CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

domingo, outubro 11, 2026

POEMA DOMINICAL (55)

 

Circulado em Jornal do Commercio, 28 março 1955


            Senti de perto, bem de perto

o drama dilacerante de tua vida.

Acompanhei, no silêncio prolongado

de minha dor,

a noite angustiosa, sem alvoradas,

que cercara os teus últimos dias!

O teu destino se fizera um látego

e te suplicou

impiedosamente...

Mas, como foste grande em teu padecimento!

Como soubeste contar as tuas lágrimas

que deveriam queimar tua face pálida,

transfigurada pelo sofrimento...

Acompanhei teus dias sem sol,

tuas noites sem estrelas...

Senti a angústia de teu isolamento...

No entanto, volvendo o olhar

às brumas do passado,

a esse passado de sonhos e de rosas

eu te revejo, na tortura

de uma evocação comovida,

como sendo a nota musical

de pompeante alegria, que se fora,

para nunca mais voltar!...

 

Eras alegria!

A alegria de muitos corações!

Flor que desabrochou entre carinhos

– como um sonho de ternura –

Eras a flor da bondade,

eras a flor da alegria...

 

Teus dias de luz,

teus dias de festa!

Tudo fugira como por encanto!...

Porém, o teu sorriso costumado

jamais deixara de aflorar aos teus lábios

sentidos!

Foste grande! Foi grande e inquietador

teu estoicismo. Eis porque tu tiveste

a serenidade quase angélica

quando a hora final do alto te acenou

e tranquila a Jesus tua vida deste

na tragédia da dor!...

sábado, outubro 10, 2026

PRINCÍPES JAPONESES EM MANAUS

Na comemoração do cinquentenário da imigração japonesa na Amazônia, estiveram em Manaus os príncipes herdeiros Akihito e Michiko, quando visitaram as colônias japonesas das rodovias AM-010 e AM-070. Era junho de 1978, e eu estava no comando da Companhia de Rádio Patrulha, por isso, fui incluído no forte esquema de segurança. Segui com a comitiva para a colônia no km. 14 da Manaus-Manacapuru, quando a viagem começava com a travessia por balsa até o porto de Cacau Pirera. Nunca esqueci a atitude de reverência prestada pelos japoneses mais idosos, sempre de cabeça baixa, sem olhar diretamente o príncipe. 

Recorte de A Crítica, 24 junho 1978


Com a preocupação de não serem divulgados os horários, o príncipe Akihito e a princesa Michiko do Japão iniciam às primeiras horas da tarde de hoje a última etapa da visita oficial ao Brasil, passando cerca de 20 horas em Manaus. A atividade mais demorada que os príncipes herdeiros deverão cumprir nesta capital será o encontro de 30 minutos com a comunidade japonesa no Parque de Exposição da Estrada “Manaus – Itacoatiara” à altura do km 14 ainda na tarde de hoje.

Akihito e Michiko estão sendo esperados procedentes de Belém com uma comitiva de 26 membros e um cuidado especial quanto ao esquema de segurança, principalmente durante o encontro com membros da colônia japonesa, quando a exemplo do que ocorreu em Salvador os príncipes podem ser tentados a quebrarem o protocolo.

De acordo com a programação elaborada eles recebem os cumprimentos ainda no aeroporto internacional “Eduardo Gomes” seguindo então para o Tropical Hotel, na praia da Ponta Negra e dali para o Palácio Rio Negro onde serão recebidos pelo governador Henoch Reis. Do Palácio seguem para o quilômetro 14 da estrada “Manaus-Itacoatiara”, onde está instalado o Parque de Exposição da Colônia Japonesa. À noite, Akihito e Michiko serão recepcionados pelo governo estadual com um jantar no Tropical Hotel.

Ali estão previstos dois pronunciamentos: o do governador Henoch Reis saudando os hóspedes reais e destacando a contribuição japonesa para o desenvolvimento da região; e do príncipe herdeiro do Japão. Amanhã está prevista uma visito ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia — INPA, onde os príncipes poderão tomar contato com as experiências realizadas pelos técnicos do órgão envolvendo aspectos peculiares da região tanto em fauna como em flora. O viveiro do peixe-boi, espécie em extinção, será a atração principal. Akihito e Michiko ainda retornem ao hotel para depois, então, dirigirem-se ao aeroporto partindo com destino aos Estados Unidos. 

Anúncio do BASA circulado no Jornal do Commercio,
25 junho 1978

 

PMAM EM MANACAPURU

 

A evolução do policiamento no município de Manacapuru: em 1966, por decreto de 2 de junho, foi estabelecido o efetivo de um oficial, um cabo e quatro soldados, chamado de "destacamento", quase sempre conduzido por oficial ou sargento da reserva. Em julho de 1978, foi criada a 3ª Companhia Independente, cujo primeiro comandante foi o capitão Ronaldo Toledano, que assumiu em 28 de agosto daquele ano. No entanto, para a construção do quartel, a municipalidade doou um terreno dois anos antes, em setembro de 1976. Hoje, a cidade abriga o 9º Batalhão de Polícia Militar, localizado a avenida Manoel Urbano, bairro da Terra Preta.

Nota circulada em Jornal do Commercio, 26 setembro 1976