CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

quinta-feira, julho 30, 2026

DIA DO SELO -2026

 

Há 50 ANOS, o filatelista Edilsom Aguiar publicou este artigo comemorando o Dia do Selo no Brasil. Para lembrar a data, os filatelistas da cidade se reúnem neste sábado (01), no Palacete Provincial.

Recorte do Jornal do Commercio, 30 julho 1976

Como é natural, o selo também tem o seu dia, que é comemorado hoje em todo o Brasil pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e pelas associações e clubes filatélicos. O Brasil foi o terceiro país do mundo a emitir selo postal, seguindo o exemplo da Inglaterra e do cantão de Zurich, que respectivamente emitiram o primeiro e a segundo selo do mundo. A lei que instituiu o selo no Brasil foi votada em 1841 e um ano depois foram estabelecidos os valores de 30, 60 e 90 réis para os selos, que viria a ser a primeira série de selos ordinários de nosso país. Para as cartas destinadas a circularem dentro do país, a taxa a ser paga era de 60 réis, enquanto que as destinadas ao exterior deveriam pagar 90 réis.

Houve alguma demora na confecção da série, uma vez que a Casa da Moeda não dispunha de máquinas apropriadas e ainda mais pelo fato de não se ter ainda escolhido os motivos de sua ilustração, muito embora já se soubesse que nos selos não seria registrada a efígie do então Imperador D. Pedro II, para que não fosse desfigurada com a aposição do carimbo obliterador. Nos selos constaria somente um cifrão e não foi exceção nem para o nome de nosso país; a intenção era fazer um selo simples e expressivo, e isso foi conseguido. Assim, ao emitir o terceiro selo do mundo, o Brasil se colocava ao lado da Inglaterra e do Cantão de Zurich, como os pioneiros do lançamento do selo postal, a maior novidade da época.

Dessa maneira, pelo edital do 5 de julho de 1843, os Olhos de Boi, assim chamados por serem parecidos com os olhos daquele animal, foram emitidos finalmente a 1º de agosto de 1843, completando, portanto, hoje, cento e trinta e três anos de seu lançamento. Os Olhos de Boi, orgulho de qualquer colecionador, tiveram uma impressão de cerca de um milhão e meio (60 réis), mais de um milhão (30 réis) e quase trezentos e cinquenta mil (90 réis), que após o seu período de circulação e validade ainda sobraram quatrocentos e sessenta e seis mil, setecentos e onze selos.

Essa expressiva sobra do nosso primeiro selo é explicada pelo fato de, na época, o hábito da correspondência estava em sua fase inicial, e sua necessidade ainda não se fazia sentir, pelo menos de maneira expressiva, para os padrões do Brasil imperial. Já por volta do ano de 1844, estando já em circulação outra série ordinária, a dos chamados Inclinados, os selos que não tinham sido utilizados foram todos queimados, e ninguém previu, como era natural, a futura raridade dos selos Olhos de Boi, que hoje estão cotado entre os selos mais caros do mundo.

Os selos Olhos de Boi foram impressos em folhas diversas, a saber: folhas de 54 selos, em três painéis de 18 selos de 30, 60 e 90 réis, em ordem crescente, cada painel enquadrado e separado por uma linha divisória horizontal ou espaço em branco (2 chapas). Folhas de 54 selos, em 3 painéis de 18 selos de 30 réis. Folhas de 60 selos, sem divisão, de 30 réis. Folhas de 60 selos, sem divisão, de 60 réis (2 chapas).

Os selos foram impressos em talho doce, com gravação da Casa da Moeda do Brasil, em chapas de cobre, e impressão das Oficinas de Estamparia das Apólices. Os selos não têm denteação. Os vários tipos de papel utilizados na confecção dos selos Olhos de Boi foram: papel médio acinzentado ou amarelado; papel expressão branco ou amarelado com relevo no verso, e papel fino transparente.

Assim, comemorando o Dia do Selo Brasileiro, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos lançara amanhã o selo comemorativo em homenagem à Juventude Filatélica, num excepcional desenho de autoria de Glan Calvi. 

terça-feira, julho 28, 2026

AVENIDA EDUARDO RIBEIRO (2)

 Para o melhor entendimento, esclareço que o jornalista Ulisses Azevedo escreveu este texto em 1979, recordando seu tempo de jovem “de 30 anos atrás”. Desse modo, relembrou a situação na virada dos anos 1940. Azevedo tomou a avenida Eduardo Ribeiro como amostra, dissecando as diversas atividades e personalidades que por ali passaram. Lembro-me dela dos anos 1960, quando já dispunha somente parte do registrado pelo autor, cujo artigo foi publicado em A Crítica. Aqui vai a parte final.

 Passemos agora para o lado direito da Avenida. Em [19]49, salvo erro, o Morgado não estava mais com o Ponto Chic, ali na esquina já se situava a loja Credilar, que não era da Moto Importadora e sim do Charles Hamut, o mesmo Charles que fundou a Rádio Rio Mar; vinha o escritório da firma Freitas & Cia., a Casa Martins, a casa de modas de Madame Verdade, a Ourivesaria Biase, com o Zé discutindo futebol e o Zuílo lá nos fundos, na bancada. Minha amiga Thereza Biaze não trabalhava na Ourivesaria e sim na firma Oliveira Negreiros (aproveito a oportunidade para uma homenagem ao saudoso amigo Pedro Manuel de Oliveira Negreiros, o velho Manezinho). Depois do Biase, onde é a “Exposição”, ficava um bar-restaurante cujo nome não lembro. E o Salão da Messody Henriques, o primeiro salão de beleza de nossa cidade. Depois não me lembro o que era, a memória falha, para se deter na “Maranhense”, da Verónica e da Olivia, minha colega de turma do Ginásio Amazonense, turma de [19]42, e que não se chama Olívia, e sim Maria do Perpétuo Socorro. Depois da “Maranhense” os “Reservados São Paulo”, do Didier Monteiro e, na esquina, a padaria do Osvaldo Loyo.

 Agora o outro quarteirão, Saldanha Marinho/24 de Maio. Do lado esquerdo, não sei se em [19]49 ainda estava a Mercearia Central ou a Alfaiataria Avenida, do Antonio Sá Freitas, “Esquina da Elegância” (não estou fazendo pesquisa, apenas forçando a memória). O escritório do Homero Sá; onde é um banco, nos altos eram duas moradias, do Edgard Gama e Silva e do Dr. Álvaro Bandeira de Melo, no térreo a Nestlé, o Depósito Público, seguia-se o IAPI, a funilaria do Celani, a Singer (nos altos a Rádio Baré), o Saci Bazar, Confeitaria Avenida, Padaria Avenida e a marmoraria do Veronesse (costumava ir tomar uns tragos com a turma de lá, mas de nome, só me lembro do Bibi e do Pereira, que também era guarda de trânsito).

O muro ia até a esquina, tinha uma casa dentro e uma garagem. Do lado direito, o Cine Odeon, o velho prédio com o maior salão de espera que um cinema possa ter, cheio de colunas e de espelhos, com cadeiras de palinha; ao lado a “Casa de Chopp”, depois “boate Odeon”, hoje tudo incorporado ao Shopping Center; e o edifício do Foto Artístico. onde no térreo A Crítica foi fundada; ao lado o escritório do dr. Adriano Queiros, o prédio de “O Jornal” e “Diário da Tarde”; o “Jornal do Comércio”; depois um muro do terreno dos Agostinianos, atualmente o edifício “Cidade de Manaus”.

Avenida Eduardo Ribeiro de nosso tempo

Quarteirão da 24 de Maio/José Clemente. Do lado esquerdo a residência do Coqueiro Mendes, presidente da Câmara Municipal, hoje o edifício “Palácio do Comércio”; depois, terreno baldio, murado, até a esquina. Do lado direito, o velho prédio da Associação Amazonense de Imprensa, e lembro o mestre Aristophano Antony, um verdadeiro líder da classe, sempre ao lado de seus companheiros de jornal; vinha o prédio da Associação Amazonense de Professores e na esquina o Tribunal Regional Eleitoral, edifício construído na época da Ditadura para o Departamento das Municipalidades, já demolido.

Quarteira da José Clemente/ 10 de Julho. Do lado esquerdo, o Palácio da Justiça; lembrar fatos históricos é impossível neste registro; o mesmo acontecendo com o lado direito, fundos do Teatro Amazonas. Nada mudou nesse quarteirão, apenas os dois majestosos edifícios foram recuperados.

Quarteirão 10 de Julho: Monsenhor Coutinho. Lado esquerdo, na esquina, a residência do “seu” Cruz, pai do Raimundo, do Zé Arthur, do Miguel, do João Cruz, todos meus contemporâneos do Ginásio. Terreno baldio, murado, e o Ideal Clube, o mesmo prédio atual, na época presidido pelo saudoso Dr. Gama e Silva, que prestigiava a turma da radiofonia local. Do lado direito, onde foi o Siroco e hoje é moderno edifício, um terreno baldio, murado. Seguiam-se residências de gente importante, lembro apenas do Dr. Aristides Rocha e da família Roessing. Na esquina, o palacete da família Miranda Corrêa, uma coisa linda em estilo colonial, lembrando a época faustosa da borracha quando em Manaus se fabricavam cervejas gostosas (XPTO e Amazonense, em junho e no Natal a Yankee, cerveja escura). Demoliram o belíssimo palacete e, em seu lugar, está aquele espigão horroroso.

E ai terminava a Avenida, dando para a Praça Antonio Bittencourt, que o povo passou a chamar de Praça do Congresso, por ter sido ali o I Congresso Eucarístico de Manaus. Olhando para a Avenida, o Instituto de Educação do Amazonas, a despertar saudades e gratas recordações a dezenas de gerações. Dona Eunice Serrano Teles de Souza, dona Lila Borges de Sá, nomes que ficaram, entre outros distintos educadores, a merecer a lembrança imorredoura da juventude que ali estudou e aprendeu. No Instituto de Educação funcionou a Assembleia, que depois passou para o prédio da Biblioteca, retornou ao IEA, até conseguir local próprio no Palácio Rio Branco.

Desculpem o exagero das repetições. Onde, atual, ali, era, era. Foi apenas um roteiro de saudades, que pode ser percorrido por quem conheceu a Avenida de 30 Anos atrás. Num passeio de saudades e muitas recordações.

AVENIDA EDUARDO RIBEIRO (1)

 Para o melhor entendimento, esclareço que o saudoso jornalista Ulisses Azevedo escreveu este texto em 1979, recordando seu tempo de jovem “de 30 anos atrás”. Desse modo, relembrou a situação na virada dos anos 1940. Azevedo tomou a avenida Eduardo Ribeiro como amostra, dissecando as diversas atividades e personalidades que por ali passaram. Lembro-me dela dos anos 1960, quando disponha somente parte do registrado pelo autor, cujo artigo foi publicado em A Crítica (19 de abril de 1979).

Consagrada foto do cruzamentos da Sete com a
Eduardo Ribeiro, início do sec. XX

Recorte de A Crítica, 19 abril 1979

A Avenida Eduardo Ribeiro, ou simplesmente a Avenida, de 30 anos atrás, tinha um         perímetro privilegiado, da esquina da Sete de Setembro até a Saldanha Marinho, um pouco mais além, em frente ao “Jornal do Comércio”. Até no Carnaval era assim, o movimento se concentrava naqueles dois quarteirões. A Avenida dos bares com mesas nas calçadas, dos paralelepípedos, dos bondes de Saudade e Circular, daqueles postes de ferro, ornamentais, bem no meio dos cruzamentos, com os lampiões a carvão, dos bate-papos que invadiam as madrugadas. Banco, na Avenida, somente lá na praça do Congresso, que já tinha esse apelido, embora se chame Praça Antonio Bittencourt. De todas as artérias de Manaus a Avenida é a única que tem limites, no começo e no fim, como quem diz, daqui pra lá ninguém passa. No início, o cais do porto, na época pertencente a Manáos Harbour Limited; lá em cima o Instituto de Educação, construído pelo interventor Álvaro Maia, onde o Eduardo Ribeiro ia fazer o Palácio do Governo deixando no segundo pavimento, que foi dinamitado ou coisa parecida pelo Ramalho Júnior, sabe Deus por quê.

Um passeio pela Avenida de 30 Anos atrás é tarefa difícil. Conheci cada pedaço de calçada, cada paralelepípedo, cada mesa ou cadeira de bar. A memória falha um pouco, a tentativa, porém, é válida quando as recordações nos obrigam a um retrocesso no tempo, e as saudades nos mergulham em coisas boas de um passado que, até certo ponto, foi risonho e feliz.

A parte de baixo da Avenida pouca coisa tinha a mostrar. No centro, o passeio ou abrigo para pedestres, com o Abrigo Pensador, o velho Relógio Municipal, o posto de gasolina do Juvenal Leite e um outro posto quase no cruzamento com a Sete. De um lado o Jardim da Matriz, muito diferente do atual, sem aquelas “casas” e garagens. Um jardim abandonado. Do outro lado, lá na esquina da Marques de Santa Cruz, “A Cosmopolita”, bar do Leite; a Alfandega velha, onde hoje é o edifício da Receita Federal; o resto era os “fundos” de alguma coisa: dos Snapp, da firma J. Rufino, da Eletro Ferro. Passado o cruzamento da Teodoreto Souto, esquina dos Correios, o panorama não mudava, sempre os “fundos”, pois a frente principal ficava na Marechal Deodoro: firma Solon Benemond, Antonio M. Henriques, armazéns da firma J. G. (se cortou até borracha na Avenida), na esquina com a Quintino Bocaiúva a Alfaiataria Poli, do velho Akel, onde o Josias era contramestre. Dali em diante começava a melhorar. Na esquina a Tipografia Reis, do amigo Ivo Reis (antes fora o laboratório Studart, fabricante do famoso Leite de Colônia; para quem não sabe, o Leite de Colónia, hoje internacional, começou naquela esquina, fórmula do velho Carlos Studart, que os filhos levaram para industrializar no Sul). Depois da tipografia vinha a Perfumaria Jelly e uma outra casa comercial. Na esquina da Sete já estava a Lobrás, embora no velho prédio que fora da firma Adrião Barroco.

Cartão Postal da avenida, 1909

Atravessando a Sete, começava propriamente a Avenida, o grande movimento. Do lado esquerdo o bar Americano, com restaurante e reservados, onde hoje se situa um banco; ao lado (agora a loja Credilar) ficava a Leitaria Amazonas, que não vendia leite, mas servia uma cerveja bem geladinha. Os dois bares tinham mesas nas calçadas, bem frequentados nos fins de tarde e início das noites; vinha então a Alfaiataria Esportiva, do Figueiredo (pai da Rosa, do Wilson, do José), o Bangu era o contramestre e, parece, já estava lá o escritório da Juteira Lustosa do meu querido amigo Waldemiro Lustosa. A seguir, vinham as garagens: Esportiva, do Odorico Andrade, Antonio e Júlio Seixas; depois a União, do Gago e João Avelino; a Brasil e a Rio Negro, do velho Antonico. Os carros ficavam estacionados no meio da rua. Na esquina o Leão de Ouro, aberto dia e noite.

No mesmo quarteirão Avenida Sete/Henrique Martins não lembro se em [19]49 era a Drogaria Popular, onde o Gustavo Roessing atendia com muita presteza, ou se o “seu” Hatoum já havia instalado a “Esquina das Sedas” (agora um moderno edifício); onde é o “Palácio da Moda”, era a loja “A Violeta”, do saudoso Mário Covas (ali eu conheci meu amigo Belmiro Vianez, que tinha saído do Chico Preto); depois o Salão Avenida, do Severino Miranda, o Beleza era o barbeiro mais solicitado, depois virou um café; vinha a ourivesaria da firma A. Rodriguez, a Relojoaria São Paulo, de São Paulo & Martinho e o consultório do Dr. Flávio de Castro, onde se reuniam, na calçada, figuras expressivas da política e dos meios sociais da cidade. O Dr. Flávio, de saudosa memória, presidente do Rio Negro e do PSD, cavalheiro distinto e figura humana das mais positivas que conheci. Ali era o “muro das lamentações”, mais famoso e frequentado que o atual “canto do fuxico”. Na esquina, o “Restaurante Central”, com boa comida e aquelas mesas de toalhas bem limpas e um jarro de flores no centro.

Vamos passar ao outro quarteirão, da Henrique Martins até a Saldanha Marinho. Na esquina, onde está a Cruzeiro [do Sul], era a Farmácia Barreira, do velho Augusto, que depois passou para o lado; o bazar Avenida e o Bazar Esportivo, do “seu” Pinto, ali conheci o Amaranto, hoje fotógrafo de A Crítica, na época já lidando com fotografia. Uma pausa para uma apresentação merecida: o CAFÉ DA PAZ, nunca vendeu café e era um dos lugares mais barulhentos da cidade (para falar dos bares da Avenida, somente matéria especial, por isso fico apenas na apresentação).

O cinema Avenida, com “seu” Aurélio e dona Yayá sempre na porta, cumprimentando os conhecidos. Não sei se em [19]49 depois do cinema vinha a firma A. Bernardino ou se o escritório já era dos irmãos Carlos e João Braga. Depois a fotografia Avenida, do Álvaro Mendes, o consultório de dentista do Abelardo Melo, a Casa das Velas, a marcenaria e chegava-se ao famoso bar Avenida, na época do Júlio, o maior salão da cidade com reservado e tudo. Basta se ver o espaço ocupado pela agência do Bradesco, para se ter uma ideia do bar. (segue)