CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

quarta-feira, agosto 05, 2026

CEMITÉRIO-PARQUE TARUMÃ

 Há 50 anos, nesta data, foi inaugurado o Cemitério-Parque Tarumã, no governo do prefeito Jorge Teixeira, situado na então Estrada do Tarumã. A solenidade contou com a presença do secretário de Urbanização e Serviços Públicos, Josué Filho, que levou para abençoar o novo "campo santo", o padre Francisco Pinto, seu amigo. Todavia, faltou um defunto para complementar a solenidade. 

 

Reportagem de A Crítica, 5 agosto 1976
(acima e abaixo)

Josué Filho (3º) e padre Pinto (4º), a partir da esq.

A expectativa ontem era grande no novo cemitério que abrigará os corpos dos que se vão, regado pelas lágrimas dos que ficam. Coveiros, administrador e outras pessoas aguardavam ansiosos pelo surgimento de um caixão contendo algum ente que se foi deste para o outro mundo, se é verdade que existe outro.

Com a bênção do padre Francisco Pinto, da Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, de Educandos, e a presença do secretário Municipal de Urbanização e Serviços Públicos, Josué Filho, foi dada à utilização dos pobres, que ainda não têm uma sepultura perpétua, as covas abertas para os casos de emergência e atendimento aos que agora têm onde cair morto.

COVAS ABERTAS

Apesar de não ter recebido nenhum corpo para sepultamento, o Cemitério-Parque Tarumã tem uma área para, aproximadamente, 10 mil defuntos, preparada para os casos daqueles que não têm sepultura perpétua em outros campos santos da cidade de Manaus.

Comentários feitos pelo Secretário de Urbanização e Serviços Públicos deram conta de que foram inúmeras as dificuldades enfrentadas pela equipe que estava encarregada da entrega para inauguração emergente daquele cemitério. O grande problema enfrentado pela equipe comandada pelo sr. Daniel Campos foi a época do inverno, onde teve que enfrentar o mau tempo, característico desta fase invernosa e que colocou muitos óbices, a fim de que o trabalho fosse realizado com maior perfeição e num tempo mais conciso para a entrega à classe pobre.

A classe pobre é a que mais utilizará este campo santo, uma vez que, ao inverso do ditado popular, agora já tem onde cair morta. Várias covas ontem já estavam preparadas para receber algum defunto, que, apesar de grande expectativa e da frustração de não ter sido enterrado nenhum, seria o número um, pelo menos, no Cemitério-Parque Tarumã, embora na vida, tenha lutado na competição da vida e possa ter sido o último colocado.

terça-feira, agosto 04, 2026

AEROPORTO DE TABATINGA

 Há 50 anos (2 de agosto de 1976), a Comara concluiu a construção do aeroporto de Tabatinga (AM); na ocasião, o Boeing da Cruzeiro do Sul fez a inauguração da pista. Até então, o pouso era efetuado em Letícia (Colômbia), que implicava mais custos aos passageiros, como taxa de embarque e transporte para o município brasileiro. Aquele voo, desde 1965, era operado pela Cruzeiro entre Manaus e Iquitos (Peru). Em 1981, tomei esse voo em Iquitos, ao visitar os parentes naquela cidade, escalando em Tabatinga e Tefé, antes de desembarcar em Manaus. Poucos anos depois, esse voo foi suprimido. 

Recorte do jornal A Crítica, 02 agosto 1976
(acima e abaixo)

Desde ontem, os aparelhos “Boeings”, da Cruzeiro, estão fazendo escala em Tabatinga,             pouso este que há 11 anos vinha sendo feito em Letícia, na Colômbia, fronteira com o             Brasil. O pouso pioneiro do “Boeing” ocorreu às 11 horas, quando uma comitiva de                 autoridades convidadas pela diretoria da Cruzeiro do Sul se fez presente àquela viagem.

A chegada do aparelho em Letícia (?) foi festiva, e a multidão superlotou todas as dependências daquele campo de aviação, construído pela Comara, com o apoio do Exército, através do Comando de Fronteira do Solimões. As autoridades, ao desembarcarem do “Boeing”, foram cumprimentadas pelo Comando do CF-SOL e por diversas outras autoridades presentes ao aeroporto. 

Viagem

O “Boeing 737”, de prefixo PP-CJN, partiu de Manaus por volta das 9 horas e 30 minutos, levando passageiros comuns da rota, autoridades civis e militares convidadas pela diretoria da Cruzeiro do Sul, como o coronel Alfredo Menescal, comandante da Base Aérea de Manaus, o coronel João Baptista Storino, diretor da INFRAERO; Dr. Lauro Gedeão, delegado da Receita Federal; Walmores Barbosa, superintendente da Polícia Federal, todos acompanhados de suas respectivas mulheres. O Comando Militar da Amazônia se fez representar por uma comitiva de oficiais superiores, o coronel Saraiva — do Serviço Militar; tenente-coronel Salvio — da 3ª Seção; tenente-coronel Lisboa da 6ª Seção; tenente-coronel Araripe — comando do QG e o coronel Walmir — Ajudante-Geral. Representando a imprensa amazonense, foram os jornalistas Mário Jorge Costa (A Crítica), Epaminondas Barahuna (J. Comércio) e Maria de Lourdes Archer Pinto (O Jornal).

Após os cumprimentos iniciais no aeroporto de Tabatinga, a comitiva chefiada pelo agente local da Cruzeiro do Sul, Sr. Ítalo Bianco, deslocou-se até à sede do Círculo Militar de Tabatinga, onde foi oferecido um coquetel. Enquanto o aparelho seguiu a viagem de rota para Iquitos, e no seu retorno apanhou a comitiva chegando a Manaus por volta das 17 horas.

segunda-feira, agosto 03, 2026

MEUS OITENTANOS (12)

 FASCÍCULO 12

* * *


No início de 1973, fui nomeado subcomandante da Companhia de Trânsito, que operava no quartel da Praça com entrada pela rua José Paranaguá, nas proximidades do Detran. Pouco durou minha atividade naquele setor, pois logo fui transferido para a Companhia de Bombeiros, operando em quartel na avenida Sete de Setembro, cujo serviço de combate a incêndios e afins fora encampado pelo governo estadual. Até então era este emprego exercido com bastante deficiência pela Prefeitura. Sem nada entender das atividades dos homens do fogo, cuidei do sucesso administrativo da nova unidade, para isso, busquei aprender com os bombeiros municipais incorporados, ainda assim acredito que o mais estravagante enfrentado foi o único teste em mergulho em igarapé de Manaus.

Quartel do Corpo de Bombeiros, quando
incorporado à Polícia Militar, em 1973

Em outubro, o comandante dos Bombeiros viajou a Paris para frequentar um curso sobre atividades do ofício; em função de seu afastamento, assumi o comando. Já havia de certo modo assimilado as atividades da companhia e nessa condição assisti ao início da construção do novo quartel erigido no bairro de Petrópolis. Permaneci no comando até o Carnaval de 1974, quando, na quarta-feira de Cinzas, fui afastado do comando por mau comportamento, ante as várias transgressões cometidas no “reinado momesco”. Uma, em dose dupla, distribui garrafas de uísque que ganhei de cortesia, no baile de carnaval que o comando promoveu na sede do Atlético Rio Negro Clube, no qual levei convidadas fora da minha família.

À época, o governo de João Walter (1971-75) ansioso por melhorar a atuação dos Bombeiros disponibilizou elevados recursos financeiros, tais que possibilitavam a farta aquisição de materiais específicos às operações. Óbvio que interessados em vendas se aproximaram com seus materiais e bastante agrados ao quartel. A subsidiária local da empresa Bucka Spiero (fabricante de equipamentos de combate a incêndios) era gerenciada pelo Orlando Novaes e possuía notável vendedor, o cearense desembaraçado Gonçalves, que possuía moderno veículo e frequentava as dependências do quartel, da cozinha ao alojamento. Ante tamanha mordomia, seu automóvel estava à disposição; uma tarde, no intervalo do almoço, tomei este carro e sai para um rolê, cujo passeio marcou minha vida, pois nesse giro alcancei a jovem C. que vivenciou comigo incontáveis aventuras. Nesse interim, aconteceu um desarranjo familiar devido meu envolvimento com a jovem Conceição Valois, ardor que durou décadas.

Dos Bombeiros fui transferido para o 1º Batalhão, em quartel recém inaugurado que era um primor de arquitetura, porém cercado por vielas mal cuidadas, com pouco transporte e nenhuma comunicação, sequer telefone, no distante bairro de Petrópolis. Por essas mazelas era tido como local de castigo para oficiais, assim fui apresentado ao comandante coronel Hélcio Motta que, de tanto verborrágico, era alcunhado de “caixa d’água”. Afinal a instalação deste aquartelamento foi fundamental para a evolução do bairro. Afastado da direção, seguia a rotina e as obrigações deste batalhão. Bom que após a formatura, ocasião em que o comandante falava “pelos cotovelos”, fazíamos a educação física, que se encerrava no futebol de salão, hoje futsal. Sequer a Faculdade de Direito me atraía, depois que me desencontrei da turma e passei ao crédito, em cada disciplina, a novos colegas. Preferia seguir pela noite alimentando as paixões, que me trouxeram tormentosas encrencas. Em minha residência, em 2 de agosto, a esposa deu à luz a filha Gabriela, hoje moradora de Brasília, com os filhos Caio e Gabriel.

Quartel do 1º Batalhão, em Petrópolis, hoje
servindo ao Comando-Geral da PMAM

Ao final de74, viajei a Santos e de lá prossegui para Curitiba, onde festejei o Ano Novo que pouco havia para me alegrar. A motivação da viagem era ver Roberto, filho da Conceição Cortez, a jovem que conheci no rolê, nascido em 20 de dezembro. De Santos, onde festejei o Natal, segui no carro emprestado por meu irmão Antonio e, em Curitiba, alcancei o descendente na residência da cunhada no bairro Mercês, então um simples arrabalde, onde me hospedei. Permaneci parte de janeiro em Curitiba cuidando do recém-nascido acometido de deformidade em ambos os pés. A partir do cuidado ortopédico ali dispensado, e sustentado em Manaus, não restou qualquer deficiência. Hoje, o Roberto Cortez se encontra servindo à Polícia Militar amazonense.