Ao comemorar o Jubileu de Ouro de atuação no Rio Negro (AM), em 1965, os Salesianos sob a orientação de dom Pedro Massa publicaram um livro registrando os caminhos percorridos e os personagens – eclesiásticos e leigos – que cooperaram na obra. Abuso do livro editado – De Tupan a Cristo, postando algumas páginas bem esclarecedoras, páginas que fornecem pormenores da história amazonense.
A postagem de hoje descreve o esforço empreendido a fim de instalar no topo do Pico da Neblina (2.995,30 metros, consoante o IBGE 2015) uma estátua do Cristo e uma bandeira nacional, portanto, no ponto culminante do país, localizado no município de Santa Isabel do Rio Negro. Como desconheço a fixação ou a permanência do monumento, recorri à “enciclopédia livre”, onde nada alcancei nas várias fotos expostas. Por isso, o (des)apontamento.
Deve ser assinalada, em destaque luminoso, a descoberta do ponto mais alto do sistema orográfico do Brasil, o pico da Neblina, que se eleva a 3.014 metros sobre a planície amazônica, realizada pela Comissão Demarcadora de Fronteiras entre o Brasil e a Venezuela, e onde a Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas Arqueológicas conduziu, em janeiro deste ano, a primeira expedição, com a colaboração elementos das vizinhas missões salesianas de [rio] Cauaburi e Maturacá.
Pretende a
mesma Associação, com o auxílio das missões salesianas, realizar a escalada
definitiva daquele pico, a fim de proceder a pesquisas do mais alto interesse
científico, diante dos indícios e informações colhidos.
Ocorrendo neste ano [1965] o jubileu áureo das missões, julgou a Prelazia do Rio Negro que não haveria arremate melhor para suas comemorações festivas do que, aproveitando os esforços da nobre Associação, levantar, no ponto mais alto do Brasil, o símbolo sagrado da fé da primeira nação católica do mundo, chantando, na solidão olímpica daquela altura, a Cruz do Redentor, como um reclamo secular que há quatrocentos anos sobe silencioso e solene da mata brasileira até o alto dos céus, nas cintilações benditas do Cruzeiro do Sul. (...)
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Outra vista do Pico da Neblina |
Para esse fim,
será constituída comissão destinada a realizar o grande cometimento, recolhendo
os recursos necessários e — o que mais importa — vencendo as dificuldades de transporte
até o Pico da Neblina. Distintas autoridades
federais e estaduais já prometeram seu valioso concurso, que a missão salesiana
põe, num gesto de grande e ilimitada confiança, sob os auspícios e a proteção da
maior organização jornalística do Brasil “O Globo” e de sua recém inaugurada estação
de televisão.
Triunfadores
em tantas vitórias, tendo já encampado várias outras campanhas que traduziram ideias
generosas em esplendidas realidades, a nova campanha, lançada pelo “O Globo”,
do Pico da Neblina, não poderia ter garantia mais segura para sua plena realização.
Esta página consigna e lança a luminosa ideia, que, realizada ainda neste ano jubilar
missionário, até agosto de 1966, cantará o hino glorioso da fé nos grandes
destinos da pátria, pelo gesto de bênção divina do novo Cristo Redentor do alto
do Pico da Neblina.
Antecipando a
gloriosa campanha, em 15 de agosto, um modesto cruzeiro e a Bandeira Nacional,
irmanada à Bandeira da Prelazia fulguram no Pico da Neblina lá conduzidas pelo
presidente da Associação de Estudos Arqueológicos, na segunda escalada, que
seguiu para este fim no mês de julho. A 22 de julho, no Palácio das
Laranjeiras, o presidente da República, marechal Castelo Branco, às 9h30, na
presença de alguns membros de seu Gabinete Presidencial, autografou a Bandeira
Nacional e o pavilhão salesiano do Jubileu Áureo das Missões, desfraldados
agora no Pico da Neblina ao sopro daqueles ásperos ventos, aguardando a Imagem
do Cristo Redentor.
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