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| Mercado central Adolpho Lisboa |
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| Feira em três ruas da cidade |
De autoria do poeta Luiz Bacellar, que dispensa apresentação, circulado no Jornal Cultura, órgão da Superintendência Cultural do Amazonas, em outubro de 1982.
Em 26 de maio
de 1877, assume a presidência da província do Amazonas o bacharel Agesilau
Pereira da Silva, nascido em Valença (PI), em 6 de junho de 1846, e bacharelado
pela Faculdade de Direito do Recife, aos 20 anos. Após transferir o encargo
amazonense (14 fev. 1878), retorna à província natal. Por motivos
profissionais, contudo, duas décadas depois desembarca em definitivo em Manaus,
onde faleceu a 26 de janeiro de 1913.
Seu
antecessor, Domingos Jacy Monteiro, apresenta-lhe usual Relatório, onde, dissertando sobre o título – Polícia –, assegura
que por deficiência de pessoal a presidência se obriga “a nomear oficiais que
comandam destacamentos para os cargos de delegado e subdelegado, não obstante
ser isso contrário às recomendações do governo”. Até bem pouco tempo, o mapa de
delegados de polícia no interior do Estado, de competência da Secretaria de
Segurança, permanecia com os policiais militares, portanto, a situação reclamada
por Monteiro permanecia como dantes.
Também neste
documento, o presidente diz das primeiras providências para a inauguração da
Guarda Policial. Menciona a sanção da lei 339, de 26 de abril de 1876; relembra
a outorga do regulamento e, nele, o efetivo previsto: um comandante e um
auxiliar; três inferiores (hoje, sargentos); seis cabos de esquadra
(atualmente, cabo); dois cornetas (corneteiros); e 60 soldados.
Jacy
Monteiro, bacharel em ciências jurídicas e sociais, revela-se ótimo cultor das
letras, destacando-se pelo estilo satírico, mofador com que descrevia inclusive
os assuntos pertinentes ao governo.
Vejamos dois tópicos:
Ao traçar
ponderações sobre a Guarda Policial, e depois de esclarecer a nomeação de um
oficial honorário do Exército para auxiliar o comando na instrução dos guardas,
descreve que no primeiro instante houve certo progresso, mas, “depois o
ajudante começou a não ajudar, o instrutor a não instruir, e parte dos soldados
a entregar-se à embriaguez e até a aplicar-se à ratonice”.
Ainda sobre a
Guarda, outro pormenor. Em 11 de maio, ela possuía dois oficiais e 27 praças.
No decurso do mês, a corporação começou a prestar alguns serviços. “E desde
então, infelizmente, ainda não prestou senão alguns pequenos serviços”. Os
primeiros guardas engajados, diz o presidente, constituíam-se de “indivíduos
mais ou menos idôneos”. Depois escassearam estes, sendo dispensados os de “má
conduta e pouco préstimo”; dessa sorte, não era possível completar o efetivo de
73 homens.
As razões
dessa desdita estão assim resumidas: em consequência do pouco tempo de
organização, do diminuto número de praças, que os obriga a estarem quase
constantemente em serviço, e de outras circunstâncias, falta-lhe a disciplina
necessária. Para completar o quadro, entendi que era conveniente esperar por
alistamentos voluntários e não recorrer a outros meios. Algumas recomendações
se têm feito para promover a apresentação de indivíduos capazes de bem
servirem; mas sem resultado apreciável.
No segundo
tópico, a pena chistosa do presidente retrata uma visita realizada pelo próprio
à Enfermaria Militar de competência do Exército: “Depois das duas horas da
tarde, ainda não havia na enfermaria um só dos medicamentos receitados nesse
dia; encontrei em uma boceta um pouco de ceroto simples, batizado com o nome de
sebo de carneiro”. E a descrição da revista prossegue com a ênfase peculiar do
dirigente, descrição que, diante do desprezo com os doentes, afigura-se atualizada.
Em 1877, a Guarda Policial completava seu primeiro ano, e seguia deficiente ao extremo, conforme se traceja. O presidente provincial, depois de iniciativas malsucedidas para obter alguma utilidade desta força, entende que ela carecia de novo regulamento. A fim de ultimar essa providência e outras que lhe pareciam convenientes, a 1º de maio, nomeia “uma comissão de pessoas competentes”. São três estas autoridades: brigadeiro Pedro Maria Xavier de Castro, comandante das Armas; juiz de Direito Francisco de Paula dos Guimarães Peixoto, Chefe de Polícia interino; e o major engenheiro Joaquim Leovigildo de Souza Coelho, encarregado das obras militares e provinciais. A comissão funcionou, tanto que gerou a reforma a seguir exposta.
Recortei do compêndio Nas Fronteiras do Brasil: missões salesianas do Amazonas, elaborado pelos padres salesianos nos primeiros anos de 1950, a página sobre transportes, para demonstrar as dificuldades daquela região enfrentadas pelos religiosos - padres e freiras. Obviamente, o Alto Rio Negro hoje oferece melhores condições de trabalho e de vida.
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| Acervo do Arquivo Público do Amazonas |
TRANSPORTES
É este o problema dos
problemas no Rio Negro. A navegação fluvial é morosa e precária. A navegação
aérea é sumamente cara para os minguados recursos daquele povo. Estradas de
rodagem não há. As intempéries, as inundações periódicas tornam difícil o
escoamento dos produtos da região e mais difícil ainda a importação do
indispensável ao funcionamento de tantas atividades, e até mesmo dos gêneros
alimentícios que a terra não dá. Daí a lentidão com que tantas coisas são
feitas, sobretudo as construções de prédios, igrejas e oficinas.
Ora, regiões estratégicas
como essa, nas fronteiras com a Colômbia e a Venezuela, precisariam de vias de
comunicação mais fáceis e mais rápidas.
As Missões têm feito o
que têm podido, dentro das suas apoucadas forças e dos recursos que o Governo Federal
lhes faculta.
Assim é que, contornando
temíveis cachoeiras, que dificultam as comunicações fluviais, as Missões já construíram
a estrada de rodagem de Ipanerá a Urubucuara, e estão ultimando presentemente a
rodovia de Papuri ao Tiquié, de 90 quilômetros de extensão, realizando notável
obra de penetração nas matas da zona lindeira do Brasil com a República da
Colômbia, sob os auspícios e o amparo do Governo Federal.
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| Página do referido livro |
Agora, que o automóvel de passeio e o caminhão se introduziram em larga escala no Brasil, seria de vasto alcance a construção de outras estradas, que facilitassem a importação e exportação, entrada e saída dessa região vastíssima, que há tanto tempo está pedindo que a conheçam e explorem. Não fossem as Missões...
A propósito, lê-se na Gazeta
de Manaus (27.01.1950) artigo do deputado estadual do Amazonas, Arthur Virgílio
Filho, do qual nos há de ser permitido respigar esta passagem, que diz bem do
esforço civilizador, colonizador e formador dos missionários Salesianos:
"O que ainda salva o
Rio Negro resulta da atividade fecunda e humanitária das Missões Salesianas.
Tanto em Barcelos como em Uaupés esses abnegados filhos de São João Bosco,
padres e freiras, de acordo com as suas possibilidades que não são muito
amplas, erguem hospitais e escolas, educam as crianças, tratam dos enfermos, empreendem,
enfim, a sacrossanta missão do voto de fé que proferiram. Não fossem as Missões
e não sei o que seria das populações do Rio Negro..."