CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

sábado, junho 07, 2025

PMAM: ANIVERSÁRIO DE 91 ANOS

Esta postagem reproduz uma cena da festa pela passagem dos 91 anos de existência da Polícia Militar do Amazonas, realizada em 4 de maio de 1967. Estranho, não? Afinal esta corporação comemora sua criação em abril e, mais, a contar de 1837, portanto, àquela data a PMAM deveria comemorar 130 anos. Explico o possível equívoco.

Até o ano de 1972, a briosa reverenciava sua criação datada de 4 de maio de 1876. A partir de 72, a data tomou um anabolizante e a criação foi arremessada para 3 de abril de 1837. Daí os 91 anos reportados pelo jornal com uma foto icônica. Diria, até constrangedora.
Mais um esclarecimento: à época, as forças estaduais eram comandadas por oficiais da Força Terrestre. Aqui era um oficial EB, porém, da patente de capitão. Talvez o único no Brasil do regime militar a exercer este comando. Daí o desnível entre os generais comandantes do Exército no Amazonas e o capitão EB (nas funções de coronel PM) Hernany Guimarães Teixeira. 

Publicado em O Jornal, 4 maio 1967

Cópia da legenda: 

Os 91 anos da Polícia Militar do Estado foram festejados, ontem com brilhantismo. No flagrante acima, em primeiro plano, o governador Danilo Areosa, os generais Isaac Nahon e Ayrton Tourinho e o coronel Ernani Teixeira, comandante da briosa corporação, assistem ao desfile da tropa.

quinta-feira, junho 05, 2025

PRAÇA DA POLÍCIA - MANAUS

 No centro da cidade, este logradouro já possuiu diversas nomenclaturas, a atual é Heliodoro Balbi, mas quem o conhece por esta designação? Raros. No entanto, o codinome imposto pela população, de Praça da Polícia, todos conhecem. A praça que surgiu no período provincial, recebeu esta alcunha devido a existência do quartel da Polícia Militar no seu entorno. Em nossos dias, a praça se encontra descuidada, desfigurada e invadida por delinquentes, além de abandonada há tempos pela Banda de Música.
Capa do livro


Esta postagem pertence ao saudoso acadêmico João Nogueira da Mata (1909-91), inserta em sua obra Manaus por Dentro, editada em 1988. A dissertação evidencia o manauara que conheceu sua cidade em detalhes. Nascido na Cachoeirinha, passou pelo Palácio Rio Negro, ingressou na Academia Amazonense de Letras, e dedicou os derradeiros dias a escrever sobre a Amazônia. 



        Das praças com que hoje inda contamos,/ 
nesta Manaus algumas                 vezes quente,/ a Praça da Polícia, realmente,/ constitui um oásis que         estimamos. 

Eis como a vê o poeta, in “Manaus de Sempre”, livro já em plena divulgação. Praça tradicional da cidade, que vem de longos anos, como espaço admirável para o repouso do povo nos dias mais intensos de canícula.

Há anos parecia mais fagueira,/ os canteiros com grades ogivais,/                 as piscinas com peixes regionais,/ e as aves que a tornavam mais                 fagueira. 

De feito, na década de vinte [1920], parecia mais alegre, com canteiros bem cuidados por jardineiros portugueses. Suas piscinas exibiam peixes que despertavam a curiosidade de todos, como o pirarucu e o peixe-boi, o tambaqui e a pirapitinga. Lontras, tartarugas e outros quelônios, todos muito bem tratados. Fazia gosto vê-los assim no ambiente natural, e de suma importância para os habitantes da cidade. Romântico quando as crianças, em grupos saltitantes, davam nacos de guloseimas para os peixes.

Suave a cobertura bem umbrosa/ do arvoredo, nas horas de                         lazer,/ em que o povo, tomado de prazer,/ achava paz na vida                         trabalhosa. 

Evidentemente, é a mais autêntica de nossas praças públicas, pelo número vultoso de árvores que a circundam. Árvores nossas, exibindo espécies importantes da Hileia de Humboldt, com cerca de quatro mil tipos diferentes. Sob suas copas frondosas, que amenizam o calor do verão, os frequentadores dela, em verdade encontram prazer, pelas manhãs e pelas tardes, quando procuram o repouso depois do trabalho.

Das retretas foi praça consagrada,/ às quintas e domingos, sem                 falhar, / com a banda da Polícia Militar,/ música apresentando                         requintada. 

Época sem dúvida romântica, essa das retretas, não só na Praça da Polícia, senão também na Praça General Osorio, de mangueiras frondejantes. Inteiramente franqueadas às gerações novas cheias de devaneios exultantes. Cerca de duas horas de entretenimento, só encerrado com o toque altissonante nos quarteis até então em pleno funcionamento. Terminado o recreio salutar, que estimulava os jovens ainda sob o influxo da adolescência, os casais rumavam para casa plenamente felizes porque era o recreio de sua predileção.

Quando as Revoluções eclodiram em Manaus, alterando o ritmo de vida da cidade, a Polícia Militar chegou a ser atingida [1930]. Fechou-se o quartel tradicional. Transformaram-no em Escola Normal. Pois bem, imposto o recesso aos heróis da guerra de Canudos, com Cândido Mariano à vanguarda, nem assim as retretas deixaram de existir. Por interferência de elementos de prestígio perante as autoridades então no poder, a “A Banda dos Abandonados” -- ex-músicos da Polícia Militar -- voltou a deliciar o público, às quintas-feiras e domingos, com escolhido repertório.

Outra curiosidade da Praça: nela está instalado o Clube da Madrugada, debaixo de antigo mulateiro. A árvore que, na crença popular, jamais envelhece. De tempos em tempos muda a casca, à semelhança das cobras, e assim se renova. É voz corrente que o Clube da Madrugada, lançado por um grupo de intelectuais — Farias de Carvalho, Jorge Tufic, Alencar e Silva, e tantos outros — conhece o segredo da eterna juventude. Quem a ele pertence, com o juramento no pé da árvore, só vê tempo passar, mas continua inflexível como as sumaumeiras. E os novos, que aderem inebriados com a poesia moderna, esses se tornam também da força inexaurível dos mais antigos. (...)

quarta-feira, junho 04, 2025

PMAM: COMANDANTE-GERAL

 Encerrado o Governo dos generais, período em que a Polícia Militar do Amazonas, assim como as demais congêneres, foi comandada por oficial da Força Terrestre, assumiram essa função seus integrantes. O primeiro foi o coronel Helcio Rodrigues Motta (1983-87). Seu sucessor foi o coronel Pedro Rodrigues Lustosa (1987-89), que servira na Casa Militar do governador João Walter (1971-75). Oficial conhecido por sua disciplina e organização, qualidades que decidiu manter vigorosamente em seu comando. Deste propósito, ilustra o extinto jornal Diário do Amazonas (1º maio 1988), abordando o julgamento de vários policiais na Auditoria Militar.
Coronel Lustosa
Recorte do jornal acima e abaixo


terça-feira, junho 03, 2025

MONUMENTO NA PRAÇA DA POLÍCIA

 Mais uma contribuição do jornal A Gazeta, em sua coluna A Cidade em Foto, edição de 28 de janeiro de 1964, focando a peça artística O Javali e o Cão, instalada naquele logradouro desde sua inauguração em 1906. Sessenta anos depois do recorte jornalístico, o bronze segue deteriorando-se, pior a praça que vergonhosamente perdeu o brilho e atrativo, afundada em misérias, abandonada pelo poder e sequestrada por indesejáveis. 


DOS TEMPOS EM QUE MENTIRA ERA POTOCA  

Manaus já teve coisas belas em seus parques e jardins. Que o tempo e os homens fizeram desaparecer, deixando alguns remanescentes para agradar um pouco a paisagem e fazer relembrar o passado. Toda cidade tem suas histórias, forjadas em grandezas e misérias. E a nossa pacata e invencível ex São José da Barra do Rio Negro não poderia fugir à tradição. Coisas velhas, como diziam, do “arco da velha”, quando mentira se chamava “potoca”, e fio de bigode valia mais que assinatura em aval de promissória.

O javali briga com um cachorro, esculpido no bronze, sobre uma pedra, e colocado no jardim da Polícia, onde ainda se encontra. Da briga nada interessa, que um encontro de onça com jacaré é mais interessante, pitoresco e muito mais amazônico.

O valor está na obra de arte, na beleza que encerra, e de que os frequentadores daquele logradouro público nem se apercebem. E que, mesmo assim, já se integrou à vida da cidade. 

Mesma peça, ano 2015