Há precisamente 50 anos, foi realizada a estreia do hoje consagrado compositor Alceu Valença, em Manaus. A apresentação teve lugar no palco do Teatro Amazonas, que recebia os artistas contratados para a “Segundinha Cultural”, uma iniciativa da Fundação Cultural. A postagem foi recortada do jornal A Crítica.
Manaus, domingo, 29 de agosto de 1976
Ele troca Rolling Stones polo bumba-meu-boi. Nunca ouviu Pink Floyd, porque não tem vitrola e tem “mais em que pensar”. Mas gosta de Núbia Lafayete, que acha uma cantora maravilhosa, Nelson Gonçalves e Ray Charles. Considera a sua música, sanguínea: “O maracatu é demoníaco”. Este é o retrato do cantor e compositor, falado por ele mesmo: Alceu Valença, uma das últimas apresentações da “segundinha cultural”, criada pela Fundação Cultural há cerca de cinco meses com pleno sucesso do público e bilheteria. Valença apresenta-se no dia 30, no Teatro Amazonas, a partir das 21 horas e seu espetáculo já está sendo esperado pelo público amazonense como um dos mais importantes do ano.
O meu trabalho — explica Alceu Valença, tem um clima de brincadeira, de teatro popular nordestino, aquele negócio do “vamos brincar de boi”, uma festa, uma tragédia, como os autos populares que são trágicos e cômicos ao mesmo tempo.
Para este jovem nordestino que a crítica do Sul do país considera a “explosão musical do ano”, principalmente por seu trabalho em “Vou Danado Pra Catende”, a música é alimento, e as pessoas precisam se alimentar do que ele tem a dizer. Mas, o reconhecimento da crítica e o sucesso de público aconteceriam em meio a situações que ajudaram a compor a imagem de Alceu Valença, um artista bom de se ouvir e melhor de se assistir.
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| Alceu Valença |
A princípio, confessa, “eu achava que não tinha talento musical, até o dia em que fui jogado às feras”. Na medida em que eu tinha vergonha de mostrar as minhas músicas é porque não era ainda a minha verdade. A partir do momento em que senti a minha verdade, eu tive que assumir, sem nenhum pudor. Não é conselho, mas, se você me perguntar se é bom, cara, eu diria que as pessoas deveriam entrar de sola nas coisas, mergulhar mesmo.



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