padroeira. O contexto histórico sempre nos facilita a ver como esses dias entraram nas nossas vidas. O Dia de Nossa Senhora Aparecida remonta ao século XVIII, em 1717, quando a santa foi encontrada por três pescadores no rio Paraíba do Sul, no Estado de São Paulo, próximo ao vilarejo de Guaratinguetá. Dezessete anos depois, foi construída a primeira capela no Morro dos Coqueiros, próximo ao local onde fora encontrada. E somente cem anos depois, em 1834, iniciou-se a construção da Igreja em Aparecida, onde hoje está situada a Basílica Velha.

Nesta Basílica, durante a comemoração do jubileu dos 50 anos do dogma da Imaculada Conceição, em 1904, foi feita a coroação da Santa, utilizando-se a coroa de ouro doada pela Princesa Isabel, que diz a tradição era uma fervorosa devota. Daí então passou a ser considerada Rainha e Padroeira do Brasil. Mas, somente em 1930, após decreto do Papa Pio XI, foi oficializado a cerimônia, que cinquenta anos depois passaria a ser instituída como Feriado Nacional, após a visita do Papa João Paulo II ao Brasil.

O Dia das Crianças precede a data do decreto papal. Iniciou-se após o Congresso Sul-americano da Criança, no Rio de Janeiro, então Capital Federal, em 1923, quando foram discutidas pautas de educação e alimentação, principalmente. Talvez uma incipiência do Estatuto da Criança e Adolescente, criado por Lei em 1990. Um ano depois da realização do Congresso o Dia a Criança foi oficializado por decreto, mas sem ser considerado feriado. Somente em meados da década de 1950, com a campanha publicitária da fábrica de brinquedos Estrela, iniciou-se a popularização do Dia das Crianças no Brasil.

Sendo assim, vemos que não há nenhum conflito de interesses nestas datas comemorativas. Pelo contrário, devemos juntar o aspecto devocionário de Aparecida ao lúdico das Crianças. E Aparecida quer ser a mãe de todos os brasileiros; quer abençoar e proteger não só devotos cheios de fé, mas principalmente todos os futuros cidadãos e cidadãs do nosso porvir. Quer retirar dos adultos incautos todas as mazelas sociais impostas nos últimos anos, corrigir os desvios de condutas e comportamentos inescrupulosos; mostrar à sociedade um caminho melhor para evitar os ‘becos-sem-saída” do ódio, da discriminação, do desamor e da misoginia.

Círio de Nazaré em Belém PA

“Deixem que as crianças venham a mim e não proíbam que elas façam isso, pois o Reino de Deus é das pessoas que são como estas crianças” (Lucas 18:16-22). Este é, também, um dos mandamentos adotado por Aparecida, para prosseguir a evangelização do seu filho, Jesus. Quer por questões de credo, carência de fé ou ceticismo não há porque ignorar a existência de Aparecida, ela é Maria!

Podemos fazer outras ilações sobre os desejos de Aparecida. Ela deseja uma sociedade mais humana, mais solidária e mais fraterna. Afinal, somos todos filhos dela. E devemos nos sentir honrados por isso; para que essa maternidade possa nos aproximar dos nossos irmãos, criando laços cada vez mais apertados entre nós, produzindo a unidade. Quando houver alguma desavença, procure a reconciliação e exerça o sentimento do perdão, com humildade e paciência.

Quanto às crianças, respeite-as e delibere para que exerçam também o respeito com os pais ou os mais velhos. Não há motivos para deixar a educação para os canais de televisão ou as redes sociais. Nossos pais e avós deixaram um legado fabuloso de educação familiar, basta fazer um upgrade desses ensinos e melhorar o que já era bom.

Para finalizar esta minha simplória crônica, deixo dois sonetos, escritos em épocas distintas da minha vida. Quero evocar sempre, a importância da mãe de Jesus e, por extensão, a mãe nossa de cada dia.

Fiquem na paz da mãe de Deus!