CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

domingo, setembro 13, 2026

PMAM EM CACAU PIRERA

 Exatamente há 50 anos, o Jornal do Commercio publicava a nota que ilustra esta postagem. A propósito, o distrito do Cacau Pirera, integrante do município de Iranduba, servia como ponto de partida da rodovia para Manacapuru, pois a saída de Manaus era realizada em balsa, que partia do bairro de São Raimundo. Daí a relevância desse distrito, devido ao grande fluxo de veículos. A construção da Ponte sobre o rio Negro, retirou a importância do porto de Cacau Pirera. 

O sargento Rivaldo Silva era excelente motorista, tratado cordialmente por “Garrafinha”, sem que eu lembre o motivo. E sua boa conduta o levou a cuidar daquele destacamento que, de certo modo, estava na outra margem do rio Negro, em frente à Manaus.

 

Jornal do Commercio,
12 setembro 1976

Pela Portaria 010/76, baixada pelo Comando-Geral da Polícia Militar do Estado do Amazonas, o cabo da PM Rivaldo Paulo da Silva, comandante do Destacamento de Cacau-Pirera, foi nomeado para ocupar a função de Chefe do Posto Policial da Delegacia Geral de Polícia daquela localidade, que conta, além do delegado, com mais três soldados da PM que ocupam a função de policiais para a segurança da cidade.

Adiantou-nos o delegado mencionado, que em face da antiga delegacia da localidade se encontrar um tanto deteriorada, uma nova está em fase final de construção, faltando somente o material necessário para terminar os xadrezes.

Com o término da construção da nova delegacia, o delegado Rivaldo acredita que os presos terão outro tratamento, já que a nova delegacia terá condições para tal.

POEMA DOMINICAL (45)

 A arte deste domingo pertence à Violeta Branca, a poetisa amazonense, publicada na revista Rionegrino nº 14, de novembro de 1929.



sábado, setembro 12, 2026

ANALOGIA

Urna eletrônica usada nas eleições
 

Renato Mendonça

07.09.2026

Há algo de inquietante na estrutura do poder que nos obriga a refletir. Recordemos a passagem narrada por Lucas, no capítulo seis do Novo Testamento:

“Em outro sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. Estava ali um homem que tinha a mão direita atrofiada. Alguns mestres da Lei e fariseus observavam Jesus com atenção, esperando que curasse alguém no sábado, para acusá-lo de desobedecer à Lei. Mas Jesus, conhecendo seus pensamentos, disse ao homem: — Levante-se e fique em pé aqui na frente. O homem se levantou. Então Jesus perguntou: — O que é permitido fazer no sábado: o bem ou o mal? Salvar ou deixar morrer? Olhou para todos e disse ao homem: — Estenda a mão! Ele a estendeu, e ela sarou. Os mestres da Lei e os fariseus ficaram furiosos e começaram a conspirar contra Jesus.”

Naquele templo público, Jesus não se limitava a palavras: fazia da própria ação a sua homilia. Cada gesto era uma parábola viva, cada cura, um evangelho encarnado. A solidariedade e a caridade não eram conceitos abstratos, mas verdades de Deus, pilares de amor que se manifestavam em qualquer dia da semana, sem submissão às regras frias elaboradas pelos homens.

À sombra das colunas, porém, os mestres da Lei e os fariseus não eram guardiões da fé, mas sentinelas do Império Romano. Traíam o próprio povo, denunciando aquele que pregava o amor e a justiça. Armavam ciladas, como se a vida de Jesus fosse um permanente julgamento, até culminar na encenação teatral da crucificação.

Dois milênios se passaram, mas o teatro da dominação continua. Hoje, não são fariseus diante do altar, mas parlamentares diante das câmeras e dentro do Congresso; não é Roma que dita as regras, mas uma potência estrangeira — o governo norte-americano — que sussurra ao ouvido de lacaios modernos, travestidos de parlamentares. Alguns chegam a propor, sem rubor, a entrega das riquezas minerais do país, como se a soberania fosse mercadoria exposta em praça pública.

Não há entre nós a figura de Jesus sendo denunciado, mas há um governo eleito pelos mais vulneráveis, atacado e vilipendiado com o auxílio dos meios de comunicação. É como se já se preparasse um novo Sinédrio, articulado com forças externas, pronto para julgar não um homem, mas a própria independência nacional, a nossa soberania.

O parlamento, nesse cenário, pode ser visto como o Sinédrio contemporâneo: manipulado, comprado com moedas de ouro subtraídas do povo e guardadas em cofres particulares, com a conivência de falsos mestres da lei.

Mas há uma diferença crucial: temos o voto. O voto é a nossa palavra sagrada, o gesto que pode expulsar os vendilhões do templo da política. É nele que repousa a chance de purificar o parlamento, de devolver ao povo o altar da soberania.

Cabe a nós, então, denunciar os lacaios e bani-los do embate político. Cabe a nós escolher aqueles que caminham ao lado dos pobres, que sustentam a solidariedade como princípio e que não se curvam ao poder estrangeiro. Pois, assim como Jesus estendeu a mão ao aleijado e curou, também nós podemos estender nossa mão, colocar nosso voto na urna e curar a Democracia.

Bom voto a todos, boas escolhas!