CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

terça-feira, março 06, 2018

PMAM: LEMBRETE PARA SUA HISTÓRIA



Plinio Coelho, 1958
O falecido governador Plínio Ramos Coelho assumiu o segundo mandato de chefe do Poder Executivo em 31 de janeiro de 1963. Deveria governar até 1967, todavia, o Governo Militar encurtou esse tempo, cassando seu mandato no ano seguinte.

Junto com o governador foi cassado o comandante da PMAM, Alfredo Barbosa Filho, que sendo 1° tenente foi catapultado à função de coronel-comandante. Deu-no-que-deu!

Ao assumir o Palácio Rio Negro, Plínio Coelho compareceu à abertura da Assembleia Legislativa para a leitura de sua Mensagem. Neste documento, exposto ao público pelo Jornal do Commercio, edição de 20 de março de 1963, ele resume a penosa situação da PMAM.


Recorte do citado jornal






A POLÍCIA MILITAR DO ESTADO continua sendo insubstituível mantenedora da Ordem no Interior e sempre disposta para acorrer ao chamamento da Polícia Civil, ajudando-a satisfatoriamente no policiamento ostensivo da Capital.O seu efetivo é de 588 elementos, sendo 552 praças e 36 oficiais: A sua disciplina é boa. Os seus componentes formam a nata dos reservistas saídos do Exército Nacional. O próprio em que está instalada a Polícia Militar continua necessitado de sérios reparos. O pouco ali feito foi realizado pelos próprios recursos da Corporação.
O prédio há de ser recuperado em nossa gestão, sob pena de perdermos um dos mais belos edifícios que os homens do passado nos legaram.Convidamos Vossas Excelências, Senhores Deputados, a lerem o relatório que retrata a Polícia Militar do Estado e que resumimos dizendo: afora o seu pessoal que é dos melhores, o material de que se serve a Polícia, inclusive o seu aparelhamento é o pior possível, podendo-se afirmar que a situação da Polícia Militar seria insuportável não fora o alto sentido de disciplina de seus integrantes, cujos oficiais percebem menos do que qualquer servente federal.   

domingo, março 04, 2018

PMAM: TÓPICO DE SUA HISTÓRIA

Antigo quartel, hoje Palacete Provincial
Até 1972, o aniversário da Polícia Militar do Amazonas (PMAM) era comemorado em 4 de maio. Criada em 1876, preparava-se então para comemorar o centenário, quando uma publicação governamental revitalizou a data. Ora, a Força celebra seu natalício em 26 de abril, contado de 1837.

Na passagem dos 89 anos (pelo calendário anterior), o cronista Genesino Braga publicou este artigo no Jornal do Commercio (2 maio 1965), saudando a data.  

GLORIOSA POLÍCIA MILITAR!

Genesino Braga

Um toque de clarim, em sopro de alvorada, saudará os oitenta e nove anos de nossa Polícia Militar. O três de maio, data em que se instalara, em 1876, a heroica e invicta milícia de Cândido Mariano, é fausto e pompa no calendário histórico do Amazonas; é dia de gala para o orgulho cívico deste povo; é festa magna de tradição e de amor no coração da família amazonense.
Instituída pela lei 339, de 26 de abril de 1876, Guarda Policial fora o seu primeiro nome, assim batizando-a a Assembleia Provincial nos processados de sua oficial origem e assim fazendo-a chamar, naquele ato institutivo, por força de mando e autoridade, Antônio dos Passos Miranda, “bacharel formado em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito do Recife e presidente da província do Amazonas”.
Uma semana decorrida de sua criação e já, a 3 de maio, a briosa Guarda Policial do Amazonas se instalava no quartel que lhe fora destinado: velha casa, arrendada, "colocada na subida da praça da Imperatriz para a de Tenreiro Aranha, com entradas para o lado de uma e outra praça" 
Seu primeiro comandante, o tenente reformado do Exército, Severino Euzébio Cordeiro, no posto de major, e seu capitão-ajudante, o cidadão Marcelo José Pereira, desdobravam-se nas diligências para compor o efetivo da tropa: 73 homens, com o major-comandante, o capitão-ajudante, um primeiro e um segundo sargentos, o furriel, seis cabos, dois cornetas e sessenta soldados a pé e montados.
Mas, já no ano seguinte, com seu efetivo aumentado para 99 homens, e acrescida de um tenente, dois alferes, mais um segundo-sargento, mais dois cabos de esquadra, e mais vinte soldados, para outro quartel a Guarda transferiu-se, desta vez na Praça D. Pedro Segundo esquina com a Rua Governador Vitório. 
Detalhe do interior do Palacete Provincial, antigo quartel da Polícia
 Batalhão, mesmo, nossa polícia militar só veio a ser em 1890, com o governador Augusto Ximeno de Villeroy, capitão de engenheiros, que, pelo decreto número 11, de 13 de janeiro, dissolveu a Guarda Policial e criou o Batalhão de Polícia do Amazonas, com um efetivo de quatrocentos homens, sob o comando de um tenente-coronel.
Sete anos depois, já alteada à categoria de Regimento, a brava milícia amazonense escreve a página mais épica da história militar do Amazonas. De Canudos, para onde seguira a quatro de agosto de 1897, o seu 1º Batalhão trouxera-lhe os troféus de guerra que o denodo e a bravura de seus soldadas conquistaram no aceso de pelejas cruentíssimas, no auge das cargas do inimigo, sob os fogos cruzados da mais cerrada e desesperada fuzilaria.Candido Mariano, o audaz e intrépido comandante desse pugilo de bravos, — sem dúvida a figura mais alta de toda a história da Polícia Militar do Amazonas, — agiganta-se na campanha patriótica entre os mais denodados da Brigada do general Sotero de Menezes e, no comando do ataque à última resistência de Canudos, conquista a praça rebelde, em feito definitivo para a vitória das armas legais: "Os jagunços, — relata o valoroso cabo de guerra, — vendo o ímpeto e a resolução com que avançaram os nossos soldados, que não se intimidavam com as suas balas, apesar de serem (estes) na sua maioria homens bisonhos e inexperientes de situação tão crítica, trataram de retirar-se apressadamente, entregando-nos a formidável posição que ocupavam, formada de trincheiras naturais, sobre morros que ficavam a cavaleiro das mesmas posições".
E, mais adiante: "O Batalhão do Amazonas, tanto ou mais que nenhum outro concorreu brilhantemente para o êxito final, batendo- se abnegadamente e heroicamente, sem visar interesse de ordem alguma, e auxiliando por todos os modos o General em Chefe a debelar tão nefanda quanto desgraçada revolta".
De regresso a Manaus, a 8 de novembro do mesmo ano, à frente do heroico Batalhão Amazonas desfalcado de seus mortos em combate, o bravo e altivo chefe militar recebera esta honrosa menção do comandante do Regimento da Força Pública do Amazonas, coronel Pedro Henriques Cordeiro Júnior: “Faço aqui especial menção ao Cidadão Dr. Candido José Mariano, comandante do 1º Batalhão de Infantaria, que mais uma vez, honrando as tradições passadas, coroou de honras o nome do Soldado Brasileiro, verdadeiro defensor da Pátria e da República, concorrendo com o seu Batalhão para terminação da luta fratricida travada nos inóspitos sertões baianos”.
Diante de tão heroico passado, abrindo às gerações de hoje o relicário de seus mais nobres triunfos e as páginas de luta, de lealdade e de abnegação, escritas com o sangue e o suor de seus heróis, nossa altiva e intrépida Polícia Militar fará ressoarem, neste seu 89º aniversário, os toques marciais que anunciaram todas as vitórias da valorosa corporação, em toda a sua esplendida vivência, em toda a grandeza de seus feitos excelsos. 
E que aquelas manchas de sangue, que ainda tingem a bandeira esfarrapada volvida com a tropa de Canudos, continue por muitos anos em relíquia, no quartel da Praça de Heliodoro Balbi, mostrando aos moços, conterrâneos, a mensagem da dor dos filhos desta terra que morreram pela pátria e deram a vida em holocausto à ordem, à tranquilidade e à pacificação da família brasileira.

quinta-feira, março 01, 2018

CONJUNTO CASTELO BRANCO

Esta reportagem circulou na edição dominical de A Crítica (15 abril 1970), mostrando a situação do Conjunto Habitacional Castelo Branco, ainda em fase de implantação no bairro do Parque Dez. De fato, a situação era de extrema dificuldades para os promitentes-compradores. 
Em nossos dias, a mudança no quadro do Conjunto não permite crer no jornalista Irandy Ferreira e no Pinduca, grande fotógrafo, autores da página.

A Crítica, 15 abril 1970

LEMBRETES PARA A HISTÓRIA DA PMAM



Fachada do quartel da Praça da Polícia 


O corrente ano enseja a celebração de alguns fatos que constituem a história da Polícia Militar do Amazonas (PMAM). São expostos de forma sucinta, posto que o meu interesse é de unicamente sinalizá-los.

Há...

100 ANOS - 1918

- 30 de agosto: A lei nº 957, sancionada pelo governador Pedro de Alcantara Bacellar (1917-21), dispunha que a direção e a guarda da Casa de Detenção, a extinta Penitenciária desembargador Raymundo Vidal Pessoa, fossem de responsabilidade da Força Policial do Estado. A direção foi suprimida, mas a guarda durou enquanto o presídio esteve em funcionamento, no final do ano passado.

80 ANOS - 1938
- 11 de novembro: O decreto-lei nº 161, sancionado pelo interventor federal Álvaro Botelho Maia (1937-45), mudava a denominação de Força Policial para Polícia Militar do Estado do Amazonas (PMEA). Era comandante o tenente-coronel PM José Rodrigues Pessoa (1936-41). Todavia não fora definitiva a mudança. Tornou a se chamar de Força Policial até que, em 1947, assumiu a denominação que ainda ostenta, com ligeira modificação imposta pelo Governo Militar.

70 ANOS - 1948
- 30 de agosto: A lei nº 237, sancionada pelo governador Leopoldo Amorim da Silva Neves (1947-50), cria a Comissão de Promoção de Oficiais, por iniciativa do comandante da corporação, capitão (EB) Antônio Antonino Pará Bitencourt (1947-49). Ao que tudo indica, essa iniciativa ficou apenas no papel. As promoções não eram tão seletivas quanto as hodiernas.
- 29 de dezembro: A lei nº 356 criava o Montepio para os militares ativos e inativos da Corporação. Certamente o cuidado mais efetivo com a saúde e a previdência dos policiais. Todo este esforço desaguaria no extinto instituto previdenciário do Estado (Ipasea).

50 ANOS - 1968
- 1º de março: Assumiu o comando da corporação, o tenente-coronel (EB) José Maury de Araújo e Silva, nomeado pelo governador Danilo Duarte de Matos Areosa (1967-71). Sua gestão durou até fevereiro de 1971.

40 ANOS - 1978 
- 13 de janeiro: Consoante o decreto nº 4131, sancionado pelo governador Henoch da Silva Reis (1975-79), foi aprovado o Regulamento Disciplinar da Polícia Militar do Amazonas (RDPMAM), que segue aplicado ainda que com válidas atualizações.
Quartel do então 1º BPM
- 16 de janeiro: a Companhia de Polícia de Choque foi criada conforme o decreto nº 4136, mas já operava sediada no quartel do 1º BPM, em Petrópolis, desde 1976. Seu primeiro comandante foi o capitão Raimundo Carlos Daniel Mar (1976-79). A posse do substituto, capitão Francisco Orleilson Guimarães (1979-81), já ocorreu no quartel construído no Conjunto 31 de Março-Japiim (hoje ocupado pelo Centro de Convivência). Nova mudança ocorreu em 1988, quando ocupou o aquartelamento construído no Distrito Industrial. Operou como Unidade independente até 1994, quando passou a subordinação do Batalhão de Policiamento Especial (BPE).

Nota – o policiamento de Choque na PMAM teve início em julho de 1966, quando o comando da corporação criou o Pelotão de Choque, subordinado à Companhia de Comando e Serviços (CCSv). O primeiro comandante foi o recém-incluído na PM, o 2º tenente Roberto Mendonça. Ainda não se tem notícia de sua extinção.

- 21 de julho: o decreto nº 4295 estabeleceu a criação do 1º Grupamento de Incêndio (1º GI), subordinado ao Corpo de Bombeiros, em cujo quartel foi instalado. O primeiro comandante foi o major Silvestre Torres de Araújo (1986-88).

30 ANOS – 1988
- 24 de março: conforme o decreto nº 11.015 são criados o 4º e 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM), o Esquadrão de Polícia Montada (EsqPMont), a 1ª e a 2ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) e o 1º Pelotão Independente de Polícia Militar (PIPM).
O 4º Batalhão de Polícia Militar foi instalado no antigo quartel da Companhia de Rádio Patrulha, à rua Dr. Machado, no bairro da Praça 14 de Janeiro. Seu primeiro comandante foi o tenente-coronel Eber Bessa Rebello. No ano imediato, foi transformado em Batalhão de Policiamento de Trânsito, sob a direção do major Celio Nogueira da Silva. Em 1992, recebeu nova atribuição: de Policiamento Ostensivo Geral, sob o comando do tenente-coronel José Cabral Jafra. E, três anos depois, voltou à atividade de Batalhão de Trânsito, comando pelo tenente-coronel Paulo Roberto Vital de Menezes.
O 5º Batalhão de Polícia Militar foi alojado inicialmente no quartel da 2ª Companhia Independente, então sediada no Conjunto residencial Ajuricaba, onde já se encontrava desde abril daquele ano. Seu primeiro comandante foi o tenente-coronel Jetero Silva de Menezes. No ano seguinte, esteve sediado no aquartelamento do BPE, onde seguiu até 1993, quando ocupou o aquartelamento próprio construído no bairro da Compensa.
Placa comemorativa
O Esquadrão de Polícia Montada foi abrigado no quartel especialmente construído com esta finalidade, situado no conjunto residencial Dom Pedro. No ano imediato, foi convertido em subunidade do Batalhão de Policiamento Especial (BPE), onde permanece. O primeiro comandante foi o major Wilde de Azevedo Bentes, que se tornou o patrono desta OPM.
A 1ª Companhia Independente de Polícia Militar ocupou uma instalação no Conjunto 31 de março (Japiim), sob o comando do capitão Alrefredo Melo de Souza. Esteve posteriormente no Distrito Industrial, primeiro alojado no hospital público, depois, no quartel do 7º BPM, quando em 1988 foi transferida para a cidade de Parintins, aonde foi instalada pelo capitão Joaquim Prestes Colares Filho.
A 2ª Companhia Independente de Polícia Militar abrigou-se em próprio estadual no Conjunto Ajuricaba. Seu primeiro comandante foi o capitão Antonio Pereira Santarém. Por necessidade estratégica, em 1988, foi transferida para a cidade de Tabatinga. Nesta localidade, foi montada pelo capitão Edson Paulo Ramos.
O 1º Pelotão Independente de Polícia Militar, único existente na história da PMAM, operou na cidade de São Gabriel da Cachoeira. Ali, em 15 abril, foi instalado pelo 1º tenente Hiltomar Jaime Regis. Existia até o ano 2000, quando recolhi estas notas.