CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

7 de janeiro de 2017

BANDA DE MÚSICA DA PMAM (1)


A MAIS ANTIGA OPM
Corpo musical da Polícia Militar AM, anos 1950

A Banda de Música é a mais antiga organização da Policia Militar do Amazonas. Desde a sua criação, não deixou de operar mesmo quando a PM esteve desativada (1930-36). Ainda que aos emboléus, a Banda permaneceu tocando pelas esquinas de Manaus, até ser amparada pelo Corpo de Bombeiros Municipais, enquanto sua alma mater penava.

A força policial, ao desfrutar da pomposa denominação de Regimento Militar do Estado (1897-1912), usufruía de expressivo efetivo. Tanto pessoal que foi exequível organizar duas bandas de música. Advirto que eram tempos de vacas gordas, de borracha farta fluindo pelos rios, riqueza que possibilitou construir a belle époque manauense.

Quando essa riqueza se liquefez, a corporação policial do Estado foi igualmente derretendo. De Regimento, apequenou-se em Batalhão. Depois, Força Policial e, mais adiante, Polícia Militar do Estado do Amazonas (PMEA). A cada mudança, padecia acelerada diminuição do efetivo, backup do que acontecia com a população de Manaus. No beiradão, objeto de vindoura história, nem se imagina como a Polícia mantinha seu pessoal.

Na metade do século passado, a situação econômica do Estado bateu no fundo do rio. Uma recordação assaz aflitiva: o reduzidíssimo fornecimento de energia elétrica, com apagão em dias alternados. Manaus estava prestes a consolidar a decantada designação de “porto de lenha” que, para nosso gáudio, não vingou. A Polícia Militar era um simulacro de força, autêntico fantasma, segundo proclamou o governador Plínio Coelho, ao tomar posse em 1955. A organização, força auxiliar do Exército, reproduzia suas linhas, e correspondia ao efetivo de um batalhão, seccionado em companhias adaptadas para atender as imposições da Segurança.

Obviamente, nesse contexto encontrava-se a Banda de Música. Ora puxando o desfile matinal ou comemorativo, ora encantando os ouvintes nos coretos. Houve liberalidade para adotar um mascote: um carneiro. Nesse quadro sombrio, assumiu o Governo Militar (1964-85), que os estudiosos alcunham de ditadura (seja lá!). O que importa é que, empossado no governo do Estado, Arthur Cezar Ferreira Reis reestruturou a Polícia Militar do Estado do Amazonas (PMEA), começando por crismá-la de Batalhão Amazonas. Recordou, a fim de sustentar o decreto nº 188/65, que um batalhão da Força Estadual do Amazonas sitiou Canudos, em 1897.

Um mês antes, o coronel Jorge Nardi, comandante da corporação, havia instalado o CIM (Centro de Instrução Militar) destinado, como indica a própria nomenclatura, a instruir aos policiais ingressados na PMEA. Tornou-se o embrião do CFAP (Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças), criada em 1980.   

Não nesta ordem, mas a partir do desempenho do Governo Militar provieram na Força Estadual sua expansão pelos rios do Amazonas; o aumento da força de despersuasão (Choque); o serviço de extinção de incêndios; o policiamento motorizado, o fluvial e, por fim, o aerotransportado. Uns sendo substituídos, outros, extintos, segundo confere a modernidade.

“Porém! ai, porém! há um caso diferente” (como canta o poeta): destoante ou não, a Banda de Música coronel Afonso de Carvalho persiste. Nem tão altaneira, nem tão briosa como se anseia, porém consagrada como a Única organização (mesmo que nunca tenha sido uma OPM) da Polícia Militar do Amazonas a atravessar continuamente os tempos –ora generosos, ora tenebrosos–, de sua existência mais que centenária.

Vida longa ao hodierno Corpo Musical, legatários da Banda inaugurada pelo coronel Afonso de Carvalho e o primeiro regente, Cincinato Ferreira.