Há 50 ANOS, o filatelista Edilsom Aguiar publicou este artigo comemorando o Dia do Selo no Brasil. Para lembrar a data, os filatelistas da cidade se reúnem neste sábado (01), no Palacete Provincial.
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| Recorte do Jornal do Commercio, 30 julho 1976 |
Como é natural, o selo também tem o seu dia, que é comemorado hoje em todo o Brasil pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e pelas associações e clubes filatélicos. O Brasil foi o terceiro país do mundo a emitir selo postal, seguindo o exemplo da Inglaterra e do cantão de Zurich, que respectivamente emitiram o primeiro e a segundo selo do mundo. A lei que instituiu o selo no Brasil foi votada em 1841 e um ano depois foram estabelecidos os valores de 30, 60 e 90 réis para os selos, que viria a ser a primeira série de selos ordinários de nosso país. Para as cartas destinadas a circularem dentro do país, a taxa a ser paga era de 60 réis, enquanto que as destinadas ao exterior deveriam pagar 90 réis.
Houve alguma demora na confecção da série, uma vez que a Casa da Moeda não dispunha de máquinas apropriadas e ainda mais pelo fato de não se ter ainda escolhido os motivos de sua ilustração, muito embora já se soubesse que nos selos não seria registrada a efígie do então Imperador D. Pedro II, para que não fosse desfigurada com a aposição do carimbo obliterador. Nos selos constaria somente um cifrão e não foi exceção nem para o nome de nosso país; a intenção era fazer um selo simples e expressivo, e isso foi conseguido. Assim, ao emitir o terceiro selo do mundo, o Brasil se colocava ao lado da Inglaterra e do Cantão de Zurich, como os pioneiros do lançamento do selo postal, a maior novidade da época.
Dessa maneira, pelo edital do 5 de julho de 1843, os Olhos de Boi, assim chamados por serem parecidos com os olhos daquele animal, foram emitidos finalmente a 1º de agosto de 1843, completando, portanto, hoje, cento e trinta e três anos de seu lançamento. Os Olhos de Boi, orgulho de qualquer colecionador, tiveram uma impressão de cerca de um milhão e meio (60 réis), mais de um milhão (30 réis) e quase trezentos e cinquenta mil (90 réis), que após o seu período de circulação e validade ainda sobraram quatrocentos e sessenta e seis mil, setecentos e onze selos.
Essa expressiva sobra do nosso primeiro selo é explicada pelo fato de, na época, o hábito da correspondência estava em sua fase inicial, e sua necessidade ainda não se fazia sentir, pelo menos de maneira expressiva, para os padrões do Brasil imperial. Já por volta do ano de 1844, estando já em circulação outra série ordinária, a dos chamados Inclinados, os selos que não tinham sido utilizados foram todos queimados, e ninguém previu, como era natural, a futura raridade dos selos Olhos de Boi, que hoje estão cotado entre os selos mais caros do mundo.
Os selos Olhos de Boi foram impressos em folhas diversas, a saber: folhas de 54 selos, em três painéis de 18 selos de 30, 60 e 90 réis, em ordem crescente, cada painel enquadrado e separado por uma linha divisória horizontal ou espaço em branco (2 chapas). Folhas de 54 selos, em 3 painéis de 18 selos de 30 réis. Folhas de 60 selos, sem divisão, de 30 réis. Folhas de 60 selos, sem divisão, de 60 réis (2 chapas).
Os selos foram impressos em talho doce, com gravação da Casa da Moeda do Brasil, em chapas de cobre, e impressão das Oficinas de Estamparia das Apólices. Os selos não têm denteação. Os vários tipos de papel utilizados na confecção dos selos Olhos de Boi foram: papel médio acinzentado ou amarelado; papel expressão branco ou amarelado com relevo no verso, e papel fino transparente.
Assim, comemorando o Dia do Selo Brasileiro, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos lançara amanhã o selo comemorativo em homenagem à Juventude Filatélica, num excepcional desenho de autoria de Glan Calvi.
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