CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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domingo, fevereiro 26, 2023

OS "BANHOS" DE MANAUS

 A capital amazonense, cercada de cursos d´agua, utilizou por longo tempo os igarapés para a higienização e o lazer. Tratava-se dos "banhos". Depois vieram os balneários, as piscinas e, em  nossos dias, resta apenas a recordação.   

Parque Dez de Novembro

Praia da Ponta Negra, anterior ao Tropical Hotel

Cachoeira do Tarumã (acima) e Ponte da Bolívia (abaixo)


quarta-feira, agosto 07, 2019

SUBDELEGACIAS DO MORRO E DE OUTROS


Jornal do Commercio, 8 agosto 1969
O texto seguinte saquei do matutino indicado na legenda:

Com a inauguração ontem [7 agosto] das subdelegacias dos bairros do Morro da Liberdade, Flores, Raiz e Parque 10 (Conjunto Castelo Branco) ocorridas ontem, o governador Danilo de Mattos Areosa partirá, agora, para a construção de mais oito subdelegacias nos bairros da Matinha, Colônia O. Machado, Nova Betânia, Crespo, Japiim, Petrópolis, São Lázaro e Santo Antônio, sendo que estas quatro últimas deverão ter suas obras de construção concluídas dentro de dois meses, conforme previsão da Secretaria de Obras do Estado.
A construção de subdelegacias nos referidos bairros e constante do Plano Quinquenal do Governo Danilo Areosa, e obedece a uma planta padrão, dotada de instalações adequadas ao perfeito funcionamento das atividades daqueles órgãos subordinados à Secretaria de Segurança, possuindo, inclusive, alojamento para policiais de plantão.
O governador Danilo de Mattos Areosa procedeu, na manhã de ontem, a inauguração das subdelegacias de Flores, Parque 10 (Conjunto Castelo Branco), Raiz e Morro da Liberdade, detendo-se nesta última, onde pronunciou um discurso, presentes o sr. Moacyr Alves, secretário de Segurança do Estado, funcionários daquela secretaria e outras autoridades.
As construções das delegacias seguiam um padrão; este é a de Flores, porém a inauguração geral ocorreu na do Morro

A abertura da solenidade foi feita pelo sr. Moacyr Alves que ressaltou a ação do Governo em dotar os bairros de Manaus de subdelegacias em prédios e instalações condignas, em substituição às antigas, em sua maioria de madeira. “Isto é mais uma demonstração da seriedade com que o Governo de V. Exa. encara o futuro, porquanto são obras duradouras, como têm sido todos os demais empreendimentos, pois a administração atual realiza sempre visando o futuro”.No discurso que fez por ocasião dessa solenidade, o sr. Danilo de Mattos Areosa ressaltou, mais uma vez, a preocupação do seu governo pela segurança pública, pois entende que nenhum povo pode progredir e desenvolver sem que haja ambiente de paz e tranquilidade. “Nenhuma obra pertence ao Estado, que apenas administra e aplica dinheiros públicos, e sim, ao povo”, disse o governador Danilo Areosa em sua alocução. Cabe, portanto, prosseguiu — “à população deste bairro zelar por este imóvel, pois em seu benefício, ele foi construído”, concluiu.

Nota pessoal:
Estive morando no Morro entre 1959 e 1966, quando fui engajado na Polícia Militar do Estado. Ainda assim, não participei da inauguração deste órgão de segurança. Que, por óbvio, prestou estimado auxílio à segurança do Morro, então tido como um pedaço de “mau caminho”. A ligação que hoje utilizamos para alcançar o bairro da Cachoeirinha ainda não existia, o igarapé do Quarenta impedia. Como o passar do tempo, a delegacia foi perdendo sua importância, assim viu-se aproveitada para abrigar a Associação de Mães, que ainda hoje ocupa o cinquentenário prédio.
No entanto, recordo-me bastante do Campo do Bariri, onde foi construída a delegacia, que era onde a moçada do Morro se divertia, antes de alcançar o Quarenta para o banho reconfortante. Apesar da estatura (1m64), era eu o goleiro do Botafogo, da rua São Pedro. E, no Bariri, não foram poucas vezes que fiz raiva ao adversário, mas, bem mais, aos colegas botafoguenses. Depois da delegacia, veio o Centro de Saúde. Mas isso é outra história.

domingo, abril 15, 2018

MURUAMA CLUBE DE CAMPO

Recorte da citada edição
As águas do igarapé do Mindu que abasteciam a piscina do Parque Dez, antes de alcançarem aquele balneário, serviam outros balneários e clubes particulares. Instalados à margem da Estrada do V-8, hoje avenida Efigênio Sales,  atendiam a uma seleta presença.
Vou compartilhar a movimentação de um desses clubes, o Muruama, cuja localização precisa hoje é dificultada pela urbanização da área. A reportagem foi escrita pelo saudoso jornalista Ulisses Azevedo e com fotos de Antonio Menezes e Luís Vasconcelos e encartada em A Crítica, edição de 18 maio 1975. 

Projeto da sede social, que desconheço se construída

Muruama
Reunião de Amigos, na literatura cabocla — é o refúgio benéfico de um grupo de homens, que agora parte para a concretização do seu sonho: a construção da sede social, projeto do engenheiro Carlos Falcone, sócio do clube.
Alguém disse a alguém, haver lido alguma coisa em alguma revista, sobre o significado da palavra MURUAMA. Queria dizer “reunião de amigos”. E aqueles 21 amigos que estavam procurando um nome para um clube que desejavam fundar, o adotaram. Depois um terceiro alguém veio dizer que o nome tinha outro significado. Não interessava mais. O nome era bonito, o clube estava fundado e os amigos com um local aprazível para reunirem. Esta é a origem do MURUAMA CLUBE DE CAMPO. Vamos aos efeitos.

Fundadores
Fundar um clube não é tarefa fácil. Precisa motivação e sócios. Existiam as duas coisas. Para quem frequentava a [avenida]Getúlio Vargas, era aluno do Colégio Estadual do Amazonas, sentava naqueles bancos em frente ao Politeama, e aos domingos buscava um balneário para uma gostosa “pelada”, ter um clube para si e seus amigos era o maior sarro.
O Dr. Almeron Caminha tinha um terreno lá na Estrada do V-8, cortado pelo igarapé do Mindu. Eles compraram um lote. E no dia 29 de junho de 1958 era fundado o Muruama Clube de Campo. Na mesma data em que o Brasil, lá na Suécia, conquistava o seu primeiro campeonato mundial de Futebol.

Os 10 que ficaram
No Muruama só existem sócios-fundadores. Dos 21 fundadores ainda restam 10. Os outros deixaram o clube por motivos diversos.
O presidente é o Flávio Figliuolo e na vice o Fernando Andrade; o Silvio Figliuolo é o secretário. Como não poderia deixar de ser o tesoureiro chama-se José Naice Filho. Diretor social: Manuel Garcia Marques, o Maneca. O Mauricio Andrade toma conta do bar. Os outros sócios, que não figuram na diretoria: Cláudio Figliuolo, Carlos Falcone, Sebastião Maia da Silva e Carlos Alberto Hoagem.

Os convidados
Edição referida
Quem não é sócio fundador e frequenta o Muruama é chamado de “convidado”. E tem até “convidado permanente”, com direitos adquiridos e permissão para reclamar, conta corrente no bar e outras “vantagens”. Por isso e por causa disso, ali são encontrados aos sábados, domingos e quintas-feiras, quase sempre acompanhados da família, os amigos Caubi Peixoto Filho, D'Sica, Miguel Martinho, Manuel Lapa, João Wanderley, José de Andrade Azedo, Manuel Trindade, Agostinho Freitas, Dalmy Jones, Cirilo Neves e outros bacanas.

Muruama
Quem passa na Estrada do V-8, agora asfaltada e muito bem transitada, e até com nome de ex-governador do Amazonas (Efigênio de Salles, por sinal o único a governar o Amazonas com o título de Presidente) vê o Muruama. Se tiver vontade, pode entrar que será sempre bem recebido.
A poluição ainda não chegou por lá. A agua é corrente, a piscina está no próprio leito do igarapé do Mindu. Três pontes ligam as margens do balneário. Naturalmente a de cima, a do meio e a de baixo. Uma, de alvenaria, serve apenas como decoração. E como o direito de reclamar é permitido no Muruama, aqui vai uma sugestão: derrubem aquela ponte, não tem serventia, a única coisa feia em toda uma paisagem maravilhosa, onde até o barracão em que o Mauricio tem o bar, alegra o ambiente. Menos a ponte de cima, de concreto, que ninguém usa, preferindo as duas outras, de madeira, mais atraentes e acolhedoras, na simplicidade que bem caracteriza o Muruama e seus frequentadores. As barraquinhas espalhadas nas proximidades da piscina...
Crianças tomando banho, jovens curtindo um sol, senhoras num papo legal, e muito marmanjo aproveitando para “umas e outras”, com tira-gosto ou sem ele, da “loura suada” à batida de limão. Jogo de vôlei, futebol dos grandes aos sábados, peixadas nas noites de quinta-feira. E o dominó para todas as idades.
Entre “umas e outras” as conversas são as mais variadas. Da política internacional ao futebol passado O Agostinho pode contar estórias de quando morou nos Estados Unidos; o Carlito Neves fala das maravilhas do Frigomasa; o Flavio, também chamado de “cardeal”, passeia na sua importância de presidente;
Naice, pelo chargista
Miranda - A Crítica, 21.12.74
o Naice não fala nem presta atenção, atenção, vai pra lá de marmita e quando não está comendo, está bebendo; o Maneca, apelidado de “diretor social”, fica transando de uma margem para a outra; o bom turquinho Miguel vai para tomar banho mesmo, não sai da piscina.
Lá no bar o velho Rabito conta estórias do futebol do passado, de quando ele foi campeão pela União Esportiva em 35 e 36. Diz ele que jogador daquela época era mais ligeiro que os de agora. Ele, Rabito, batia um corner e corria com tal velocidade que podia cabecear e fazer o gol. E todos acreditam... Porque amigo é pra essas coisas.

Coisas do futebol
O Muruama tem disciplina. Nas noites de quinta-feira a peixada, com obrigação do sujeito levar a família; aos domingos o futebol é para a garotada, o vôlei para os adultos e a piscina para todos.
Futebol dos grandes no sábado à tarde, depois das quatro e meia. Apenas dois times, permanentes, jogando todos os sábados. SITUAÇÃO e OPOSIÇÃO, tendo o Naice como árbitro geral, para qualquer decisão fora do campo.
A Situação é o time pelo qual o presidente torce; a Oposição é o outro. Quem chega ao Muruama, pela primeira vez, é obrigado a escolher um dos dois times para torcer. E não pode mudar, pois “vira-casaca” não é permitido. Torceu uma vez, torce a vida inteira.

quinta-feira, março 01, 2018

CONJUNTO CASTELO BRANCO

Esta reportagem circulou na edição dominical de A Crítica (15 abril 1970), mostrando a situação do Conjunto Habitacional Castelo Branco, ainda em fase de implantação no bairro do Parque Dez. De fato, a situação era de extrema dificuldades para os promitentes-compradores. 
Em nossos dias, a mudança no quadro do Conjunto não permite crer no jornalista Irandy Ferreira e no Pinduca, grande fotógrafo, autores da página.

A Crítica, 15 abril 1970