CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

20 de agosto de 2016

MOACIR COUTO DE ANDRADE (1927-2016)



Mês passado, aos 89 anos, morreu o artista plástico Moacir Andrade, membro de várias organizações culturais, entre as quais, o IGHA (Instituto Geográfico e Histórico do amazonas) e da Academia Amazonense de Letras. Afora, entidades similares fundadas pelo falecido.

Sabedor de minha condição na Polícia Militar do Amazonas (PMAM), qualquer conversa com o saudoso mestre sempre descambava para a recordação dele em determinado tema. Dizia-me ter sido preterido naquela corporação. Explico. Repetiu-me que deveria ser “coronel” da PMAM, por uma razão simples: que fora instrutor de oficiais daquele corpo militar. A recorrência nesse lance acabou me inquietando.
Inveterado catador de papeis envelhecidos, com destaque para os da história da milícia estadual, não podia deixar esse episódio inexplorado. Ou, sem explicação. Assim, fui à cata com intuito de esclarecer, quem sabe, somente a mim.

Nada encontrei nos arquivos policiais, ou nos boletins diários próprios da corporação militar, porém, reconheço que me faltou vasculhar os ofícios circulados entre secretarias do Estado. Diante desse impasse, busquei os mais velhos, os mais “antigos” no linguajar militar. Assim, uma adequada dica surgiu em conversa com um colega de minha geração.

Relembrando os primeiros anos do Governo Militar, coronel Amilcar Ferreira me disse que Moacir Andrade, então bacharel em Administração, funcionário da Escola Técnica, fora colocado à disposição do quartel da Praça da Polícia. Tal qual ocorre em nossos dias com funcionários públicos. 

Meu interlocutor acresceu: quando o coronel do Exército Paulo Figueiredo assumiu o comando em 1971, estranhando aquele arranjo, quis conhecer o beneficiado. Para isso, determinou ao oficial de operações que programasse uma palestra do bacharel Moacir Andrade para os oficiais. De fato, a “instrução” aconteceu, tendo aquele mestre narrado seus feitos e contado os causos mais extravagantes de que sempre foi detentor.

Eis, pois, a instrução que Moacir prestou aos oficias da PM amazonense. Mediante esse arranjo, essa instrução aos oficiais – a qual eu faltei, é que o Maninho (como carinhosamente tratava e era tratado pelos amigos) reclamava a patente maior do corpo policial, ou seja, a de coronel Moacir Andrade.

De outro modo, eu reclamava a ele o descuido que teve com a “sua” corporação. Afinal, legou sua brilhante marca em madeira nos quarteis do Comando Militar da Amazônia, da Marinha, na Escola Técnica Federal e Colégio Militar de Manaus.
Às vésperas da nona década de vida, Moacir Andrade me deixou saudoso de seu atelier, ou escritório ou reserva, que deixei de explorá-lo com mais assiduidade. Não vou me perdoar.

Sei que muito se há de contar, de escrever sobre este personagem grandiloquente de nossa cidade de Manaus, cujo empoderamento da arte o levou a muitos cantos do planeta.


Com a minha continência, a minha despedida.