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domingo, março 29, 2026

DOMINGO DE RAMOS

             Domingo de Ramos

29.03.2026

 

Símbolo do domingo - internet

Renato Mendonça

Esta liturgia de hoje abre o período que o mundo cristão chama de Semana Santa ou Semana Maior. A narrativa dos evangelistas nos convida à meditação, nos ensina a viver a mesma humildade, o mesmo amor e a mesma perseverança de Nosso Senhor Jesus. A entrada de Jesus Cristo em Jerusalém tem a simbologia do mistério divino, endossado como foi pressagiado no Antigo Testamento pelo profeta Zacarias sobre a vinda do Messias Salvador: “Regozija-te muito, filha de Sião; exulta, filha de Jerusalém; eis que vem a ti o teu Rei. Ele é justo e traz a salvação; ele é pobre e vem montado sobre um jumento, sobre um potrinho, filho de uma jumenta.” (Zc 9:9)

Observem que Jesus poderia ter escolhido várias formas para uma entrada triunfal na cidade, após um período de seis dias de meditação no Monte das Oliveiras. Ele preferiu a mais humilde, e talvez não fosse intencional chamar atenção da multidão; no entanto, ocorreu que seus seguidores e admiradores estendiam suas próprias vestes pelo caminho, enquanto outros cortavam ramos de árvores para lhe oferecer em tapete ou agitavam para anunciar o advento do Mestre. Foi uma coreografia por certo não idealizada, apenas improvisada, para preceder as palavras de fé e esperança entoadas pela multidão: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!”

Porém, o que nos deixa estupefatos, ou profundamente decepcionados, é que, uma semana após essa euforia, esse mesmo povo que o aclamou também o condenou... Será que foram essas mesmas pessoas que estavam na Assembleia do Sinédrio? Pertenciam à mesma casta social? Em uma análise coerente, permanecem muitas dúvidas...

Fazendo um exercício de lógica, podemos absorver dos relatos dos evangelhos sinóticos que havia razões apenas políticas para incriminá-lo, usando de argumentação leviana e mentirosa. Isso está explicitado no evangelho de Lucas: “Então toda a assembleia levantou-se e o levou a Pilatos. E começaram a acusá-lo, dizendo: ‘Encontramos este homem subvertendo a nossa nação. Ele proíbe o pagamento de impostos a César e se declara ele o próprio Cristo, um Rei’” (Lc 23: 1,2). Era uma falácia, pois Jesus, em um dos momentos em que foi induzido a cair numa cilada dos inimigos, falou sabiamente: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mateus 22:21).  

Obviamente, não poderia estar presente naquele julgamento sumário a população pobre e carente, pessoas desassistidas que foram acalmadas espiritualmente com as diversas manifestações divinas de Jesus: as curas e os milagres realizados e testemunhados ao longo do seu ministério. Estavam ali os sacerdotes, os mestres da lei e os fariseus, em conluio com setores da elite judaica, alinhados com o governo de Roma. Como não havia registro escrito desse julgamento, tudo passou para a posteridade pela oralidade.

Jesus já vinha sendo monitorado há algum tempo por lacaios do império romano, e estes identificaram nele uma liderança popular capaz de concorrer com as autoridades de Roma; alguém que surgiu para libertar um povo oprimido, um enviado de Deus, capaz de mobilizar as forças divinas para se livrar da dominação estrangeira que oprimia o povo judeu naquela época. Por isso, consideravam-no um revolucionário e era necessário retirá-lo do convívio com a sociedade e condená-lo à morte.     

Jesus tinha consciência da sua missão final que ali se iniciava, e poderia evitar a situação cruel, mas para concretizar o projeto do Reino de Deus não deveria se opor, pelo contrário, faria a vontade do Pai. E o que se sabe é que Jesus não precisou rebater a violência com violência; nem mesmo condenou Judas, deixou que sua própria consciência o condenasse. Esperou que tudo se consumasse como um propósito divino.

A lei injusta e parcial usada para a manutenção do poder romano — que condenou um homem justo e maltratou sua dignidade — não foi capaz de evitar a vitória de uma crença, o surgimento de uma religião fervorosa, que tem como símbolo máximo a Cruz de Cristo.

Esperamos que o calvário e a crucificação de Jesus, paradoxalmente, consigam amenizar nossas dores; nos fortaleçam cada vez mais, para ajudarmos nossos irmãos que precisam de apoio ou socorro espiritual; ao mesmo tempo em que precisamos nos encaminhar para uma Boa Páscoa e para a ressurreição, que exige de nós um renascer a cada dia.

Além disso, precisamos nos abastecer da fé e da esperança, e nos convencer de que a morte foi vencida pelo Senhor da Vida!

         

 

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