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| Urna eletrônica usada nas eleições |
Renato Mendonça
07.09.2026
Há
algo de inquietante na estrutura do poder que nos obriga a refletir. Recordemos
a passagem narrada por Lucas, no capítulo seis do Novo Testamento:
“Em
outro sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. Estava ali um homem
que tinha a mão direita atrofiada. Alguns mestres da Lei e fariseus observavam
Jesus com atenção, esperando que curasse alguém no sábado, para acusá-lo de
desobedecer à Lei. Mas Jesus, conhecendo seus pensamentos, disse ao homem: —
Levante-se e fique em pé aqui na frente. O homem se levantou. Então Jesus
perguntou: — O que é permitido fazer no sábado: o bem ou o mal? Salvar ou
deixar morrer? Olhou para todos e disse ao homem: — Estenda a mão! Ele a
estendeu, e ela sarou. Os mestres da Lei e os fariseus ficaram furiosos e
começaram a conspirar contra Jesus.”
Naquele
templo público, Jesus não se limitava a palavras: fazia da própria ação a sua
homilia. Cada gesto era uma parábola viva, cada cura, um evangelho encarnado. A
solidariedade e a caridade não eram conceitos abstratos, mas verdades de Deus,
pilares de amor que se manifestavam em qualquer dia da semana, sem submissão às
regras frias elaboradas pelos homens.
À
sombra das colunas, porém, os mestres da Lei e os fariseus não eram guardiões
da fé, mas sentinelas do Império Romano. Traíam o próprio povo, denunciando
aquele que pregava o amor e a justiça. Armavam ciladas, como se a vida de Jesus
fosse um permanente julgamento, até culminar na encenação teatral da
crucificação.
Dois
milênios se passaram, mas o teatro da dominação continua. Hoje, não são
fariseus diante do altar, mas parlamentares diante das câmeras e dentro do
Congresso; não é Roma que dita as regras, mas uma potência estrangeira — o
governo norte-americano — que sussurra ao ouvido de lacaios modernos,
travestidos de parlamentares. Alguns chegam a propor, sem rubor, a entrega das
riquezas minerais do país, como se a soberania fosse mercadoria exposta em
praça pública.
Não
há entre nós a figura de Jesus sendo denunciado, mas há um governo eleito pelos
mais vulneráveis, atacado e vilipendiado com o auxílio dos meios de
comunicação. É como se já se preparasse um novo Sinédrio, articulado com forças
externas, pronto para julgar não um homem, mas a própria independência
nacional, a nossa soberania.
O
parlamento, nesse cenário, pode ser visto como o Sinédrio contemporâneo:
manipulado, comprado com moedas de ouro subtraídas do povo e guardadas em
cofres particulares, com a conivência de falsos mestres da lei.
Mas
há uma diferença crucial: temos o voto. O voto é a nossa palavra sagrada, o
gesto que pode expulsar os vendilhões do templo da política. É nele que repousa
a chance de purificar o parlamento, de devolver ao povo o altar da soberania.
Cabe
a nós, então, denunciar os lacaios e bani-los do embate político. Cabe a nós
escolher aqueles que caminham ao lado dos pobres, que sustentam a solidariedade
como princípio e que não se curvam ao poder estrangeiro. Pois, assim como Jesus
estendeu a mão ao aleijado e curou, também nós podemos estender nossa mão,
colocar nosso voto na urna e curar a Democracia.
Bom
voto a todos, boas escolhas!