Após o mês sabático de folga deste espaço, eis que entro no 2026 "com os dois pés", a fim de evitar interpretação dúbia, em particular, a política. Vou continuar revendo os acontecimentos de outrora, com objetivo de recordar para animar a leitura. Pontuei minha revisão do ano anterior com os desacertos, com os obstáculos e o consequente desanimo em produzir algo sobre a história policial militar amazonense.
Esses desencontros causaram-me esta interrupção, alcunhada de sabática, aproveitada para apreciar melhor a produção do novo ano. Vou me dedicar às comemorações do meu Jubileu de Carvalho (80 anos), já estando em preparação as lembranças da caminhada, que pretendo distribuir. Oxalá, consiga.
![]() |
| Duas construções desaparecidas: o relógio-totem e o Café do Pina. Uma, modificada, de quartel para Centro Cultural Palacete Provincial |
Agora, com os pés enfrentando as chuvas de nosso "inverno", recortei a publicação do saudoso cronista L. Ruas (1931-2000), na qual, edição de 14 de outubro de 1957, de A Crítica, relata este fenômeno e os efeitos salutares.
CHUVA NO PINA
Havia um certo receio da noite se tornar abafada e quente se não chovesse. O céu tapado de nuvens pesadas. Alguns relâmpagos notívagos. Nada disso, porém, era sinal certo de chuva.
Mas a chuva caiu gostosamente. Uma boa chuva de verão. Aí pelas sete e meia da noite. Muito vento e muita água. Em poucos minutos as ruas estavam encharcadas, e nós os “habitués” do Pina (isto é do Pavilhão São Jorge), das conversas e dos cafezinhos apesar de todos os calores possíveis, assistíamos alegremente o espetáculo da chuva, e dos faróis dos carros varando as densas camadas de água até aos tornozelos, e recebendo com um riso de contentamento a leve poeira de nenúfares, leve e úmida, com que a chuva e o vento nos davam uma boa noite realmente agradável.
E enquanto a chuva lavava a boca da noite as conversas lavavam as nossas almas. Tudo veio à baila. Satélite. Política. Literatura. Doença. Anedota. Cheiro de terra molhada. Alguém comentou: -- Passou a chuva e está correndo uma brisa agradável.
E todos descemos do estreito recinto do Pavilhão para a frescura das pedras molhadas.

