CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sexta-feira, agosto 09, 2019

NOVO IMORTAL DA ACADEMIA DE LETRAS



Ontem, à noite, a Academia Amazonense de Letras empossou solenemente o novo ocupante da Cadeira 30: Marcos Frederico Krüguer Aleixo. Para melhor orientação dos presentes distribuiu uma plaqueta com dados sobre o agraciado, os quais aqui compartilho:


Nota Biográfica

MARCOS FREDERICO KRÜGER ALEIXO nasceu em Manaus no dia 7 de abril de 1949. Advogado formado pela Universidade Federal do Amazonas (1971) cursou Mestrado em Literatura Brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro, orientado pelo renomado poeta e ensaísta literário Gilberto Mendonça Teles.
Em 1997, com a orientação ainda de Gilberto Mendonça Teles, defendeu a tese “Recriando a criação: natureza e cultura em mitos amazônicos”, trabalho com o qual se tornou Doutor em Literaturas de Língua Portuguesa. Essa tese foi publicada em 2007, pela Editora Valer, de Manaus, com o título de Amazônia: mito e literatura.

Marcos Frederico
Em 2006, ganhou o Prêmio L. Ruas, da Prefeitura Municipal de Manaus, com o ensaio A Sensibilidade dos punhais (publicado em 2007), obra em que analisa a presença do mar na obra de três poetas amazonenses: Violeta Branca, Sebastião Norões e Luiz Bacellar.
Além desses livros, publicou outros de caráter didático e paradidático, em parceria com Tenório Telles, Zemaria Pinto, Allison Leão e Antônio Paulo Graça.

Foi agraciado com a Medalha do Mérito Educacional, outorgada pelo Conselho Estadual de Educação, no dia 15 de outubro de 2011. Também recebeu a Medalha do Mérito Cultural Péricles Moraes, honraria que lhe foi concedida pela Academia Amazonense de Letras em 28 de abril de 2017.

No campo profissional, aposentou-se na Universidade Federai do Amazonas em 2003. Nessa instituição, além da docência, exerceu diversos cargos administrativos, dos quais o mais importante foi o de Diretor do Instituto de Ciências Humanas e Letras a partir de 1998. Atualmente, leciona na Universidade do Estado do Amazonas, com atuação no curso de Letras e no Programa de Pós-graduação em Letras e Artes.
Como orientador de dissertações de mestrado, ia conduziu os estudos de dezenas de alunos, privilegiando na pesquisa de seus orientandos a literatura que se tem produzido no Amazonas, com o objetivo de criar uma bibliografia específica sobre os estudos literários regionais.


quarta-feira, março 21, 2018

DIA NACIONAL DA POESIA

Luiz Bacellar



Para saudar o Dia Nacional da Poesia, um poema inédito do saudoso Luiz Bacellar, certificado pelo poeta Zemaria Pinto e os especialistas Allison Leão e Marcos Frederico. Encontrei-o publicado em O Jornal, edição dominical de 24 de janeiro de 1965.


 As Duas Flautas (Apólogo)

Luiz Bacellar


Sobre a mesa poenta do antiquário
veio a réstia de sol brincar leviana.
E qual garota num sótão sozinha,
ficou-se deslumbra e pensativa
entre dois objetos muito antigos:
uma flauta de barro e uma flauta de cana.

Eram dois instrumentos pertencentes
a coleção privada do argentário,
entre cornes, alaúdes e violas,
velhas trompas de caça e alguns violinos
desencordoados, celos sem cravelhas,
desolados fagotes, bombardinos,
contrabaixos, pistões, liras, ceslestas
e alguns azinhavrados velhos sinos.

Então, como tocados de magia,
pela réstia de sol que ali se estava
estremeceram... Por alguma fresta
das janelas fechadas da mansarda
entrou um buliçoso golpe de ar
que, com a réstia de sol, vinha brincar.

Como um longo gemido suspirado
de quem acorda de um profundo sono
veio a interrogação: — “Aonde estou?”

Pára o golpe de ar. Queda-se a réstia
de sol surpreendida. E, na poeira
levantada naquela brincadeira,
se deixaram ficar muito quietinhos.
Mas antes, um soprou à companheira:
— “Foi a flauta de cana quem falhou...”
E assim os dois ouviram o diálogo
que me contaram e que aqui vos dou:

Disse a flauta de cana de bambu:
- “Onde é que vim parar?... Oh! quanto pó!
 Não conheço ninguém, como estou só.