CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

quinta-feira, junho 11, 2026

PMAM - CEARENSES NO COMANDO (2)

 A postagem expõe a segunda parte do trabalho sobre os oficiais nascidos no Ceará que estiveram no comando da Polícia Militar do Amazonas.

4. Camillo de Lellis Pacheco Amora - coronel PM graduado

19 outubro 1901 – 13 agosto 1902 (interino) 

Oriundo da capital cearense, onde nasceu em 15 de julho de 1863. Não há registro de quando desembarcou em Manaus, porém, sua iniciação maçônica ocorreu em 11 de dezembro de 1886, aos 23 anos, na Loja “Amazonas”. Dois anos depois, ingressou na Guarda Policial do Amazonas, como alferes (06 jul. 1888); e seguiram as promoções: tenente (29 ago. 1891); capitão (26 abr. 1892); major (1º nov. 1897) e tenente-coronel (29 out. 1898).

Algumas funções exercidas na corporação: capitão fiscal do 2º Batalhão (1897); ajudante de pessoa de governador Silvério Nery (1900 e 1904); comandante interino. Diversas atividades políticas: superintendente (prefeito) de Fonte Boa (1896-97); de Coari (1902); de Floriano Peixoto (1903 e 1905).

Casado com Raimunda Amora, era pai de Honorina e Marina Amora, nascidas na capital amazonense; estas jovens eram formadas em Odontologia pela antiga Universidade de Manaus, atual UFAM, e possuíam gabinete cirúrgico-dentário localizado na Praça dos Remédios, 5. Também se notabilizaram pelo ensino de piano e canto, diplomadas pela Escola Normal e Conservatório de Música do Amazonas.

Inexiste, todavia, foto e data do falecimento deste oficial nos arquivos da entidade. 

 

5. Pedro Vidal de Negreiros - capitão PM

07 outubro 1910 – 12 junho 1912 

Embora oficial intermediário, este capitão assumiu de fato o comando da corporação em face de um acontecimento marcial, que atingiu o governo do Estado. O episódio é conhecido na historiografia amazonense por “Bombardeio de Manaus”, ocorrido em 10 de outubro de 1910 (data singular: em 10.10.10). No entanto, a 7 desse mês o comandante titular foi reformado (diagnostico: arteriosclerose). Face à ausência do governador Antonio Bittencourt, a situação do Estado estava caótica, tanto que foi o desembargador Benjamin Rubim, no exercício do cargo de governador, que nomeou para o comando do Batalhão, em 28 de outubro, ao capitão Pedro Vidal de Negreiros.

Negreiros era natural do Ceará, filho de João Antônio e de Liberalina Barroso Vidal de Negreiros, nascido em 19 de maio de 1874. Foi incluído na Força amazonense como alferes em 08 out. 1896; tenente em 04 ago. 1898; capitão em 15 maio 1900. Tão logo assumiu o comando da corporação, foi promovido a tenente-coronel em 1º de novembro de 1910 e, finalmente, coronel enquanto exercia a chefia, em 26 de janeiro de 1911.

Deixou o comando no ano seguinte, mas permaneceu residindo em Manaus, onde veio a falecer aos 41 anos, em 30 de novembro de 1915. Encontra-se sepultado em jazigo existente na Quadra 09 e SP 7869 do cemitério São João Batista. 

6. José Onofre Cidade - coronel PM          

22 dezembro 1912 – 21 janeiro 1913 

Ilustre natural do Ceará, filho de José Joaquim Cidade Filho, nascido em 1875, a comandar a Polícia Militar do Amazonas, ainda que para tanto tenha promovido um festival de subversão da ordem. Sua inclusão na corporação aconteceu em 1896, na condição de soldado. Em 1899, foi promovido a 2º tenente; em 1903, 1º tenente; em 1908, capitão; em 1911, major; em 1912, tenente-coronel e coronel. Finalmente, agraciado com uma distinção incomum: funcionário público vitalício, em dezembro de 1912.

A questão primordial que o conduziu ao comando teve início com a eleição regional, que elegeu Jonathas de Freitas Pedrosa (1848-1922), a tomar posse no primeiro dia de 1913. Os vencidos na eleição, as vivandeiras políticas bateram no portão do quartel da Praça da Polícia. Atendidas, conseguiram aliciar alguns oficiais que, descontentes por motivos que nunca faltam em quartel, fizeram acontecer. Escolhido pela oficialidade, Cidade constituiu um triunvirato – com os majores João Fragoso Monteiro e Amâncio Clementino Fernandes – que, a 22 de dezembro, assumiu o comando da Força Policial, e, seguidamente, escorraçou o governador Antônio Bittencourt, em fim de mandato.

A insurreição perdurou por 48 horas, com o estado “governado” pelos oficiais insubmissos. Movimentação judicial oportuna pôs fim ao movimento, porém, na Praça da Polícia, a corporação prosseguia sob o comando do rebelado coronel Onofre Cidade. Empossado, o governador Pedrosa obviamente deparou-se com a Força Policial desestabilizada, fracionada e sob enormes suspeitas. Logo, em 23 de janeiro, promoveu a reorganização da corporação, expurgando os elementos sediciosos e nomeando novo comandante. Coronel Onofre Cidade faleceu em sua residência, em Manaus, a 1º de dezembro de 1936, aos 61 anos.

terça-feira, junho 09, 2026

PMAM - CEARENSES NO COMANDO

 No curso desta pesquisa certa indiscrição me conectou ao número de comandantes nascidos na província, hoje Estado, do Ceará. Trata-se do maior número de oficiais oriundos do mesmo torrão até a implantação do Governo Militar (1964), e óbvio que, após a Democratização, predominam os amazonenses. Vamos aos eleitos – são 11 –, alguns com acentuados registros, outros nem tanto. Esclarecendo que o acervo corporativo guarda quase nada, em particular dos primeiros que sequer legaram suas fotografias. Exponho o nome, o posto militar e o período de comando. Farei três postagens. 

Afonso de Carvalho

1.       João José de Aguiar - civil

    19 maio - 26 de julho 1880    

                 

Em 19 de maio de 1880, consoante a Portaria 162, Aguiar foi nomeado “cidadão comissionado no posto de major” comandante da Guarda Policial do Amazonas. Na verdade, trata-se de capitão da Guarda Nacional, por isso constitui no primeiro paisano a exercer esta função na Polícia Militar do Amazonas. Episódio semelhante ocorreria oito décadas depois, com a nomeação do advogado Francisco de Assis Albuquerque Peixoto, cujo comando exerceu no triênio 1959-62. Quanto ao primeiro, a corporação quase nada registra a seu respeito, afinal o lapso de tempo na chefia perdura até 26 de julho, exatos 67 dias! Deveras curtíssimo. Pode ser um dos muitos voluntários da Guerra do Paraguai que foram enviados para o Norte, para serem empregados pelo governo provincial.

Um apontamento indica ter nascido na província do Ceará, em 16 de junho de 1840; em outra fonte, ter migrado para o Amazonas e aqui servido como “escrivão da recebedoria provincial”, antes de alcançar a primazia de comandar a Guarda. Mais detalhes: nesse ano de 1880, Aguiar exercia o mandato de vereador da capital e, nessa condição, assinou a Ata de inauguração da Santa Casa de Misericórdia, em 16 de maio. Dias antes de ser escolhido para o comando da Guarda.

Catando aqui e acolá, foi-me possível montar o seguinte quadro: o comandante Aguiar casou-se com Idalina Alves de Aguiar e teve os filhos: João, José, Carlos e Beatriz. Com a morte dele (possivelmente em Manaus), a viúva e os filhos passaram à condição de pensionistas do Montepio Provincial, benfeitoria depois mantida pelo Estado. Tanto que são encontrados na lista de beneficiários com a pensão mensal de 50$000 (cinquenta mil-réis), em maio de 1905.

 

2.      Antônio Nunes Sarmento - alferes da Guarda Policial

31 janeiro - 04 fevereiro 1882 (interino)

                                        

Natural de Fortaleza (CE), nascido em 1861, era filho de Porfirio Nunes Sarmento, e possuía cabelos pretos e media 61 polegadas, cerca de 1m55. Antes de ingressar na Guarda Policial prestou serviço militar, tendo “sentado praça” em 4 de setembro de 1879. Logo na semana seguinte foi promovido a 2º sargento e, em 24 de maio de 1880, alcançar a graduação seguinte.  Em 31 de janeiro de 1882, é nomeado alferes da Guarda Policial e “presta juramento”, ocasião em que “entra em exercício” e assume interinamente o comando da Guarda. Deixa o comando quatro dias depois. Recolhi duas notas: uma boa – seu casamento com Joana Batista de Paula Sarmento, em 26 de novembro do mesmo ano. Outra, péssima – em 15 de janeiro de 1883, quase ao completar um ano na corporação, foi “demitido por conveniência do serviço”.

 

3.      Raymundo Afonso de Carvalho - tenente-coronel PM

08 agosto 1892 – 23 julho 1896

 

Nascido em Fortaleza, em 7 de setembro de 1862, Afonso de Carvalho foi um dos tantos nordestinos vitoriosos no Amazonas. Ainda em na capital cearense, ingressou no Exército em 1880, sendo transferido para Manaus quatro anos depois, para servir como soldado do 3º Batalhão de Artilharia a pé. Licenciado da Força Terrestre, foi incluído no Corpo Policial (hoje PMAM) na vaga de alferes-secretário, em 1887. Não mais parou. Ainda major, foi nomeado comandante da corporação, quando prestou apoio incomensurável ao governador Eduardo Ribeiro (maranhense), em luta contra forças federais que buscavam sua deposição. Promovido a tenente-coronel em 13 de outubro de 1893, Afonso de Carvalho permaneceu no comando do batalhão policial.

Retirou-se de Manaus depois de comandar o Regimento Militar do Estado no governo de Eduardo Ribeiro (1892-96) e de exercer a superintendência (prefeitura) de Manaus (1895-96), antes de assumir este encargo, foi aposentado no posto de coronel; foi Provedor da Santa Casa de Misericórdia e presidente da Sociedade Beneficente Cearense e, ainda, comandante superior da Guarda Nacional (1901-02). Pertenceu à Loja “Esperança e Porvir”, tendo sido seu Venerável em 1897. Eleito deputado estadual foi, na condição de seu presidente, chefe do Poder Executivo (1907-08), sucedendo ao governador Constantino Nery. Morreu no Rio de Janeiro em data desconhecida. A despeito de tanto sucesso, Afonso de Carvalho ainda não auferiu qualquer reconhecimento da Polícia Militar do Amazonas.


segunda-feira, junho 08, 2026

FAST CLUBE - INAUGURAÇÃO

 Em 7 de julho de 1968 foi inaugurada a sede do Nacional Fast Clube, construída no então Boulevard Amazonas, hoje sede de uma igreja evangélica. O empreendimento causou admiração em Manaus pelo curto prazo cumprido na sua construção. A proeza coube ao saudoso Ezio Ferreira, que ainda dirigiu o Rio Negro Clube e exerceu o mandato de deputado federal. Concluindo, afirmo que estive presente à festa.

Recorte de A Crítica, 8 julho 1968


POMPOSA festa marcou ontem a inauguração da sede própria do Fast Clube. Às 17 horas, o governador do Estado que há 73 dias lançou a pedra fundamental da sede, presidiu a solenidade de inauguração da obra, perante autoridades civis, militares, representantes da Imprensa, do Rádio, do Clero e centenas de populares simpatizantes do clube tricolor.

— ESCUDO DE BRONZE

No salão de festas reuniram-se as autoridades sempre cercadas de centenas de populares. Enquanto todos assinavam seus nomes no Livro de Ouro, novos discursos surgiram saudando o feito fastiano. Um grupo de moradores do Boulevard Amazonas, simpatizantes do Fast Clube, aproveitou a ocasião para entregar ao presidente Ezio Ferreira o escudo do referido grêmio, trabalho em bronze.

— COQUETEL

Com um conjunto de música jovem executando números musicais, as autoridades acercaram-se da mesa para se servirem de frios e salgadinhos. Porém nem todas estavam servidas e centenas de populares tomaram conta do local e em poucos minutos a mesa, que era um mundo de frios nada mais apresentava senão pratos e bandejas vazias. Autoridades e dirigentes não levaram a mal o ocorrido, deixando por conta da satisfação que invadia cada torcedor pela inauguração da sede.