CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

domingo, agosto 16, 2026

POESIA DOMINICAL (87)

 De autoria de João Crisóstomo de Oliveira (1914-97), pertencente a Academia Amazonense de Letras, o poema foi publicado no Jornal do Commercio.

Recorte do Jornal do Commercio, 17 setembro 1983

Meu sonho é bem grande... /  Nas asas de um querer árdego se expande! 

É uma luta incessante dentro de meu ser / É um combate incompreendido

Obscuro mesmo e por todos desprezado / É um sonho que vai além de um sonho

É um debater supremo / De aspirações estranguladas / Por criaturas malvadas

Que não sabem querer, / Que não sabem sonhar... / Aspirações asfixiadas

Pela diferença esmagadora / Daqueles que destroem castelo no ar

Daqueles que vivem do banal, / Das horas secas do Algarismo

E do interesse grotesco e material...

 

II

Meu sonho é bem imenso

Enche todo o meu ser

Transborda todo o meu pobre viver

Sufocado no soluço interior...

É um mar sereno que se deixa singrar

Pelas brancas velas da bondade...

É, porém, um mar tempestuoso

Cheio de ventos esfuziantes e ondas revoltas

Contra as bordas do orgulho e da arrogância

Contra as belonaves do Terror e da Maldade...

 

III

Meu sonho... uma esperança leve / Que o vento humano não descreve

Uma esperança pequena! ...tímida! ...criança! / Que vai correndo,

Vai crescendo / E toma o porte colossal /

De aspirações supremas de grandeza, / Para a grandeza dos pequenos,

Dos humildes que choram, / Dos humildes que padecem

E de Deus nunca esquecem!... / Meu sonho... / Quero te ver altaneiro

Resoluto e vitorioso / Quero te ver garboso!...

Meu sonho... / Luta! / Cresce! / Vence!

Não temas:

NAS MÃOS DE DEUS EU TE DEPONHO

sábado, agosto 15, 2026

VIAGEM NO TEMPO (3)

 

    Terceiro capítulo da saga transamazônica de Renato e Alda, narrada pelo próprio.

Mercado Adolpho Lisboa

18.07.2026

O mungunzá

O domingo amanheceu como véspera de aniversário, trazendo em meu peito a expectativa do desconhecido “passeio do índio”, já confirmado logo cedo, antes mesmo do saboroso café da manhã no hotel. O sol brilhava insinuante, afastando qualquer ameaça de chuva e iluminando o movimento dos pedestres na rua em frente, fechada para carros. Ao final da via, próximo ao encontro com a Sete de Setembro, um pequeno palco abrigava cantores de músicas em espanhol — provavelmente venezuelanos e haitianos, muitos dos quais se espalhavam pelo centro da cidade, alguns em situação de mendicância, testemunhas silenciosas de deslocamentos forçados de suas pátrias.

Na programação daquela manhã, estava prevista a visita à Feira de Artesanatos da Avenida Eduardo Ribeiro. Antes, porém, decidi resgatar uma memória de infância: o programa de domingo com meu pai, quando íamos a pé até o Mercado Adolpho Lisboa. Lá, eu me deliciava com uma tigela generosa de mungunzá — canjica, como se diz no Sudeste — antes mesmo de ele escolher o peixe para o almoço. Eram bons tempos, que me marcaram como uma vacina antiga contra o esquecimento. No entanto, ao tentar repetir o ritual, percebi que a experiência já não era tão edificante: não havia mais as tigelas, só copos plásticos descartáveis; o sabor não era o mesmo, e meu paladar havia mudado. Tudo havia mudado!

Como tudo havia mudado, decidimos almoçar pizza — gesto simples, mas que traduzia a adaptação às novas rotinas da cidade. Na sobremesa, porém, veio o reencontro com a Amazônia: sorvetes de frutas típicas, cada qual mais surpreendente que o outro — buriti, açaí, tucumã, bacuri e tantos sabores que pareciam conter a flora amazônica em cada colherada. Ao descobrirmos a sorveteria Glacial, próxima ao hotel, tornamo-nos frequentadores assíduos, como se ali houvesse uma semente de iniciação ao paladar amazônico.

À noite, Roberto nos levou à Ponta Negra, a praia fluvial que se transformara em símbolo de status burguês. O espaço fervilhava de gente, tão cheio que nem conseguimos estacionar. A beleza do lugar se impunha, mas a praia, para nós, não era objeto de consumo. Assim, preferimos retornar ao hotel, guardando a experiência como mais uma nota da sinfonia urbana que Manaus nos oferecia em tempos modernos.

Ao regressarmos ao hotel, percebi que Alda se queixava de uma cistite que há muito tempo não a incomodava. Compramos um remédio paliativo, já usado em outra ocasião, mas o efeito não veio. Tornava-se necessário levá-la ao hospital para uma avaliação mais criteriosa. Enquanto eu buscava no Google uma instituição de referência, credenciada ao meu plano de saúde, o celular tocou: era meu irmão José Manoel. Conversamos amenidades, mas logo relatei o desconforto da Alda, e a suspeita de infecção urinária. Sua esposa, Marília, interveio com asserção e nos orientou a procurar o Hospital Santa Júlia, instituição de boa reputação. Assim, programamos a ida para a manhã do dia seguinte.

Antes de dormir, preocupei-me em desmarcar, pelo WhatsApp, o passeio do índio, que estava previsto para o dia do meu aniversário. A expectativa transformava-se em cuidado e zelo, e a celebração do aniversário cederia espaço à prioridade com a saúde.

quarta-feira, agosto 12, 2026

INDÚSTRIA E PASTEURIZAÇÃO DE LEITE DO AMAZONAS (IPLAM)

 O governador Henoch Reis, em maio de 1976, nomeou os técnicos Ernani Melo e Raimundo Soares para a gestão da IPLAM. Com esta decisão marcou a mudança da natureza privada para o domínio do Estado. Seu aparecimento ocorreu entre 1967-68, constitui-se numa das indústrias pioneiras de laticínio na Zona Franca de Manaus. O anúncio abaixo circulou há 50 anos - 11 agosto 1976.

Anúncio circulado em A Crítica, 11 agosto 1976