CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

terça-feira, junho 09, 2026

PMAM - CEARENSES NO COMANDO

 No curso desta pesquisa certa indiscrição me conectou ao número de comandantes nascidos na província, hoje Estado, do Ceará. Trata-se do maior número de oficiais oriundos do mesmo torrão até a implantação do Governo Militar (1964), e óbvio que, após a Democratização, predominam os amazonenses. Vamos aos eleitos – são 11 –, alguns com acentuados registros, outros nem tanto. Esclarecendo que o acervo corporativo guarda quase nada, em particular dos primeiros que sequer legaram suas fotografias. Exponho o nome, o posto militar e o período de comando. Farei três postagens. 

Afonso de Carvalho

1.       João José de Aguiar - civil

    19 maio - 26 de julho 1880    

                 

Em 19 de maio de 1880, consoante a Portaria 162, Aguiar foi nomeado “cidadão comissionado no posto de major” comandante da Guarda Policial do Amazonas. Na verdade, trata-se de capitão da Guarda Nacional, por isso constitui no primeiro paisano a exercer esta função na Polícia Militar do Amazonas. Episódio semelhante ocorreria oito décadas depois, com a nomeação do advogado Francisco de Assis Albuquerque Peixoto, cujo comando exerceu no triênio 1959-62. Quanto ao primeiro, a corporação quase nada registra a seu respeito, afinal o lapso de tempo na chefia perdura até 26 de julho, exatos 67 dias! Deveras curtíssimo. Pode ser um dos muitos voluntários da Guerra do Paraguai que foram enviados para o Norte, para serem empregados pelo governo provincial.

Um apontamento indica ter nascido na província do Ceará, em 16 de junho de 1840; em outra fonte, ter migrado para o Amazonas e aqui servido como “escrivão da recebedoria provincial”, antes de alcançar a primazia de comandar a Guarda. Mais detalhes: nesse ano de 1880, Aguiar exercia o mandato de vereador da capital e, nessa condição, assinou a Ata de inauguração da Santa Casa de Misericórdia, em 16 de maio. Dias antes de ser escolhido para o comando da Guarda.

Catando aqui e acolá, foi-me possível montar o seguinte quadro: o comandante Aguiar casou-se com Idalina Alves de Aguiar e teve os filhos: João, José, Carlos e Beatriz. Com a morte dele (possivelmente em Manaus), a viúva e os filhos passaram à condição de pensionistas do Montepio Provincial, benfeitoria depois mantida pelo Estado. Tanto que são encontrados na lista de beneficiários com a pensão mensal de 50$000 (cinquenta mil-réis), em maio de 1905.

 

2.      Antônio Nunes Sarmento - alferes da Guarda Policial

31 janeiro - 04 fevereiro 1882 (interino)

                                        

Natural de Fortaleza (CE), nascido em 1861, era filho de Porfirio Nunes Sarmento, e possuía cabelos pretos e media 61 polegadas, cerca de 1m55. Antes de ingressar na Guarda Policial prestou serviço militar, tendo “sentado praça” em 4 de setembro de 1879. Logo na semana seguinte foi promovido a 2º sargento e, em 24 de maio de 1880, alcançar a graduação seguinte.  Em 31 de janeiro de 1882, é nomeado alferes da Guarda Policial e “presta juramento”, ocasião em que “entra em exercício” e assume interinamente o comando da Guarda. Deixa o comando quatro dias depois. Recolhi duas notas: uma boa – seu casamento com Joana Batista de Paula Sarmento, em 26 de novembro do mesmo ano. Outra, péssima – em 15 de janeiro de 1883, quase ao completar um ano na corporação, foi “demitido por conveniência do serviço”.

 

3.      Raymundo Afonso de Carvalho - tenente-coronel PM

08 agosto 1892 – 23 julho 1896

 

Nascido em Fortaleza, em 7 de setembro de 1862, Afonso de Carvalho foi um dos tantos nordestinos vitoriosos no Amazonas. Ainda em na capital cearense, ingressou no Exército em 1880, sendo transferido para Manaus quatro anos depois, para servir como soldado do 3º Batalhão de Artilharia a pé. Licenciado da Força Terrestre, foi incluído no Corpo Policial (hoje PMAM) na vaga de alferes-secretário, em 1887. Não mais parou. Ainda major, foi nomeado comandante da corporação, quando prestou apoio incomensurável ao governador Eduardo Ribeiro (maranhense), em luta contra forças federais que buscavam sua deposição. Promovido a tenente-coronel em 13 de outubro de 1893, Afonso de Carvalho permaneceu no comando do batalhão policial.

Retirou-se de Manaus depois de comandar o Regimento Militar do Estado no governo de Eduardo Ribeiro (1892-96) e de exercer a superintendência (prefeitura) de Manaus (1895-96), antes de assumir este encargo, foi aposentado no posto de coronel; foi Provedor da Santa Casa de Misericórdia e presidente da Sociedade Beneficente Cearense e, ainda, comandante superior da Guarda Nacional (1901-02). Pertenceu à Loja “Esperança e Porvir”, tendo sido seu Venerável em 1897. Eleito deputado estadual foi, na condição de seu presidente, chefe do Poder Executivo (1907-08), sucedendo ao governador Constantino Nery. Morreu no Rio de Janeiro em data desconhecida. A despeito de tanto sucesso, Afonso de Carvalho ainda não auferiu qualquer reconhecimento da Polícia Militar do Amazonas.


segunda-feira, junho 08, 2026

FAST CLUBE - INAUGURAÇÃO

 Em 7 de julho de 1968 foi inaugurada a sede do Nacional Fast Clube, construída no então Boulevard Amazonas, hoje sede de uma igreja evangélica. O empreendimento causou admiração em Manaus pelo curto prazo cumprido na sua construção. A proeza coube ao saudoso Ezio Ferreira, que ainda dirigiu o Rio Negro Clube e exerceu o mandato de deputado federal. Concluindo, afirmo que estive presente à festa.

Recorte de A Crítica, 8 julho 1968


POMPOSA festa marcou ontem a inauguração da sede própria do Fast Clube. Às 17 horas, o governador do Estado que há 73 dias lançou a pedra fundamental da sede, presidiu a solenidade de inauguração da obra, perante autoridades civis, militares, representantes da Imprensa, do Rádio, do Clero e centenas de populares simpatizantes do clube tricolor.

— ESCUDO DE BRONZE

No salão de festas reuniram-se as autoridades sempre cercadas de centenas de populares. Enquanto todos assinavam seus nomes no Livro de Ouro, novos discursos surgiram saudando o feito fastiano. Um grupo de moradores do Boulevard Amazonas, simpatizantes do Fast Clube, aproveitou a ocasião para entregar ao presidente Ezio Ferreira o escudo do referido grêmio, trabalho em bronze.

— COQUETEL

Com um conjunto de música jovem executando números musicais, as autoridades acercaram-se da mesa para se servirem de frios e salgadinhos. Porém nem todas estavam servidas e centenas de populares tomaram conta do local e em poucos minutos a mesa, que era um mundo de frios nada mais apresentava senão pratos e bandejas vazias. Autoridades e dirigentes não levaram a mal o ocorrido, deixando por conta da satisfação que invadia cada torcedor pela inauguração da sede. 

domingo, junho 07, 2026

POLÍCIA MILITAR EM CHARGE

 Ao tempo em que o jornal A Crítica festejava os 30 anos de circulação, o chargista João Miranda aproveitou a Polícia Militar do Amazonas em seus trabalhos, obviamente observando a atuação dos policiais, nem sempre elogiosa. A postagem reproduz quatro dessas artes gráficas para melhor entendimento.

A Crítica, 4 abril 1979

Edição de 30 abril 1979

Edição de 19 maio 1979

Circulada em 19 abril 1979


POEMA DE DOMINGO (8)

 O tema - Cometa Halley - que prometia fazer uma passagem de primeira pelos céus, fez tantos programar, adotar seu nome para algum empreendimento, quiçá, nome de algum terráqueo, resultou em fiasco. O poema de Ulysses Bittencourt (1916-93) expressa a desventura. A postagem foi extraída da coluna do Clube da Madrugada inserida em A Crítica, 05 maio 1968.  

Ulysses Bittencourt


Distante e solitário em seu passeio universal,

O cometa de Halley mata o tédio

Sonhando em descansar um dia, como se possível fosse.

E viajando se distrai na escolha do local

Melhor para a hipótese.

Tem-se detido mais em nosso flutuante

Planeta,

Passando menos veloz; assesta seu olhar percepção

E dentre mares profundos, regiões saturadas de gente,

Vastos gelos eternos,

Vê do alto um grande trecho uno, igual e ameno

Talvez laje de jade verde estriado de amarelo e marrom,

Nem mais nem menos antigo reino mítico

Das Amazonas guerreiras, onde agora pessoas morenas

Vivem, pensam, convivem e tem direito a um fim,

que acabar também faz parte, acha o Cometa cansado.

Nem aos escritores Carlos Araújo Lima

E Affonso Romano de Sant'Anna

Nas alturas de Nova Friburgo permitiu ser apresentado;

Só uma fumacinha. Nem mesmo à querida amiga

Elza Assis Bastos, que o viu bem de perto

Em 1910, no Rio de Janeiro, deixou-se ver senão

Em pequena nuvem, embora continue ela com boa vista.

Na anterior passagem, o Cometa luminoso apavorou os

Terráqueos, passando longe, após duas guerras de extermínio. 

Mesmo assim atravessaram-no, pela cauda, com um artefato

Intrigado, prossegue em sua rota celeste,

Sem entender porque no meio de tanta vantagem divina

Homens disputem, se matem, firam, roubem, tenham medo,

Sem captar, da vida a força

O tempo breve e o sentido,

Nem o valor do privilégio.