CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

sábado, agosto 22, 2026

MAGNIFICAT!


Renato Mendonça

 

A memória do domingo — 16 de agosto — na liturgia católica nos conduz à celebração da Anunciação: o instante em que o anjo Gabriel, mensageiro da eternidade, desce em missão gloriosa e revela à Maria que dela nascerá não apenas um homem, mas o próprio Filho de Deus. É como se o céu tivesse, naquele instante, abençoado a terra, e a eternidade se alojado no ventre de uma jovem — para o cumprimento das escrituras.

Pensemos na delicadeza e na ousadia desse acontecimento. Maria, tão jovem e virgem, torna-se templo vivo, sacrário de carne e sangue. O ventre que se anuncia é mais que biológico: é um altar em gestação. E, na insensatez da sociedade judaica, marcada pela supremacia masculina — muitas vezes misógina — e pelo rigor das leis, aquele ventre, quando proeminente, poderia ser visto como escândalo, motivo de julgamento e até de morte por apedrejamento. Mas, o mistério divino não se curva às convenções humanas.

Outros milagres se entrelaçam nesse enredo: José, convencido em sonho, escolhe o caminho da proteção e não da denúncia; Isabel, ao receber Maria, sente o próprio filho estremecer em seu ventre, como se a vida reconhecesse o Pão da Vida que se aproximava. Cada gesto, cada encontro, cada sinal reforça o caráter sagrado dessa gestação — não apenas humana, mas transcendental.

Deus, em sua sacrossanta intenção, quis encarnar em uma mulher escolhida, para mostrar sua face humana. Maria torna-se ponte entre o invisível e o visível, entre o eterno e o temporal. Jesus, para os que creem, é a forma humana do Criador, testemunho vivo de que somos sua imagem e semelhança. Sua vida e ensinamentos permanecem como bússola de fé, semeando comportamentos honrados e livres de fanatismo.

Não há como negar a presença de Deus nos corações que se abrem ao mistério. A natureza, a ciência e o universo são reflexos de um ser superior que, mesmo diante do ceticismo, continua a ser o Senhor da Vida. Maria, humilde serva, aceita sua missão com palavras que ecoam como poesia eterna de resignação: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa vontade.”

Assim, o ventre de Maria carrega um plano divino, cósmico: nele pulsa o coração da humanidade e o sopro da eternidade. E o Filho, que padeceu e morreu na cruz, é a prova de que o amor divino não se limita ao céu, mas se derrama sobre a terra, até as últimas consequências, numa lição de humildade e resignação — assim como Maria.

A Encarnação e a crucificação de Jesus revelam que Deus não quis salvar o homem de fora, mas o de dentro: assumindo nossa carne, nossa fragilidade, nossa história. Jesus é a prova de que somos realmente a imagem e semelhança do Criador, e sua vida é testemunho de que a glória divina se manifesta na humildade. A cruz, plantada no alto para exprimir a derrota aos romanos, é o ápice do mistério: o Filho que aceita o cálice da dor e se entrega resignadamente, e o Pai que, na extensão do mesmo mistério, confirma que o amor é mais forte que a morte.

É Magnífico!

sexta-feira, agosto 21, 2026

SPP - SERVIÇO DE PROTEÇÃO PATRIMONIAL

 Atuou em Manaus, fundado em 1968, o Serviço de Proteção Patrimonial, melhor conhecido pela sua sigla – SPP. Fundado e dirigido por oficial do Exército – coronel Darly Sampaio, desde o início da Zona Franca de Manaus. Expandiu-se, enquanto não surgiam as concorrentes que as indústrias e obras e comércio exigiam da Manaus da época. A sede do SPP funcionou na rua 10 de Julho. Ao completar oito anos de existência, teve sua atuação destacada em A Crítica, de 12 de agosto de 1976.

Como autêntica sentinela na proteção do patrimônio de seus clientes, o Serviço de Proteção Patrimonial - SPP - vem colaborando há 8 anos de maneira decisiva ao desenvolvimento de Manaus. Exatamente há 8 anos o SPP começou na modéstia das suas possibilidades e vem paulatinamente, mantendo o seu rumo de trabalho silencioso e consciente, nesses 8 anos de experiência e de dedicação à sua missão precípua. Hoje, dia 15 de agosto, comemora-se com grande júbilo o 8º aniversário de fundação do Serviço de Proteção Patrimonial, que já faz parte do dia-a-dia de nossa Capital.


Recorte de A Crítica, 12 agosto 1976

Orgulhoso pelo trabalho que realiza, o SPP, à medida em que se expande, vai, também, admitindo como absolutamente certa a estrada que o Brasil vem palmilhando em busca do bem-estar de seu povo. Quanto mais necessidade de segurança ao patrimônio, maior prova de que, a despeito de tudo e de todos, muito mais gente está enriquecendo nesse País. O incremento da segurança do patrimônio é, sem dúvida, um índice veemente de que a riqueza nacional aumenta e muitos brasileiros mais estão enriquecendo ao contrário de alguns anos atrás. É a meta do Governo que vai sendo ferinamente atingida: a renda nacional pertence a muito maior número de brasileiros a cada ano. Parabéns ao SPP, com os votos de progresso para todos quantos ali emprestam o seu trabalho, o seu esforço.

Esta organização tem à frente o coronel EB Darly Sampaio (Diretor-Presidente) e Djalma Dutra, ambos sócios fundadores.

quinta-feira, agosto 20, 2026

PRIMEIRA VIGEM AO PERU

Aproveitei as férias de julho de 1981, para viajar a Iquitos, no Peru, terra natal de meu pai. À época, José Lindoso exercia o cargo de governador do Estado e recebera um protótipo de barco – um catamarã – para emprego na região.  Como a viagem inaugural subiria o rio Solimões, vivenciei a prova de funcionamento. Parti de Manaus numa quarta-feira e só desembarquei na semana seguinte; sem recursos de comunicação, levei a semana sem qualquer notícia sobre o restante do país.

Autor no Callao - Peru, em julho de 1981

Em Tabatinga, procurei informações sobre a viagem até Iquitos; além do serviço aéreo da Cruzeiro do Sul, existia um hidroavião da FAP (Força Aérea Peruana), cujo atrativo era o preço da passagem.  Na margem peruana, o hidroavião embarcava os passageiros junto a um flutuante, onde também se comprava a passagem. Sem horário fixo, passei a tarde aguardando e tomando “umas e outras”. Por razões logísticas, o avião pousou num pelotão militar próximo à cidade de Pebas, onde pernoitei. Na manhã seguinte, desembarquei em Iquitos, sendo calorosamente recebido pelos familiares.

A família de tia Laura e filhos e nora na recepção,
em Iquitos, julho de 1981

Queria ir mais longe: a ida e volta à capital Lima foi encaminhada pelo parente Miranda, funcionário da Cruzeiro, que me adquiriu passagem como se fosse nacional. Em 26 de julho, embarquei em um DC-3 ou 4 da Faucett Perú, no aeroporto – Francisco Secada Vignetta, inaugurado em 1979; assentado à janela observei a mudança da selva amazônica para os picos nublados dos Andes e, por fim, as ondas do Pacifico. Um amigo da família me recepcionou no aeroporto Jorge Chavez, na província do Callao.

Avião da Faucett Peru, no aeroporto de Iquitos,
em 26 julho 1981.

Celebrei as “Festas Patrias” em Lima, junto aos amigos da família, ocasião em que visitei as principais atrações turísticas. No retorno a Iquitos, ainda pela Faucett Perú, fui assediado no aeroporto por inúmeras pessoas pedindo para levar uma “encomenda”. Lembrando a recomendação do Miranda: nada de transportar pacotes. Assim fiz. Em Iquitos, tomei passagem na Cruzeiro para Manaus, cujo voo fazia escala em Tabatinga e Tefé. Somente voltei a Iquitos em 2015.