CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

domingo, maio 07, 2023

MANAUS: MERCADO E FEIRAS

 

Mercado central Adolpho Lisboa

Feira em três ruas da cidade

sábado, maio 06, 2023

POEMA DO SÁBADO

 De autoria do poeta Luiz Bacellar, que dispensa apresentação, circulado no Jornal Cultura, órgão da Superintendência Cultural do Amazonas, em outubro de 1982.



terça-feira, maio 02, 2023

PMAM: SEUS PRIMÓRDIOS (26)

Mais um capítulo sobre a história da Guarda Policial, ora Polícia Militar do Amazonas, no período provincial, compartilhado do meu almejado livro Guarda Policial (1837-1889).

Usual Relatório

Em 26 de maio de 1877, assume a presidência da província do Amazonas o bacharel Agesilau Pereira da Silva, nascido em Valença (PI), em 6 de junho de 1846, e bacharelado pela Faculdade de Direito do Recife, aos 20 anos. Após transferir o encargo amazonense (14 fev. 1878), retorna à província natal. Por motivos profissionais, contudo, duas décadas depois desembarca em definitivo em Manaus, onde faleceu a 26 de janeiro de 1913.

Seu antecessor, Domingos Jacy Monteiro, apresenta-lhe usual Relatório, onde, dissertando sobre o título – Polícia –, assegura que por deficiência de pessoal a presidência se obriga “a nomear oficiais que comandam destacamentos para os cargos de delegado e subdelegado, não obstante ser isso contrário às recomendações do governo”. Até bem pouco tempo, o mapa de delegados de polícia no interior do Estado, de competência da Secretaria de Segurança, permanecia com os policiais militares, portanto, a situação reclamada por Monteiro permanecia como dantes.

Também neste documento, o presidente diz das primeiras providências para a inauguração da Guarda Policial. Menciona a sanção da lei 339, de 26 de abril de 1876; relembra a outorga do regulamento e, nele, o efetivo previsto: um comandante e um auxiliar; três inferiores (hoje, sargentos); seis cabos de esquadra (atualmente, cabo); dois cornetas (corneteiros); e 60 soldados.

Jacy Monteiro, bacharel em ciências jurídicas e sociais, revela-se ótimo cultor das letras, destacando-se pelo estilo satírico, mofador com que descrevia inclusive os assuntos pertinentes ao governo.

Vejamos dois tópicos:

Ao traçar ponderações sobre a Guarda Policial, e depois de esclarecer a nomeação de um oficial honorário do Exército para auxiliar o comando na instrução dos guardas, descreve que no primeiro instante houve certo progresso, mas, “depois o ajudante começou a não ajudar, o instrutor a não instruir, e parte dos soldados a entregar-se à embriaguez e até a aplicar-se à ratonice”.

Ainda sobre a Guarda, outro pormenor. Em 11 de maio, ela possuía dois oficiais e 27 praças. No decurso do mês, a corporação começou a prestar alguns serviços. “E desde então, infelizmente, ainda não prestou senão alguns pequenos serviços”. Os primeiros guardas engajados, diz o presidente, constituíam-se de “indivíduos mais ou menos idôneos”. Depois escassearam estes, sendo dispensados os de “má conduta e pouco préstimo”; dessa sorte, não era possível completar o efetivo de 73 homens.

As razões dessa desdita estão assim resumidas: em consequência do pouco tempo de organização, do diminuto número de praças, que os obriga a estarem quase constantemente em serviço, e de outras circunstâncias, falta-lhe a disciplina necessária. Para completar o quadro, entendi que era conveniente esperar por alistamentos voluntários e não recorrer a outros meios. Algumas recomendações se têm feito para promover a apresentação de indivíduos capazes de bem servirem; mas sem resultado apreciável.

No segundo tópico, a pena chistosa do presidente retrata uma visita realizada pelo próprio à Enfermaria Militar de competência do Exército: “Depois das duas horas da tarde, ainda não havia na enfermaria um só dos medicamentos receitados nesse dia; encontrei em uma boceta um pouco de ceroto simples, batizado com o nome de sebo de carneiro”. E a descrição da revista prossegue com a ênfase peculiar do dirigente, descrição que, diante do desprezo com os doentes, afigura-se atualizada.

Em 1877, a Guarda Policial completava seu primeiro ano, e seguia deficiente ao extremo, conforme se traceja. O presidente provincial, depois de iniciativas malsucedidas para obter alguma utilidade desta força, entende que ela carecia de novo regulamento. A fim de ultimar essa providência e outras que lhe pareciam convenientes, a 1º de maio, nomeia “uma comissão de pessoas competentes”. São três estas autoridades: brigadeiro Pedro Maria Xavier de Castro, comandante das Armas; juiz de Direito Francisco de Paula dos Guimarães Peixoto, Chefe de Polícia interino; e o major engenheiro Joaquim Leovigildo de Souza Coelho, encarregado das obras militares e provinciais. A comissão funcionou, tanto que gerou a reforma a seguir exposta.

segunda-feira, maio 01, 2023

MISSÃO SALESIANA: RIO NEGRO

 Recortei do compêndio Nas Fronteiras do Brasil: missões salesianas do Amazonas, elaborado pelos padres salesianos  nos primeiros anos de 1950, a página sobre transportes, para demonstrar as dificuldades daquela região enfrentadas pelos  religiosos - padres e freiras. Obviamente, o Alto Rio Negro hoje oferece melhores condições de trabalho e de vida. 

Acervo do Arquivo Público do
Amazonas

TRANSPORTES

É este o problema dos problemas no Rio Negro. A navegação fluvial é morosa e precária. A navegação aérea é sumamente cara para os minguados recursos daquele povo. Estradas de rodagem não há. As intempéries, as inundações periódicas tornam difícil o escoamento dos produtos da região e mais difícil ainda a importação do indispensável ao funcionamento de tantas atividades, e até mesmo dos gêneros alimentícios que a terra não dá. Daí a lentidão com que tantas coisas são feitas, sobretudo as construções de prédios, igrejas e oficinas.

Ora, regiões estratégicas como essa, nas fronteiras com a Colômbia e a Venezuela, precisariam de vias de comunicação mais fáceis e mais rápidas.

As Missões têm feito o que têm podido, dentro das suas apoucadas forças e dos recursos que o Governo Federal lhes faculta.

Assim é que, contornando temíveis cachoeiras, que dificultam as comunicações fluviais, as Missões já construíram a estrada de rodagem de Ipanerá a Urubucuara, e estão ultimando presentemente a rodovia de Papuri ao Tiquié, de 90 quilômetros de extensão, realizando notável obra de penetração nas matas da zona lindeira do Brasil com a República da Colômbia, sob os auspícios e o amparo do Governo Federal.

Página do referido livro

Agora, que o automóvel de passeio e o caminhão se introduziram em larga escala no Brasil, seria de vasto alcance a construção de outras estradas, que facilitassem a importação e exportação, entrada e saída dessa região vastíssima, que há tanto tempo está pedindo que a conheçam e explorem. Não fossem as Missões...

A propósito, lê-se na Gazeta de Manaus (27.01.1950) artigo do deputado estadual do Amazonas, Arthur Virgílio Filho, do qual nos há de ser permitido respigar esta passagem, que diz bem do esforço civilizador, colonizador e formador dos missionários Salesianos:

"O que ainda salva o Rio Negro resulta da atividade fecunda e humanitária das Missões Salesianas. Tanto em Barcelos como em Uaupés esses abnegados filhos de São João Bosco, padres e freiras, de acordo com as suas possibilidades que não são muito amplas, erguem hospitais e escolas, educam as crianças, tratam dos enfermos, empreendem, enfim, a sacrossanta missão do voto de fé que proferiram. Não fossem as Missões e não sei o que seria das populações do Rio Negro..."