FASCÍCULO 23
1981
Continuei frequentando o curso de Pedagogia, na Faculdade de Educação, matriculado sob o registro 803606-7, onde já me havia envolvido com a colega Socorro e me atritado com o professor Lago e Silva. A minha frequência ao curso rumava para a derrocada, tanto que o abandonei seis períodos depois, em 1983. Naquela época, o governo federal instituiu o Crédito Universitário destinado a alunos carentes; não demorou para que eu procurasse o balcão de inscrição e, com facilidade, fosse agraciado com uma quota mensal. Enquanto cursava Pedagogia recebi o valor, que deveria ser devolvido ao Estado após a formatura. Como abandonei a faculdade, não me preocupei com a restituição, até o dia em que fui alcançado – sem saber exatamente de que maneira – pela cobrança. Quitei com juros e correção monetária e, para piorar, em única parcela.
Brasão do Corpo de Bombeiros da PMAM
Em paralelo a toda essa movimentação fora da caserna, angustiei-me – consideravelmente – com a situação do meu processo na Auditoria, cujo julgamento estava marcado para o segundo semestre daquele ano. Para enfrentar a corte, procurei um ou dois advogados que foram meus colegas na Faculdade, mas não consigo recordar qual me defendeu no júri. Tentei diálogo com os colegas julgadores, mas somente me sosseguei quando – por iniciativa dele – palestrei com o juiz auditor Manoel Bessa Filho. Bessa havia aberto mão do sacerdócio para, depois de alguns empreendimentos mercantis e de atuação no legislativo municipal, ingressar no judiciário, onde encerraria as atividades; meu conhecimento dele remonta ao tempo do seminário, quando ele era sacerdote. Desse laço veio a atenção que me dispensou, ciente da pena a aplicar. Acertamos o seguinte: ele me aplicaria a pena-base de dois anos, sem agravantes, e concederia sursis, que me manteria no serviço policial; de minha parte, comprometi-me a não recorrer da sentença. E foi assim que foi cumprido.
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| Oficiais do CB nas Olimpíadas da PMAM |
A despeito do clima tumultuado na corporação pelas eleições, em outubro realizaram-se as IV Olimpíadas da Polícia Militar, um disputado torneio entre oficiais. Os escassos oficiais dos Bombeiros se engajaram nas modalidades em disputa; de minha parte, estive no futebol de campo e no futsal; arrisquei-me a imitar jogador de basquete e vôlei, liderado pelo capitão Fernando, o cearense conhecido por “carne seca”, que disputava todos os esportes. Não lembro o resultado do torneio. Em novembro, fui transferido para o comando geral, onde assumi a chefia de uma escrivaninha, ícone de qualquer seção burocrática, porém, perto do comandante Guilherme, que me acolheu com entusiasmo; após as próximas eleições regionais, eu iria deparar com essa proximidade. Andava cabisbaixo em razão da condenação a cumprir, esforçando-me para não “pecar mais”, nem mesmo venial; e para honrar o pacto com o amigo Manoel Bessa, que carinhosamente me chamava de “Manelzinho”. Havia outro Manoel, o desembargador Neuzimar Pinheiro, também meu colega do Seminário.
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| Fachada do quartel dos Bombeiros da PMAM |
O novo ano aproximava-se, marcado pelas eleições, com destaque para a de governador, onde figurava o nome de Gilberto Mestrinho que, após chefiar o Poder Executivo de 1959 a 1963, foi cassado pelo regime militar. Apesar de precauções, acabei me envolvendo intramuros na disputa eleitoral, assunto que relatarei em seu devido tempo. No quartel, o novo comandante instituiu uma nova escala de serviço para oficiais superiores: Supervisor de dia; cabia ao escalado, administrar as operações nos quartéis. Poucos apreciam tal encargo: serviço na virada do ano, como me ocorreu. Uniformizado para o serviço e, dessa forma, longe de casa, abracei o ano de 1982, confiando de que o pior havia passado!




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