CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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domingo, outubro 05, 2025

POEMA DO DOMINGO

 O poema é da lavra do falecido artista, mais conhecido pelas suas telas, Moacir Andrade, integrante da Academia Amazonense de Letras, publicado no Jornal do Commercio, de Manaus.

Jornal do Commercio, 7 setembro 1981

segunda-feira, julho 01, 2024

CLUBE DA MADRUGADA: 70 ANOS

 A celebração será em novembro, porém vou lembrando no percurso. Lembrando que dos três entes criados então (início dos 1950), somente a Rádio Rio Mar segue funcionando. Além do Madrugada, o CIEC do Orígenes Martins também "fechou as portas". A fotografia aqui compartilhada pertenceu ao saudoso Moacir Andrade, membro dos primeiros dias do Clube, que efetuou a legenda, porém, sem datação.

Maciel, Moacir Andrade, L. Ruas, Alexandre Oto, Evangelista,
(dois não identificados) e Elson Farias

quarta-feira, março 31, 2021

ÁUREO MELLO (1924-2015)

 Narra uma lenda suburbana que o falecido Áureo Bringel de Mello (1924-2015) – advogado, jornalista, poeta, contista, pintor, político e senador pelo Amazonas – não encarava uma viagem aérea sob hipótese alguma, ou como canta o musical, tinha “medo de avião”. Não sei como desembarcou em Manaus em fevereiro de 1970, ocasião em que os amigos lhe fizeram os melhores encômios. Primeiro foi Luiz Bacellar, que o saudou com um poema aqui compartilhado.

Semana seguinte foi a vez de Genesino Braga, cronista de dilatado texto, enaltecendo ao porto-velhense que se realizou no Amazonas. A publicação aqui compartilhada ocorreu no Jornal do Commercio (15 fev. 1970).


Aureo Mello caricaturado por
Moacir Andrade, na Revista da
UBE de 1983

De breve tornado aos seus pagos há muito deixados, Áureo Mello vagueia, nestes dias, os caminhos em que outrora andaram em sonhos a sua poesia e o seu amor. Os dias da infância e os da mocidade, culminados num triunfo de ideal político que o levaria a transplantar-se da querência amada, ressurgem-lhe a toda hora, por todos os lugares, com aquelas mesmas imagens insistentes que se guarda na lembrança dos tempos mais felizes. A velha porta amiga que se reabre; os braços afetuosos de outrora que se estendem; o rosto esquecido que súbito, reaparece, sorrindo; a árvore frondosa do quintal antigo, — símbolo de hospitalidade e proteção; o gosto sápido dos frutos regionais saboreados no tabuleiro do Messias (ah!, os pajurás de racha...); a exclamação alarmada dos bem-te-vis nos ninhos das mangueiras; a velha casa de beiral que sumiu dando lugar ao edifício de vinte ou mais andares, — tudo devolve à sensibilidade poética do conterrâneo visitante as suas velhas fontes de inspiração, com as imagens que se não diluíram e jamais se diluirão no andar dos tempos, porque fixadoras de todo um mundo interior e reflexo de sentimentos, do qual ele é poeta amoroso e gentil.

Recorte do citado jornal

Vinte e cinco anos distam do lançamento, aqui entre nós, do primeiro livro de poemas de Áureo Mello. “Luzes Tristes”, que assim se intitulava o belo volume, e assim porque — ele próprio o revela no último terceto do soneto de igual título, — “Pois, ó sonho!, ó sorrir!, ó deus amor!, ó glória!, / Sois, nesta vida umbrosa, humana e transitória / Os meus tristes clarões, as minhas luzes tristes...”, representam bem a sua individualidade poética, que extravasava o seu prodígio criador, seivoso e novo, nas mais puras expressões da beleza com afirmação e intensidade. Seus poemas de então tinham funda expressão pessoal e suas ideias eram mensagens sensíveis de uma grande alma otimista e generosa, encerrando toda a comoção humana através dos símbolos mais nobres.

Saindo, como poeta, do grupo de intelectuais novos que, abelhas inquietas, apuravam o mel nos favos do Centro de Estudos da Mocidade, "igrejinha" de escola renovadora que fez sozinha a significação literária de uma época, Áureo Mello se integrou no movimento modernista mais por uma necessidade íntima de renovar, nas tendências e nas ousadias das novas correntes. E o que nos mostrou, através de seu livro de estreia, foi um índice forte de definição dos novos rumos do espírito brasileiro, já a esse tempo se desembaraçando das imposições passadistas. Por isso, quando apareceu, marchava seguro de si mesmo, com uma clara compreensão da poesia de seu tempo, apoiado num pleno domínio da personalidade. (...)

Agora mesmo, depois de um agradável reencontro com o poeta, em dias desta semana, durante o qual mais uma vez pudemos sentir a irradiação do seu poder de simpatia, através da palestra clara e fluente, através do gesto largo e espontâneo, através das palavras de louvor e de admiração para tudo e para todos (não falou mal de ninguém, não reagiu, não restringiu, não opôs, não contrariou, não demoliu. Admirou, aplaudiu, concordou, — como admirou sempre as paisagens, como aplaudiu sempre os amigos: a bondade de uns, a fortaleza de outras, o talento de todos), — agora mesmo, dizíamos, tomamos da estante, para as delícias de alguns breves momentos, seu livro de poemas, aquele mesmo da estreia: "Luzes Tristes". (...)

Agora o poeta, que teceu há vinte e cinco anos essa teia lírica de encanto e de beleza, revê suas velhas fontes límpidas de inspiração, nas terras de seu nascimento. O sonho de futuro que ele sonhara — para a sua terra para o seu povo e para si próprio como sentimento de uma e de outro, -- aí está em afirmativas reais no processo de desenvolvimento econômico em que o Amazonas hoje se expande. Não lhe são revelação nem surpresa, bem o sabemos, por que estavam justos nos termos de sua clarividência de amazonense idealista. Mas, lhe falam de um triunfo que tomou sentido com os "peleadores" de seu clã lítero-político. Por isso, enlaçamos-lhe no abraço amigo que lhe estendemos ao reencontrá-lo a vaguear solitário, saudoso de si mesmo, naquela tarde de violência crepuscular, semana última pelos mesmos caminhos que outrora andaram em sonhos sua poesia e seu amor.

quarta-feira, maio 20, 2020

A CIDADE EM FOTO

Moacir Andrade

O extinto jornal A Gazeta circulava com uma coluna na primeira página intitulada A Cidade em Foto

Nela, gerava alguma informação, como propõe o título, sobre Manaus, trazendo sempre foto e adequada legenda. Em acertada ocasião, enfatizou o trabalho do saudoso artista plástico (então conhecido por Pintor) Moacir Andrade, com evidente reconhecimento no país. Nessa condição, já pensando em colocar os pés no mundo.

Esta postagem foi compartilhada da edição de 5 de novembro de 1963.

Detalhe da publicação sobre Moacir Andrade (A Gazeta, 5 dez. 1963)
Bom papo, bom garfo. É natural, pois o abastecimento deve acompanhar a produção. A cara podia ter saído do cartaz de um filme de bandido, do “procura-se” de uma chefatura policial. Mas pertence ao Moacir Andrade, que tem cara e complementos conhecidos em todo o país.
Tem talento. Tem inteligência. Concentrados nas mãos, no cérebro, nos olhos. Mãos que pintam, cérebro que imagina coisas, bonitas, olhos que sabem ver o que 0s mais cegos que os próprios cegos não enxergam.

PINTOR. Tudo na caixa alta, como de fato merece. Já mostrou (e vendeu) seus belos quadros no Rio Grande do Sul, no tempo e sob o patrocínio de [Leonel] Brizola.
Idem na Guanabara, onde estreou, numa promoção da revista “O Cruzeiro”. Com duas aspinhas, a mesma coisa, em Brasília, patrocinado pelo prefeito (sic) Ivo Magalhães. Está se preparando para voltar à Guanabara, desta vez convidado da [revista] Manchete. Depois, Buenos Aires, e, quem sabe, Roma, Paris, Londres?...
Em Manaus já fez umas dez exposições. Prefere os motivos regionais, e, lá fora, sozinho, vale um departamento de promoções da grandeza do Amazonas. Divulga os nossos usos e costumes com honestidade e exatidão. É modernista, tipo século XX, professor de desenho, casado, pai de filhos, pensa no futuro e já tem casa própria. Um artista da era atômica. Dizem até que toma banho.

quarta-feira, maio 13, 2020

REVISTA DA UBE/AM (2)



A Revista da UBE (União Brasileira de Escritores), seção do Amazonas, circulada em maio de 1983, ilustra sua capa com o trabalho de dois saudosos artistas plásticos: Moacir Andrade e Áureo Melo. Expressam suas habilidades como cartunistas, expondo notórios personagens de nossa história.


O mais avultado foi o fundador do jornal A Crítica, Umberto Calderaro, revelado pela pena de Áureo Melo. Na tira inferior, vê-se a partir da esquerda: 1) Moacir expõe o Áureo, que elabora as demais, sendo 2) Moacir Andrade; 3) Jayme Pereira (presidente da UBE/AM); 4) Borges (será o argentino Jorge?) e 5) Jorge Tufic.



sexta-feira, junho 14, 2019

ÓSCAR RAMOS (1939-2019)


Junho tem nos castigado!


Oscar Ramos - A Crítica
Nascido em Itacoatiara (AM), morreu ontem este respeitado artista plástico e gerenciador de movimentos artísticos na cidade. Aos oitenta anos, depois de breve internação hospitalar. Foi velado no Centro Cultural Palácio Rio Negro e sepultado hoje no cemitério São João Batista.
Estive no PRN para as despedidas, quando em silêncio refiz o itinerário que me levou em várias oportunidades ao Óscar.

Em 2004, decidi homenagear um saudoso professor de meus tempos de Seminário, padre-poeta Luiz Ruas, autor de Aparição do clown (1958). Trata-se de um longo poema religioso que, pela sua complexidade, segue exigindo interpretação.
A capa do livro era obra de Óscar Ramos, amigo de L. Ruas, que me recebeu com sua lhaneza peculiar para explicar a concepção e a elaboração do trabalho gráfico, elaborado manualmente. É fácil entender, as artes gráficas não possuíam a tecnologia hoje disponível. Daí, pois, o valor alcançado pelo ofício.
Pouco mais adiante, ao elaborar uma pesquisa sobre os livros publicados (impressos) em Manaus entre 1900 e 1960, entendi a primazia do Óscar. Lá estava o Aparição... marcante, balizando, quebrando aquela simetria de tantas capas padronizadas, elaboradas à beira do rio Negro.

Ainda nessa primeira conversa, Óscar me ajudou fartamente com apreciações sobre seu amigo Ruas, colaborando naquilo que “parece” uma biografia do reverendo – L. Ruas: itinerário de uma vocação.

Banner comemorativo
Voltamos a conversar, sempre sobre os artistas amazonenses, um deles, Anísio Mello, morto há nove anos e que foi “esquecido” pelos seus contemporâneos. Nesse sentido, meu último papo com o Óscar aconteceu na sede do Paço Municipal, quando ele me declarou que neste 2019 iria produzir duas exposições, sobre dois astros da casa: Moacir Andrade e Anísio Mello.
Não vão sair, claro. Porém, nesse momento, Óscar já se desculpou com os velhos camaradas de tintas e pinceis, de sonetos e cinema. E de raríssimo valor artístico.

quinta-feira, fevereiro 01, 2018

REDENTORISTAS EM MANAUS: 75 ANOS

Dom João da Matta
Os padres redentoristas desembarcaram em Manaus há 75 anos, convidados por Dom João da Mata, então bispo do Amazonas. Aconteceu em plena Segunda Guerra, em julho de 1943, quando assumiram a paróquia de Nossa Senhora Aparecida.  
O saudoso paroquiano Moacir Andrade, artista plástico de reconhecido valor internacional, celebrando o cinquentenário, contou os primeiros momentos dessa epopeia, em texto circulado em A Crítica (16 julho 1993).


Paróquia Nossa Senhora Aparecida dos Tocos –
50 anos de catequese

Era 1943, a segunda Grande Guerra que se instalou na Europa estava no auge de sua sangrenta escalada. As notícias que chegavam em Manaus através de "O Jornal" e "Diário da Tarde" eram mais dramáticas e estarrecedoras possíveis. Muitos navios mercantes brasileiros cheios de gente e carga preciosa, eram postos a pique em plena costa brasileira pelos submarinos alemães, entre eles, o "Baependi", da frota do Lóide Brasileiro, que levava para o Sul do País centenas de cidadãos amazonenses.
Nessa época, havia em Manaus muitos soldados americanos que vinham nos célebres aviões anfíbios "Catalina" buscar borracha para os Estados Unidos, cumprindo o pacto de esforço de Guerra, com seus escritórios da RDC instalados no Teatro Amazonas.

Moacir Andrade, em foto de jornal, autor do texto
Encarapitados nuns jipes pintados de cor verde garrafa, mastigando chicletes, vestidos com camisas de cores berrantes. Ninguém podia viajar nos bondes sem gravata e paletó, só era permitido fazê-lo, quando sentado ou em pé no último banco que ficava na traseira do veículo. Quando os soldados americanos chegaram aqui, invadiram Manaus com a moda das "camisas americanas". Enchiam os bancos dos bondes vestidos dessa maneira, determinando o fim da proibição aos amazonenses de viajar em mangas de camisa.

Nesse mesmo mês, a cidade recebeu uma porção de padres vestidos de branco, com um rosário enrolado à cintura com um grande crucifixo de madeira. Ficaram hospedados à rua 10 de Julho, ao lado da igreja, na residência dos padres Capuchinhos. Com as presenças desses missionários brancos, altos, de olhos azuis e gestos simpáticos, falando com dificuldade o português, as missas redobraram de presenças dos paroquianos, principalmente de mulheres jovens que queriam ver de perto os padres de batinas brancas. Depois vieram a saber que eram da irmandade dos padres Redentoristas dos Estados Unidos que vinham em missão religiosa, trazidos pela visão extraordinária do bispo Dom João da Mata Andrade e Amaral. Escolheram o bairro dos Tocos para instalarem a sua paróquia em Manaus.

O bispo Dom João da Mata — grande amigo meu, me foi apresentado pela minha madrinha Clotildes Pinheiro, numa missa das dez [horas] na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, ocasião em que conheci o padre André Joerge, no dia 23 de junho de 1943 [mais correto, 23 julho].
Depois de algum tempo em Manaus, com a família Miranda Corrêa, uma das primeiras a somarem esforços para a instalação da paróquia, fizeram doação de um antigo prédio de residência na rua Comendador Alexandre Amorim, onde foi rezada a primeira missa e onde foi instalada provisoriamente a primeira igreja de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Daí a mudança do nome de Tocos para Aparecida dos Tocos.
Depois do padre André, muitos outros vieram para Manaus e municípios do interior do Estado.

No bairro dos Tocos que antes tivera muitos no mês, alguns padres da Missão Redentorista dos Estados Unidos, trabalharam com o objetivo fundamental de instalar sua sede paroquial.
Pelo fato de ser uma comunidade muito antiga, o bairro dos Tocos era muito difícil de mudar seus hábitos e costumes, com famílias cheias de tradições.
Que vinham fazer aqui, aqueles padres estrangeiros, vestidos de branco com imenso crucifixo pendurado na ilharga, naquele bairro pacato e completamente esquecido de todo mundo? Seriam espiões? Qual a sua verdadeira missão? 

A primeira capela em honra de Nossa Senhora Aparecida que deu o nome ao bairro, nasceu naquele chalé, nas duas salas de frente. Finalmente, no histórico dia 30 de janeiro de 1944, foi fundada solene e oficialmente com uma missa rezada pelo então bispo de Manaus, Dom João da Mata Andrade e Amaral, padres André Joerge, João Mc Cormick, Frederico Stratman; Normando Muckermann, Bernardo Van Koomissen, irmão leigo Stanislau Dunn e padre Eugênio Oates, além de uma verdadeira multidão que encheu o espaço em derredor da igreja.

As torres da igreja de Aparecida,
 hoje envolvida pelos edifícios
A partir daí os abnegados redentoristas com o objetivo superior de executar seu programa de ação apostólica nessa região, iniciaram o verdadeiro trabalho de catequese no bairro. Depois de muito lavor pioneiro, vencendo inúmeras dificuldades, naturalmente com a ajuda de uma plêiade de jovens abnegados e entusiastas do bairro, as famílias da paróquia foram especialmente convidadas para assistirem ao memorável acontecimento espiritual.

Era 17 de outubro de 1944 o bairro finalmente ia ganhar a sua igreja de Nossa Senhora da Conceição Aparecida dos Tocos, cuja fundação naquela data solenemente marcada com uma missa especial, celebrada e presidida por Dom João da Mata Andrade e Amaral, bispo diocesano de Manaus.
Graças ao esforço hercúleo, permanente e do desprendimento dessa figura magnifica que foi o padre João Mc Cormick, primeiro vigário geral da paróquia, que após um ano de luta contínua e ininterrupta, criou a secção masculina do Apostolado da Oração que foi organizada, contando no início com reduzido número de associados e depois, de tal maneira aumentada que se transformou no que é hoje, depois de 50 anos de incessante trabalho apostólico.

Hoje, 50 anos passados daquele longínquo 1943, o bairro de Aparecida dos Tocos, agradecido, rende homenagem aos padres pioneiros, muitos dos quais já habitantes da grande luz, mas se fazendo presentes nos nossos corações pelo muito que fizeram em defesa da nossa fé, por certo estão junto ao Cristo que eles serviram com inteira fé cristã. Obrigado padres Redentoristas. Obrigado pelas suas presenças entre nós nesse meio século.

sábado, agosto 27, 2016

MOACIR ANDRADE (3)

Recorte da capa da revista
Em mais uma homenagem pessoal ao artista plástico Moacir Andrade, morto no mês passado, compartilho a publicação abaixo, sacada da extinta revista Informatur Amazônia, periódico mensal editado em Manaus, em 1980. Sua direção pertencia a Lourdes Archer Pinto e o editor-chefe era o respeitado jornalista Arlindo Porto.

Presença permanente de Moacir Andrade nas artes amazonenses


Página da revista
Modesto e simples, para o desespero hoje já resignado de sua mulher Graciema, a ponto de poder ser encontrado no principal mercado da cidade, por exemplo, sentado em um meio fio, trajando tranquilamente uma bermuda desfiada toda manchada de tintas, e lendo um jornal com um velho óculos maior que seu rosto, cavalitado no meio do nariz, Moacir Andrade, o grande pintor amazonense, é assim mesmo por formação e natureza e ninguém poderá mudá-lo jamais.

Diferentemente de outros grandes astros da pintura e das artes plásticas mundiais, que fazem da falsa excentricidade um meio de projeção, a simplicidade de Moacir Andrade, calmamente entrando nos lugares mais refinados de Manaus — e sendo recebido com a deferência que merece — com os pés enfiados em sandálias, é marca pessoal de berço desse caboclo nascido nas barrancas alcantiladas do interior do Amazonas, a quem as Musas da Pintura bafejaram criança ainda para que se tornasse o grande mensageiro das cores amazônicas para o mundo.

Do seu atelier, atafulhado de preciosidades, como telas de Di Cavalcanti, rascunhos de Portinari, esboços de Burle Max, marinhas de Djanira e peças outras que levam abaixo os nomes famosos dos seus autores, todas elas oferecidas ao famoso pintor e entalhador amazonense, este continua a fazer brotar um acervo de trabalhos maravilhosos que representam todo um conjunto harmonioso de primorosas demonstrações de intenso amor pela terra natal.

As telas e os entalhes de Moacir Andrade, refletindo sobretudo o conteúdo autêntico e realístico das coisas e gentes de sua terra natal, se constituem, por isso mesmo, em um documentário sociológico autêntico sobre o qual um dia poderão se debruçar os estudiosos da matéria e gizar através dele toda uma fase da existência dos herdeiros das icamiabas que tanto assustaram Orellana na sua passagem pelo Tapajós.

Quem o vê nessa simplicidade não imagina que já tenha realizado exposições e proferido conferências nas principais cidades do mundo como Tóquio, Estados Unidos (diversas cidades e universidades), Europa (Lisboa, Roma, Paris, Madri etc.). 
Assim Moacyr Andrade não é só um grande pintor do Amazonas, mas do Brasil, com renome internacional. 

Anúncio na revista

sábado, agosto 20, 2016

MOACIR COUTO DE ANDRADE (1927-2016)



Mês passado, aos 89 anos, morreu o artista plástico Moacir Andrade, membro de várias organizações culturais, entre as quais, o IGHA (Instituto Geográfico e Histórico do amazonas) e da Academia Amazonense de Letras. Afora, entidades similares fundadas pelo falecido.

Sabedor de minha condição na Polícia Militar do Amazonas (PMAM), qualquer conversa com o saudoso mestre sempre descambava para a recordação dele em determinado tema. Dizia-me ter sido preterido naquela corporação. Explico. Repetiu-me que deveria ser “coronel” da PMAM, por uma razão simples: que fora instrutor de oficiais daquele corpo militar. A recorrência nesse lance acabou me inquietando.
Inveterado catador de papeis envelhecidos, com destaque para os da história da milícia estadual, não podia deixar esse episódio inexplorado. Ou, sem explicação. Assim, fui à cata com intuito de esclarecer, quem sabe, somente a mim.

Nada encontrei nos arquivos policiais, ou nos boletins diários próprios da corporação militar, porém, reconheço que me faltou vasculhar os ofícios circulados entre secretarias do Estado. Diante desse impasse, busquei os mais velhos, os mais “antigos” no linguajar militar. Assim, uma adequada dica surgiu em conversa com um colega de minha geração.

Relembrando os primeiros anos do Governo Militar, coronel Amilcar Ferreira me disse que Moacir Andrade, então bacharel em Administração, funcionário da Escola Técnica, fora colocado à disposição do quartel da Praça da Polícia. Tal qual ocorre em nossos dias com funcionários públicos. 

Meu interlocutor acresceu: quando o coronel do Exército Paulo Figueiredo assumiu o comando em 1971, estranhando aquele arranjo, quis conhecer o beneficiado. Para isso, determinou ao oficial de operações que programasse uma palestra do bacharel Moacir Andrade para os oficiais. De fato, a “instrução” aconteceu, tendo aquele mestre narrado seus feitos e contado os causos mais extravagantes de que sempre foi detentor.

Eis, pois, a instrução que Moacir prestou aos oficias da PM amazonense. Mediante esse arranjo, essa instrução aos oficiais – a qual eu faltei, é que o Maninho (como carinhosamente tratava e era tratado pelos amigos) reclamava a patente maior do corpo policial, ou seja, a de coronel Moacir Andrade.

De outro modo, eu reclamava a ele o descuido que teve com a “sua” corporação. Afinal, legou sua brilhante marca em madeira nos quarteis do Comando Militar da Amazônia, da Marinha, na Escola Técnica Federal e Colégio Militar de Manaus.
Às vésperas da nona década de vida, Moacir Andrade me deixou saudoso de seu atelier, ou escritório ou reserva, que deixei de explorá-lo com mais assiduidade. Não vou me perdoar.

Sei que muito se há de contar, de escrever sobre este personagem grandiloquente de nossa cidade de Manaus, cujo empoderamento da arte o levou a muitos cantos do planeta.


Com a minha continência, a minha despedida.

domingo, novembro 22, 2015

ENCONTROS SOCIAIS

Dom Basílio Pereira celebra casamentos na capela do Colégio Santa Doroteia

A família Barbosa que se instalou em Educandos (meados 1940)

Família de Elias Ferreira da Silva (1950)

Governador Danilo Areosa cumprimenta ao artista Moacir Andrade (1970)

sábado, junho 22, 2013

MADRUGADA1

Capa da revista
É sabido que este movimento cultural, que empolgou a capital do Amazonas em 1954, nunca teve regimento aprovado. Nunca instituiu normas para seus seguidores.
Um ano após sua fundação, o clube intentou editar uma revista, denominada de Madrugada que, no entanto, não passou do número inaugural. Neste, contudo, se encontram algumas diretrizes, na verdade, os amplos objetivos do CM.
Este documento sempre despertou interesse e pesquisadores, porém, estava sumido, ou não era conhecido qualquer exemplar. Um deles, acabo de catar. E dele reproduzo o texto enunciado.


Documento do Clube da Madrugada
No momento em que o Brasil sofre uma crise total em todas as suas forças intelectivas, morais, educacionais, econômicas e sociais, a mocidade consciente do Amazonas, agrupada sob a égide do Clube da Madrugada, une-se para defender esta herança social inesgotável que herdamos de nossos antepassados, em cujas causas concernentes à debacle, atuam grupos de caráter negativo anacrônicos, divorciados da realidade brasileira e defensores de posições cômodas e de princípios apátridas.
Nesta senda, quanto mais penetramos, apresentam-se fatores desintegradores que clamam por uma tomada de posição definida por parte da mocidade, em torno dos problemas que se nos antolham prementes, menosprezados por esta geração que passa, e que em dias muito breves virão acarretar as consequências imponderáveis para o alicerçamento de nossa cultura na sua formação geral.
Se analisarmos, mais profundamente, a contextura total de nossa sociedade, iremos encontrar nos elementos que formam a nossa elite intelectual dirigente, uma apatia criminosa, no que diz respeito à formação e renovação de valores, que serão responsáveis vindouros de nossos destinos, e, subsequentemente continuadores de nossa posição continental. Semelhante atitude gera, nos moços, uma repulsa que nos impulsiona a restaurar esta contextura social, e apresentar novo programa de ação, com a finalidade primordial orientada no sentido de elevação dos padrões intelectuais, morais, econômicos e sociais.
Face à esta situação, o Clube da Madrugada define-se perante às várias categorias que  pensamento humano expressa:

Literatura: Não há literatura no Amazonas. Primeiro, fatores culturais e morais determinaram nos homens ditos de letras, uma posição acomodatícia, geradora de um individualismo exacerbado, cuja consequência derivou o afastamento de valores positivos que pudessem fazer perigar o seu totemismo aceito como absoluto.
Segundo, fatores de ordem econômica contribuíram para que elementos de valor intelectual procurassem novos meios, onde espíritos esclarecidos lhes ofereciam melhores oportunidades, em virtude de seu talento. Como prova do que asseveramos, vimos estes elementos afirmarem-se nos meios centralizadores do pensamento, onde a luta pela expressão das ideias não era sustentada por oligarquias intelectuais, fenômeno este instituído no Amazonas, há longa data.
Fácil será observar o que acontece na esfera convencionada chamar-se acadêmica, onde campeia a servidão e estilos e ideias antiquadas, importadas diretamente da Europa, no século passado. Desconhecem francamente, por meio de um indiferentismo olímpico, a existência de uma literatura puramente nacional. Tal ignorância redunda, consequentemente, numa arrogante indiferença diante dos próprios valores da terra. Porque estes procuram renovar ideias e conquistar formas novas de expressão e não encontram apoio numa crítica evoluída. Disto resultou o êxodo anual de moços em direção do Sul do país.
Por isso o Clube da Madrugada inspira-se nos elementos formadores de nosso ambiente, para a efetivação de uma literatura condizente com os princípios de liberdade imanentes ao artista, na sua expressão literária, conjugados com os itens acima referidos, os quais estratificam uma literatura sadia. Desde já, o Clube da Madrugada exproba o patrocínio de dogmas do Estado e de elementos que queiram fazer instrumento seu, a obra que pretendemos edificar.
Escultura, Pintura e Arquitetura: Infelizmente, stricto sensu, não há os três ramos de Arte marginados, no Amazonas, digna de menção. Os resquícios que por ventura existem não formam uma unidade, no ambiente intelectual. Não apresentando material necessário a uma análise, nos abstemos de aprofundar, neste particular, uma crítica dentro dos ditames da arte.
Sociologia: Apesar de o Amazonas ser uma unidade da Federação, que apresenta elementos vastíssimos para a pesquisa sociológica, apenas temos alguns estudiosos que se detêm nos problemas superficiais que afetam nossa região. Lastimável sob todos os aspectos, principalmente, para a valorização do amazônida, quando a presente conjuntura se preocupa na revalidação dos padrões que regem a Ciência Social, que tem por objeto a integração do homem no meio cultural.
A ciência do homem, que hoje revela os múltiplos ângulos pelos quais o indivíduo é envolvido na sua mesologia, é ainda, no Amazonas olhada com a desconfiança dedicada à magia negra, na Idade Média. Vive-se, deste modo, preso a um ineditismo criminoso responsável pela incúria em que, atualmente, se encontra o homem da gleba. Tanto assim que, as pesquisas mais sérias realizadas na região, são aquelas feitas por entidades alienígenas, sem qualquer laço com o nosso pensamento.

Deste modo resulta, muita vez, a deturpação completa dos denominadores encontrados, nesses trabalhos. Por isso, acreditamos ser necessária a formação de uma elite iniciada nos assuntos da ciência do homem, em decorrência das necessidades amazônicas, a fim de que seja revelada a verdade social acerca de nossas populações, por pesquisadores insuspeitos, irmanados por liames culturais ao homem do Vale.
Nesse sentido, o Clube da Madrugada está forjando a coliminação desse objetivo, por intermédio de seus membros, dentro de uma nova dinâmica sociológica, consubstanciada nos processos analíticos e sintéticos de nossa realidade mesológica, em sua fonte. Erradicando, destarte, os trabalhos de gabinete que têm surgido sobre os nossos problemas, os quais falseiam, despudoradamente, a verdade cientifica e moral. Urge, portanto, o trabalho planejado e científico, olhando para o futuro, deixando de lado este pragmatismo pernicioso, para nós, dos homens que se dizem práticos.
Economia: No Amazonas, os estudiosos desta matéria são muito poucos e têm se colocado à parte, não tomando posição ante a renovação por meios culturais adequados que venham beneficiar nossa região. Estudos econômicos que se têm feito no Amazonas não procuram observar a realidade, apegando-se estes a sistema geral, não penetrando na análise econômica.
Essa deficiência de estudiosos do ramo da Ciência Econômica tem provocado, por parte dos administradores, atitude que em vez de incentivar a produção tem, aniquilado novos empreendimentos econômicos em detrimento de uma nova fase de desenvolvimento para o Vale.
O Clube da Madrugada estudará e pesquisará, por intermédio de seus membros, os problemas que mais afligem a nossa região, e que são resolvidos, comumente, por “jornalistas”, sem conhecimento de causa, levando o povo a uma falsa orientação. Dependerá, sobremaneira, de estudos esclarecedores da matéria, uma nova atitude governamental, em relação a assuntos econômicos ligados diretamente ao desenvolvimento da Amazônia. Para este fim, por certo, contribuirá uma elite realista, conhecedora dos verdadeiros problemas da terra.
Filosofia: Pouco existe no ramo, mesmo porque os homens de letras do Amazonas apegam-se, como impertinência, aos estudos acadêmicos da filologia em cujo labirinto perdem-se, em prolongadas polemicas, sem resultado algum. E quando encontramos indivíduo interessado nos estudos filosóficos, é apenas superficialmente, sem nenhuma profundidade, conhecendo, de soslaio, a história da filosofia.
Existem poucos filósofos no Brasil, e no Amazonas nenhum. Contra esse descaso levanta-se o Clube da Madrugada, procurando sistematizar um estudo dos princípios e fins do homem no Cosmos. Estudo esse direcionado nos métodos universitários de amplo debate, quando entra em especulação sistemas filosóficos dos mais antigos aos modernos: sejam dos aleatas, jônicos, epicuristas, sofistas, espiritualistas, materialistas, aos marxistas, existencialistas e os neosistemas que têm aparecido. Demócrito, Epícuro, Sócrates, Platão, Plotino, Confúcio, Aristóteles, Santo Tomaz de Aquino, Descartes, Kant, Hegel, Bergson, Kieerkgaard e tantos desfilarão nos seminários que pretende realizar este movimento de renovação.
Esposando os princípios encimados e refutando o conservantismo rancoroso, o Clube da Madrugada tem por escopo plasmar uma nova consciência pertinente à realidade brasileira. Desta assertiva queremos dirimir quaisquer resquícios niilistas ou iconoclastas, mas, que vivemos uma época de decrepitude senil.
Deste modo, somos contra a concepção de um stato quo estático. Nascendo dessa premissa, a nossa concepção dinâmica do processo histórico, determinando novas representações no pensamento humano, que se coadune com a evolução de nossas necessidades sociais. Lutamos, portanto, nesta segunda fase de nossa existência pela emancipação mental de nossa ideologia. Para o Brasil: artes, ciências sociais, sistema politico e econômico eminentemente nacional, surgido da premência de nossa idiossincrasia. Esta nossa atitude, achamos conscientemente, não nos classifica como xenófobos. Pelo contrário, lutamos contra a xenomania de todos aqueles que advogam soluções literárias, políticas, econômicas e sociais com a já celebre sentença: MADE IN...
Esperamos, desde já, as compreensões dos homens de mentalidade abstrusa, que tiveram capacidade intelectual para acompanhar a nossa evolução social. Porém, a esses, haveremos de arrostar os empecilhos levantados, com o idealismo moço que nos anima a encetar esta cruzada, com o objetivo sacrossanto dos jovens livres, qual seja a libertação do Brasil dessa visão daltônica dos dirigentes, em todos os setores, responsável por uma consciência amorfa, numa geração que se forma.
Fecho do Manifesto com várias assinaturas
 
Saul Benchimol, Francisco F. Batista, Luiz Bacellar, Tufic Jorge (sic), Carlos Farias de Carvalho, Moacir Couto de Andrade, Alfredo Campos, Teodoro Botinelli Assunção, Afranio Mavignier de Castro, Fernando Collyer, Humberto Paiva, Miguel Barrela, Joao Bosco de Araújo, Djalma Passos.

quinta-feira, novembro 29, 2012

BOMBEIROS: ENTRE FESTA E FOGO

Manoel Ribeiro, 1984
O Corpo de Bombeiros amazonense não imaginava passar a semana de seu aniversário tão atribulado. Na segunda-feira 26, comemorou duas datas em única solenidade. No curso desta, tive o privilégio de apor a Medalha Dom Pedro II, patrono dos Corpos de Bombeiros, em duas personalidades: o artista plástico Moacir Andrade e Manoel Ribeiro, secretário municipal.

A parada realizada no pátio de formatura da corporação, cujo aquartelamento destacava-se pelas luzes vermelhas, relembrou os 136 anos de existência desse Serviço no Amazonas e os 11, de emancipação.

A primeira data recorda o esforço do administrador provincial de regulamentar o serviço de combate ao fogo na capital amazonense. Ocorreu, pois, em 11 de julho de 1876, e tudo quanto se podia esperar dessa organização era água, solamente  água. Mas, foi a partir desse elemento abundante na região que o Corpo cresceu, passando, claramente, por acertos e tropeços. Assim evoluiu assim nos alcançou.


Daí a razão da segunda comemoração -- sua desvinculação da Polícia Militar, sob cuja direção esteve por 25 anos (1973-1998). Há 11 anos, o agora Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas passou, como tantos congêneres no Brasil, a se conduzir com independência administrativa, hoje sob o comando do coronel Antônio Dias.


Detalhe do incêndio, A Crítica, 28 novembro 2012 e
jovem salvando inestimável bem (ao lado)
Não se pode deixar de observar a evolução deste ofício na cidade. Também não se podem esquecer os custos para a manutenção desta profissão. Se fosse de maneira contrária, qualquer município manteria uma corporação dos homens do fogo.

Mas, como para contrariar tais análises, na manhã seguinte 27, o fogo no bairro de São Jorge testou com rigor aos bombeiros de tantos julhos. A corporação compareceu com todas as forças, o efetivo mantido em Manaus estava no local. Uma favela construída há mais de 30 anos serviu lamentavelmente para o desafio. Não houve mortes, mas a destruição foi total, os casebres de madeira desapareceram, escapando utensílios domésticos, em especial, uma TV LED conduzida sobre a cabeça, com o transportador imerso no igarapé extremamente poluído que circundava o casario.

Nos dois ultimas dias, as queixas contra a atuação dos Bombeiros tomaram as paginas dos periódicos, ou melhor, da mídia em geral. Queixas como o atraso em chegar; falta de água; despreparo do pessoal; entre outras, pautam a imprensa.

Ainda hoje, o #1, de A Crítica, assegura que o incêndio na favela de São Jorge acendeu uma luz. E que para solucionar o problema, basta aumentar o efetivo do Corpo de Bombeiros. Porque, teme o colunista, se esse desastre acontece na Copa 2014...  

Falo por mim. A questão não é somente aumentar o efetivo, isso é o mais simples, apesar dos entraves burocráticos.  Para que não volte acontecer outra semelhante catástrofe, basta a prevenção. Não permitir a construção de favelas, com seus casebres em tantas existentes na cidade; não permitir que os gatos desafiem nossa paciência e nosso bolso; não permitir outros abusos patrocinados pela lambança política. Chega?

No mais, é preciso entender as técnicas de combate ao fogo, de mergulho, de salvamento em geral, de retirada de corpos, entre outras atividades dos bombeiros, para não se desgostar com o saldo desse fogaréu. Que se ouça o comandante, coronel Dias, para as explicações competentes, com isso, a capital vai continuar solidária com os homens e mulheres do fogo.

sexta-feira, outubro 26, 2012

CONVITE – IGHA

Amanhã 27, na sede do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, será realizado o lançamento do livro DESENHOS – MEMÓRIA & TESTEMUNHO DE MOACYR ANDRADE, patrocinado por diversas entidades culturais do Estado e do Município.


O traje é esporte e o horário, às 10h30.

segunda-feira, outubro 22, 2012

MANAUS: ONTEM E HOJE (2)

Há 40 anos, a avenida Getúlio Vargas, ainda sem o trânsito intenso que conhecemos, era capaz de receber o fluxo tão insignificante da rua Tarumã. Sequer havia semáforo no cruzamento. Os fícus benjamins ainda em crescimento, daí ser possível divisar o quartel da Praça da Polícia.

Avenida Getúlio Vargas (acima, acervo Moacir Andrade),
abaixo, própria


 
Na mesma época, a avenida Airão (hoje denominada sem muita convicção de Ministro Waldemar Pedrosa) começava a mudar de aparência. O registro mostra o trecho desta artéria entre a atual rua Joaquim Gonzaga (antiga Getúlio Vargas) e a rua Tapajós. Como ponto de referência, o Hospital Santa Julia, edificado no lado direito. A vegetação existente hoje não permite observar este ponto.

Avenida Airão ou Ministro Waldemar Pedrosa, (acervo pessoal)