CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

sexta-feira, maio 08, 2026

EFEMÉRIDES AMAZONENSES (5)

 Mais um capítulo de uma pretensa publicação sobre os personagens e fatos da história amazonense.

8 de maio

1882 – Reinstalado o Estabelecimento dos Educandos, sob a denominação de Instituto Amazonense de Educandos Artífices, no governo do presidente José Paranaguá. Destinava-se a atender a infância desvalida (menores do sexo masculino). A denominação – Educandos – deu nome ao bairro. Em 1894, toma a denominação de Instituto de Artes e Ofícios, pouco depois foi extinto em novembro de 1899.

1926 – Toma posse no cargo o desembargador Francisco de Paula Faria e Souza, que fora nomeado em 06 de março. Nascido em Manaus em 1871, recebeu a graduação pela Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro, tendo sido o primeiro amazonense a ascender a Alta Corte do Tribunal de Justiça do Estado. Até então os desembargadores eram oriundos do Nordeste e formados pela Faculdade do Recife. Faria e Souza exerceu o cargo de Procurador Geral do Estado, porém, nunca presidiu o Tribunal de Justiça.

1947 – Reiniciadas as atividades da Assembleia Legislativa do Estado, em decorrência de disposição constitucional e das eleições realizadas em janeiro. A nova Mesa tinha por presidente o deputado Carlos Soares de Mello. Na mesma ocasião, toma posse na chefia do Poder Executivo, Leopoldo Amorim da Silva Neves, eleito em decorrência da restauração constitucional no País.

1948 – Nasceu em Manaus, Eber Bessa Rebello, em nossos dias coronel aposentado da Polícia Militar do Estado, onde ingressou em 1967. Ao ingressar foi matriculado na EsFO (Escola de Formação de Oficiais) no Rio de Janeiro. Concluído o curso de três anos, Eber (seu nome de guerra) esteve em diversas unidades da corporação, e ainda outros órgãos estaduais, como a Secretaria de Administração do Estado.  

1956 – Nasceu em Manaus, Maria da Conceição Valois Cortez (genitora de Roberto e Diego Valois Mendonça), filha de Carmelo Oyola e de Josefa Valois Cortez.

1960 – Miguel Jorge Santos Mendoza nasceu nesta data, em pleno Dia das Mães, na Maternidade Balbina Mestrinho. Trata-se do segundo filho do casal José Manuel e Doroteia Mendoza. Aos dez anos, acompanhou a família em mudança para Santos-SP e, adiante, no retorno para Manaus. A fim de assistir sua genitora em tratamento de saúde, regressou a Santos-SP, de onde mais tarde transferiu-se para Telemaco Borba-PR, onde reside com a esposa Ivonete Gonçalves e os filhos e neto.

Padre Nonato Pinheiro

10 de maio

1922 – Nasceu em Manaus (AM), Raimundo Nonato Pinheiro, filho de escritor homônimo e de Diana Pinheiro, que foi sacerdote regular. Após os estudos básicos em Manaus, frequentou os Seminários em Belém e São Luís do Maranhão, onde foi ordenado em 27 de outubro de 1946. Seu apurado zelo com o idioma pátrio, tornou-o excepcional filólogo, articulista competente que colaborou com todos os jornais da Capital, até seu falecimento; esse daí sua reconhecida aptidão pelo ensaio e pela polêmica.  Publicou pouco, mais lembrado o livro sobre o 3º bispo do Amazonas, Dom João da Matta, do qual foi secretário. Pertenceu às duas maiores agremiações literárias do Estado, o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, nele exerceu com brilhantismo a função de Orador e, além disso, de bibliotecário da instituição.  Na Academia Amazonense de Letras ocupou a Cadeira 20, cujo patrono é Joãos Ribeiro. Faleceu em Manaus, aos 7 de dezembro de 1994.

quarta-feira, maio 06, 2026

RAMAYANA DE CHEVALIER

 A postagem copia um artigo deste saudoso amazonense publicado na revista Cabocla, edição de julho de 1936. Daí se entender o tratamento então dispensado ao acometido pelo mal de Hansen. 
Ramayana de Chevalier


Revista Cabocla, julho 1936

Amanhã talvez seja tarde, Irmão Leproso, para te dizer adeus. Talvez amanhã teus olhos já se tenham fechado para a Terra e se escancarado diante de Deus. Amanhã talvez já tenhas bebido a derradeira taça do fel do teu martírio. Falemos hoje, visto que és um condenado à Morte. Falemos, porém, mais na linguagem muda dos corações, que no murmúrio desconsolado das palestras banais.

Não precisas do meu dinheiro, nem do meu sorriso, nem do meu abraço. A Terra negou-te tudo, enchendo-te de manchas repelentes; o Céu estende-te os braços infinitos, pois as chagas do teu corpo são condecorações do teu espírito.  Quanto mais suja e podre se torna a tua carne, mais brilha, mais se aclara, no mistério das transfigurações, a tua alma triste.

Entre o segredo silencioso do teu espírito e a alegre sarabanda do Amor de tua Amada, Irmão Leproso, existe a distância incomensurável de uma posta de carne diluída em úlceras, um montão de nervos combalidos que se contraem nas crispações da maior Dor do Mundo.

Teus olhos já secaram como fontes inúteis; tuas mãos, que eram puras e belas, entortaram, na rebeldia da moléstia sinistramente má; tua boca, referta de carícias e habitual ao beijo fraternal, enregelou-se como um túmulo, morta para todas as expressões, acabada para todos os gestos amáveis; teu rosto não se reflete mais, nunca mais resistirá ao confronto das superfícies polidas.

És pai, também, meu pobre Irmão Leproso. E, entre ti e teu filho, há um degredo perpetuo e sombrio. Os assassinos podem embalar os filhos pequeninos. Os ladroes têm a graça de dirimir o remorso, na carícia suave de mãos pelo rosto cândido do primogênito querido.

Os jogadores, os bêbados, os viciados têm a oportunidade de um minuto de sagrada transformação, no convívio inocente e divino das crianças.

Tu não furtaste ninguém, senão a tua própria tranquilidade; tu não mataste ninguém, senão a tua própria ilusão; tu não jogaste nunca, senão a tua alma pela saúde de teu corpo; tu não bebes, senão o cálice envenenado da tua suprema desgraça; tu não tens outro vício senão esse atroz, cruciante, terrível vício da esperança, essa esperança que cai aos bocadinhos, a cada trecho de carne que se solta do teu cadáver, mas continua, acesa como um incêndio, na fogueira do teu enorme coração.

E, no entanto, Irmão Leproso, tu nunca poderás deslisar as tuas mãos nojentas pela cabeça loira e mansa do teu filhinho; nem sequer tê-las pela frente, para que ele nunca veja, nem sinta, o tamanho da tua deformação física, o tamanho do teu sofrimento moral.

Um dia, no Céu, o apertarás entre os teus braços imaculados, o beijarás com tua boca perfumada, o chamarás de filho, no aconchego do teu Corpo puríssimo, porque do outro lado, meu querido Irmão, estarás mais limpo do que as aras dos altares, mais cândido que a neve das montanhas, mais alvo que os luares alvíssimos. (...)

Tens um Amor, Irmão Leproso, e ele vive longe de ti como o Sol dos pântanos imundos. Tua carícia, mesmo distante, é uma tortura feroz e implacável. A tua lembrança evoca jardins roxos de úlceras incansáveis, peles oleadas e ríspidas que repugnam, mágoas semeadas em tubérculos pelo teu rosto.

E, no entanto, como tu amas o teu Amor! Que paraísos não constróis no íntimo heroico, que sonhos não enfeitam os teus silêncios, que crepúsculos deslumbrantes não repousam, como aves fatigadas, na tua pupila escondida e tristonha...

A lepra é um caminho para o Céu.

Lembras-te daquele Rabi, suave e sereno da Galileia, que visitou aquela criança enferma, miserável e sozinha? Ele não gostava dos palácios, não frequentava o bulício mundano, não procurava os homens que vestiam clâmides vistosas ou mulheres ornamentadas como atrizes. Apresentou-se àquela criancinha doente, para lhe trazer a saúde e o carinho, como transitou, inesperado e solícito, entre os morféticos e os paralíticos.

Quantas vezes não hás de tê-lo visto diante de ti, quando as mordidas de tuas chagas, na aflição mais cruciante, te deram o teu mais profundo desespero, a sensação do derradeiro apodrecimento?

Deus não passeia onde há sorrisos, exceto o do rosto das crianças, que o sorriso dos bons já é um prêmio. (...) Teu corpo é um sepulcro sangrento. Sobre ele, um dia, descansará o Senhor quando precisar de novo copo d’água samaritano, cansado de sofrer pelos que são felizes.

Quando chorares, volta-te para Ele, entrega-lhe os teus olhos, os teus pobres olhos sem brilho e sem paisagens, e, com a mesma esponja na qual sorveu Ele o seu fel bendito, haverá de sorver também o fel que escorre das tuas órbitas insones.

Espera, Irmão Leproso, o dia da tua ressurreição. Talvez, Ele mesmo, condoído de tua sorte aqui na Terra, dê à Ciência o meio de curar-te. (...) Feliz de quem como tu já sabe o preço da vaidade humana, da grandeza humana, da riqueza mortal. Feliz de quem como tu, já sentiu o contato do Mestre na clausura de tua afogueada meditação.

Eu ainda ficarei por aqui, lutando pelo esquecimento, e pecando, desvairado e intranquilo, na minha imperfeição. Um dia nos encontraremos. Um dia nos abraçaremos, sem constrangimentos, sem repugnâncias, sem pavores. Eu serei, então, feliz, se puder, nesse dia, beijar-te as mãos benditas, onde as chagas se transformaram em flores; se puder fixar-te, beatificamente dentro dos olhos, onde as lágrimas serão fontes de alegria e me dessedentarão.

Um dia passearemos juntos, pelos jardins eternos, sorrindo no sorriso infinito que vem de Deus. Irmão Leproso, até logo!

segunda-feira, maio 04, 2026

MEUS OITENTANOS (3)

 FASCÍCULO 3

A partida prematura de minha mãe, quando eu tinha seis anos, foi como um raio que rasgou o céu sereno da infância, inaugurando uma era de mudanças profundas em nossa família. Embora desfeito o lar, a habitação permaneceu de pé, mas ganhou um quiosque na lateral, onde meu pai tentou reinventar a vida por meio de um pequeno comércio. Contudo, o imóvel tornou-se palco de disputas: familiares maternos — dois tios, especificamente —, movidos pela ideia de uma herança equívoca, investiram contra nós como ventos tempestuosos que ameaçam derrubar paredes e muros.


Victoria Malafaya, a matriarca; Lindalva e Raimundo, companheira; Doroteia, solteira; e Casamento de Manuel e Doroteia (1958), a partir da esq., fotos recuperadas por IA

Para sustentar os filhos e tentar manter o lar, meu pai contratou Lindalva Feitosa, jovem de dezoito anos, para dividir os afazeres com minha avó paterna, Dona Victoria Malafaya — uma senhora de temperamento difícil, talvez porque não conseguia se socializar a contento — não falava português, apenas castelhano. Enquanto isso, o viúvo Manoel retornava ao seu antigo ofício de “pracista” — uma espécie de representante de vendas — da Padaria Avenida, tentando equilibrar o peso da viuvez com o fardo da sobrevivência.

Para ilustrar o que foi narrado no primeiro parágrafo, recordo: eu tinha oito anos quando testemunhei uma cena que se gravou em minha memória como ferro em brasa no lombo do boi. Os dois tios, acompanhados de um vizinho, desafiaram meu pai diante do quiosque. Ele, protegido pelo balcão, empunhou o facão — terçado, na linguagem amazônica, que cintilava como antecipação de uma tragédia. Mas conteve-se, prisioneiro da própria prudência, e não deixou que o sangue se tornasse mancha no chão da rua ou da calçada. Anos depois, ele me contou esse episódio, esquecendo-se de que eu havia testemunhado, e guardado na mente e no coração.

A venda da propriedade ao compadre Chico Pezinho foi a solução encontrada. Mudamo-nos para um sobrado no mesmo beco, depois para outra casa próxima, na entrada da travessa que levava à estrada de Constantinópolis. Lindalva, que começara como contratada, tornou-se companheira de meu pai, e dessa união nasceram Raimundo, em 1954, e Sonia, em 1956. Mas o destino, volúvel, desfez o laço inesperadamente.

Mais tarde, Dona Doroteia Santos entrou em nossa vida, e nós, os futuros enteados, passamos a chamar carinhosamente de “Dona” e, tempos depois, adotamos o diminuitivo de tratamento: “Doninha”. Casaram-se em março de 1958, na Igreja de Educandos, enquanto eu, já internado no Seminário São José, ausentava-me da festa.

A casa, de madeira, crescia nos finais de semana sob as mãos de carpinteiro — ofício que ele aprendeu no Peru, com seu cunhado Manoel Miranda — de meu pai. Ao lado, outra taberna renascia, e o terreno em declive trouxe desavenças com vizinhos, pois as águas pluviais mudaram de curso com as obras realizadas. Como contraponto às inconveniências provocadas, no meu mundo infantil, eu me encantava com o frondoso biribazeiro do nosso quintal, que nos saciava com frutos amarelos e lembranças doces.

Em 1955, concluí o 4º ano primário no Grupo Escolar Machado de Assis. O vigário de Educandos, padre Antônio Plácido de Souza, convenceu meu pai a antecipar minha entrada no Seminário São José. Assim, em fevereiro de 1956, com dez anos incompletos, atravessei o portão da rua Emílio Moreira, deixando para trás o lar e abraçando uma vocação que ainda não compreendia. A sorte parecia sorrir, e eu acreditava que outros bons fados me acompanhariam.

Mas antes, abro parênteses para enumerar a família que se tornara a partir do segundo casamento do patriarca: José Manoel Filho (1959), Miguel Jorge (1960), Luís Carlos (1962), João Ricardo (1964), Ronaldo Cesar (1967-68) e Carlos Alberto (1974), nascido em Santos. Desses, apenas Ronaldo não sentiu o fado da sobrevivência, faleceu aos dez meses. A tia Raimunda, com seus doze filhos, partiu de Manaus em 1955, levando consigo o calor do suporte familiar. Em dezembro de 1959, mudamo-nos para o Morro da Liberdade, em carroça que fazia viagens repetidas, divertindo os filhos. A nova residência em terreno amplo, um pomar com espaço para prática de futebol e passeio de bicicleta, era um sítio. Mas o bairro, ainda em gestação, não oferecia os recursos do Educandos, onde antes vivíamos ao lado do Cine Vitória. Dois anos depois, faleceu nossa avó Victoria Malafaya, a intrépida matriarca, aos 71 anos.

Setenta anos se passaram, e ao abrir os registros da memória, sinto o peso de duas reflexões sobre o caminho sacerdotal que me foi imposto. A primeira delas me persegue como uma pergunta sem resposta: pode um menino de dez anos querer ser padre? De repente, fui arrancado do lar e dos afetos mais íntimos, lançado entre cinquenta rostos desconhecidos — garotos, adolescentes, adultos — todos estranhos. Ali, compreendi a violência social que se abatia sobre mim. No educandário, precisei erguer defesas contra agressões de toda ordem, inclusive aquelas que maculam a inocência. À noite, o tormento se intensificava: a lembrança do calor humano de casa me sufocava, e o colchão de crina, tão áspero, contrastava com a suavidade da rede onde antes repousava. O choro vinha sem freio, até que o sono, impiedoso, me vencia.

A rotina era marcada pelo sino que ecoava no pórtico, ligando instituições e impondo horários rígidos. Entre estudos, refeições e a limpeza do prédio — tudo feito pelos próprios alunos — havia ainda a oração noturna, enfadonha e obrigatória, que antecedia o recolhimento. Mas um fato esotérico me acompanhou por anos: na sala térrea, eu tinha a impressão de que minha mãe, já falecida, me velava pela janela. Corri inúmeras vezes para surpreendê-la, virei o olhar com rapidez, mas seu espírito era mais ágil, mais prevenido. Até que, por fim, deixou o filho seguir crescendo sozinho.

Com o tempo, a idade me amoldou à engrenagem burocrática: missas diárias, retiros silenciosos, filas intermináveis. Recordo-me de ser o puxa-fila, talvez pela estatura diminuta. A alimentação escassa era suavizada pelos “Alimentos para a Paz”, doados pelos americanos com interesses ocultos. Entre esportes e brincadeiras, havia também a tentação das fruteiras, colhidas às escondidas. O seminário erguia-se sobre a antiga chácara do extinto governador Nery, e ali o destino me apresentou ao padre Juarez Maia, o ecônomo, que se tornou meu protetor. Ele me ofereceu recursos, tentou adotar-me, mas recuou diante da presença viva de meu pai.

Minha escolaridade, contudo, foi marcada por lacunas. Avancei ao ginasial sem concluir o fundamental, e os professores eram escolhidos entre seminaristas e amigos da Igreja. Pouco aprendi de ciências exatas, mas o latim me acompanhou por todos os anos. Em 1958, fiquei reprovado em Inglês e, mesmo após a segunda época, fui retido. Paradoxalmente, o padre-protetor justificou: eu era jovem demais, apenas doze anos.

À medida que crescia, fui incumbido de tarefas administrativas, como lançar em livro as notas dos colegas. Em 1963, último ano do curso, vivi intensamente: na Semana Santa, participei do Auto da Paixão — dirigido magistralmente pelo padre Ruas —; atuei em teatro, no grupo montado por Anacleto Cruz — entusiasta colega de Parintins —; em agosto, transcrevi a Bula “Ad Christi” que instituía a Prelazia de Itacoatiara; organizei um bingo pago em bolinhas de gude. Incentivado pelo padre, busquei ser o melhor aluno, mas alcancei apenas a medalha de prata. No fim daquele ano, veio a decisão: minha turma seguiria para Recife — entre nós, o futuro padre Luís Gonzaga de Souza (1942-2018) —, rumo ao Seminário Maior. Eu, porém, fui preterido — vocação duvidosa, idade tenra. Restava-me aguardar outro fado.

Retornei ao Seminário São José em 1964, ano fatídico. Ao final do primeiro semestre, a decisão amadurecida se impôs: abandonar o caminho religioso. Conversei com meu protetor, que compreendeu minha desventura. Fiz a mala, despedi-me dos colegas e, ao abdicar da proteção, ouvi suas últimas recomendações: ser bom cristão, bom cidadão, cumprir as normas sociais. Uma delas já me esperava à porta, portando uma convocação oficial das Forças Armadas: o serviço militar, pois acabara de completar dezoito anos.