CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sábado, novembro 29, 2025

PMAM: RELAÇÕES PÚBLICAS

 A postagem recorda dois pontos distantes na história da PMAM (Polícia Militar do Amazonas): a atuação do "Cosme e Damião" e o serviço de Relações Públicas. Os nomes dos Santos marcaram por décadas o policiamento efetuado por duplas, criado em 1957. Presença muito respeitada em Manaus devido sua atuação no centro da cidade, onde na metade do século passado, circulava a população em torno do comércio. Este policiamento pedestre desapareceu com a presença da Rádio Patrulha.
O serviço de Relações Públicas de 1958 foi se modificando, modernizando e, hoje, intitula-se DCS (Diretoria de Comunicação Social). Todavia, diante de tanta modernidade ao alcance de qualquer portador de celular, este serviço parece mantido dentro do Corpo. A nota que reproduzo conta um pouco mais destas apreciações próprias.  

Circulado em Diário da Tarde, 5 julho 1958


POLÍCIA MILITAR DO ESTADO

SERVIÇO DE RELAÇÕES PÚBLICAS

O Senhor Coronel Cleto Veras, Comandante da Polícia Militar do Estado, tendo se inteirado do apelo lançado por um dos órgãos de imprensa local no sentido de intensificar a vigilância policial, na parte da noite, por motivo de estarem elementos marginais arrancando as placas indicativas das ruas; recentemente colocadas, vem esclarecer, através deste Serviço, que o policiamento da cidade não tem sido descurado, pois o mesmo que por parte da Polícia Militar está afeto ao Grupamento “COSME e DAMIÃO”, não tem sofrido solução de continuidade.

Transmitindo a resposta do Comandante da P.M. e credenciado para tal, informamos que, esses policiais, que têm missão específica, não podem permanecer em vigilância continua a determinado lugar ou proteger determinada coisa, isto porque cabe-lhes o policiamento de setores bem extensos, que compreendem de três a quatro quarteirões, incluindo, ainda as praças públicas e não se podem ater a determinado trecho em detrimento da proteção geral à comunidade, que é a razão de ser de sua existência.

Durante o turno da noite são colocados em serviço 14 duplas dos “Cosme e Damião”, cobrindo toda a parte central da cidade e mesmo suburbana e os setores a eles atribuídos são vigiados continuamente. Daí se conclui não ser possível atender apenas a um determinado local e deixar outros trechos despoliciados.

O apelo da imprensa tem sua razão de ser e o Comandante da P.M., não obstante o que vem exposto acima, alertou os nossos policiais para que tenham a atenção mais alertada nos pontos em que se acham colocadas as placas, a fim de ver se é possível prender esses malfeitores.

Seria também interessante que se estendesse o apelo à Guarda Civil, pois que com a sua cooperação, colocando elementos nos lugares indicados, o serviço seria produtivo e haveria mais possibilidades, no que diz respeito à captura dos celerados noturnos.

Quartel em Manaus, 4 de julho de 1958 

ALCIMAR GUIMARÃES PINHEIRO

2º Ten. encarregado das Relações Públicas da P.M.A. 





domingo, janeiro 07, 2024

PMAM: RELATÓRIO DE 1957 (1)

 

Alguns detalhes de um Relatório expedido pelo comando da Polícia Militar do Estado. 


Recorte do Jornal do Commercio, 8 jan. 1958

A corporação encerrou o ano de 1957 com o seguinte efetivo: 33 oficiais e 401 praças, havendo os claros de dois oficiais e 47 praças. Havia incluído 109 soldados, sendo 50 de 1a categoria e o mesmo número de 3ª, ou seja, que não haviam cumprido o serviço militar. Prosseguia aquartelada no antigo prédio situado na Praça da Polícia, o qual necessitava de amplos reparos, reclamava o comandante Cleto Veras.


Cleto Veras

O número de soldados engajados com nível escolar de baixíssima categoria, alguns até mesmo analfabetos, compelia a corporação a criar uma sala de aula no aquartelamento. À época, registra esse documento, funcionava a Escola Regimental Floriano Peixoto.

“O maior empenho e esforço são dispendidos no sentido de conferir eficiente instrução aos praças analfabetos, calcados nos princípios pedagógicos modernos, dos quais não se exclui a parte disciplinar para um satisfatório resultado”. Almejava ainda mais o comando: “preparando-se desta maneira o soldado para uma situação melhor na sociedade e um futuro mais amplo em que possa aplicar seus conhecimentos e atividades”.

A escola era dirigida por um oficial e recebia orientação pedagógica de um professor dos quadros do Estado. Ambos não identificados, infelizmente. De 68 praças matriculados no início de 1957 foram aprovados 56; reprovados 8 e 4 excluídos.

Outra nota pertinente: também funcionava no quartel a Escola Luiza Nascimento, para os filhos de praças, sob a orientação de uma professora estadual (igualmente não identificada). Detalhe curioso, ainda hoje funciona a Escola Estadual Luisinha Nascimento, acaso se trata da mesma pessoa.

sábado, janeiro 06, 2024

PMAM: RELATÓRIO DE 1957

         

Quando Plínio Ramos Coelho assumiu o governo estadual entre 1955-59, nomeou ao major EB Cleto Potiguara Veras para o comando da Polícia Militar do Estado, que permaneceu no posto até próximo ao final do mandato deste governador.
Plínio Ramos Coelho

Como era de praxe, no final de 1957, o comandante produziu um Relatório sobre as atividades da corporação, documento que subsidiava a Mensagem governamental, lida na abertura anual da Assembleia Legislativa. Publicado no matutino Jornal do Commercio, circulado em 8 de janeiro de 1958, dele transcrevo alguns tópicos que entendo fundamentais para o entendimento da evolução da Instrução praticada na Força policial estadual.

Alguns detalhes. A Polícia Militar encerrou o ano de 1957 com o seguinte efetivo: 33 oficiais e 401 praças, havendo os claros de dois oficiais e 47 praças. Havia incluído 109 soldados, sendo 50 de 1a categoria e o mesmo número de 3ª, ou seja, que não haviam cumprido o serviço militar. Prosseguia aquartelada no antigo prédio situado na Praça da Polícia, o qual necessitava de amplos reparos, reclamava o comandante Cleto.

Recorte do matutino Jornal do Commercio
Acerca da Instrução da tropa, descreve o Relatório: “com todo o empenho, obedecendo ao critério da elaboração de programas de trabalho semanal, foi a mesma ministrada, devidamente dosada e sempre tendo-se em mira, além da parte técnica, despertar no soldado o sentimento do dever, encaminhando-o dentro dos princípios sadios da moral e do bem viver”.

Relevante iniciativa deste comando, “o Grupamento Cosme e Damião foi aumentado de efetivo, com o fim de estender o policiamento a outros setores e criar o policiamento da madrugada, atuando agora este contingente durante 24 horas por dia”. Houve uma seleção rigorosa dos novos elementos a serem incluídos neste serviço.

referente a instrução dos oficiais, esclarece que “receberam durante o ano instruções teóricas, destinadas a melhorar o nível de conhecimento dos mesmos, familiarizando-os com os novos processos de treinamento usados nas forças armadas.” No mesmo nível, “foram realizadas visitas em destacados ramos de atividade industriais do Estado”. Assinala que visitaram a região petrolífera de Nova Olinda do Norte, a Refinaria da COPAM, a Companhia Fitejuta e as indústrias da firma I. B. Sabbá.

Sublinha que “trouxe muito proveito à oficialidade”, pelos conhecimentos auridos sobre as riquezas do Amazonas e os processos modernos de produção.

No próximo capítulo escrevo sobre a Escola Regimental Floriano Peixoto.

quinta-feira, maio 02, 2019

PMAM: ANOTAÇÃO HISTÓRICA

Quartel da Praça da Polícia

Plínio Ramos Coelho, ao assumir o governo em 1955, escolheu o major EB Cleto Potyguara Veras para comandar a Polícia Militar. Esta instituição, segundo o governante, foi encontrada sucateada, sob o heroico comando do tenente-coronel PM Neper da Silveira Alencar. 

Elevado ao posto de coronel para exercer esse comando, ele trouxe para a Força Estadual o dinamismo da Força Terrestre, tanto na instrução quanto na administração, tendo permanecido no comando até 1959.
Depois anos depois da posse, o coronel Cleto colaborou com ampla reportagem sobre a corporação, exibida no jornal A Crítica (2 dezembro de 1957), da qual recuperei partes essenciais.
A publicação aludida esclarece os caprichos, os acertos deste comandante, porém, há registros, aqui já divulgados, de sua intolerância com oficiais. Uma delas bastante referenciada: aconteceu entre este e o major Júlio Cordeiro, os quais foram “pra porrada”, em frente da tropa. Contudo, o coronel Cleto Veras deixou na cidade e no governo de Plínio Coelho resultados benéficos para a Segurança Pública.
Título da publicação mencionada - A Crítica, 02 dezembro 1957

QUEM É O COMANDANTE
Dando um exemplo raro, jamais tendo chegado no quartel depois das 7 horas da manhã, o coronel Cleto Veras imprimiu com o seu exemplo, à vida da corporação, um ritmo eficiente e produtivo de trabalho. No curto desta reportagem, fomos de serviço em serviço. Pedíamos para examinar os livros, solicitávamos dados, informações, detalhes. Tudo nos era fornecido com precisão, com eficiência, com presteza. (...)
O coronel Cleto Veras está presente nos menores setores da vida de seu quartel. De quando em vez, de surpresa, é comum verem os soldados o coronel sentar-se à sua mesa, no rancho. Por esse modo, o comandante controla e fiscaliza de perto e pessoalmente, o que é servido aos seus soldados, aos quais deseja bem alimentados e dispostos aos pesados encargos da vida militar.
Um trabalho racional e inteligente de abastecimento das despensas da corporação, em que o aspecto da economia não é de forma alguma esquecida e, muito pelo contrário, aplicado com rigor e ótimos resultados presidem os cuidados com a alimentação dos soldados, que é farta e boa.

CAMPANHA DE CANUDOS
Ao seu lado, serena na sua imponência, falando uma linguagem muda, mas altiloquente de heroísmo e frêmitos guerreiros, está a espada empunhada por um bravo oficial amazonense nos combates de Canudos, tendo em baixo, num quadrozinho emoldurado, a seguinte legenda:
“Esta espada que aqui se vê foi conduzida honrada, honesta e bravamente, em benefício da República, pelo major José Augusto da Silva Junior, do qual então eu era comandante. E, por ser verdade, firmo o presente. Manaus, 15 de agosto de 1903.
(a) Candido José Mariano.”

NO SALÃO DE ARMAS, UMA ATMOSFERA DE PASSADO
Bem no centro do grande edifício onde se localiza o quartel da Polícia Militar, limitado pelas praças João Pessoa e Ribeiro Junior e ruas José Paranaguá e Lima Bacury, está o salão de armas. Ali, no silêncio profundo que parece estar todo o tempo aumentando pela solenidade das armas antigas que pendem das paredes e pelos móveis antigos, lavrados à mão, ouvindo apenas de muito longe, os rumores da rua e das vozes de comando que chegavam do pátio, onde a tropa fazia evoluções, trabalhamos grande parte desta reportagem.
Num dos cantos dentro de um armário, carinhosamente está a bandeira que os bravos expedicionários amazonenses empunharam nos combates em Canudos. Está também a histórica espada já antes referida. As paredes ornadas com antigas armas medievais e espanholas, falam de um passado glorioso. Ao fundo duas pesadas armaduras, autênticas, originárias do século XIV provocam perguntas. [As armaduras são réplicas, decorativas, adquiridas da França.]

OFICIAIS CORRETOS, CUMPRIDORES DOS SEUS DEVERES 
Para a realização dessa obra, que se constitui na apresentação da Polícia Militar de forma tão impecável, como nunca ela esteve em fase alguma da sua existência, o coronel Cleto Veras tem contado com a colaboração estreita e eficiente dos seus oficiais, homens que, compreendendo as suas obrigações, não se esquivaram em cooperar estreitamente com o comandante no trabalho que se propôs a realizar, de dignificação da Corporação.
O corpo de comando da Polícia Militar está assim composto: 
Comandante — coronel Cleto Potyguara Veras, 
Subcomandante — major Manoel José Moutinho Junior, que acumula as funções de capitão-fiscal [foi comandante-geral interino em 1964].
Tenente-secretário — tenente Alcimar Guimarães Pinheiro; Além do quadro de comando, a Polícia Militar é composta das seguintes subunidades:
CCS [Companhia de Comando e Serviços] – comandada pelo capitão João Teixeira;
1ª Companhia de Fuzileiros – comandada pelo capitão Omar Gomes da Silveira [foi comandante-geral em 1967-68]
2ª Companhia de Fuzileiros – comandada pelo capitão João Pinheiro de Almeida;
Companhia de Policiamento Urbano (Cosme e Damião) – comandada pelo capitão Júlio Cordeiro de Carvalho.

COSME E DAMIÃO – UM RETRATO VIVO DA PME DA ATUALIDADE 

Deixamos propositadamente para encerrar esta reportagem com a Companhia de Policiamento Urbano (da Polícia Militar do Estado. Seus soldados, que a população lembrando os seus colegas cariocas, batizou carinhosamente de “Cosme e Damião”, já se encontram conhecidos de toda a cidade. Patrulhando as ruas e praças, em duplas, numa posição característica, dão eles – esses soldados – um retrato bem vivo do que é a Polícia Militar de hoje.


Severos, enérgicos, serenos, mas inflexíveis no cumprimento do seu dever, os “Cosme e Damião” já se tornaram, para os habitantes desta cidade um símbolo de segurança e garantia.
Até mesmo na difícil e sempre árdua fiscalização dos mercados e feiras (economia popular) onde outras autoridades falham lamentavelmente, os Cosme e Damião revelam uma eficiência que conseguem uma coisa dificílima: a confiança do consumidor.

FINALIZANDO
Esta reportagem, que contou com a cooperação de todos os seus elementos, desde o coronel Cleto a todo e qualquer soldado ao qual recorremos, deseja se constituir numa homenagem a essa instituição militar que em 81 anos de existência, tantas glórias e alegrias já deu ao Amazonas.

(Nota: a partir de 1972, a criação da PMAM teve nova datação, 4 de  abril de 1837)

sexta-feira, novembro 09, 2018

PMAM: POSSE DE COMANDANTE



Plínio Ramos Coelho assumiu o governo do Amazonas, em 1955, encontrando a Força Policial em estado falimentar, sob o comando heroico do tenente-coronel PM Neper Alencar. Plínio tratou de restaurá-la, para isso trouxe um oficial do Exército para o comando.

Escolheu ao major Cleto Potiguara Veras, que deixou sua chancela registrada na corporação. Partiu dele a providência de instalar em Manaus o policiamento do Cosme e Damião. Tanto fez história, que ainda em nossos dias o comandante-geral da PMAM tenta copiar a história.


Cleto Veras tomou posse em solenidade concorrida, consoante a publicação de A Gazeta (edição 23 março 1955). Lamento que o jornalista tenha olvidado o nome das autoridades presentes, registrou somente o título.

Outra questão: dizia-se que ele era primo do Governador, que assinava Coelho. No entanto, todos os registros conhecidos reproduzem seu nome como – Cleto Potiguara Veras. O Coelho, observado no matutino, pode ter sido um deslize do colunista.



Realizada na manhã de hoje, a cerimônia de posse — 
Prestigiaram o ato o Governador e o Secretário do Interior e Justiça  

Em brilhante e solene cerimônia presidida pelo governador Plínio Ramos Coelho, tomou posse, na manhã de hoje, no comando da Polícia Militar do Estado, o major Cleto Coelho Veras, pertencente às fileiras do Exército Nacional e que se encontrava destacado, anteriormente, na Capital Federal.
Além de diversas e realçadas personalidades da pública administração, dentre estas o secretário de Interior e Justiça, prestigiaram o ato, também, o comandante da Guarnição Federal de Manaus, o capitão dos Portos, o comandante da Base Aérea de Manaus, representantes da oficialidade do Comando de Elementos de Fronteiras e outras destacadas figuras militares.

Também estiveram presentes à solenidade representantes de todos os jornais da cidade, bem como o jornalista João Martins, do corpo redacional da conceituada revista O Cruzeiro, e que veio até esta cidade com o objetivo de fazer a cobertura do aparecimento de petróleo em Nova Olinda.

No decorrer do ato, usaram da palavra diversos oradores, inclusive o governador Plínio Coelho e o Dr. Arthur Virgílio Filho, para desejar votos de felicidade ao novel dirigente desse importante setor de segurança do Estado que é a Polícia Militar.

Finalizando, falou o major Cleto Veras, para, em palavras brilhantes, agradecer à confiança que lhe havia sido depositada pelo Chefe do Executivo, ao distingui-lo para aquelas altas e espinhosas funções, e, ao mesmo tempo, para esboçar, embora em síntese, a sua linha de conduta à frente daquela briosa Corporação.

sexta-feira, junho 22, 2018

PMAM - COSME E DAMIÃO



Na criação, em julho 1956
A evidente deficiência de policiamento na cidade talvez me inspire a repetir esse mantra: o “Cosme e Damião” criado em 1956 foi um sucesso. Valeu, coronel Cleto Veras. A propósito, alguns comandantes da PMAM já insistiram no retorno desse tipo de policiamento, porém, sem qualquer êxito. Os periódicos atuais estão repletos dessas promessas, para comprovar a assertiva, além de algumas marcas deixadas pelo centro da Cidade.
Volto a copiar as loas expressas pelos jornais de netão, então de 1956, quando o comandante Cleto veras marcou seu comando na corporação.
Conheci no GPO (Grupamento de Policiamento Ostensivo), quando ingressei dez anos depois na PM, parte desse pessoal e a postura com que policiavam as ruas. Em respeito ao saudoso sargento Messias Salvador de França, saúdo a quantos compuseram aquele esquadrão de segurança.
O texto compartilhado foi sacado de A Crítica (29 julho 1956), cujo editorial reproduz ao consagrado Boletim Interno.

Cosme-Damião, Guardiães da Ordem

Toda a cidade recebeu com o mais vivo interesse a criação e funcionamento da simpática corporação de milicianos que são os “Cosme-e-Damião”, destinada a zelar pela ordem e segurança de nossa população. Iniciando a sua tarefa há poucos dias, são já notórios, contudo, os serviços que veem eles prestando à nossa terra, andando de dois-em-dois, as mãos para trás, em constante vigília pelos quatro cantos da cidade, defendendo a propriedade pública e particular, zelando pela tranquilidade e sossego da população, amparando velhos e crianças, o que empresta aos simpáticos soldados uma auréola de benfeitores em quem todos confiam amplamente, porque todos têm a certeza de que se tratar de moços bem educados, treinados para o seu metiê, conscientes da missão que lhes é outorgada pelos seus superiores, vind0 daí, naturalmente, o grande cartaz que esses soldados desfrutam onde quer que apareçam.
Ainda ontem, nosso companheiro Afonso de Carvalho, a propósito da atuação dos Cosme-e-Damião, fez publicar, na sua c0luna, uma interessante crônica de enaltecimento aos modestos mas eficientes guardiães da lei e da ordem que atualmente operam nas ruas de Manaus.
E sobre o mesmo assunto, com prazer, transcrevemos tópicos do Boletim Interno da corporação, datado de 27 do corrente mês, em que se confirmam os dizeres elogiosos daquele nosso companheiro a respeito dos dignos milicianos, o qual, em síntese, é o seguinte:

“Cosme e Damião” – Elogio a uma Dupla — É possuído da maior alegria que elogio o cabo nº 123, Messias Salvador de França, e o soldado nº 82, Luiz Ferreira Lima, pela maneira correta e digna como se conduziram no 1º dia de serviço de vigilância noturna da cidade. Esta dupla de Cosme-e-Damião demonstrou possuir elevado espírito de iniciativa e noção do cumprimento do dever, ao tomar providência para que fosse fechada uma janela deixada aberta na Secretaria de Saúde, e, posteriormente, constatado que havia desprendimento de fumaça em uma dependência do citado prédio ocasionado por um esterilizador que ficara ligado desde o término do expediente dessa repartição. Deve ser ressaltado que, não fora a pronta intervenção desses milicianos, forçosamente irromperia um incêndio de consequências imprevisíveis naquele próprio do Estado.
Estas mesmas praças, solicitadas pelo titular da Delegacia de Roubos e Falsificações, prenderam, durante o seu quarto de ronda, a um ladrão de automóveis que se achava na direção do veículo de propriedade do Sr. Felipe Isper Abrahim.
Que isto sirva de exemplo para todos aqueles investidos da nobilitante missão policial, com a preocupação de fazer sentir a utilidade cada vez maior da nossa Corporação no serviço do policiamento da Capital. (Extraído do Boletim Interno nº 187, de 27.8.1956).

Como veem os nossos leitores, os Cosme-e-Damião de Manaus começam a se notabilizar pelo seu trabalho meritório em benefício de nossa cidade. Urge sejam eles multiplicados, o mais cedo possível, passando a agir também durante as horas do dia, pois só assim a nossa cidade será saneada dos maus elementos e sua população poderá viver horas de mais tranquilidade e segurança, fato que infelizmente, não ocorria há muitos anos, por incúria dos nossos governantes, sempre indiferentes pela sorte do povo.
A CRÍTICA leva sua palavra de estímulo a esses modestos guardiães da civilização, incarnados nas pessoas dos comandados do tenente-coronel Cleto Veras, desejando que o seu renome cresça e sua atuação vá sempre em crescendo, visando 0s fins para os quais foram criados.

quinta-feira, fevereiro 08, 2018

COSME E DAMIÃO (3)



Já escrevi aqui que o policiamento tipo Cosme-e-Damião implantado na cidade de Manaus, em 1957, repercutiu positivamente na sociedade. As reportagens dos periódicos locais registraram o acerto do comandante da Força Estadual, major do Exército Cleto Veras (foto). 

Compartilho o texto de Denise Cabral, igualmente aprovando a medida, que publicou em sua revista mensal Manaus Magazine (Ano 2, nº 31  set/out 1957).

 
Recorte da citada edição
 O coronel Cleto Veras, à testa do comando da Polícia Militar, vem desenvolvendo um programa proveitoso, onde se destaca a ordem e o respeito, em torno de um trabalho meticuloso, atacando todos os setores da referida corporação.
Fatos importantes realizados sob a orientação do coronel Cleto Veras, destacamos o funcionamento no próprio Quartel, de uma escola para os filhos dos praças, com um aproveitamento bastante concorrido.
Continuando a consideração pela pessoa humana, o coronel Cleto Veras, providenciou aproveitamento do nível mental dos graduados, estando em funcionamento no próprio Quartel, o Curso de Candidatos à Cabos. De acordo com o aproveitamento demonstrado, seguiram para Belém, a fim de fazerem o Curso de Aperfeiçoamento, dois sargentos.
Atacando a disciplina necessariamente exigida pela farda, o coronel Cleto Veras tem feito uma seleção rigorosa nos voluntários à Polícia, tendo expulsado os maus elementos que subiam à cifra de 55 homens.
Não esquecendo o fator economia fundou e já funciona o armazém de comestíveis e outros gêneros, a preços vantajosos, para todos os componentes da Policia Militar, preços inferiores ao vendido na praça de Manaus.
Dentre o programa elaborado, pelo brioso coronel Cleto Veras, houve a recuperação total de carroceria de um caminhão e diversos consertos, assim como pintura completa nos demais veículos da corporação e a valiosa compra de uma motoneta, para a supervisão do serviço profícuo levado a efeito pela dupla Cosme e Damião. Adquiriu também material para uso dos efetivos da Milícia.
É de bastante pasmo, a vida econômico-financeira da Polícia Militar, sob a direção do coronel Cleto Veras, pois a corporação não deve ao comércio e tem ótimos depósitos no Banco do Brasil e no Banco Popular, sendo no primeiro de Cr$ 536.526,20 e, no segundo, Cr$ 16.255.60.

Dirige o coronel Cleto Veras, com confiança e harmonia a nossa Polícia Militar, não esquecendo de oferecer aos componentes da mesma, recreio para o corpo e alma e, para tanto, vem realizando nas datas magnas do ano — Dia de Tiradentes — Dia de Caxias — Dia da Pátria, festas dançantes, homenageando dessa maneira os seus comandados e respectivas famílias.
No festejo do 1º ano da formação de Cosme e Damião ofereceu ao referido contingente, um banquete de confraternização pelo trabalho em prol do policiamento da cidade, pela dupla já tão conhecida e respeitada.
Achando poucos os elementos para o policiamento da cidade, aumentou o quadro dos Cosme e Damião, com o objetivo único de melhorar consideravelmente o policiamento da cidade, atualmente conta Manaus com uma vigilância contínua, durante as 24 horas, desempenhada por estes homens esforçados e dignos, escolhidos entre os melhores, que desenvolvem corretamente uma ronda eficiente e notável, digna de encômios, em virtude da confiança que neles deposita a população, está contristado pela situação dos mesmos, em relação ao ordenado, em virtude de estarem percebendo salários inferiores aos dos Guardas Civis.
A conservação do jardim da Praça da Polícia, os melhoramentos efetuados no mesmo, como sejam pintura a óleo nas cercaduras, carinhosa assistência aos canteiros, organização de um pequeno zoológico, para distração da petizada e do público em geral, são atestados louváveis de uma sã administração.
O coronel Cleto Veras é um administrador de pulso e não esquece o mínimo detalhe, desde a cozinha, onde mandou reparar o fogão e as chaminés, até o salão de honra, onde o brilho do enceramento é notado, em tudo está a marca da sua orientação. É de pasmar a organização do boletim e a escrituração de todo o material da Corporação, levado a efeito pelo dinâmico coronel Cleto Veras. Finalizando, na conversa mantida com o mesmo soubemos das pretensões que tem em dar início, dentre poucos dias, da pintura geral na parte externa do Quartel, bem como, de acordo com os propósitos do prefeito da Capital, professor Gilberto Mestrinho, inaugurar para a petizada baré, um Parque Infantil.
No desejo de ampliar o conhecimento dos oficiais, visitou a região petrolífera de Nova Olinda e a Refinaria da COPAM, com o objetivo de aprendizagem, ampliação de conhecimentos dos oficiais sob a sua profícua orientação.
Como se pode ver, neste pequeno relato, o coronal Cleto Veras é um elemento de valor na administração sadia do Dr. Plínio Ramos Coelho, que dado às suas qualidades intrínsecas merece a completa confiança do digno Governador do Estado.

quarta-feira, janeiro 31, 2018

PMAM: COSME-E-DAMIÃO (2)

Em 25 de agosto de 1956, foi posto em execução o novo tipo de policiamento. Executado por duplas bem organizadas e bem treinadas, intitulado de Cosme-e-Damião, foi de agrado geral. Repercutiu, trazendo novo alento para a segurança. Ainda os alcancei quando ingressei na PM dez anos depois. A exigência da postura era mantida (mãos para trás), assim como de policiais de maior estatura. 
Recorte de jornal
Este serviço desapareceu em 1972, quando a PM inaugurou um novo tipo de policiamento, agora motorizado, a Rádio-Patrulha, igualmente com sucesso, a despeito de utilizar prosaicos Fuscas. 
No entanto, a importância do policiamento tipo Cosme-e-Damião foi tanta que, como no último ano, a PM reeditou seu funcionamento. Embora as condições da cidade e seus problemas de segurança pública e individual sejam bem diversos de passadas seis décadas. Não tem prosperado, serve apenas de marketing, como sabem os manauaras.  

Dias depois de sua inauguração, A Crítica, edição de 28 de agosto, publicou o artigo (abaixo compartilhado) de seu respeitável colunista Afonso de Carvalho, aplaudindo a iniciativa do coronel Cleto Veras, comandante da Força Estadual.


A Crítica, 28 agosto 1956
Dou notícias ao leitor do funcionamento dos Cosme e Damião nesta cidade. Mais de uma vintena dos simpáticos policiais já se acham em função em nossas ruas e praças, as mãos para trás, sérios, compenetrados do seu papel, com a missão precípua de manter a ordem, proteger os velhos, as crianças e as árv0res, satisfazendo, assim, uni justo anseio da boa gente manauense, que há tempos implorava segurança e tranquilidade, sem que ninguém a ouvisse nem de tal tomassem conhecimento.Os Cosme-e-Damião já chegaram, chegaram, porém, e chegaram em boa hora. Eles devem conhecer em maiores minúcias, as responsabilidades seu posto, responsabilidades que são grandes, todas as horas, de todos os minutos.Manaus vinha sendo, lamentavelmente, uma cidade sem proteção, uma cidade, por assim dizer, entregue aos maus elementos, que lhe destruíam as belezas ainda restantes, seus monumentos, seus jardins, suas árvores, suas instalações elétricas e telefônicas e até a propriedade particular se sentia abandonada, porque as autoridades não davam nenhuma atenção a um problema tão importante, como é esse, assistindo a tudo, impassíveis e indiferentes como se não fosse sua obrigação zelar por aquilo que foi construído com o dinheiro do povo, arrancado, Deus sabe, a tão duras penas. 
Tínhamos uma Guarda Civil e tínhamos (ou temos) uma Guarda de Parques e Jardins, esta última sob a responsabilidade da Prefeitura Municipal— mas infelizmente esses órgãos não preenchiam suas finalidades por motivos bem fáceis de imaginar. Agora vem de ser criada a organização dos Cosme-e-Damião nos moldes da que existe na capital da República e outros centros adiantados do País. Os Cosme-e-Damião são cavalheiros que de nós merecem toda a consideração.
Devemos prestigiá-los, estimulando-os na sua ação, pois eles vieram para, como dissemos, manter a ordem na cidade, corrigindo os malfeitos (que são muitos entre nós), pondo freio igualmente à molecagem destruidora e vieram também para proteger os pequeninos, os fracos e os indefesos — que são, no caso, as crianças, os velhos, as árvores, os passarinhos, que enfeitam e dão vida aos nossos pobres jardins.
Dizem que, por enquanto, os simpáticos policiais de mãos-atrás-das-costas só estão agindo nas horas silenciosas da noite. Seu número ainda é pequeno e isso se explica pelo fato do trabalho de seleção dos seus membros ser bastante rigoroso. 
Cosme ou Damião só pode ser quem tenha um caráter à prova de fogo, quem possua bons sentimentos no coração, quem conheça deveres cívicos e possua, outro tanto, boa fortaleza física, calma, ponderação e coragem.
Esses são os homens, leitor, que agora nos estão protegendo. Faço votos para que eles obtenham prestígio no seio da população da cidade. Que cada um de nós, de hoje por diante, tenha um sono mais tranquilo e uma existência mais segura, só em pensar que ali na esquina existe um homem fardado que lhe garante a vida, a propriedade, o bom silêncio, a tranquilidade tão necessária que todos almejam.
Cosme-e-Damião são policiais de elite, todos fiquem certos dessa verdade. São homens educados, cavalheiros, com uma missão consciente e uma vontade firme a executar. Deixo a eles, aqui, a minha mensagem de solidariedade e o meu pedido bem compreensível e modesto: não esqueçam a minha rua, a rua Tapajós. Ela é uma rua como as outras, abandonada, triste, terrivelmente escura e necessita da proteção de vocês, bons amigos que chegaram. Nas noites escuras gostarei de ouvir seus trinados e suas passadas cadenciadas pelo calçamento em frente à minha casa. Dormirei assim mais contente, terei mais confiança no dia de amanhã. 
Salve, pois, os Cosme-e-Damião. 

segunda-feira, janeiro 29, 2018

PMAM: COSME-E-DAMIÃO


Quando o coronel Cleto Veras, comandante da PMAM, anunciou a criação do Cosme-e-Damião na cidade, em 1956, produziu forte alvoroço.
O novo tipo de policiamento, agora em dupla, com pessoal bem escolhido e bem fardado e armado, gerou enorme expectativa na sociedade. A imprensa foi pródiga em divulgação, consolidando o esforço do governo de Plínio Coelho (1955-59).
Pouco antes da instalação, o matutino de Umberto Calderaro manifestava votos de sucesso pela iniciativa, expressos na edição de 30 de julho de 1956, na (ainda hoje existente) coluna Sim e Não.  

Este policiamento foi inaugurado no Dia do Soldado, 25 de agosto seguinte.
 
Recorte do jornal A Crítica, 30 julho 1956

NOVOS aspectos vem de tornar a anunciada criação, entre nós, dos chamados “Cosme-e-Damião”, essa simpatizada corporação de mantenedores da ordem pública que assinalados serviços presta ao povo, nos centros mais adiantados do País. 
Composta de homens especialmente treinados para esse metiê, qual seja o de manter a ordem e garantir a segurança dos cidadãos – homens, mulheres, velhos e crianças a— os “Cosme-e-Damião” mantém, em toda parte, um padrão de alta eficiência nas suas atividades, pois só ingressam nas suas fileiras rapazes de boa formação moral, conscientes da missão a que se dedicam, serenos na ação e fortes e destemidos quando essa mesma ação assim o exige, mas antes de tudo adotando aquele célebre lema, muito parecido com o que usam os pioneiros da campanha nacional pela conquista dos nossos aborígenes, ou seja, “não matar nunca, nem espancar, deixar-se morrer, se for o caso”.
Assim é a escola dos “Cosme-e-Damião”, como a vemos nos centros civilizados do nosso País e se alguma vez foram eles obrigados a ultrapassar os métodos da sua disciplina, isso aconteceu por via de circunstâncias além de sua vontade, como foi o caso da recente greve de estudantes, contra o aumento dos bondes, na Capital da República, em consequência, aliás, da ação nefasta e sorrateira de alguns políticos inescrupulosos, que de tal movimento se aproveitaram para fazer média política, à custa dos estudantes inexperientes.
Soubemos, por exemplo, que a criação dos “Cosme-e-Damião”, em nossa capital, vai obedecer ao seguinte método: não será aproveitada a Guarda Civil, conforme anteriormente noticiamos. Os “Cosme-e-Damião” sairão da própria Polícia Militar do Estado.
Vinte homens, cada dia, segundo é pensamento do comandante Cleto Potiguara Veras, serão destacados para a vigilância da cidade, de dois-em-dois, sendo que, após o turno de serviço prestado, passarão a servir às ordens da COAP [Comissão de Abastecimento e Preços], realizando uma outra tarefa de muita utilidade, que é a repressão à ganância dos tubarões das feiras e mercados, livrando o povo da gula insaciável desses incorrigíveis senhores. A Guarda Civil, portanto, ficará no seu lugar.
Consta que o comandante Cleto Veras já tem prontos os fardamentos dos futuros “Cosme-e-Damião” de Manaus, inclusive calçados e armamentos adequados à sua missão, sendo de esperar-se, por conseguinte, sua breve aparição em nossas ruas e praças, até hoje abandonadas, à mercê de toda sorte de maus elementos, que entre nós proliferam, da maneira mais deplorável e prejudicial.Todos devem colaborar, por conseguinte, com a ação moralizadora dos “Cosme-e-Damião” amazonenses, que vêem aí, segundo tudo indica, imbuídos dos melhores propósitos.

sexta-feira, janeiro 12, 2018

PMAM – UM CAUSO DE POLÍCIA


Zuavo guarnecendo o portão do antigo
Quartel da Praça da Polícia
No encerramento do governo de Plínio Coelho (1955-59) perigosa crise estabeleceu-se na Polícia Militar do Estado. De um lado, seu comandante, major Cleto Veras, pertencente ao Exército, o qual, a despeito de sua capacidade para o lavor e das inovações bem sucedidas na corporação, era de dificultoso trato. Há registro em jornais da capital de sua irascibilidade, na abordagem com civis. No quartel da Praça da Polícia, mantinha com rispidez sua orientação.

De outro lado, o capitão Júlio Cordeiro de Carvalho, pernambucano, incorporado como sargento à PM no período da Segunda Guerra. Tornou-se um agiota no quartel e latifundiário na cidade.

Na manhã de 6 de dezembro de 1958, quando da formatura matinal no pátio do quartel da Praça da Polícia, aconteceu uma divergência (da qual desconheço a motivação) entre os nominados, de tal ordem, que “saíram pra porrada” na frente da tropa.

Parte do desenrolar da crise vai contada nesta nota que a oficialidade da corporação patrocinou a publicação em A Crítica (9 dezembro 1958)

Extrato de A Crítica, 9 dezembro 1958

O major Júlio Cordeiro de Carvalho foi recolhido ao EM do 27 BC | Adotada a Medida Por Precaução Para Evitar Consequências Mais Graves | Enérgica Nota da Oficialidade da Polícia Militar do Estado

Como já é do conhecimento público através de uma Nota publicada pela Imprensa local, assinada por vários sargentos da Polícia Militar do Estado, ocorreu, há dias, sério incidente no quartel da corporação do que resultou entrarem em violenta luta corporal o coronel Cleto Potyguara Veras, comandante, e o major [na verdade, capitão promovido em 24/09/54] Júlio Cordeiro de Carvalho. Face a essa ocorrência foi o oficial subalterno recolhido, preso, ao Estado-Maior da PMA por 30 dias.

Ante a Nota publicada, assinada por diversos sargentos, a oficialidade, na sua quase totalidade, resolveu repudiar publicamente essa atitude de insubordinação e hipotecar irrestrita solidariedade ao major Júlio Cordeiro de Carvalho.

Com isso agravou-se, ao que nos informaram a situação interna da Polícia Militar do Estado, motivo porque uma comissão de oficiais, inclusive o tenente-coronel Moutinho, subcomandante da corporação, procurou o Comando do 27 BC a quem solicitou asilo para o major Júlio Cordeiro de Carvalho, que desde ontem encontra-se recolhido ao EM do 27º BC.
Essa medida foi adotada por precaução, a fim de evitar novos incidentes mais graves entre o coronel Cleto Veras e o major Júlio Cordeiro de Carvalho.
Publicamos abaixo a Nota dos Oficiais que prestam solidariedade ao major Júlio Cordeiro de Carvalho.

Recorte de A Crítica, 9 dezembro 1958

A OFICIALIDADE DA POLICIA MILITAR DO ESTADO, face à inoportuna NOTA publicada pelo "O Jornal" de 7 do corrente, sob o título "SOLICITADAS", de autoria de alguns sargentos da Polícia Militar do Estado, na qual vêm prestando solidariedade ao comando da referida Corporação em flagrante desrespeito aos preceitos regulamentares, mencionando deturpadamente um incidente havido na manhã do dia 6 do corrente, entre o senhor coronel Cleto Potyguara Veras e o capitão Júlio Cordeiro de Carvalho e, como 0 caso esteja  entregue à Justiça Militar para ser apurado nos  seus devidos termos, vem por meio da presente protestar contra a referida nota, por não expressar a verdade dos fatos, e prestar inteira solidariedade moral ao Capitão Júlio Cordeiro de Carvalho, diante da referida "Solicitada". 
Manaus, 7 de dezembro de 1958. 
(ass.) Tenente-Coronel Médico Dr. Antônio Hosannah da Silva Filho; Tenente-Coronel Neper da Silveira Alencar [chefe da Casa Militar]; Majores Manoel José Moutinho Júnior [subcomandante], Jorge Fernandes de Lima, Francisco Menezes, José Silva; Capitães Achilles Daltro Pinto da Frota, Mozart Miquelino da Cunha, João Teixeira, Omar Gomes da Silveira; Tenentes Pedro Macedo de Albuquerque, Olívio Carvalho Vieira, Francisco de Assis Magalhães, José de Areosa Assunção, Mirtilo Frické de Lyra, Edson Borges de Paula, Nathan Lamego de Oliveira, Alfredo Barbosa Filho, Edgar Pinheiro Gama, Joaquim Henriques de  Souza, Deocleciano Vieira, Alcimar Guimarães Pinheiro, Francisco Carneiro da Silva, Waldemar Silva, Severino Gomes da Silva.