O poema postado nesse domingo é de autoria do poeta Álvaro Botelho Maia (1893-1969), circulado no Pathé Journal, para comemorar o Natal de 1922.
BANHISTA
Dança no mar a célere banhista,
roupão de seda, sob um sol de praga...
Ao marulho, áureo tango que embriaga,
abre a boca, ergue o ventre, o seio enrista...
Mergulha, emerge, nada à nossa vista...
O oceano, amante que a perturba e afaga,
esconde uma perfídia em cada vaga
para o instante supremo da conquista.
No leito verde, que estremece e
estronda,
soluça a carne da mulher robusta,
ao teu beijo, espuma, ao teu abraço,
onda!
E, enquanto aperta os vagalhões em fúria,
ao lençol brando da estação adusta,
solta o vento lamentos de luxúria...


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