CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

domingo, outubro 11, 2026

POEMA DOMINICAL (55)

 

Circulado em Jornal do Commercio, 28 março 1955


            Senti de perto, bem de perto

o drama dilacerante de tua vida.

Acompanhei, no silêncio prolongado

de minha dor,

a noite angustiosa, sem alvoradas,

que cercara os teus últimos dias!

O teu destino se fizera um látego

e te suplicou

impiedosamente...

Mas, como foste grande em teu padecimento!

Como soubeste contar as tuas lágrimas

que deveriam queimar tua face pálida,

transfigurada pelo sofrimento...

Acompanhei teus dias sem sol,

tuas noites sem estrelas...

Senti a angústia de teu isolamento...

No entanto, volvendo o olhar

às brumas do passado,

a esse passado de sonhos e de rosas

eu te revejo, na tortura

de uma evocação comovida,

como sendo a nota musical

de pompeante alegria, que se fora,

para nunca mais voltar!...

 

Eras alegria!

A alegria de muitos corações!

Flor que desabrochou entre carinhos

– como um sonho de ternura –

Eras a flor da bondade,

eras a flor da alegria...

 

Teus dias de luz,

teus dias de festa!

Tudo fugira como por encanto!...

Porém, o teu sorriso costumado

jamais deixara de aflorar aos teus lábios

sentidos!

Foste grande! Foi grande e inquietador

teu estoicismo. Eis porque tu tiveste

a serenidade quase angélica

quando a hora final do alto te acenou

e tranquila a Jesus tua vida deste

na tragédia da dor!...

Nenhum comentário:

Postar um comentário