Para o melhor entendimento, esclareço que o jornalista Ulisses
Azevedo escreveu este texto em 1979, recordando seu tempo de jovem “de 30 anos
atrás”. Desse modo, relembrou a situação na virada dos anos 1940. Azevedo tomou
a avenida Eduardo Ribeiro como amostra, dissecando as diversas atividades e
personalidades que por ali passaram. Lembro-me dela dos anos 1960, quando já dispunha
somente parte do registrado pelo autor, cujo artigo foi publicado em A
Crítica. Aqui vai a parte final.
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Cartão Postal destacando o cruzamento da avenida com a rua Saldanha Marinho |
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| Detalhe de A Crítica, 19 abril 1979 |
Passemos agora para o lado direito da Avenida. Em [19]49, salvo
erro, o Morgado não estava mais com o Ponto Chic, ali na esquina já se situava
a loja Credilar, que não era da Moto Importadora e sim do Charles Hamut, o
mesmo Charles que fundou a Rádio Rio Mar; vinha o escritório da firma Freitas
& Cia., a Casa Martins, a casa de modas de Madame Verdade, a Ourivesaria
Biase, com o Zé discutindo futebol e o Zuílo lá nos fundos, na bancada. Minha
amiga Thereza Biaze não trabalhava na Ourivesaria e sim na firma Oliveira
Negreiros (aproveito a oportunidade para uma homenagem ao saudoso amigo Pedro
Manuel de Oliveira Negreiros, o velho Manezinho). Depois do Biase, onde é a “Exposição”,
ficava um bar-restaurante cujo nome não lembro. E o Salão da Messody Henriques,
o primeiro salão de beleza de nossa cidade. Depois não me lembro o que era, a
memória falha, para se deter na “Maranhense”, da Verónica e da Olivia, minha colega de turma do Ginásio Amazonense, turma de [19]42, e que não se chama Olívia, e sim
Maria do Perpétuo Socorro. Depois da “Maranhense” os “Reservados São Paulo”, do
Didier Monteiro e, na esquina, a padaria do Osvaldo Loyo.
Agora o outro quarteirão,
Saldanha Marinho/24 de Maio. Do lado esquerdo, não sei se em [19]49 ainda
estava a Mercearia Central ou a Alfaiataria Avenida, do Antonio Sá Freitas, “Esquina da Elegância” (não estou fazendo
pesquisa, apenas forçando a memória). O escritório do Homero Sá; onde é um banco, nos altos eram duas moradias, do Edgard Gama e Silva e do
Dr. Álvaro Bandeira de Melo, no térreo a Nestlé, o Depósito Público, seguia-se
o IAPI, a funilaria do Celani, a Singer (nos altos a Rádio Baré), o Saci Bazar,
Confeitaria Avenida, Padaria Avenida e a marmoraria do Veronesse (costumava ir
tomar uns tragos com a turma de lá, mas de nome, só me lembro do Bibi e do
Pereira, que também era guarda de trânsito).
O muro ia até a esquina, tinha uma casa dentro e uma garagem. Do
lado direito, o Cine Odeon, o velho prédio com o maior salão de espera que um
cinema possa ter, cheio de colunas e de espelhos, com cadeiras de palinha; ao
lado a “Casa de Chopp”, depois “boate Odeon”, hoje tudo incorporado ao Shopping
Center; e o edifício do Foto Artístico. onde no térreo A Crítica foi
fundada; ao lado o escritório do dr. Adriano Queiros, o prédio de “O Jornal” e “Diário
da Tarde”; o “Jornal do Comércio”; depois um muro do terreno dos Agostinianos,
atualmente o edifício “Cidade de Manaus”.
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| Avenida Eduardo Ribeiro de nosso tempo |
Quarteirão da 24 de Maio/José Clemente. Do lado esquerdo a
residência do Coqueiro Mendes, presidente da Câmara Municipal, hoje o edifício “Palácio
do Comércio”; depois, terreno baldio, murado, até a esquina. Do lado direito, o
velho prédio da Associação Amazonense de Imprensa, e lembro o mestre Aristophano
Antony, um verdadeiro líder da classe, sempre ao lado de seus companheiros de
jornal; vinha o prédio da Associação Amazonense de Professores e na esquina o
Tribunal Regional Eleitoral, edifício construído na época da Ditadura para o
Departamento das Municipalidades, já demolido.
Quarteira da José Clemente/ 10 de Julho. Do lado esquerdo, o
Palácio da Justiça; lembrar fatos históricos é impossível neste registro; o
mesmo acontecendo com o lado direito, fundos do Teatro Amazonas. Nada mudou
nesse quarteirão, apenas os dois majestosos edifícios foram recuperados.
Quarteirão 10 de Julho: Monsenhor Coutinho. Lado esquerdo, na
esquina, a residência do “seu” Cruz, pai do Raimundo, do Zé Arthur, do Miguel,
do João Cruz, todos meus contemporâneos do Ginásio. Terreno baldio, murado, e o
Ideal Clube, o mesmo prédio atual, na época presidido pelo saudoso Dr. Gama e
Silva, que prestigiava a turma da radiofonia local. Do lado direito, onde foi o
Siroco e hoje é moderno edifício, um terreno baldio, murado. Seguiam-se residências
de gente importante, lembro apenas do Dr. Aristides Rocha e da família Roessing.
Na esquina, o palacete da família Miranda Corrêa, uma coisa linda em estilo
colonial, lembrando a época faustosa da borracha quando em Manaus se fabricavam
cervejas gostosas (XPTO e Amazonense, em junho e no Natal a Yankee, cerveja
escura). Demoliram o belíssimo palacete e, em seu lugar, está aquele espigão
horroroso.
E ai terminava a Avenida, dando para a Praça Antonio Bittencourt,
que o povo passou a chamar de Praça do Congresso, por ter sido ali o I
Congresso Eucarístico de Manaus. Olhando para a Avenida, o Instituto de
Educação do Amazonas, a despertar saudades e gratas recordações a dezenas de
gerações. Dona Eunice Serrano Teles de Souza, dona Lila Borges de Sá, nomes que
ficaram, entre outros distintos educadores, a merecer a lembrança imorredoura
da juventude que ali estudou e aprendeu. No Instituto de Educação funcionou a
Assembleia, que depois passou para o prédio da Biblioteca, retornou ao IEA, até
conseguir local próprio no Palácio Rio Branco.
Desculpem o exagero das repetições. Onde, atual, ali, era, era.
Foi apenas um roteiro de saudades, que pode ser percorrido por quem conheceu a
Avenida de 30 Anos atrás. Num passeio de saudades e muitas recordações.