CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

Mostrando postagens com marcador patronato santa teresinha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador patronato santa teresinha. Mostrar todas as postagens

terça-feira, junho 24, 2025

PATRONATO "SANTA TERESINHA"

 A presente postagem vem do diário A Gazeta que, em 10 de março de 1964, publicou a foto com ampla legenda do Patronato Santa Teresinha. Incapaz de afirmar todo o trabalho da Congregação Salesiana em Manaus, deixou-nos, contudo, um registro competente sobre este trabalho. A respeito deste empreendimento, recolhi do livro "De Tupan a Cristo", comemorando o jubileu de prata dos salesianos na Amazônia, o texto que segue: 

    O nome de Álvaro Maia, que vem honrar a primeira turma de normalistas                 formada no ano passado naquele instituto, afirma a gratidão que os     Salesianos e as Filhas de Maria Auxiliadora lhe devem como a um dedicado amigo e protetor.  Mas, o que melhor ainda atesta a amizade de Álvaro Maia, é o Patronato Santa Teresinha de Cachoeirinha [inaugurado em 1936], que é incontestavelmente a melhor obra de assistência feminina gratuita de todo o Norte do Brasil. (...)

Aproveito, ainda, para externar minha opinião sobre o Patronato, de quem passa diariamente nos horários escolares: vejo um fluxo muito pequeno de alunos deste colégio, as janelas sempre fechadas, o edifício talvez precisando se adaptar aos novos requisitos escolares.    

Recorte de A Gazeta, 10 março 1964, com a legenda transcrita abaixo


MAIS DE MEIO SÉCULO DE VITÓRIAS

O terreno era baldio, existindo na esquina uma velha casa, assobradada, salvo engano de propriedade do sr. Sátiro Marinho. A casa estava abandonada e um dia, para surpresa dos moradores das redondezas, ali surgiram umas freiras – mais precisamente: duas – anunciando que iam ensinar catecismo às meninas e construir um colégio. Eram Irmãs da Congregação Salesiana, vindas do Colégio N. S. Auxiliadora. Apareciam apenas aos domingos, ensinando catecismo. Na sala da frente da velha casa ergueram um altar dedicado à Santa Teresinha do Menino Jesus, onde o saudoso padre Lourenço Gatti, aos domingos, celebrava a Santa Missa. A casa assobradada foi sofrendo reformas e adaptações, e surgiu o colégio com aulas de ensino primário e prendas domesticas.

As duas freiras que por primeiro ali chegaram – Irmãs Glória e Margarida – foram substituídas, surgindo a figura firme e progressista da sempre lembrada Irmã Michelina Nokki, para erguer de fato o Patronato Profissional “Santa Teresinha”, dando novas esperanças e um futuro mais promissor a centenas de moças e crianças não apenas das ruas circunvizinhas, mas, também, de Educandos, Praça 14 e Cachoeirinha.

A obra das irmãs salesianas, de monsenhor Pedro Massa (preferimos chama-lo assim, que lembra melhor a grandeza de sua luta), foi crescendo e se tornando grandiosa. Mais de vinte e cinco anos são decorridos, da velha casa apenas resta a recordação para alguns, porque esse monumento do saber e cultura, de bondade e sacrifício, de abnegação e coragem tomou o lugar. Desde o Jardim da Infância – modelo até o ginásio industrial, tudo de graça, dando almoço e jantar a mais de 500 pessoas. O que aparece na foto nada é em comparação com o que existe lá por dentro, outros edifícios, a majestosa Igreja, o Museu Etnológico. Recordando nomes como da Irmã Luizinha, que recentemente deixou a direção do Patronato para ir empregar seu dinamismo, sua coragem e força de vontade em local onde se faz mais necessária. Este, leitores, é o Patronato “Santa Teresinha”, que caberia melhor numa ampla reportagem.


sábado, setembro 28, 2024

Em 1965, ao comemorar o Jubileu de Ouro da evangelização do Rio Negro (AM), os Salesianos sob a orientação de dom Pedro Massa publicaram um livro registrando os caminhos percorridos e os personagens – eclesiásticos e políticos – que contribuíram com a obra. Por óbvio, vertendo reconhecimentos e bençãos sobre estes. Aproveito o livro editado, intitulado De Tupan a Cristo, para postar algumas páginas bem ilustrativas, começando com a do “tuxaua” Álvaro Maia (1893-1969), páginas que certamente fornecem detalhes da história amazonense.
Capa do livro

 

ÁLVARO MAIA

As missões salesianas desejam por em merecido destaque o nome de Álvaro Maia, que desde o início se revelou grande e devotado amigo, tendo sempre para com elas delicadas provas de amizade, que se revelaram em vários atos de sua administração como Interventor Federal e na qualidade de Governador do Estado.

Álvaro Maia

A Escola Industrial de Tapuruquara [atual Santa Isabel do Rio Negro] lhe deve uma das melhores provas de sua amizade, quando tendo que suspender a construção de seu imponente prédio, encontrou em Sua Excelência um amigo dedicado, que, vencendo dificuldades políticas então surgidas, conseguiu fazer chegar àquela obra um auxílio pecuniário substancial que lhe permitiu a sua definitiva conclusão.  

O nome de Álvaro Maia, que vem honrar a primeira turma de normalistas formada no ano passado naquele instituto, afirma a gratidão que os Salesianos e as Filhas de Maria Auxiliadora lhe devem como a um dedicado amigo e protetor.  Mas, o que melhor ainda atesta a amizade de Álvaro Maia, é o Patronato Santa Terezinha de Cachoeirinha [inaugurado em 1936], que é incontestavelmente a melhor obra de assistência feminina gratuita de todo o Norte do Brasil. (...)

Patronato Sta. Teresinha, em construção

Foi ele adquiriu vários dos vinte e tantos lotes em que estava, então, fracionada a atual área daquele estabelecimento resolvendo dúvidas para a indenização de pequenas faixas de terras e de pobres choupanas, amparando famílias que deviam dar lugar para a continuidade do terreno indispensável àquela obra, animando com sua presença os modestos inícios do Patronato desde quando se reduzia à residência e pequeno pátio do saudoso Professor Olímpio de Menezes, Álvaro Maia constituiu-se um dos maiores benfeitores daquela instituição, que agora é motivo de justificada honra para todo o Estado do Amazonas.

A ele a justa gratidão de milhares de jovens agora já devidamente diplomadas, que o consideram como amigo e benfeitor.

Poeta e orador, Senador pelo Estado, enaltecendo com seus primorosos discursos e sua capacidade intelectual, membro e depois presidente da Comissão de Relações Exteriores, representando nesta qualidade o Brasil nas grandes Assembleias da Europa, o modesto glebário, que ainda agora vive do seu pronunciado amor à gleba natal, prestou assinalados serviços à sua Pátria e num gesto feliz, na Comissão de Finanças no Senado, salvou a situação precária das missões, amparando-a de uma feita, no momento em que na votação final do Orçamento lhes haviam sido negados os recursos necessários para a sua manutenção.

Na pessoa de Álvaro Maia, a Missão Salesiana deseja manifestar sua gratidão também a todos os governadores, políticos e amigos do Estado, que amparam nas horas duras da necessidade os passos às vezes incertos, na longa caminhada pelos sertões adentro na sua conquista espiritual e civilizadora.