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sábado, setembro 26, 2026

PRIMAVERA DE EMOÇÕES

 

Renato Mendonça

23.09.2026

 

Enquanto eu rascunhava palavras para falar de flores e emoções, recebi de minha prima, em boa hora, um ensaio em prosa poética de Cecília Meireles. A exuberância de suas palavras, delicadas e ao mesmo tempo intensas, tocou-me com lirismo e contagiou minha expectativa de escrever sobre esta primavera de emoções. Como se sua voz ecoasse dentro de mim, lembrando que a poesia é também uma forma de enxergar o mundo com mais humanidade.

A primavera chegou discreta, trazendo não apenas flores, mas uma garoa fina, como se o céu quisesse regar o encanto que desponta. É uma estação do ano que não se limita ao colorido dos jardins e dos bosques: infiltra-se nas nossas esperanças, nas inquietações que florescem junto às eleições que se aproximam.

Há um perfume de civilidade no ar. O peito se abre à esperança, mas a razão insiste em buscar certeza e integridade. Não nos faltam opções — o que falta, muitas vezes, é discernimento para subsidiar boas escolhas. E é justamente ele que precisamos convidar para caminhar conosco. Que pátria desejamos? Uma terra livre de cabrestos, capaz de gerir sua própria democracia e cuidar dos mais vulneráveis? Ou uma soberania entregue como a xepa de um fim de feira, vilipendiada e perdida?

Primavera é tempo de semear. E semear exige escolhas. Cada voto é uma semente lançada ao solo da democracia. Que frutos queremos colher? Sejam eles de caridade, de justiça, de amor ao próximo. Pois não há democracia verdadeira sem fraternidade, sem olhar para o semelhante mais necessitado.

As parábolas do Novo Testamento nos lembram que a essência da vida cristã é o amor. O Bom Samaritano não hesitou diante da dor alheia; fez da compaixão sua ação mais concreta. Assim também nós, ao escolher representantes, precisamos pensar em quem cultiva projetos que transformam vidas, que levam esperança às comunidades carentes, que regam a fé dos que mais precisam.

Primavera é promessa. É anúncio de que o inverno passou e de que há sempre a possibilidade de renascer. Que nossas escolhas, neste tempo de flores e de urnas, sejam regadas pela sabedoria e iluminadas pela lucidez. Que não pensemos apenas na nossa própria felicidade, mas na felicidade coletiva. Pois o amor ao próximo, quando se traduz em ação política, é a mais bela flor que podemos oferecer ao futuro.

Amor ao próximo não está dissociado das escolhas dos representantes do povo nas próximas eleições; é, antes de tudo, uma prova de caridade e sabedoria. 

Bom voto a todos! Viva a Democracia!