CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sábado, junho 29, 2024

SANTOS DE JUNHO E DA FAMÍLIA (2)

 Conclusão da crônica NOVIDADE, de Renato Mendonça, iniciada na postagem anterior.

Renato Mendonça, em comemoração, 2006

No meu caso, quando eu tinha treze anos e frequentava um colégio interno no meu segundo ano de clausura, um fato ficou marcante. Fui castigado pelo vice-reitor do educandário, pois me julgou como cúmplice de uma mentira praticada por um colega de mesma faixa etária. Essa mentira envolveu um falso pedido de dinheiro emprestado. Naquela época a comunidade de alunos não perdoou, fez circular cartazes onde nos comparavam à instituição financeira “Moreira Sales”, que eu jamais tinha ouvido falar. Uma imensa galhofa que logo acabou, pois estávamos no fim do ano letivo. Só agora, quase sessenta anos depois, li que o Banco Moreira Sales — depois, antigo Unibanco, e atualmente Banco Itaú —, em comemoração ao centenário de fundação, contratara o show da Madonna, apresentado aqui no Rio de Janeiro em maio desse ano. Para mim, uma novidade temporal. (...)

Por exemplo, eu procuro ser um fingidor, se adubar a palavra com um conceito mais nobre: finjo que sou um escritor. Às vezes, ouso me transformar num carpinteiro ou num marceneiro; outras vezes, assumo a condição de um Técnico de Enfermagem ou de um Cuidador; e, por inúmeras vezes, um chef de cozinha. E quem não me conhece, pode até acreditar. O fingir também é uma novidade, um aprendizado, ou a primeira arte do ator da vida. Lembro-me, com carinho e um indisfarçável orgulho de pai, quando certa vez alguém perguntou ao meu filho, sobre uma atividade que eu me propus a fazer, mesmo sem o pleno domínio: “Você acha que ele sabe?!” O filho respondeu de forma categórica: “Sabe, sim. Se não sabe, ele inventa...”, naturalmente, ele quis dizer: meu pai inventa que sabe. Em outra ocasião, há bastante tempo, quando eu murmurava para mim mesmo e reclamava das rugas no meu pescoço, outro filho acrescentou um comentário com sutil ironia: “Já tá... já era, pai”. Apenas ri da maneira sucinta de ele me dizer que não adianta se preocupar com o exterior, o mais importante é a estrutura interior, tanto material quanto imaterial. E sempre rio, quando relembro essas abordagens, que paradoxalmente me fazem bem à alma.

É sempre oportuno citar outros ensinamentos do apóstolo Paulo, que foi martirizado, supostamente nesta data, no ano 67 da Era Cristã, junto com o outro apóstolo, São Pedro, e por conseguinte os cristãos os homenageiam neste dia de hoje: “Por isso, não desanimemos. Mesmo se o nosso homem exterior vai se arruinando, o nosso homem interior, pelo contrário, vai-se renovando a cada dia. Com efeito, o volume insignificante de uma tribulação momentânea acarreta para nós uma glória eterna e incomensurável. E isso acontece porque voltamos os nossos olhares para as coisas invisíveis e não para as coisas visíveis. Pois o que é visível é passageiro, mas o que é invisível é eterno.” (2Cor 4,16-18). Para finalizar, concluo que não há razão para lamentar o avanço da idade, pelo contrário, cada novo dia que conseguimos viver será sempre um regozijo, um júbilo, uma canção de glória — uma dádiva divina!

sábado, março 17, 2018

SOBRE SACERDOTES



Conheci os três últimos reitores do Seminário São José, enquanto funcionou na rua Emílio Moreira, e eu fora estudante daquele estabelecimento (1956-64): monsenhor João Alves da Costa, cônego Pedro Mottais e padre Jorge de Andrade Normando.
Monsenhor era pernambucano e dirigia a rica paróquia dos Remédios; o segundo, natural da França, desembarcou em Manaus, após passar em Tefé, e também foi vigário dos Remédios; o padre nasceu em Manaus, de família tradicional, após a ordenação, a qual estive acolitando a cerimônia, auxiliou a então paróquia de Itacoatiara.
Dos citados, padre Normando permaneceu mais tempo na direção do Seminário, creio que até o fechamento desta Casa, em 1967. Transferiu-se então para a capital paraense, de onde passou à Casa do Pai. É sobre este sacerdote que translado o texto de A Crítica (23 março 1963), marcando sua data natalícia.
 
Publicação de A Crítica, 23 março 1963
 A data de hoje é de grande expressão para o mundo local e religioso, no Amazonas. É que tem hoje sua data natalícia essa boníssima figura do clero amazonense, o virtuoso e digno padre Jorge Normando, Reitor efetivo do Seminário Arquidiocesano São José.Moço ainda, já desfruta de tão alto conceito pelas suas elevadas virtudes, esclarecida inteligência e preclaras virtudes, que vem sendo mantido no alto cargo, em nossa arquidiocese, de Magnífico Reitor do Seminário São José.
É admirável vê-lo ali, entre seus discípulos amados, entre a turba dos seminaristas, com seu ar patriarcal, sua cabeça um tanto grisalha, seus passos lentos e largos, sua magreza de asceta, meio triste e meio pálido, falando calmo, a batina pobre, humilde, modesto prestando o maior serviço à Igreja de Deus, na condução daqueles setenta rapazes para a função sagrada e divina do sacerdócio de Cristo.
Cercado de uma equipe de padres virtuosos, entre eles o padre Juarez, vice-reitor, — o padre Jorge Normando é, com alma e coração, a cúpula daquela cidadela mística, onde a oração, os estudos profundos, a meditação diária, o recolhimento, a vida religiosa, real e sincera, transforma homens, criaturas em seres extraordinários para o serviço de Deus, da Igreja e da Pátria Cristã, profunda e realmente brasileira.
Padre Normando nasceu para apóstolo das vocações sacerdotais. Para isso cercou-se de ótima equipe, tudo sob a orientação supervisora do Sr. Arcebispo [Dom João Souza Lima]. Entra em contato com sacerdotes, procura vigários, ausculta o povo, reúne pais, apela para as almas de Deus, tem profunda exaltação pelo sacramento da Ordem. Sabe que necessitamos de sacerdotes.
Conhece que também o problema do Brasil é um problema relacionado com padres bons e virtuosos. O homem sem sacerdote termina adorando os irracionais, disse o Cura D’Ars.
É por isso que a figura admirável do Padre Jorge Normando cresce, nesta época em que vivemos. O egrégio aniversariante quer esteja na missa, nos retiros mensais, nas meditações de seu breviário, no seu trabalho intelectual, na pregação diária, no confessionário, entre os seus irmãos de sacerdócio, — é sempre o mesmo boníssimo homem, santo, virtuoso, culto, discreto, modesto, simples, um exemplo, finalmente, exemplo edificante para a comunidade em que vivemos.Homens assim são reservas morais extraordinárias, homens de Deus ao serviço da coletividade brasileira, no cumprimento exato dos seus deveres, na luta contra o mal como pastor de almas, educador notável, apóstolo pela grandeza moral, como filho, como amigo, como irmão, em casa, no lar, no seminário, na sociedade.

quarta-feira, março 09, 2016

EDUARDO JORGE MARINHO DE QUEIROZ

Eduardo no Seminário, em Manaus
Em conversa com o amigo professor José Nogueira, também ex-seminarista no saudoso prédio da Rua Emilio Moreira com Avenida Ramos Ferreira, lembramos do Eduardo Jorge, oriundo de Altamira, no Pará. Colega competente. Tanto que a reitoria do Seminário São José o promoveu nos estudos, sem que fosse necessário frequentar, ou seja, o Eduardo “pulou” uma das séries. Eduardo ingressou no colégio dos padres acompanhado de seu colega Haroldo Calado Rebelo, de Porto de Moz, no Xingu paraense.
Concluído o curso do seminário menor, que compreende hoje o atual curso médio, ele foi deslocado para o Recife, a fim de frequentar no Seminário Regional do Nordeste o curso de Filosofia e, na sequência, o de Teologia e, por fim, o sacerdócio. Este o Eduardo não alcançou, pois encerrada o primeiro curso, permutou o ensino religioso pela vida acadêmica. Nesta, nunca mais deixou de crescer prosperar.
O complemento de seu respeitável currículo acabo de sacar da Internet, e aqui o reproduzo com a minha admiração ao conceituado discente do São José, na longínqua década dos 1960. Com a minha saudação aos seus 70 anos.

Este texto constituiu a saudação proferida em 25 de setembro de 2008, ao então Governador do Rotary Internacional, Distrito 4500–PE/PB/RN - Eduardo Jorge Marinho de Queiroz, pela direção do Rotary Club de Campina Grande (PB).


Companheiro Governador,

Você nasceu em Altamira, estado do Pará, em plena selva amazônica, a 740 km de Belém e 458 km de Marabá, município detentor de um vasto território cortado de norte a sul pelo rio Xingu. Altamira possui 161.445,9 km2, o que o torna o maior município do Brasil e do mundo em extensão territorial. Se o município de Altamira fosse um país, seria o 91º país mais extenso do mundo, maior que Grécia e Nepal e quase do mesmo tamanho que Tunísia, Suriname e Uruguai. Se fosse um estado brasileiro, seria o 16º maior, um pouco menor que o Paraná e maior que o Acre e o Ceará. Nasceu convivendo com a agricultura (arroz, cacau, feijão, milho, pimenta do reino) e a extração de borracha e castanha-do-pará.

Sua terra natal teve origem nas missões dos jesuítas, na primeira metade do século XVIII. Altamira integrava o gigantesco município de Sousel, do qual foi desmembrado em 27 de setembro de 1917, passando a chamar-se Xingu, com sede na cidade de Altamira. Em 31 de março de 1938 mudou-se o topônimo do município para Altamira. Teve um acentuado desenvolvimento com a exploração do ouro até começo do século XX.

Foi lá que você veio ao mundo há 62 anos [1946], em um clima equatorial. Você teve como visão um imenso cenário emoldurado pela natureza que é pródiga em tudo. Respirou por um pulmão que abastece não só uma nação, mas parte do universo. Teve uma educação com forte influência religiosa. Concluiu 1º e 2º graus nos Seminários das Arquidioceses de Belém-PA e Manaus-AM. Aos 20 anos, já no Recife-PE, formou-se em Filosofia no Seminário Regional do Nordeste. Uma forte vocação para a religiosidade. Em 1976, graduou-se em Ciências Econômicas na UFPE.
Posteriormente, na Valderblit University (USA) obteve o grau de Master in Economics, além de cursos de pós-graduação e especialização em Operations Management-Finance, na mesma Universidade, e, em Financial Analysis and Management Control, no Institut Pour L´Étude des Methodes de Direction de L´Éntrepise-Lausanne, Suíça.

Foi executivo durante 25 anos em empresas de grande porte. Atualmente é consultor empresarial, especializado em projetos industriais, estudos de viabilidade, “mergers”, precificação de empresas, sistemas informatizados de custos gerenciais, formação de preços de venda e planejamento econômico-financeiro.

Foi professor da Unicap e da UFPE – graduação e pós-graduação – e, atualmente leciona Contabilidade Gerencial, Contabilidade de Custos, Matemática Financeira e Estratégia de Preços na Faculdade Europeia de Administração de Marketing (IPAM – Instituto Português de Administração de Marketing).

Ex-bolsista da Fundação Rotária (1974-1975) do ELS (English Language System - Washington D.C.), tornou-se sócio do Rotary Club Juazeiro/Petrolina (1979/1981) e seu presidente (1980/1981). Desde 1992 é sócio do Rotary Club Recife-Brum, onde exerceu diversos cargos no Conselho Diretor, presidindo-o no ano rotário 1997/1998.

Foi Chairman Distrital do Intercâmbio Internacional de Jovens (1993/1997), participando ativamente de diversas conferências, como moderador e painelista, além de chairman da XVI Conferência Brasileira do Intercâmbio de Jovens do Rotary (Recife, nov. 1996).

No mesmo Programa, participou de convenções e conferências internacionais, proferindo palestras em inglês e francês e atuando como painelista, a saber: Convenção Internacional de RI – Taipei – República da China; EEMA – Johannesburg, África do Sul; Convenção Internacional de RI – Nice – França; Central States Multidistric – Gran Rapids, MI, USA e Convenção Internacional de RI – Calgary – Canadá.

Foi também membro da Comissão de Registros da Conferência de Chairman do Intercâmbio de Jovens (Findings Committee da YEO – Youth Exchange Officers´Conference); ESSEX Multidistrict – Freensburg, PA, USA; Convenção Internacional de RI – Glascow, Escócia e Conferência dos Dirigentes de Intercâmbio de Jovens do Rotary (Rotary Youth Exchange Officer´s Conference).

Já como Governador eleito do Distrito 4500 de Rotary Internacional 2008-2009, participou do GETS, em Belém-PA (set/2007,) e da Assembleia Internacional, em San Diego – Califórnia, USA (jan/2008).
Eduardo Jorge e esposa

Seus hobbies são a leitura, a computação e a música (cavaquinho/violão). É casado há 38 anos com a muito elegante e distinta companheira Oneide Bessa de Queiroz, também rotariana do RC Recife-Brum – classificação Advocacia Pública – com quem possui quatro filhos e cinco netos.

Deixa a Veneza Brasileira, cercada por rios e cortada por pontes, cheia de ilhas e mangues que magnificam sua geografia ao nível do mar, para subir a Serra da Borborema, em pleno agreste com seu clima tropical para ser recebido pelo povo acolhedor deste compartimento entrecortado formando um piemonte, que é pródigo no bem servir.

Seu espírito está impregnado de eflúvios generosos e sons. Eflúvios generosos por respirar Rotary; sons para dar movimento, cor e vivacidade ao movimento rotário.

Você já tem o lirismo destes ares tão suaves para lhe amenizar a longa caminhada; Você tem a inspiração das grandes perspectivas que lhe ensinam a olhar do alto; Você tem a companhia, a fidalguia e a sensibilidade da distinta e elegante senhora e companheira Oneide Bessa de Queiroz; Você é o pássaro dos mais altos remígios nesse ninho que é o Rotary.

Apraz-nos e honra-nos recebê-lo Governador. Haveria de ter um sem número de companheiras e companheiros representativos, pela inteligência, pelo trabalho e pela boa vontade, desprendidos, dando foros de desenvolvimento e merecida pujança a uma instituição que carece de renovação em muitos quadros. Renovação com solidariedade e sentimento. Você faz parte desse bendito agrupamento.

Sinta-se em casa, aqui nos contrafortes desta serra saudável que inventou um clima europeu em pleno verão tropical. Respire nestas alturas, acumule energias para sua longa caminhada e prossiga com a mesma determinação. E volte, volte sempre, mas antes deixe seu coração e o coração de Oneide residindo aqui nesta cidade-rainha, que é pródiga na hospitalidade e no bem querer.

Muito Obrigado e nossas Saudações Rotárias.

Hiram Ribeiro dos Santos
Secretário do RC Campina Grande

sexta-feira, março 04, 2016

EDUCAÇÃO NO AMAZONAS: NOTAS

Sacadas do folheto intitulado – AGNELLO BITTENCOURT: o Historiador da Cultura e Educação do Amazonas, do saudoso professor João Crisóstomo de Oliveira. 

Ginásio Amazonense D. Pedro (em construção)

  

Conforme a Carta Magna do Império, consequência do Ato de 7 de setembro de 1822, no seu 2º artigo, a Capitânia de S. José do Rio Negro deveria entrar na lista das Unidades Administrativas do Brasil com o nome de Província do Amazonas. Mas, na execução da lei fundamental, esse predicamento não lhe foi conferido, sendo mesmo rebaixada à simples Comarca do Pará, até que a 1º de janeiro de 1852, quando, afinal, pode entrar na outorga de sua autonomia política.

Nessa preterição de 30 anos, quase nada se fez pelo Amazonas, principalmente quanto ao ensino do povo. Basta dizer que o primeiro presidente da novel província, João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha, encontrou criadas somente oito escolas elementares em todo o território de sua jurisdição, sendo três em Manaus. Do interior, nem todas estavam providas. Dentre os múltiplos problemas a enfrentar, afigurou-se-lhe o do ensino um dos mais sérios e urgentes. Nesse ramo, foi febril a sua atividade e dos seus auxiliares.

Enquanto não se concluiu o Regulamento da Instrução Pública, a fim de que não fosse obra de afogadilho, Tenreiro Aranha mandou adotar algumas normas do ensino da Província do Pará. O certo é que a 8 de março do mesmo ano (1852), estava pronto e, logo, em vigência o Regulamento nº 1, da Instrução Pública da Província. É obvio afirmar que não existia, na província, nenhum curso secundário organizado. O Seminário Episcopal de Manaus, fundado quatro anos antes de instalada dita província, sob os auspícios do arcebispo do Pará, não era nem Liceu, nem Seminário, mas um estabelecimento destinado a ensinar apenas algumas disciplinas do curso geral de "humanidades" ou "preparatórios".

Pouquíssimos os estudantes inscritos nas seguintes matérias: Latim, Francês, Retórica, Geografia, História e Matemática. Somente mais tarde, criou-se a cadeira da Língua Portuguesa, pois à época, entendia-se que o estudante, tendo conhecimento do Latim, estava dispensado de estudar o seu próprio idioma. No entanto, havia obrigação de saber Retórica (Lógica, Eloquência, Figuras de imaginação etc.). Para aplicar em que língua?

As preocupações dos estadistas dos primeiros anos do Império estavam voltadas para a alta cultura, com menosprezo do ensino primário. Nas províncias mais adiantadas, seguia-se o modelo pedagógico da Corte. Desejava-se formar uma elite de intelectuais. Era tudo. Mas D. Pedro, não obstante o seu clássico estouvamento, tinha também rasgos de um iluminado, como o prova a Lei de 15 de outubro de 1827, ordenando a criação de "escolas de primeiras letras" em todas as cidades, vilas e lugares em que fossem necessárias". Tal data (modernamente), inspirou o Dia do Professor.
O monarca, leviano e doidivanas, fazendo pôr em imediata execução o seu pensamento e sua vontade, resgatou, em boa parte, as atitudes destemperadas de sua índole, impulsiva, arrebatada.

Retornando ao Seminário, onde o Governo provincial criou e financiou duas ou três cadeiras, pode-se dizer que foi lá, embora sem caráter oficial, o berço do nosso antigo Liceu, os pródromos do ensino público secundário dado pela Província, até que se fizesse a sua real e efetiva criação e mudança de sede.

Fora de dúvida que esse educandário particular, que tantos serviços prestou à cultura amazonense, foi o pioneiro do ensino secundário na região. Bem haja sua memória: Quem perlustrar os anais das primeiras décadas da evolução social e política, nos cargos de altas responsabilidades, da vida local, verificará que quase todos os funcionários, ou simples comissários, foram filhos espirituais do Seminário. Foi pena que um dia os maus fados lhe tivessem cerrado suas portas, por falta de recursos financeiros.
* * *
Dois motivos poderosos impediram que os administradores do Amazonas, naqueles tempos de expectativas e ensaios, realizassem uma obra mais eficiente: a escassez dos créditos do erário e a falta, quase absoluta, de pessoal habilitado para os cargos do governo. Não teriam os governantes, isto é, os presidentes que a chefia do Gabinete Ministerial, então no Poder (sistema parlamentarista), todos mandados do Rio de Janeiro ou seus substitutos legais, gente de Manaus, suspeitado nada se conseguir, no campo do ensino, sem a criação de uma Escola Normal? Não é possível crê-lo.
Faltava ser escolhido um cidadão que tivesse a coragem e a clarividência de lançar a ideia. Esse foi o presidente Angelo Thomaz de Amaral em seu Relatório à Assembleia Provincial, de 19 de outubro de 1857. Disse ele: "Proponho a criação de uma Escola Normal e de um Internato para o ensino secundário". Fazia-se mister malhar a bigorna. A Thomaz do Amaral, seguiu-lhe o pensamento o conselheiro Francisco José Furtado, presidente da Província, em seu Relatório aquela Assembleia, de 7 de setembro de 1858:

"Pouco ou nada tem feito, Senhores, o Poder Público em favor da Instrução popular, com criar cadeiras, se não cuida dos meios de preparar os mestres, se não lhes oferece um futuro e incentivos para se aperfeiçoarem, esperando promoção e recompensas segundo os seus progressos e merecimentos".
E propõe a criação de uma instituição de alunos-mestres (Manoel de Miranda Leão, Antiga Província do Amazonas, in: Anuário do Ginásio Amazonense Pedro II. Ano I, p. 30, Manaus: 1925). 
(continua)

domingo, fevereiro 14, 2016

SEMINÁRIO: ICHL/UFAM: UNINORTE

Anteontem / Ontem / Hoje





domingo, janeiro 03, 2016

ENCONTROS SOCIAIS

Os motivos são diversos: familiares, políticos, religiosos, folclóricos, de lazer

Folclore no Seminário São José

Ideal Clube

Deputado federal Josué Claudio de Souza

Diante do aeroporto de Ponta Pelada
Padre Carlos, em São Raimundo


Prefeito Jorge Teixeira no Parque Amazonense

Natal em residência de pessoa da família

domingo, novembro 08, 2015

SEMINÁRIO SÃO JOSÉ

A Casa de formação sacerdotal, em Manaus, funcionou à rua Emílio Moreira esquina da rua Ramos Ferreira, até 1967. Pouco depois, a Ufam instalou o ICHL e, atualmente, funciona unidade da Uninorte.

Entrada do estabelecimento, pela rua Emílio Moreira
Parte de um pavilhão, onde funcionava a capela do Seminário, e a jaqueira que
produzia a sobremesa do pessoal

Costa, hoje advogado, foi comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Acre, e
o saudoso Sazinho foi deputado estadual eleito por Tefé, sua terra natal

terça-feira, março 25, 2014

GOVERNO MILITAR: 50 ANOS (1)


As impressões sobre esse acontecimento já veem sendo discutidas, pois o cinquentenário ocorre dia 31 próximo (segunda-feira). Vou comentar aqui (depois de longa ausência) sobre o assunto até a data indicada. Sei que há muito a discutir ou revelar.

As impressões sobre esse acontecimento já veem sendo discutidas, pois o cinquentenário ocorre dia 31 próximo (segunda-feira). Vou comentar aqui (depois de longa ausência) sobre o assunto até a data indicada. Sei que há muito a discutir ou revelar.

Tive duas opiniões sobre como proceder: uma, recolher a descrição dos mais velhos, da “melhor idade”, dos que viram a mudança de governo. Ou seja, onde andava você quando o governo de João Goulart foi substituído pelo dos generais? Para tanto, vale lembrar os prós e os contra. 

A segunda proposta veio de meu amigo Herbert Ribeiro, apreensivo com minha ausência. Em telefonema para exigir minha volta, contou-me de suas inquietações a meu respeito. -- Será que o blogueiro “atravessou o rio Negro” e nem me avisou? Ainda não, amigo, vou assistir em junho os jogos na Arena. Herbert propôs que eu recolhesse as publicações dos jornais locais, referente ao episódio. Vou cumprir.

Começo com meu depoimento.

Padres e seminaristas no Seminário
São José, no início dos 1960
Em março de 1964, ia completar 18 anos e estudava no Seminário São José, localizado na confluência da rua Emilio Moreira  com a rua Ramos Ferreira, que já abrigou o ICHL-Ufam e hoje, os futuros advogados da Uninorte. Já em final do curso secundário, possuía o encargo de preparar um briefing semanal para os colegas. Para isso utilizava jornais do Rio (Jornal do Brasil e Globo), que chegavam em Manaus com três e até quatro dias de atraso. Com isso, é fácil entender o distanciamento de Manaus com a capital da República. 

Apesar do fato, eu estava bem informado dos acontecimentos nacionais, em especial, a situação do governo de Jango. Confesso que torcia contra seu governo, devido ao meu engajamento na Igreja, que para demonstrar sua posição promovera a “marcha contra”. A outra questão dizia respeito ao temor ao comunismo, sentimento que a igreja divulgava com ardor.

Outra fonte de informação partia dos professores. Lembro bem do padre Luiz Ruas e do professor Carlos Eduardo (ambos inveterados fumantes), e mais o professor Origenes Martins. Todos com intensa militância política junto a Ação Católica, com mais destaque junto aos estudantes. Um dia, eles não apareceram para as aulas. Passaram os dias, nada. Então, soubemos que os mesmos estavam “de férias”, ou seja, estavam devidamente em segurança, pois as prisões se sucediam. Detalhe: padre Ruas, na época, passou 40 dias recolhido ao xadrez do 27 BC, atual 1º BIS, no bairro de São Jorge. 

Portanto, a minha primeira recordação é a melhor possível, pois, na condição de estudante, passei dias sem professores. Na direção do seminário a tensão era concreta, mas não foi incomodada.

No dia 31 e seguintes, depois que a notícia da derrubada do governo adentrou o colégio, interessei-me por detalhes. Esses detalhes somente eram conseguidos no radioamador existente na Casa, manipulado pelos padres Onias Bento e Tiago Braz e pelo professor Amarílio Pinto. As rádios locais pouco ou quase nada ofereciam, por isso, o mais indicado era recorrer à Voz da América (como indica o título, órgão de divulgação do governo norte-americano). Certamente, como indicam as publicações atuais, este governo colaborou com o golpe, por isso as notícias eram as mais alvissareiras. (segue)

segunda-feira, junho 17, 2013

PRESENTE DE ANIVERSÁRIO


Recorte do boletim,
de 19 junho 1949
Certo dia, meu pai me presenteou com um folheto que, descolorido pelo tempo, juro não dei a menor atenção, mas permaneceu aquela curiosidade. Apenas verifiquei que se tratava de um boletim publicado pela paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Educandos, em 1949.

Em outro certo dia, chegou o momento de me dedicar ao conteúdo do folheto. E qual não foi minha surpresa quando em uma das páginas encontrei minha foto (veja as ilustrações), contando do meu aniversário naquele junho. Eu possuía solamente três anos e pousava no estúdio Artístico.

Hoje, 17, completo 67.

Semanário da paróquia de Educandos
 
A igreja de Educandos do padre Antônio Plácido foi meu primeiro porto seguro. O saudoso sacerdote conseguiu-me uma vaga no Seminário São José, ali na rua Emilio Moreira com a avenida Ramos Ferreira, onde hoje a Uninorte ensina os futuros advogados. Consegui completar a metade da caminhada, se pensava em ser padre.

Foi o vigário de Educandos que me ajudou a passar a primeira ponte que ligava o bairro a outro destino: a Cachoeirinha. Depois vieram as minhas conquistas e topadas, as vivas e as lágrimas e tantos outros incidentes. Passei no quartel da Praça da Polícia a vida operativa, meu único emprego. Nestes agoras, à margem do igarapé de Manaus dedico-me a catar papeis e a relembrar histórias. Como esta que meu pai protagonizou.

Escrevi isso para agradecer ao velho pai – Manoel Mendoza, que me espia com seus olhinhos cheios de nuvens que a catarata vai consumindo. Me espia de longe, bem longe. Não, ele ainda vive quase centenário, em São Paulo, capital.

Para ele, que soube guardar com carinho e devoção um pedaço história de Educandos saudoso e da Santa padroeira que sei o protege, meus parabéns nesse dia festivo para mim.

sábado, março 23, 2013

SEMINÁRIO SÃO JOSÉ: REABERTURA EM 1943

Dom João da Mata (1941-48)
Na terça-feira 19, a Igreja festejou o dia de São José Operário, reunindo significativo número de católicos. A solenidade contou com a direção do novo arcebispo de Manaus, Dom Sérgio Castriani. São José também é o padroeiro do Seminário local, instalado na Maromba. A caminhada desse estabelecimento de formação do clero já sofreu algumas interrupções. Todavia, pode contemplar alguma retomada emocionante, como a ocorrida em 1943.

Fundado em 1848, com a denominação de Seminário São José, pelo bispo do Pará, funcionou este até o início do século passado, quando teve suspensas suas atividades. Foi nessa conjuntura que o 6º bispo do Amazonas, Dom João da Mata Andrade e Amaral (1941-48), o encontrou ao assumir a diocese.
Não mediu esforços para superar esse obstáculo. Menos de dois anos depois de empossado, na festa do padroeiro da Casa, usando a residência episcopal e auxiliado pelos Salesianos, o bispo reabriu o Seminário, na praça General Osório (edifício demolido) confrontando com o atual Colégio Militar de Manaus. Uma nova interrupção das atividades aconteceria no final da década de 1960.
Dez anos adiante, a igreja do Amazonas começou a colher os frutos desse empreendimento, a partir de 1954 foram ordenados os padres Manoel Bessa; Luiz Ruas; Vicente Albuquerque; Jorge Normando, Moisés e Bernardes Lindoso; Onias Bento; Tiago Brás; Francisco Pinto; Juarez Maia. Um pouco mais a frente, os padres Sebastião Puga e Luís Souza.
Naquela tarde de março, há 70 anos, Dom João da Mata fez a festa, como descreve o matutino dos Archer Pinto:

Manchte de O Jornal, 19 de março de 1943
Estiveram presentes ao ato o Dr. Álvaro Maia, interventor federal; Dr. Leopoldo Péres, presidente do Departamento Administrativo do Estado; capitão Antero Azevedo, comandante do 27º BC; Dr. Ruy Araújo, secretário-geral do Estado; professor Antovila Vieira, prefeito municipal; desembargador Arthur Virgílio, vice-presidente do Tribunal de Apelação; Dr. André Araújo, juiz de Menores; Dr. Temistocles Gadelha, diretor do Departamento de Educação; o corpo consular e representantes das Forças Armadas dos Estados Unidos (?), pessoas gradas e famílias e o representante dos nossos diários (O Jornal e Diário da Tarde).

Após a chegada da procissão, que conduzia a imagem de São José, transladada da Catedral para o Seminário, acompanhada da banda de música da Força Policial, e que foi recebida estrondosa salva de palmas, as autoridades, que se encontravam no salão de espera do Seminário São José, foram convidadas a tomar lugar no palanque que se achava armado em frente ao referido estabelecimento de ensino religioso, e onde, a pedido do senhor bispo, o Dr. Álvaro Maia foi recebido com uma salva de palmas.
De uma das janelas do Seminário, Dom João da Mata Amaral pronunciou formosa oração, em que, mais uma vez, evidenciou os seus dotes invulgares de orador e sua sólida e brilhante cultura.


Numa quente tarde de outubro de 1941, tomava posse desta mimosa Diocese de Manaus. E a ideia primeira que me veio à mente foi um Congresso Eucarístico, ideia que, ao calor do calor do coração amazonense, logo se corporificou... Em junho do ano passado – a Igreja Católica viveu em Manaus – a sua hora meridiana. Mais do que uma visão de Tabor foi o Congresso Eucarístico um cântico de ressurreição.
Os raios do sol eucarístico polvilharam de ouro as aguas do Rio-mar – douraram as florestas, iluminaram os céus e as almas da Amazônia.

E nesta hora histórica, já as aguas do monarca dos rios começam a se coalhar de embarcações para a febre da batalha da borracha – as florestas estão vertendo o leite que irá talvez, nos planos divinos, salvar a civilização com o Cristo batizou o mundo há dois milênios – os céus se cruzam de aviões que abrem no espaço uma nova rota que fará de Manaus, uma das maiores e mais importantes capitais brasileiras, -- as almas se iluminam, com as claridades sobrenaturais da graça – os corações se povoam de fé intrépida...

E o velho Seminário São José, não resistindo por mais tempo  a esse grito de ressurreição, se levanta das suas gloriosas cinzas. É uma ressurreição que abraça a alma e o corpo do Amazonas.
Não foi em vão que nas noites memoráveis do Congresso apelamos para o Céu: a messe é grande -- o trigal já loureja, mas os operários são poucos. O céu ouviu o grito angustiante do nosso peito. Ali estão os jovens em cujos corações  primaveris o Senhor da messe lançou a semente da vocação. Eu os contemplo como alvoradas de padres, as esperanças da Igreja no Amazonas.

Este Seminário é um quartel da Igreja a se defrontar com o quartel da Pátria. Ali se formam os soldados para a defesa da soberania da nação – aqui se formam os soldados do Evangelho para a defesa do patrimônio da fé, que nos legaram os nossos maiores. A cruz e a espada, no correr da nossa História, sempre estiveram entrelaçadas. Foi aos clarões do sol da eucaristia que, lá na gloriosa Bahia, a cintilar sobre a espada de Pedro Álvares Cabral e a cruz de frei Henrique de Coimbra, amanheceu para o mundo e para a história o gigante da América, o Brasil.

Este Seminário sobre ser um templo de fé e saber será, também, uma escola de civismo. No seu salão principal, figurarão os retratos do Presidente da Republica e do interventor Federal, Dr. Álvaro Maia. De par com o cultivo da piedade e das letras crescerão no coração do jovem levita a flor do patriotismo e o culto aos grandes vultos da nacionalidade. O retrato do Dr. Álvaro Maia ali ficará como uma homenagem de gratidão da Diocese ao Governo e povo do Amazonas, por este clima de cordialidade que tem sempre existido entre o Bispo, o Governo e o povo querido deste privilegiado Estado.

Nem um só instante quero pensar que um dia venha a trancar novamente as suas portas o monumento que ora se ergue, sob as benções do povo. Repetir-se-ia a história de Agar, que fugiu para não ver morrer à fome o seu filho Ismael. Não sobreviverei a este dia. O Seminário não fechará. A mulher amazonense, cristã e heroica, estará sempre pronta a dar filhos para o altar da Pátria e o altar da Igreja. O Seminário não fechará porque, se for preciso, abrir-se-á mais um capítulo na história da proverbial generosidade do Governo e do povo do Amazonas.
O Seminário não morrerá jamais. Esta não é uma obra da vaidade do homem. Tem a marca divina. É um milagre do Coração Eucarístico de Jesus.

Salve, Seminário São José!

Em nome dos seminaristas, falou o aluno Geraldo Bessa, saudando as autoridades.

quarta-feira, janeiro 18, 2012

BANCO DO BRASIL, EM MANAUS



A primitiva agência, de 1908 
Em Manaus, a primeira agência deste banco foi instalada em 14 de janeiro de 1908, para aproveitar e amparar a exportação da borracha. Ocorreu no governo de Afonso de Carvalho (1907-08), que substituía ao titular Constantino Nery.

A construção foi levantada no Largo da Matriz, onde hoje se encontra sua agência Praça XV de Novembro. Foi levantada em terreno onde existira o Seminário São José, criado em 1848, pelo bispo do Pará, dom Moares Torres.

O Jornal, 14 fev. 1965 
Nessa época, o seminário já estava desativado e o governo do Estado aproveitou para indenizar a Igreja pelo prédio, contribuindo assim para a instalação do Banco do Brasil. Dois detalhes: o Seminário São José somente seria reinstalado em 1943, por Dom João da Matta. E  esta agência do BB foi a segunda instalada, desde sua fundação em 1808. 

 A década de 1920 marcou o desastre da produção da borracha, que determinou a decadência de Manaus. Mas, este banco seguiu operando. Em 1949, quando da instalação de A Crítica e da viagem dos primeiros seminaristas para estudar em Fortaleza, além deste Banco, existiam apenas outros três na praça de Manaus.

A sede construída no início do século veio abaixo em 1964, para ser substituída por outra mais moderna. Esta que conhecemos. No entanto, a direção do BB levou longo tempo para levantar a filial, que inspirou a reclamação postada em jornal local. Foram cinco anos para se usufruir da evolução bancaria. 

Sede atual (1998) da agência 002 do Banco do Brasil 

sexta-feira, outubro 21, 2011

L. Ruas, oitentanos: Nota



Não fosse a persistência do poeta e amigo Zemaria Pinto, eu iria continuar confundindo. Explico melhor: os oitenta anos do padre Luiz Ruas acontecem, de fato, em 28 de novembro (segunda-feira). E não, como venho propalando, no próximo 31 de outubro.

Neste final do mês, a data lembra sua ordenação sacerdotal, realizada na catedral de Nossa Senhora da Conceição pelo arcebispo do Amazonas, Dom Alberto Ramos.

Para assinalar a efeméride do nascimento, duas entidades universitárias – Seminário São José e Universidade Federal do Amazonas, as quais o professor-padre Luiz Ruas esteve intensamente vinculado, vão promover encontros distintos.

O Instituto de Teologia, Pastoral e Ensino Superior da Amazônia (Itepes) já delineou a agenda, contando com minha presença, de Dom Luiz Vieira, arcebispo de Manaus, e do escritor Tenório Telles.

Poema Afranio de Castro
Portanto, padre Luiz Ruas nasceu em Manaus, a 28 de novembro de 1931. Aproveito para reproduzir um poema de Afranio de Castro (O Jornal, 18 nov. 1958), dedicado ao L. Ruas, certamente antecipando o aniversário deste que foi, naquele venturoso ano, efusivamente festejado.