CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

segunda-feira, maio 11, 2015

CENTENÁRIO DO IGHA

Salão Arthur Reis
O Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) já se prepara para celebrar seu primeiro centenário. O evento ocorre em mais dois anos, em 25 de março de 2017. Do material já pesquisado pelo estagiário Sebastião Silva, reproduzo abaixo a relação da primeira diretoria do IGHA que, obviamente, plagiava a organização do Instituto Brasileiro. Por isso, a fartura de comissões; o elevado número de associados; nenhuma mulher, nessa organização; mas, como se repete em nossos dias, poucos os que se dedicam a instituição.
Primeira Diretoria (triênio 1917-1920)



Presidente: coronel (GN) Bernardo de Azevedo da Silva Ramos

1º Secretário: professor Agnello Bitencourt

2º Secretário: coronel (GN) Henrique Rubim

Orador: Dr. Vivaldo Palma Lima

Tesoureiro: coronel (GN) Antonio Clemente Ribeiro Bittencourt



1ª Comissão de Sindicância, Redação de Estatutos, Regimentos e Regulamentos



Dr. Vicente Telles de Souza Junior

Dr. Raymundo de Carvalho Palhano

Dr. Manoel Miranda Simões 



2ª Comissão de Finanças


Dr. Antônio Crespo de Castro

Dr. Manoel de Miranda Simões

Coronel (GN) Antônio Lopes Barroso



3ª Comissão de Redação da Revista do Instituto



Coronel (GN) Bernardo de Azevedo da Silva Ramos

Professor Agnello Bittencourt

Coronel Henrique Rubim

Dr. Vivaldo Palma Lima

Dr. Adriano Augusto de Araújo Jorge

Dr. Manoel Miranda Simões


4ª Comissão de Geografia



Dr. Teogenes Beltrão

Professor Agnello Bittencourt

Dr. José Chevallier Carneiro de Almeida



5ª Comissão de Observações Astronômicas, Limites e Levantamento das Cartas



Dr. Henrique José Moers

Dr. Ignácio Moer Beck

Dr. Armando Ricci



6ª Comissão de História



Conêgo Dr. Israel Freire da Silva

Dr. Vivaldo Palma Lima

Dr. Achilles Bevilaqua



7ª Comissão de Arqueologia


Coronel Bernardo da Silva Ramos
Dr. Manoel Francisco Machado (barão do Solimões)
Dr. Gilberto de Sabóia



8ª Comissão de Etnografia

Dr. Astrolábio Passos
Dr. Jorge de Moraes
Dr. Egas Duarte

9ª Comissão de Antropologia

Dr. Hamilton Mourão
Dr. José de Freitas Bastos
Dr. Virgílio Barbosa

10ª Comissão de Botânica e Zoologia

Dr. Manoel Ribeiro da Cunha
Dr. José Francisco de Araújo Lima
Dr. Alfredo Augusto da Matta

11ª Comissão de Geologia e Mineralogia

Dr. Ignácio Moer Beck
Dr. Francisco  Lopes Braga
Dr. Jerônimo Ribeiro

12ª Comissão de Filologia

Dr. Plácido Serrano Pinto de Andrade
Dr. Adriano Augusto Araújo Jorge
Dr. João Coelho de Miranda Leão

13ª Comissão de Agricultura e Zootecnia

Dr. Manoel Beretti Guimarães
Dr. Esmeraldo Américo Coelho
Comendador José Cláudio Mesquita

14ª Comissão de Comércio, Indústria e Navegação

Dr. Antonino de Miranda Corrêa
Coronel José da Costa Teixeira
João Alberto Andresen

15ª Comissão
de Numismática, Tombamento, Pesquisa de Documentos, Obras e Manuscritos Antigos e Raros.


Coronel (GN) Bernardo da Silva Ramos

Coronel (GN) João Batista de Farias e Souza

Coronel Raymundo Monteiro



SUBSTITUTOS E SUPLENTES



1º Vice-Presidente 

Dom João Irineu Joffily





2º Vice-Presidente

Dr. Antônio Ayres de Almeida Freire





Suplente de Secretário 



Dr. Gentil Augusto Bittencourt

Coronel Octáviano Silveira



Substituto de Orador



Dr. Adriano Jorge



Fiel do Tesoureiro



Cláudio Mesquita



SUPLENTES DAS COMISSÕES



1ª Comissão



Dr. João Henrique dos Santos

Dr. Hermes Tupinambá



2ª Comissão



Dr. Francisco Faria e Souza


Coronel (GN) José Teixeira







4ª Comissão 



Dr. Ricardo Mateus Barbosa de Amorim

1º tenente Sostenes Barbosa



5ª Comissão



Capitão-tenente Armando Otávio Roxo

Dr. Antônio Telles de Souza



6ª Comissão



Dr. Raimundo Rocha dos Santos

Dr. Vicente Telles Souza Junior



7ª Comissão



Dr. Alcides Bahia

Coronel J. B. Faria e Souza



8ª Comissão



Dr. Manoel Dias

Dr. Lauro Cavalcante 



9ª Comissão



Dr. Elviro Dantas Cavalcante

Dr. Antônio Palhano





10ª Comissão



Dr. Jeremias de Lima Verde

Dr. Egas Duarte



11ª Comissão



Dr. Armando Ricci

Dr. Gilberto Frignani



12ª Comissão



Professor Alfredo Alberto de Carvalho

Professor Francisco Luiz Pereira



13ª Comissão



Dr. Paulo Eleutério Álvares da Silva

Dr. Angelino Bevilaqua



14ª Comissão



Dr. Adelino Cabral da Costa

Professor Heitor de Figueiredo



15ª Comissão



Coronel Ciríaco Alves Muniz

Coronel (GN) José Teixeira





domingo, maio 10, 2015

SAÚDE EM MANAUS

No início do Governo Militar, a Maternidade Balbina
Mestrinho teve sua denominação mudada para
Ana Nery (foto). Quando do segundo governo de
Gilberto Mestrinho (1983-87),
esta casa de saúde voltou ao nome primitivo

Instituto de correção de menores masculinos foi restaurada
no governo de Arthur Reis (1964-67). Existia onde hoje se
encontra a Arena da Amazônia.
(Foto de O Jornal, 15 nov. 1966)

quinta-feira, maio 07, 2015

HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO AMAZONAS (3)

Na primeira década do século passado, circulava em Manaus a “Revista destinada a vulgarização de documentos geográficos e históricos do Estado do Amazonas”, intitulada ARCHIVO PÚBLICO.
Em 17 de outubro de 1907, Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha (filho do 1º presidente da Província amazonense e dirigente do referido órgão), proferiu uma palestra sobre a História e Geografia do Amazonas. Essa alocução, realizada no Ginásio Amazonense diante de respeitável plateia e do próprio governador, Constantino Nery, foi reproduzida no volume II, datado de 23 de janeiro seguinte.

A seguir, a III Parte

A Amazônia brasileira tem a sua posição astronômica na zona equatorial; e divide-se, sem o Tocantins, nos Estados do Pará, Mato Grosso e Amazonas e, com o Tocantins, também nos Estados do Maranhão e Goiás.

O Estado do Pará acha-se situado entre 4o10’ de latitude N. e 8o40’ de latitude S., e entre 2o10’ e 15o20’ de longitude Oeste; e do Amazonas, que está intimamente ligado pela raça, costumes, natureza do solo, clima, e vida social e política dos seus habitantes, fica situado entre 5o10’ de latitude N. e 10o20’ de latitude S. e entre 13o40’ e 32o de longitude Oeste.

O clima do vale do Amazonas, como no seu livro “Narrative of travels on the Amazon and Rio Negro”, descreveu Wallace, é notável pela uniformidade da sua temperatura, e por uma provisão regular de umidade. Referindo-se ao Pará, diz que “as estações aí são tão modificadas que tornam o seu clima um dos mais agradáveis do globo e a sua maior variação, em um dia, que não é nunca mais de 20oF, e, em quatro anos, as mais baixas e mais altas temperaturas dão somente um extremo de variação de 25o. Provavelmente não existe no mundo clima mais igual.

“O clima no Pará, embora perto do Equador, não é excessivamente quente. Somente uma só vez, segundo lê-se no ‘The naturalist on the River Amazonas’, de Battes, já atingiu num período de três anos a temperatura de 95oF (35oC)”. O maior calor do dia é geralmente 89º a 94º, e o ar nunca é mais frio de 73º de modo que existe uma temperatura uniformemente alta e média do ano de 81º (27ºC).

No Estado do Amazonas a temperatura à sombra marca 27o a 33o centígrados, descendo algumas vezes num período de dez anos a 20o na capital e a 12o no interior, e, raríssimas vezes, eleva-se a 35o.
É um dos climas reconhecidos por todos os viajantes, que já o experimentaram, afirma Maury, mais deliciosos e mais saudáveis do mundo.

Verificou o almirante Barão de Ladário (José da Costa Azevedo) com auxílio poderoso do 1º tenente da Armada José Soares Pinto, quando ambos em serviço da Comissão de Limites do Brasil com o Peru, que a média mensal da temperatura de Belém do Pará, Manaus e outras localidades pertencentes a província do Amazonas, no espaço de um ano nunca excedeu, segundo as observações que fizeram anualmente, diariamente, por subdivisões semestrais, e estas por quartéis de trimestre, da média seguinte nos 4 quartéis, em Belém:




1º QUARTEL                                             2º QUARTEL
Janeiro .................. 26o 74           Abril ...................... 26o 58 
Fevereiro ............... 26o 47            Maio ...................... 27o 16 
Março .................... 27o 03             Junho .................... 28o 03

3º QUARTEL                                             4º QUARTEL
Julho .................... 28o 26            Outubro ................ 27o 88 
Agosto .................. 27o 98             Novembro ............. 27o 35 
Setembro ............. 27o 57              Dezembro ............. 27o 37    
 
A temperatura média nos 4 quartéis foi:
         no 1º ........... 26o 747,
no 2º ........... 27o 257,
no 3º ........... 27o 937,
no 4º ........... 27o 517.
 
A temperatura média, mensal, para Manaus:
1º QUARTEL                                             2º QUARTEL
Janeiro .................. 26o 08             Abril ...................... 26o 25
Fevereiro ............... 25o 82            Maio ...................... 26o 03
Março .................... 25o 76             Junho .................... 25o 67
 
3º QUARTEL                                             4º QUARTEL
Julho .................... 26o 59              Outubro ................ 27o 73
Agosto .................. 26o 21             Novembro ............. 28o 03
Setembro ............. 26o 93              Dezembro ............. 27o 32    
 
A temperatura média nos 4 quartéis nos dois semestres foi:
no 1º .............. 25o 886,
no 2º .............. 25o 983,
no 3º .............. 26o 576,
no 4º .............. 27o 693.
 
Observa-se em todo o Estado do Amazonas, anualmente de 23 de junho a 10 de julho, e algumas vezes em agosto, e raríssimas em setembro, fatalmente em Manaus, a máxima absoluta de temperatura de 22o C e a mínima de 14o durante só o tempo de três dias consecutivos.
Este fenômeno os habitantes da Amazônia denominam friagem, por provir de um vento frio de S. ou SO., soprado naturalmente da cordilheira dos Andes, que, por este mesmo tempo, também é acossada por chuvas torrenciais, como se depreende da opinião emitida por Elisée Reclus.
A friagem é a mudança brusca da temperatura, tendo por sua precursora a chuva torrencial, que cai fazendo-se acompanhar de rija e fria ventania de S. ou SO, relâmpagos e trovões, e logo que levante o mau tempo, permanece a ventania desencadeada vinda do cume gelado dos Andes. Daí o céu torna-se nebuloso; tênue, serenoso e frio chuvisco irriga constantemente, sem cessar, a terra, que densa neblina escurece e faz resfriar a sua temperatura, encobrindo o sol, durante 72 horas, em Manaus, e mais tempo, mesmo de 15 a 20 dias, noutros lugares mais aproximados das geleiras da cordilheira.
A sua temperatura mínima de 14ºC nos três dias, em Manaus, volve imediatamente assim que estes expiram, a máxima de 32º e 33º, se é no mês de junho e de 33º a 34º no mês de julho, agosto ou setembro. Na frequência, e intensidade das chuvas, é que consiste na Amazônia brasileira a variação das suas estações, que na verdadeira acepção da palavra, só tem uma.
Começa a estação chuvosa em novembro, e em março termina; e somente de abril a outubro, que é a do verão, deixa de chover um ou outro dia da semana, nos meses de agosto a outubro, mas se é muito rigorosa a estação, cessa completamente a chuva durante um mês ou uma ou mais semanas no mês, e isto só nos três últimos da estação. Em compensação os ventos modificam o calor durante o verão.  (segue)