O festejado São José permeia o mês de março, sendo venerado em grande parte do país. Os admiradores são inúmeros, um deles é Renato Mendonça, que escreveu o texto.

Gravura da internet - Paulus Editora
SÃO JOSÉ
19.03.2026

SÃO JOSÉ
19.03.2026
Mais uma
vez, sinto abrasar em meu espírito o desejo de meditar e escrever sobre uma
data sagrada do nosso calendário litúrgico. Em tempos convulsos, quando as
disputas políticas parecem obscurecer o horizonte humano, é necessário recordar
aquilo que eleva a alma e pacifica corações endurecidos. E que melhor figura
escolher senão a de um homem justo, cuja biografia permanece envolta em enigma,
mas cuja obediência a Deus e humildade discreta revelam grandeza? Falo de José,
o esposo da Virgem Maria, cuja vida simples se tornou fundamento para o
mistério da Encarnação.
Os santos
cânones nos narram que José recebeu Maria como esposa segundo a tradição.
Contudo, antes de consumar o matrimônio, ela se viu grávida por obra divina.
Diante da severidade da Lei — a lei de Moisés — e da dureza dos costumes
judaicos, José cogitou deixá-la em segredo. Não quis denunciá-la, pois sabia
que isso a exporia à morte cruel por apedrejamento. Mas o céu interveio: em
sonho, o anjo lhe revelou que aquela gravidez era parte do desígnio eterno —
Deus se faria homem no ventre de uma virgem, e José seria guardião desse
mistério mais importante do Novo Testamento.
Assim, ele aceitou
a missão de ser pai adotivo do Salvador, conduzindo-o desde a infância até o
início de seu ministério. Sua função não foi apenas doméstica, mas teológica:
preservar a vida da Sagrada Família contra as forças da morte. Quando Herodes
decretou o massacre dos inocentes, José novamente foi advertido em sonho. Sem
hesitar, partiu para o Egito, tornando-se o protetor silencioso que salvou o
Menino Deus. Sua fuga não foi covardia, mas fidelidade à Providência e a fé. E
quando o perigo cessou, regressou a Nazaré, onde viveu como carpinteiro,
ensinando a Jesus o valor do trabalho e da retidão.
Os
Evangelhos pouco falam de José após o episódio em que, aflito, o encontra o
garoto Jesus no Templo entre os doutores da Lei. Depois, o silêncio. Nada
sabemos de sua morte, talvez porque sua vida foi toda dedicada a preparar o
caminho para Cristo e Maria, como nobre coadjuvante da História. José é,
portanto, o santo do silêncio fecundo, o operário da fé, o guardião da
esperança. Não ostenta em sua biografia milagres grandiosos nem discursos
eloquentes, mas sua santidade repousa na obediência discreta a Deus e no labor
cotidiano. É o modelo perfeito de santidade simples: o santo-operário que, sem
buscar glória própria, sustentou o maior dos mistérios — a Encarnação do Filho
de Deus.
E para minha
íntima alegria, trago em minha própria família vários Josés — homens que, à
semelhança do carpinteiro de Nazaré, são operários da vida e do ofício. O
principal deles foi meu pai, que, já adulto, escolheu carregar esse nome como
sinal de devoção e herança espiritual. Dele, filhos e netos herdaram não apenas
o prenome, mas também o testemunho silencioso de dignidade e trabalho. A todos
eles, meus cumprimentos e minha gratidão.
Salve, São José!


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