CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

domingo, maio 24, 2026

SOFIA MENDONÇA - 16 ANOS

 Acontece hoje o aniversário de Sofia Mendonça, minha filha; por se tratar de domingo, foi-me permitido cumprir os desejos da aniversariante. Para marcar a data vão aqui postados algumas fotos do progresso físico da adolescente. Vida longa, princesa!





Sofia, em quatro tempos

POEMA DOMINICAL

 A postagem reproduz o poema de Clóvis da Mata - Deus no Amazonas, em que louva a realização do Congresso Eucarístico Nacional em Manaus, em julho de 1975, portanto, há 50 anos. Da ornamentação produzida para a festa religiosa resta a Cruz no pátio da Igreja de Fátima, obra do artista Severiano Porto.

Jornal do Commercio, 20 julho 1975

Sob um pálio de luz nas alturas

Refulgindo de Fé e de Amor,

 neste chão que a tantos deu glória

oh! Senhor dos Altares, fulguras,

na imponente canção da Vitória!

Acústica do mundo cristão

 e vergel de lembranças sagradas,

o Teu nome rebrilha nos Salmos

e agasalha milénios de História!

Nossas matas, dosséis de verduras 

conhecidas por Selva Selvaggia

constituem a bela escultura

 que Vossa sempiterna presença

às páginas do Gênesis deu,

na visão imortal do profeta!

Rei dos Reis, o Teu trono é eterno,

e um céu de alabastro e de luz

 sobre a terra da Fé, que é unção,

onde o povo exultante Te adora

e com todos reparte o Pão.

No recesso dos templos sagrados

 Tua imagem entre lírios reluz

ante as velas eretas e ardentes

incensadas por turibulários

que invocam o poder da Oração

contra os ímpios e vãos aretinos,

adorando o Menino-Jesus!

Amazonas, Estado altaneiro

que se ergue indomável e viril,

tens um nome que fala de amor

e rebrilha nos céus do Brasil

com requintes das aves canoras

como rios que se beijam no alvor

 das manhãs, em idílios de correr,

e esmagam irmãos ribeirinhos.

És portal da União e da Fé,

catedral nacional da oração,

no teu solo sagrado chantaram

nosso símbolo — a Cruz dos Altares

dos cristãos, é na dor refrigério,

dos ateus, conversão nos esgares! 

Amazonas das lendas suntuárias

o teu dorso se ergueu bem no alto,

pois do plano naval transbordou

tuas águas cidades cobriram,

quem ousara, Amazonas, dizer-te,

neste instante de tanto esplendor,

que o Congresso tuas águas não viram?

Há presença de Deus na floresta,

na grandeza do solo e dos rios,

no carinho das aves cantantes

que a ternura teceram nos ninhos;

na bondade do povo glebário,

nas casinhas de teus ribeirinhos,

que em lufadas de vento compõem

as medonhas tragédias dos rios

no transcurso das cheias hiantes

Manaus, coração da Amazônia

por direito e estratégia local

repetindo o feito de outrora

 hoje ergues o fulvo ostensório

e convidas ao rito litúrgico

o rebanho de Deus nas planuras,

ante os céus a o esplendor da aurora.

És sacrário da Paz e Harmonia,

Altar-mor de ungidas orações

circundado de luz triunfal,

sob o manto da Eucaristia!

Peregrinos n’estoria te rendem

homenagem, e ao Pai-Redentor,

são romeiros de outras distâncias

que a Cruz a Bíblia transportam

como fontes eternas de amor.

Que após o Congresso Eucarístico

destas plagas, com raro fervor

irradiam mensagens divinas

em hosanas ao Cristo-Senhor;

Pai de pobres e ricos também,

exaltado que foi nas origens

no soturno da gruta em Belém

 que no início do mundo foi Verbo,

hoje em dia é Verbo e Mundo,

dê a todos unidos de Fé,

como exemplo de santa humildade

um Amazonas de Paz e de Amor.

quarta-feira, maio 20, 2026

PETROBRAS EM CAMAÇARI-BA

Aposentado da Petrobras, o autor analisa com sagacidade a decisão da empresa em retomar a Fábrica de Fertilizantes em Camaçari-BA, daí a CRÔNICA DA FAFEN

19.05.2026

Renato Mendonça

 

Brasão de Camaçari-BA

Não é um governo o que passou — foi uma nuvem negra. E das sombras nasceram falácias contra a Fafen, como se a fábrica fosse apenas um peso morto, um resquício de tempos que não voltariam mais. Porém, eis que o presente, com mãos firmes de um governo devotado à classe trabalhadora, devolve à luz o que tentaram sepultar.

Na quinta-feira passada, no coração industrial de Camaçari, a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia voltou a pulsar. O que antes fora arrendado à Proquigel, empresa privada hoje em recuperação judicial, regressa ao seio da Petrobras como quem retorna ao lar. Não é apenas uma planta retomada: é soberania que se ergue, é alimento que se garante, é o Brasil que se recusa a ajoelhar diante da dependência externa de fertilizantes.

A engrenagem volta a girar com promessa de abundância: 1300 toneladas de ureia, 1300 de amônia, e o reagente ARLA-32, que move os pesados motores da estrada. Cada grão de ureia, cada molécula de amônia, é mais que química — é pão na mesa, é pasto verde para o gado, é esperança de preços mais justos no mercado. E, junto à produção, florescem empregos: quase mil diretos, milhares indiretos, como raízes que se espalham pelo solo fértil da Bahia. O Porto de Aratu, com seus terminais de amônia e ureia, será o escoadouro dessa nova colheita industrial. A logística se torna poesia de ferro e mar, garantindo que o fruto da fábrica alcance cada canto do país, para melhorar a vida do consumidor.

As elites, sempre ávidas por ganhos imediatos, defenderam a importação, o lucro rápido, o subsídio estatal ao gás privado. Queriam transformar a Petrobras em serva de interesses estrangeiros, em ponte de renda para poucos — para uma elite gananciosa. Mas o plano ruiu quando o preço internacional do gás expôs a fragilidade da ambição. Restou a lição: não há futuro na dependência estrangeira, não há soberania na entrega de riquezas.

O debate, no Brasil, raramente é ideológico no sentido nobre da palavra. É, antes, um jogo de falácias, uma disputa onde a classe dominante parasitária veste argumentos como máscaras, para ocultar sua fome de apropriação indébita. Mas a retomada da Fafen é mais que política: é o gesto simbólico, é a vitória concreta do campo progressista, é uma lembrança de que desenvolvimento industrial e política energética não podem ser reféns de interesses escusos.

A fábrica renascida é metáfora do país trabalhador que insiste em se reinventar. Entre aço e amônia, entre ureia e suor, ergue-se a certeza de que o Brasil, quando decide caminhar com seus próprios pés, não há sombra que o detenha.