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sexta-feira, março 27, 2026

DIA SÃO JOSÉ - 19 DE MARÇO

 O festejado São José permeia o mês de março, sendo venerado em grande parte do país. Os admiradores são inúmeros, um deles é Renato Mendonça, que escreveu o texto.

Gravura da internet - Paulus Editora

SÃO JOSÉ

19.03.2026


Mais uma vez, sinto abrasar em meu espírito o desejo de meditar e escrever sobre uma data sagrada do nosso calendário litúrgico. Em tempos convulsos, quando as disputas políticas parecem obscurecer o horizonte humano, é necessário recordar aquilo que eleva a alma e pacifica corações endurecidos. E que melhor figura escolher senão a de um homem justo, cuja biografia permanece envolta em enigma, mas cuja obediência a Deus e humildade discreta revelam grandeza? Falo de José, o esposo da Virgem Maria, cuja vida simples se tornou fundamento para o mistério da Encarnação.

Os santos cânones nos narram que José recebeu Maria como esposa segundo a tradição. Contudo, antes de consumar o matrimônio, ela se viu grávida por obra divina. Diante da severidade da Lei — a lei de Moisés — e da dureza dos costumes judaicos, José cogitou deixá-la em segredo. Não quis denunciá-la, pois sabia que isso a exporia à morte cruel por apedrejamento. Mas o céu interveio: em sonho, o anjo lhe revelou que aquela gravidez era parte do desígnio eterno — Deus se faria homem no ventre de uma virgem, e José seria guardião desse mistério mais importante do Novo Testamento.

Assim, ele aceitou a missão de ser pai adotivo do Salvador, conduzindo-o desde a infância até o início de seu ministério. Sua função não foi apenas doméstica, mas teológica: preservar a vida da Sagrada Família contra as forças da morte. Quando Herodes decretou o massacre dos inocentes, José novamente foi advertido em sonho. Sem hesitar, partiu para o Egito, tornando-se o protetor silencioso que salvou o Menino Deus. Sua fuga não foi covardia, mas fidelidade à Providência e a fé. E quando o perigo cessou, regressou a Nazaré, onde viveu como carpinteiro, ensinando a Jesus o valor do trabalho e da retidão.

Os Evangelhos pouco falam de José após o episódio em que, aflito, o encontra o garoto Jesus no Templo entre os doutores da Lei. Depois, o silêncio. Nada sabemos de sua morte, talvez porque sua vida foi toda dedicada a preparar o caminho para Cristo e Maria, como nobre coadjuvante da História. José é, portanto, o santo do silêncio fecundo, o operário da fé, o guardião da esperança. Não ostenta em sua biografia milagres grandiosos nem discursos eloquentes, mas sua santidade repousa na obediência discreta a Deus e no labor cotidiano. É o modelo perfeito de santidade simples: o santo-operário que, sem buscar glória própria, sustentou o maior dos mistérios — a Encarnação do Filho de Deus.

E para minha íntima alegria, trago em minha própria família vários Josés — homens que, à semelhança do carpinteiro de Nazaré, são operários da vida e do ofício. O principal deles foi meu pai, que, já adulto, escolheu carregar esse nome como sinal de devoção e herança espiritual. Dele, filhos e netos herdaram não apenas o prenome, mas também o testemunho silencioso de dignidade e trabalho. A todos eles, meus cumprimentos e minha gratidão.

Salve, São José!

    

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