CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

domingo, junho 14, 2026

POEMA DE DOMINGO (9)

 A arte deste domingo foi postada pelo Clube da Madrugada, produzida por seu presidente Jorge Tufic, com ilustração de Palheta, em coluna da agremiação em A Crítica, há 40 anos.

A Crítica, 26 maio 1986
    As árvores de mogno, a paineira

e a flor do mucunã,

testemunham que a pedra

é o modelo do olhar.

Maria Guilhermina esculpe com a luz

os contornos perdidos

que abrolham da terra.

O jaburu se interrompe

na cisma vertical.

As três bailarinas trocam de lugar

no espaço imaginário.

O movimento é visível

nas dimensões do objeto.

 

Uma família inteira de pedras

conversa neste bosque.

Algumas jazem, porém,

nem sempre factíveis ao tato

e ao som que revela

os ângulos internos da figura,

a visão de conjunto.

Mas são estas as formas

que já trazem, muitas vezes,

o olhar que nos falta.

 

E as mãos de Maria Guilhermina

enxugam simplesmente a ramela

dos seres que habitam

essas cavernas do átomo.


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