CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

quarta-feira, outubro 28, 2026

INDEPENDENCE DAY

 

Renato Mendonça

26.10.2026

Não gosto de usar anglicismos nas minhas crônicas, nem recorrer a palavras estrangeiras para enriquecer textos ou expressar aquilo que penso. Para descrever emoções, alegrias e inquietações, nada melhor do que o nosso vernáculo, rico e generoso, sempre pronto a nos oferecer uma infinidade de sinônimos e significados. Em qualidade linguística e força semântica, não devemos nada a ninguém.

Presidente LULA


Mas, em razão das circunstâncias e do momento eleitoral que vivemos ontem, o título em inglês parece encaixar-se perfeitamente.

Independence Day.

Pelo que testemunhamos nos últimos tempos, com um candidato à Presidência da República buscando apoio nos Estados Unidos para interferir no processo político brasileiro, talvez não exista expressão mais adequada para definir o resultado da eleição de ontem: um verdadeiro Dia da Independência.

O candidato progressista, que fez da defesa da soberania nacional uma de suas principais bandeiras, conquistou a reeleição para um novo mandato. E o simbolismo desse resultado ultrapassa os limites de uma simples disputa eleitoral.

A História, por vezes, gosta de criar coincidências curiosas.

Há cerca de 250 anos, treze colônias americanas romperam oficialmente seus laços políticos com o Império Britânico e deram origem aos Estados Unidos como nação livre e soberana. Guardadas as proporções e observadas as coincidências numéricas envolvendo o candidato vencedor, o resultado de ontem também pode ser interpretado como um grito de independência.

O dia 25 de outubro ficará marcado, para muitos brasileiros, como uma reação às amarras que setores políticos tentaram impor ao país por meio de interesses externos. Não foram poucos os grupos bolsonaristas que apelaram ao governo de Donald Trump para que adotasse medidas contra o Brasil, defendendo sanções e tarifas capazes de atingir nossa economia e prejudicar produtos nacionais.

Observa-se nesse comportamento uma prática extremista que, muitas vezes, encontra sustentação no fanatismo religioso e na disseminação da desinformação. Alimentando-se da confusão e do medo, esses grupos procuram alcançar o poder e, uma vez instalados nele, sentir-se-iam autorizados a negociar o que não lhes pertence.

E o que estaria em jogo? Nossas terras raras. Nossos campos de petróleo. Empresas estratégicas. E até mesmo a Amazônia, patrimônio de valor incalculável para o Brasil e para o mundo.

Vejam bem: havia, sim, um enorme interesse dos nossos irmãos do Norte nas riquezas brasileiras. Essa talvez fosse apenas a primeira etapa do projeto. A segunda seria a interferência em nossa política externa e em nossas relações diplomáticas. Poderíamos ser empurrados para longe dos BRICS, afastados da China e conduzidos a um alinhamento automático que não necessariamente atenderia aos interesses nacionais.

Se olharmos com atenção para esse cenário, veremos ecos de um passado que parecia distante. É impossível não lembrar as disputas geopolíticas da Guerra Fria, quando americanos e soviéticos transformavam o mundo em um grande tabuleiro de xadrez. Foi naquele ambiente de tensão internacional que o Brasil viveu o Golpe Militar de 1964, uma das páginas mais controversas de sua história.

Por tudo isso, considero justo definir o dia de ontem, marcado por uma eleição que já nasce histórica, como o nosso Dia da Independência.

Ou, se preferirem uma expressão ainda mais enfática:

— O Dia da Soberania. E viva a Democracia!

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