CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sábado, março 21, 2026

CENTENÁRIO DE ARMANDO DE MENEZES (HOJE)

Hoje completaria 100 anos de idade o saudoso Armando Andrade de Menezes (1926-2017), parintinense que, concludente da Faculdade de Direito do Amazonas (1954) integrou com méritos o Tribunal de Contas do Amazonas. Memorialista e professor, participou dos grêmios literários do IGHA (Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas) e da Academia Amazonense de Letras, entre outros. Todavia, foi uma associação que prosperou sob a denominação de Chá do Armando que o tornou admirado pelos inúmeros frequentadores, crismados de chazistas. Foram os remanescentes deste grupo que se congregaram para festejar o centenário do patrono.
Como o Chá mudou de sede repetidas vezes, assim aconteceu
com esta comemoração: foi mudando até chegar ao 
Mirante da Cidade.

Novamente recorro ao exemplar que a Edições Chá do Armando publicou em homenagem ao seu fundador e mantenedor. Intitulado de “O Chá do Armando – em prosa e verso”, circulou em 2012, dirigida pelo Almir Diniz e outros, entre os quais me incluo. A prosa e o verso transcritos são de autoria do falecido poeta Jorge Tufic (1930-2018).
 

O "CHÁ DO ARMANDO"

 

O Chá do Armando é a ceia dos poetas / já bem longe da tola hipocrisia; / e enquanto fraterniza essa harmonia / tenta evitar as reuniões secretas.

As farpas são contidas e discretas, / há mais poder no afeto e na poesia. / Tudo ao redor são telas; e a magia / se desprende das cores prediletas.

Anísio Mello distribui o pão, / Armando se reveza com o Diniz / nas benesses do néctar temporão.

Guardo esta cena (o tempo vai, remoto) / do Armando com seu grupo: tão feliz / quanto algum dia numa outra foto.

Icaraí (CE), 26/10/2008

Jorge Tufic (👇)

 


ARMANDO DE MENEZES

Deixo a memória fluir, e logo me vejo numa esquina de Manaus, debaixo de uma lanterna grande, iluminada a carvão, com o ano da folhinha parado em 1945. Era a rua dos Andradas com a Pedro Botelho, ou rua Oriental. Quase em frente ao muro da “estância” onde morávamos, eu, meu irmão e nossos pais, erguia-se a fachada de não sei quantas janelas da casa dos Menezes. Foi ali, nesse pedaço de urbe ventilado, que, aos poucos, fui conseguindo distinguir, ao longe, os donos daquele espaço:

Dona Santa, o Dr. Tude e seus numerosos filhos, dentre eles Armando, do qual tornei-me amigo incondicional a partir de seu ingresso na Academia Amazonense de Letras. A todos os outros, porém, sem exceção de nenhum, sempre dediquei respeito e admiração. Alberto, no antigo INPS, foi meu chefe de Grupo, o melhor que tive em minha passagem pelo famoso Instituto.

Em Armando, desde que um dia lá perdido cruzamos nossos passos, ficou a marca do afeto cada vez que o cumprimento formal se fazia necessário, tão diferente daquele que vinha do mesmo cotidiano, da mesma província aconchegante, dos mesmos recantos públicos. Havia qualquer coisa a mais no gesto e na fala desse generoso cavalheiro, descendente dos Andradas e cujo Menezes eu jamais desligara da verve e do talento daqueloutro, o Emílio, irmão poético de Bilac e Guimarães Passos. Foram, pois, décadas que me deram a conhecer, aqui e ali, do mais novo ao mais velho do clã, com Maria Luiza, a única, sob a forte proteção e o carinho dessa gloriosa estirpe de amazonenses.

Intelectual de raça, poeta, escritor, este Armando de Menezes surpreende, também, pelo carisma, rodeando-se de gente igual a gente no famosíssimo Chá do Armando, uma sociedade de carbonários voltada para o drinque com moderação e a crítica literária, onde pontificam mestres e doutores de nossas Universidades, sem falar nas reuniões de todas as sextas-feiras, convidados especiais.

Autor de 14 livros publicados, e ainda na plenitude da energia criadora, devota-se ele à pesquisa da história, sendo marcante a contribuição que tem dado às suas próprias memórias e de sua família, prática essa exemplar, quando sabemos que o livro resiste, com bravura, a qualquer tipo de avanço tecnológico, por mais útil que seja. O resgate e a datação desses fatos, aliás, ocupam, hoje, os pesquisadores e os arquitetos ligados aos municípios brasileiros, tendo sido possível, deste modo, manter patrimônios históricos como a casa de Humberto de Campos, na Parnaíba.

Meu depoimento seria longo acerca de Armando de Menezes, remontando aos cenários da Esquina dos Valentes, do Clube do Remo e da Joaquim Nabuco (sobre o qual escreve, lembrando o abolicionista) dos bondes a caminho de Flores, da Chapada, dos Bilhares. Mas prefiro, a isso, deliciar-me com a lembrança de Thiago de Mello ter escolhido, anos após, justamente aquele trecho de nossas ruas, para empinar papagaios.

Jorge Tufic

Fortaleza, 26/11/2010

quinta-feira, agosto 14, 2025

HATOUM & TUFIC

 Um conhecido amazonense fez história nesta data: Milton Hatoum foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, tornando-se o primeiro a alcançar este galardão. O autor de tantos livros deixou Manaus para se consagrar do outro lado do Rio Negro. 

Vou lembrar outro amazônida: Jorge Tufic, que veio do Acre para Manaus, e aqui produziu seus livros, mais destacados os de poesia. Como o qual vou relembrar nesta postagem. E até deixou Manaus por Fortaleza, mas foi pouco. É preciso caminhar com os Imortais para ser um deles.

Publicado em A Crítica, 06 setembro 1980



segunda-feira, junho 09, 2025

BARREIRINHA: CENTENÁRIO


Aproveito a efeméride deste município, que guarda com entusiasmo a obra de um dos maiores poetas deste Amazonas e, efetivamente, reconhecido no mundo: Thiago de Mello. Parabenizo-o com o poema deste, endereçado ao saudoso poeta Jorge Tufic, escrito em Barreirinha e publicado no extinto mensário O Muhra, em 1998, de responsabilidade da secretaria de Educação e Cultura.


 

domingo, março 16, 2025

POESIA DOMINICAL (21)

O Chá do Armando foi, enquanto subsidiado pelo saudoso Armando de Menezes, uma agremiação que, na sexta-feira, reunia os simpatizantes para conversas regradas com uísque e outros ingredientes próprios dos admiradores. Ainda em nossos dias, alguns remanentes deste sarau relembram esses encontros litero-alcoólicos.

O poema aqui postado me chegou às mãos sabe Deus como. Sei que muito já se registrou em prosa e verso sobre o Chá – codinome do uísque – e o patrono. A postagem relembra a presença dos saudosos poetas “chazistas” Almir Diniz e Jorge Tufic. Outro detalhe: o Chá visitou alguns endereços, o citado no poema é do Ideal Clube, então dirigido pelo falecido Humberto Figliuolo. 

Logomarca do referido grêmio

 

SONETO AO “CHÁ DO ARMANDO”

 

No “Chá do Armando” tem fraternidade,

todos falam o verbo coração.

Aí e aqui, nesta urbe ou no sertão

fortifica-se mais nossa amizade. 

Deste bar, na fronteira da cidade,

são lembrados um a um e cada irmão

e a todos nos envolve uma canção

falando de ternura e liberdade. 

Nossa irmandade, -- quando a tarde desce

de toda sexta e bem na hora da prece –

vai à tenda do Humberto. Na verdade 

Entre cantos, luzência e poesia,

o Armando a comandar tanta alegria...

no Ideal sobrevoa a fraternidade! 

Tufic e Diniz (a 4 mãos)

Morada do Sol, em 24.07.2016

quinta-feira, novembro 21, 2024

MADRUGADA E L. RUAS, SEU PRESIDENTE

Nascido em 22 de novembro de 1954, o Clube da Madrugada – movimento que abrigou intelectuais e artistas em Manaus – apesar de extinto, vem sendo relembrado pelas sete décadas de criação. A Editora Valer acaba de lançar o livro “Clube da Madrugada 70 Anos”, de Tenório Telles, e coordena uma série de encontros, mesas e colóquios.

Capa do livro de Jorge Tufic

Quero relembrar duas datas sobre o Clube: a primeira mais distante, a dos 30 Anos registrada em livro de Jorge Tufic, um dos presidentes de maior proeminência do CM. A segunda, a comemoração do cinquentenário, cuja festa foi concretizada no Largo de São Sebastião em palco onde desfilaram os remanescentes daquela Madrugada.

Aquele ano de 1954 legou marcas indeléveis a Manaus: a instalação do Instituto Christus, depois CIEC, pelo mestre Orígenes Martins; a criação da Rádio Rio Mar, hoje pertencente a arquidiocese de Manaus; e o Clube da Madrugada, destes, atualmente apenas a emissora funciona. No entanto, quero me referir a outra singularidade: nas três entidades operou o padre-poeta L. Ruas.

Refiro-me a Luiz Augusto de Lima Ruas (1931-2000), que foi ordenado sacerdote por dom Alberto Ramos em 31 de outubro de 1954, ao lado do saudoso Manuel Bessa Filho, na Catedral da Padroeira. Companheiro de Orígenes no seminário, Ruas integrou-se ao grupo fundador do Christus. Cooptado por Jorge Tufic, ingressou no Madrugada, tendo presidido o clube biênio 1957-58, quando lançou sua obra-prima A Invenção do Clown. Enfim, quando a igreja católica adquiriu a Rio Mar, L. Ruas exerceu distintas funções, destacando-se como cronista radiofônico.

Padre-poeta L. Ruas

Exerceu o magistério em diversos colégios, no Seminário e na Universidade Federal do Amazonas. Seu nome crisma a EE Padre Luiz Ruas, no bairro Zumbi III. Faleceu em Manaus, em 1º de abril de 2000, estando sepultado no cemitério São João Batista.

domingo, maio 30, 2021

ALMIR DINIZ DE CARVALHO (3)

 A memória do poeta Almir Diniz, anteontem falecido aos 91 anos, segue aberta e categórica. A minha homenagem prossegue hoje, compartilhando o soneto de Jorge Tufic, inserido em seu livro Dueto para sopro e corda (2ª edição, 2014). Os dois poetas-amigos já não necessitam de cartas para a conversação, são hoje astros a iluminar nossas leituras. Gracias. 

Jorge Tufic


SONETO AO POETA ALMIR DINIZ

(respondendo sua carta)

 

Almir Diniz, que em poucas linhas diz

tanto quantas imagens necessita

para saudar a quem, por essa dita,

vai ser agora muito mais feliz:

 

Não fora coincidência, a sorte quis

que a pluma nos unisse; estava escrita

esta amizade que entre nós habita,

sendo eu, do mestre, humílimo aprendiz.

 

A carta que recebo neste dia,

carta-poema desse velho amigo,

abre clarões na sombra que me guia.

 

Muito obrigado pelos teus florais

dourados, com que vês o que não digo,

fazendo ser o menos algo mais.

segunda-feira, junho 15, 2020

ARMANDO DE MENEZES (1926-2015)

São três anos - hoje - do falecimento de Armando de Menezes que, entre outras iniciativas e a boa condução de seus empreendimentos, criou e manteve o Chá do Armando, um encontro de amigos às sextas-feiras, para a conversa livre diante de geladas e do caraterístico chá (uísque).

fotos de arquivo



quarta-feira, maio 13, 2020

REVISTA DA UBE/AM (2)



A Revista da UBE (União Brasileira de Escritores), seção do Amazonas, circulada em maio de 1983, ilustra sua capa com o trabalho de dois saudosos artistas plásticos: Moacir Andrade e Áureo Melo. Expressam suas habilidades como cartunistas, expondo notórios personagens de nossa história.


O mais avultado foi o fundador do jornal A Crítica, Umberto Calderaro, revelado pela pena de Áureo Melo. Na tira inferior, vê-se a partir da esquerda: 1) Moacir expõe o Áureo, que elabora as demais, sendo 2) Moacir Andrade; 3) Jayme Pereira (presidente da UBE/AM); 4) Borges (será o argentino Jorge?) e 5) Jorge Tufic.



quarta-feira, abril 01, 2020

20 ANOS SEM PADRE RUAS

Costuma-se usar o eufemismo "desaparecer" para indicar a morte de alguém, porém, quando escrevo isso sobre o padre Luiz Augusto de Lima Ruas, de fato, ele desapareceu. 

Há algum tempo nada se publica sobre ele. De minha parte, cansei da peleja de anunciar os feitos do amigo, obrigado a tanto pela guarda de vasto material por ele produzido em jornais. 
L. Ruas (1931-2000)

Sobre o reverendo, que a comunidade literária conhecia por L. Ruaspubliquei ligeira biografia (2004) e, com o acervo retido, organizei quatro livros. E anuncio a existência do próximo, vencido o coronavírus. 
Hoje se completa o vigésimo ano da morte do autor de Aparição do Clown (1958), ocorrida em sua residência na avenida Joaquim Nabuco, depois amargar por longo período as sequelas de um AVC. 
Seu nome crisma uma Escala Estadual no bairro do Zumbi, mas não creio que a direção saiba desse fato. Que, apesar de ser "dia da mentira", se trata de uma triste verdade.

Compartilho o texto do finado poeta Jorge Tufic, sobre o amigo de tantos encontros, publicado em Intérpretes de Aparição do Clown (2010).



Esse ponto longínquo de nossa vida, o janeiro de 1959, se constitui num dos mais altos da literatura amazonense, em particular do movimento Madrugada. L. Ruas, tal como assinava os seus livros, artigos e crônicas, surpreende a todos com este seu longo poema, ao mesmo tempo estranho e revolucionário, mas no fundo mesmo uma projeção corajosa da personalidade do autor.
O clown de Ruas é o ator ou o dançarino do universo que ele consegue libertar das amarras sociais e dos preconceitos irremovíveis, um corpo astral de silêncios e coisas que se transformam, ao menor toque de um bastão luminoso. Basta dizer que até hoje ninguém soube interpretá-lo, seja como texto, seja como fosse a partitura volátil de uma confissão transbordante, plena de movimentos em busca de uma unidade de sons e palavras, afinal conquistada.
Terá sido difícil a esse religioso evitar uma prática antiga daqueles que, embora poetas, se devotam a Deus ou a Krishna, e acabam por esquecer que à poesia não cabe o papel de servir, mas de ser servida. Pois eu considero o Aparição do clown uma batalha entre a cruz, como dever a Deus, e a liberdade, como dever à Deus e à poesia. Uma forma terrena e divina de conciliação dos extremos, mas onde, graças à poesia, os extremos também desaparecem, enquanto libertam.
Jorge Tufic (1930-2018)
Meu testemunho sobre L. Ruas abrange esse largo período de nossa existência, que vai da fundação do Clube da Madrugada, em novembro de 1954; atravessa os anos selvagens da ditadura militar; sangra nos tempos em que o poeta esteve longe de nosso convívio; termina com o seu falecimento e a minha transferência domiciliar de Manaus para Fortaleza.
Foram memoráveis os nossos encontros de final de semana! 
Memoráveis os seus discursos ao pé do mulateiro, na Praça da Polícia Militar!

Memoráveis as missas que celebrava! 
E os porres, também, com muita dignidade!

segunda-feira, outubro 28, 2019

AMÉRICO ANTONY (1895-1970)

Matéria do Livrornal, julho 1978

Américo Antony, o autor de mil poemas, morto em 1970, somente conseguiu em vida publicar um livro: Os sonetos das flores (1959). Cinco anos depois, o Conselho Estadual de Cultura autorizou um levantamento dos poemas produzidos esparsamente por Antony. Encarregou-se desse mister o saudoso poeta Jorge Tufic que, auxiliado pelo promotor público Geraldo dos Anjos, divulgou parte deste trabalho no Livrornal, de 1978.

Convém esclarecer que este periódico era produzido por Tufic, portanto foi o amigo quem deu divulgação apenas a uma cronologia. A catalogação dos sonetos ficou pelo caminho, pois não houve colaboração de membro da família, possuidor de vasto material. Desse modo, não se concretizou o “proposito do Conselho em prestar sua justa homenagem a um dos maiores poetas do Amazonas.” Nunca mais se falou de Américo Antony.


CRONOLOGIA DE AMÉRICO ANTONY

1895 — Nasce em Manaus, a 23 de setembro. São seus pais, o engenheiro civil João Carlos Antony e Maria Lima de Amorim Antony. Descende de duas figuras notáveis na antiga Província do Amazonas: Henrique Antony, filho de Ajacio, na Córsega, e do comendador Alexandre Paula Brito Amorim. Sua origem materna mais remota procede “Manao-Camandri”, principal da maloca de Mariuá, hoje Barcelos. Segundo o general Dr. Aurélio de Amorim, uma filha de “Camandri” teve, com um português da comitiva de Furtado de Mendonça, uma menina, que veio a ser avó de D. Lina Ferreira, antepassada de Antônio Brandão de Amorim, o famoso autor das Lendas em Nheengatu e em Português e, também, de Américo Antony.
1900 — Segue com os seus pais para a América Central, viajando depois a família para a Europa, visitando várias cidades: Porto, Lisboa, Genova, Milão e Zurique. Após uma ligeira estadia em Paris, Américo seguiu com sua mãe e irmãos para a Inglaterra. Matricula-se no Saint Georger's College, em Waybridge, Survey, com os Joseph Phite Fathers. Concluindo os estudos de nível secundário, regressou a Manaus, onde pouco se demora encaminhado por seu pai aos cuidados do médico e educador Dr. Eugênio Gomes de Matos, no Rio de Janeiro. Matricula-se na Faculdade de Medicina, desistindo do curso. Leciona na Escola Berlitz e dedica-se ao esporte de natação. Regressando, novamente, a Manaus, ocupa-se no ensino particular da língua inglesa. Começa a publicar os seus primeiros poemas.
1917 — Adriano Jorge publica a crônica Um poeta de 20 anos, no jornal “A Imprensa”, transcrevendo os melhores sonetos de Américo Antony desse tempo: A FonteCanção Campestre – Dolce Ritorno e Depois da Primavera. Acrescenta: “Vê-se bem que não exagero ao afirmar incontestável e inconfundível talento, a delicadeza da emoção e as superiores qualidades de esteta de raça que fazem de Américo Antony um verdadeiro e belíssimo poeta”.
1925 — A revista “Redempção” publica, em seu número de dezembro, os sonetos Nova Messe – O IgapóOs Tucanos e Aos índios canoeiros do Amazonas.
1926 — A 17 de junho é nomeado pelo professor Plácido Serrano, diretor do Ginásio Amazonense, para reger, como substituto, a cadeira de Inglês. Casa-se, a 11 de outubro, com a senhora Altamira Espínola.
1927 — Nasce o seu primogênito, Marco Aurélio, a 5 de dezembro.
1929 — Publica na revista “Amazônida” nº 28 o soneto Vitória Régia, dedicado a Adriano Jorge, e traduz o poema O Balão da Menina, da inglesa Mary Woods, extraído do livro Sunshine & Solitude. A 9 de julho, nasce sua filha Isis.
1932 — Obtém o grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Faculdade de Direito do Amazonas.
Capa do Livrornal, julho1978
1934 — É nomeado, interinamente, para exercer o cargo de Promotor do 2° Distrito Criminal da Comarca de Manaus, a 12 de março, sendo depois promovido na comarca de Lábrea, pelo Ato n° 3.983, de 7 de agosto.
1935 — Não chega a tomar posse na Promotoria Pública da comarca de Barcelos, por haver sido tornado sem efeito o Ato n° 4.532, de 1º de fevereiro. A 5 de outubro, e homologado o seu desquite amigável, pelo Juiz de Direito, Dr. Manoel Anísio Jobim.
1937 — Serve na Secretaria Geral do Estado.
1938 — Removido da comarca de Lábrea para a Promotoria de São Gabriel da Cachoeira, por Ato nº 254, de 25 de janeiro.
1939 — Publica a Canção Uanána, nos números 3 e 4 da revista “Baricea”.
1941 — Posto em disponibilidade, a 22 de setembro, por haver sido extinta a comarca de S. Gabriel.
1942 — Os norte-americanos Rose e Bob Brown, antigos diretores da revista "Brazilian-American, do Rio de Janeiro, publicam o livro Amazing Amazon. A respeito de Américo Antony, escrevem: “Raoul Broteher Amerigo was a good a storyteller and imaginative artist. For months we talked over a five-paneled screen he was going to paint for us with the Amazon flowing through and all regional motifs in place, tajás, garças, jacarés legends, indians, but it never came to anything. He lives among indians now, far up on the Rio Branco where he is a federal judge.” Américo Antony publica naquela revista o artigo: “Sucuri hunt in South American”.
1943 — Conferência no Instituto de Etnografia e Sociologia do Amazonas, fundado por Nunes Pereira, sobre os costumes dos índios da região do alto rio Negro.
1944 – Ramayana de Chevalier publica, em o jornal “A Tarde”, edição de 23 de dezembro, o prefácio para o poema Conory, livro inédito de Américo Antony.
1945 – Eleito para a cadeira nº 8, que tem como patrono o amazonólogo Torquato Tapajós, da Academia Amazonense de Letras.
1946 — Péricles de Moraes publica na Revista da Academia Amazonense de Letras uma apreciação literária sobre Américo Antony, intitulada “Um animador de símbolos mitológicos.”
1953 — A 17 de fevereiro, estando em visita à casa dos pais do seu amigo Jorge Tufic, na avenida Joaquim Nabuco, 329, conhece Maria Isis Almeida de Souza, em cujo perfil descobre traços da antiga civilização incaica. Tornam-se íntimos e passam a conviver sob o mesmo teto, na rua Japurá.
1954 — Nasce em Manaus, a 6 de junho, seu filho Alexandre Magno.
1955 — Aproveitado na comarca de Manacapuru. A 2 de agosto, é comissionado como Assistente da Promotoria Militar.
1957 — Nasce em Manaus, a 9 de marco, seu filho Siddarta Gautama.
1958 — Comissionado, a 29 de agosto, na 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Manaus. A 6 de setembro, é aposentado como Promotor de Justiça de 1ª entrância. Inscreve-se na seção amazonense da Ordem dos Advogados do Brasil.
1959 — Nasce em Manaus, a 25 de julho, sua filha Hileia Amazônica.  
A 14 de julho, toma posse da cadeira n° 28, da Academia Amazonense de Letras, cujo patrono é Aníbal Teófilo, sendo recebido pelo acadêmico Nonato Pinheiro Filho. A revista do sodalício, em seu n° 9, publica o poema Peã, dedicado ao acadêmico Moacyr Rosas. E impresso em Manaus o seu primeiro livro: Os Sonetos das Flores, na editora Sérgio Cardoso & Cia. Ltda.
No mesmo número da revista, vem a lume o mais festejado poema de Américo Antony – A ronda dos cisnes, dedicado a Heliodoro Balbi. Por não acolher alguns conceitos do escritor Péricles de Moraes, o poeta faz publicar na página de anúncios comerciais do Jornal do Commercio uma pequena declaração sobre a autenticidade de sua poesia. A 30 de janeiro, é tornado sem efeito o ato de 17, do mesmo mês, mandando servir na Promotoria da Comarca de Barcelos, por motivo de saúde.
1960 — Com grave problema de saúde é recolhido ao hospital da Sociedade Beneficente Portuguesa, em Manaus, em outubro.
1962 — Sócio efetivo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. 1968 — A Revista da Academia Amazonense de Letras publica os versos: O Caminho que falaO Jaguar e a LuaA alegria de conhecer-se a própria origemO oceano e a Yara.
1970 — Falece, em Manaus, no Hospital da Sociedade Beneficente Portuguesa, a 18 de agosto. A 23, o acadêmico Nonato Pinheiro, na edição domingueira de O Jornal publica, a seu respeito, o artigo intitulado: Uma figura desconcertante de Aedo.
1974 — Instalada a “Biblioteca Américo Antony” na Fundação Dr. Thomas.
1975 — Resolução do Conselho Estadual de Cultura, recomendando a publicação pelo Estado do Amazonas da produção poética esparsa de Américo Antony.
Autores do trabalho


domingo, outubro 27, 2019

FEIRA DE ARTES PLÁSTICAS (2)

Foto de O Jornal, 29 dezembro 1963

Realizada a Feira de Artes Plásticas em 24 de dezembro, o Clube da Madrugada aproveitou o Suplemento com o qual brindava o público aos domingos para agradecer e avaliar seu trabalho. Assim, na edição de O Jornal de 29 de dezembro, pode-se ler o editorial com a gratidão aos colaboradores, e adiante o julgamento elaborado pelos dirigentes da página literária, sob a direção de Aluízio Sampaio e redação de Alencar e Silva, Arthur Engrácio, Elson Farias e Jorge Tufic. 
MANAUS, 29 de dezembro de 1963
 Não obstante o tempo inseguro, com frequente ameaça de chuva, penumbra e chuvisco, levou-se a bom termo a I FEIRA DE ARTES PLÁSTICAS DO AMAZONAS, promovida pelo CLUBE DA MADRUGADA e colaboração da Prefeitura Municipal de Manaus, a título de complementação aos festejos do ciclo natalino deste ano. A feira se estendeu por todo o dia 24, desde as 5 até às primeiras horas do dia 25 do mês em curso, apresentando uma amostra, profundamente significativa, do trabalho a que, um grupo de pintores em Manaus, se vem devotando.
Trabalhos de artistas já conhecidos, pela série de exposições a que têm participado, inclusive fora do nosso Estado, como Getúlio Alho, Moacir Couto de Andrade, Álvaro Páscoa, Afrânio de Castro e Paulo D'Astuto, trabalhos a que se juntaram outros cuja presença é-nos grata registrar, posto ser um sinal do revelação, plena e viva e sobretudo dinâmica dos novíssimos Simão Assayag, Gualter Batista e Jacquemont (sic) Cantanhede.
Vários aspectos podem ser vistos e estudados, após essa amostra. Mas aqui, gostaríamos de ressaltar a força de vontade e o trabalho, até mesmo o braçal podemos dizer, da equipe que rasgou de vencida certa apatia e certas promessas incumpridas em relação à I FEIRA. Todavia, temos certeza, o trabalho foi realizado e realizado nos seus planos mais justos e válidos, como sejam o de ter arrancado o povo de sua rotina para a contemplação, a meditação e a crítica, dos elementos que constituem as preocupações do nosso grupo.
Resta-nos agora pensar em novas feiras. É essa a maneira positiva de viver, agitar as consciências, despertar vocações. Resta-nos também agradecer aos jornais matutinos e vespertinos que não regatearam esforços a fim de dar à Feira uma cobertura noticiosa, sem a qual, vale ressaltar, não teríamos tido a soma volumosa do resultado obtido. Agradecer aos intelectuais, professores, médicos, estudantes que visitaram e comentaram a Feira. Agradecer ao povo que lá acorreu, oferecendo-nos a força e a riqueza do seu prestígio e atenção. Até breve, com a próxima feira de artigos de cultura.

Manchete do Suplemento do CM, circulado no citado jornal

REALIZOU O CLUBE DA MADRUGADA, dia 24 último, encerrando o calendário de suas atividades no corrente ano, a I FEIRA DE ARTES PLÁSTICAS DO AMAZONAS, promoção que se coroou de pleno sucesso, pela receptividade que encontrou em todas as camadas de nossa população. Milhares de pessoas a visitaram. E teve o nosso povo, de modo amplo, oportunidade de tomar conhecimento do trabalho que seus artistas vêm desenvolvendo nos mais diversos gêneros das artes plásticas. Teve a feira, sobretudo, a feliz oportunidade de revelar à nossa sociedade, ao nosso povo, novos e autênticos valores, artistas que pela primeira vez participaram de uma mostra, revelando-se, de pronto, como expressões seguras de talento.
Colaboraram para o êxito dessa promoção, colaboração que muito agradecemos, a Editora Sérgio Cardoso, a imprensa amazonense, a Prefeitura Municipal de Manaus e a secretaria de Educação e Cultura.

Vale salientar, igualmente, que, objetivando documentar a envergadura e significação dessa iniciativa, o Departamento Cinematográfico do Clube da Madrugada, sob a direção do clubista IVENS LIMA, filmou, em cores, a grande mostra coletiva, podendo adiantarmos que o referido documentário brevemente será exibido num dos cinemas da cidade.
Foi, sem dúvida, uma iniciativa que alcançou plenamente os seus objetivos. Daqui para a frente, outras “Feiras” serão montadas nos diversos pontos da cidade, esperando o CM contar, como desta vez, com o indispensável apoio das mesmas entidades acima referidas.
Do sentido desta promoção diz bem o boletim que distribuímos no local e que reproduzimos a seguir:

Obras expostas
I FEIRA DE ARTES PLÁSTICAS DO AMAZONASEsta FEIRA – primeira no gênero a se realizar em nosso Estado – tem por finalidade maior, entre as muitas que poderíamos apontar, a do estabelecer uma aproximação mais estreita entre o público e a obra de arte, como primeiro passo para o diálogo direto do artista com o povo, com a comunidade em que vive. Trata-se, portanto, de um processo de informação e formação cultural. E é desse processo — eficaz, sem dúvida — que o CLUBE DA MADRUGADA lança mão no seu empenho do promover a culturização das massas, levando diretamente ao povo o trabalho de seus artistas, de seus poetas, de seus escritores. (Agora mesmo, na semana que passou, acabamos de promover, com relativo sucesso, a Semana do Livro Amazonense.) É um trabalho do pioneirismo, sujeito, por isso mesmo, a vicissitudes e incompreensões. Um trabalho, porém, que não nos cansa, por ser ele a forma de atuação que preferimos. Anima-nos, sobretudo, ao levarmos ao povo esta Primeira Feira de Artes Plásticas, a convicção de realizarmos um trabalho válido não só para a plêiade de intelectuais que a lidera, como também para o Povo, expressão legítima dos anseios do progresso espiritual de uma comunidade a todo instante capacitada a
reivindicar seu lugar no processo histórico brasileiro.
Trata-se, em suma, de mais uma semente lançada, ao que esperamos em terra fértil. Uma semente que inaugurará, sem dúvida, uma nova fase, um instante de clara significação para o aplainamento das dificuldades de uma comunicação efetiva entre o público e a criação artística.

CLUBE DA MADRUGADA

quinta-feira, outubro 17, 2019

CLUBE DA MADRUGADA: 65 ANOS



Por iniciativa do Celestino (Lé) Neto, admirável lutador cultural com um quiosque-sebo na Praça da Polícia, veremos uma manifestação naquele logradouro em comemoração aos 350 anos de Manaus. A exposição possui a singela designação de Manaus: Livros e Poesia.

Em parceria com o Zemaria Pinto vamos cuidar de pequena retrospectiva sobre o Clube da Madrugada. O Movimento cultural realizado na cidade, a partir de 22 de novembro de 1954. São passados 65 anos.

Recolhemos livros e jornais e fotos para contar essa trajetória. Os livros sobre o CM ilustram esta postagem.





quinta-feira, setembro 12, 2019

ÁLBUM DE AMAZÔNIDAS



Em exercício de relembranças, vemos pela ordem, a partir de cima e no sentido horário: 1) Américo Antony, nascido em Manaus, poeta; 2) Bruno de Menezes, natural de Belém-PA, folclorista; 3) Silvério Nery, nascido em Tefé-AM, político; e 4) Jorge Tufic, nascido em Sena Madureira-AC, poeta.

domingo, junho 09, 2019

POETAS AMAZONENSES


Não alcancei esta antologia produzida por Walmir Ayala, mas conheci os poetas locais ali elencados: são dois padres, L. Ruas, nascido em Manaus, e Moisés Lindoso, nascido em Manicoré; o acreano Jorge Tufic e o itacoatiarense Elson Farias.
Pe. Moisés Lindoso, 1979
Os sacerdotes e seus livros tive o prazer de conviver com estes no Seminário de Manaus (1956-65). Com Tufic foram algumas rodadas de Chá, inclusive em minha residência. Elson, segue produzindo.
Sobre o falecido L. Ruas já escrevi bastante e ainda tenho material dele para publicar. Lindoso saiu de Manaus acompanhando o bispo do Amazonas, dom Alberto Ramos, que assumiu a igreja de Belém (PA). Daí, Lindoso passou para o Recife, onde encontrou o lembrado bispo, dom Helder Câmara. Instalou-se na cidade do Cabo (PE), onde faleceu. Era irmão do governador José Lindoso.

A postagem compartilhei do jornal A Crítica, edição de 5 jan. 1963 

Jornal A Crítica, 5 janeiro 1963

Acaba de ser lançado no Rio de Janeiro a “Novíssima Poesia Brasileira”, na série cadernos brasileiros. A iniciativa que tem tido a maior repercussão nos meios intelectuais da Guanabara é do crítico Walmir Ayala, que chamou a si a responsabilidade de selecionar editar o referido livro.
 Na “Novíssima Poesia Brasileira” encontramos a amostra da poesia de 75 novos poetas e Ayala faz, na introdução interessante estudo do sentido dessa poesia, de suas fontes de influência.Dentre os 75 poetas que comparecem na “Novíssima Poesia Brasileira” foram distinguidos 4 poetas do Amazona e Acre e que são os seguintes:
Elson Farias, nascido em Itacoatiara, publicou “Barro Verde”, em 1960, pertence ao Grupo Madrugada tendo sido publicado o Poema 1 e um Soneto, do seu livro editado. Jorge Tufic, nascido em Sena Madureira, Acre, e vive em Manaus, sendo membro do Clube da Madrugada. Já publicou “Varanda de Pássaros” (1956), “Pequena Antologia Madrugada” e foi premiado em concurso promovido pela Folha do Norte, em Belém, sob o patrocínio da SPVEA, tendo sido publicado dele Poema e Ode Amarga ao Espelho. Pe. L. Ruas, nascido em Manaus, pertence ao Movimento Madrugada, publicou “Aparição do clown”, notável poema, é professor da Faculdade de Filosofia, tendo sido publicado na antologia de Ayala as seguintes composições de sua autoria: Estudo e Didática. Pe. Moisés Lindoso, nascido em Manicoré, com estudos eclesiásticos concluídos em Roma, técnico em trabalho de educação de grupo e engajado no movimento da Juventude Operária Católica, sendo atualmente Assistente de JOC, em Belém, publicou um livro “Plenitude”, sendo o representante da poesia tipicamente religiosa; tendo sido editado na Antologia a sua produção literária intitulada Poética. Se é verdade que na Antologia não compareceu (sic) Luiz Bacellar, um poeta já definitivamente consagrado, Faria de Carvalho, com uma produção literária interessante, Sebastião Norões, que se revela senhor de uma técnica de poesia apurada, e outros nomes de relevo, havemos de assinalar que os revelados ao Brasil por Ayala são poetas de mais alta categoria.