CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sexta-feira, novembro 21, 2025

CAPUCHINHOS UMBROS NO AMAZONAS

 No livro Igreja sobre o rio (2012), frei Antonino de Perugia analisa para seus superiores na Itália, a perspectiva de crescimento da Ordem dos capuchinhos umbros no Amazonas, em carta escrita em 1954. Lamentavelmente, não creio que essas ideias tenham prosperado. 

Detalhe da capa. Livro escrito por Mario Tosti,
utilizando missivas dos frades no Amazonas

A sua análise era sustentada por algumas observações: em primeiro lugar, era possível, segundo ele: “abrir um belo convento ao lado do santuário de Nossa Senhora de Fátima, em construção, mas já próximo à conclusão. Na vizinha e florescente cidadezinha de Itacoatiara, grande paróquia com o pároco brasileiro [cônego Alcides Peixoto] e o velho cura cego [monsenhor Pereira, português], o senhor arcebispo [dom Alberto Ramos] nos pediu para assumir a assistência espiritual. E a população ficaria contentíssima. Também ali se poderia construir imediatamente um convento e se faria tanto bem!

O senhor arcebispo depois – continua – ofereceu-nos outra cidadezinha em formação e muito promissora, em cujas proximidades encontra-se o importantíssimo centro agrícola e industrial do senhor Agesilau Gonçalves de Araújo, nosso grande amigo e benfeitor.

A filha, que é religiosa franciscana missionária de Maria, nos pede para assumirmos imediatamente ao menos o cuidado espiritual da propriedade paterna, que conta com milhares de trabalhadores: agricultores e operários. Isto, para não falar em noutras localidades aptas à abertura dos nossos conventos e residências.

Disto se vê que a nossa neocustódia tem diante de si as melhores perspectivas de crescimento e poderia ser na verdade digna do seu nome. E não faltariam nem mesmo as vocações à Ordem, porque no sul do Estado a maioria dos habitantes são nordestinos, e os próprios caboclos são já todos civilizados”.

quarta-feira, julho 11, 2018

HINOS EUCARÍSTICOS


O bispo do Amazonas, dom João da Matta, preparou o 1º Congresso Eucarístico de Manaus, em 1942. Dez anos depois, coube a dom Alberto Ramos, arcebispo do Amazonas, a organização do 2º Congresso. Entre outras provisões, havia o imperativo de um hino para cada encontro, servindo para conduzir, estimular os participantes.  
Dom Alberto Ramos
Conheci, porque cantei exaustivamente estes dois hinos, quando estudava no Seminário São José. Outro dia, eles vieram ao meu encontro, ao sacá-los do Jornal Cultura (novembro 1974), que anunciava novo Congresso Eucarístico.

Enquanto rememorava a música dos hinos, fui lendo os nomes dos responsáveis pelas obras. Então, lembrei-me de ter visto raramente padre Manuel de Albuquerque (1907-77), quando este circulava entre as cidades de Tefé (AM) e Santarém (PA). Respeitável poeta, produziu a letra do hino.

A música coube ao então padre Pedro Mottais, nascido na França, que ingressou no Amazonas pela cidade de Tefé (AM), onde certamente fez amizade com o autor da letra. Vindo para Manaus, governou a paróquia de Nossa Senhora dos Remédios e a reitoria do Seminário, ao receber a distinção honorifica de cônego. Participante da criação da Faculdade de Ciências Econômicas, instalada em 1958, foi seu primeiro diretor (1958-59). Possuía um automóvel, cujo ruído facilitava aos alunos do seminário saber quando o reitor se aproximava. Todavia, cônego Mottais “mudou-se de Manaus sem despedidas” para São Paulo. Há registros de que esteve servindo à Igreja em Jundiaí (SP), e que veio a falecer possivelmente em São Vicente (SP), já promovido a monsenhor.

Página do Jornal Cultura (novembro 1974)

A letra do hino do II Congresso pertence ao então clérigo Áureo Pereira de Araújo, que não estou bem certo, sigo averiguando, esteja vivendo em Belo Horizonte. Lembro-me dele, pois residia aos fundos do Seminário, pela rua Major Gabriel, onde ora encontra-se um anexo da Uninorte. Sei que ele frequentava o seminário fora de Manaus, penso que os dominicanos. Oxalá esteja vivo.

A música é de autoria do professor José Arnaud (1895-1978). Este maestro era tenente da reserva do Exército e havia dirigido a Banda de Música da Polícia Militar do Amazonas, entre 1945-48. Envolvido na recuperação da história dessa organização musical, recebi informações básicas sobre o compositor do hino de sua filha Lacy Arnaud Soares, nascida em Manaus, porém, residente no Rio de Janeiro, cujo filho David Arnaud Soares é médico cardiologista, em Manaus. Professor José Arnaud deixou boa quantidade de produção musical, infelizmente esquecidas.

domingo, maio 01, 2016

ARQUIDIOCESE DO AMAZONAS: 1952






quarta-feira, janeiro 06, 2016

PADRE NONATO PINHEIRO & DOM ALBERTO RAMOS

Em pleno vigor intelectual, e diante da posse do novo condutor do bispado do Amazonas, padre Nonato Pinheiro (1922-94) publicou uma série de artigos em O Jornal, da empresa Archer Pinto, da qual era articulista.
Padre Nonato Pinheiro, 1952
O prelado escolhido era o jovem sacerdote dom Alberto Gaudêncio Ramos, que havia sido sagrado bispo no primeiro dia desse ano, em Belém do Pará, sua terra natal, nascido em 1915.
Desembarcou este em Manaus uma semana depois para ser empossado em 21 de janeiro. Constituiu-se no último bispo desse território eclesiástico, visto que três anos depois o Amazonas foi elevado à categoria de arcebispado e dom Alberto Ramos, seu primeiro arcebispo.
Permaneceu nesse último posto por seis anos, quando foi transferido para o arcebispado do Pará, com sede em Belém. Já arcebispo emérito, ali faleceu em 1991.
Tanto padre Nonato Pinheiro quanto dom Alberto Ramos pertenceram à Academia Amazonense de Letras.


O Juramento do Bispo: Fidelis et obediens (*)


São de praxe os juramentos solenes em momentos culminantes de investidura. Fazem-no quantos entram a assumir sérias responsabilidades na vida social e pública. Há juramentos célebres na História, de um ou outro vulto eminente da cultura e da civilização universais. 
É famoso o de Hipócrates, uma página de ouro em que a ética profissional atinge as altitudes pinaculares de incomparável beleza moral, pondo em relevo uma consciência pura como os cimos nevados. 
Não faz muito, em brilhante tertúlia na Academia Amazonense de Letras, o exigente e seleto auditório ouvia de pé a leitura desse documento notável, levada a efeito por eminente clínico.Também o bispo faz o seu solene juramento, antes de empunhar o báculo pastoral. E suas primeiras palavras são uma afirmação irreprimível de fidelidade e obediência ao apóstolo São Pedro, à Santa Igreja Romana, ao papa reinante e a todos os seus legítimos sucessores: fidelis et obediens vero. 
Promete conservar, defender e favorecer os direitos, honras, privilégios e autoridade da Santa Sé e do Sumo Pontífice e observar com solicitude as normas dos Santos Padres, disposições, decretos, provisões e os mandatos apostólicos. Promete igualmente não vender, nem doar, nem hipotecar, nem de qualquer outro modo alienar os bens da diocese, ainda com o consentimento dos cônegos ou dos consultores diocesanos, sem consultar o Sumo Pontífice.
É um juramento de muita responsabilidade que o novo antístite emite, tocando os Santos Evangelhos. 
Todo o Juramento Episcopal pode resumir-se nas palavras iniciais fidelis et obediens. Nada mais que fidelidade e obediência exige a Igreja do novel bispo, sobre cuja cabeça fez entornar, no dia da sagração, o turbilhão das bênçãos divinas.
Dom Alberto Ramos
Dom Alberto Gaudêncio Ramos ultrapassou as exigências da Igreja. Não só lhe prestará fidelidade e obediência, mas ainda docilidade perfeita, “inerência” harmoniosa e adesão plena aos mandamentos divinos e eclesiásticos. É o que se aufere do seu lema episcopal, que já me foi dado ver: Semper inhaerere mandatis. Quem não vê nesse “inhaerere” mais do que um simples “obedire”? Aí já se revela a fibra moral do pontífice do Amazonas. É um homem de obediência, na mais perfeita e intima “sintonização” com a palavra da Igreja e o pensamento do papa. 
O fidelis et obediens do juramento encontrou terreno fecundo no “inhaerere” do seu lema. Será fiel e obediente, com a alma, a inteligência e o coração, à Santa Sé e a Pedro.Está traçado o programa de Dom Alberto nas legendárias terras de Ajuricaba. Seu apostolado, que se auspicia fulgente e glorioso, será uma “inerência” harmoniosa ao papa e à Igreja. Dessa semente fecunda é que há de nascer frondosa e fértil a árvore do seu episcopado, cujos ramos hão de florir e frutificar na floração exuberante de todos os bens e de todas as mercês, pela vitória da Igreja e pelo triunfo de Cristo!

(*) O Jornal, Manaus, 8 de janeiro de 1949

sexta-feira, janeiro 01, 2016

ANIVERSÁRIO DE BORBA

Abaixo, meu presente para a cidade. Trata-se de um texto publicado em periódico de 1956, que descreve a iniciativa do Clube Filatélico local (ainda existente), que providenciou ainda que tardiamente a emissão de selos postais para celebrar o bicentenário de Borba.

Esclareço que esse tipo de material postal deve ser providenciado com bastante antecedência, que não aconteceu no caso. Daí não acreditar que o falecido Pereira da Silva, apesar de membro da Câmara Federal, tenha conseguido êxito. Como ex-filatelista, e conhecedor de catálogos de selos brasileiros, sei que não existe selo brindando aquela efeméride.

Não sei indicar a razão, porém os festejos de então ocorreram em junho. Já relatei esse episódio em outra postagem. Estive presente às celebrações, que ocorreram na festa do padroeiro – 13 de junho. Presente a cúpula da igreja católica, cujo arcebispo, Dom Alberto Ramos, conduziu padres e seminaristas para solenizar a festa. Era pároco de Borba, o lembrado cônego Bento José de Souza.

Verdade que hoje, primeiro dia do ano, a cidade de Borba, a mais antiga do Amazonas, celebra seu aniversário. E as festas espalham-se pelos barrancos borbenses marcando a efeméride.

Salve Borba!

 
Recorte do extinto jornal A Gazeta, de Manaus
Iniciativa louvável do Clube Filatélico do Amazonas
Pedida a colaboração do deputado Pereira da Silva para a iniciativa (*)

A cidade de Borba festejará em junho vindouro o seu segundo centenário de fundação, para cuja solenidade inúmeros são os preparativos que ali se vêm fazendo.
Hoje, a nossa reportagem conversando com o Sr. Alexandre Chaves da Silva, presidente do CFNA (Clube Filatélico e Numismático do Amazonas), teve a oportunidade de saber que esta entidade pleiteará junto ao deputado federal Pereira da Silva, a apresentação de um projeto de lei autorizando a emissão de dois selos comemorativos àquele centenário.
O ofício que o CFNA dirigiu ao deputado Pereira da Silva está assim redigido:

Exmo. Sr.Vimos à presença de V. Exa. solicitar sua merecida atenção para o assunto que passamos a expor em linhas abaixo: 
2. Devendo realizar-se no próximo mês de junho, na cidade de Borba, os festejos comemorativos de seu 2º Centenário, o Clube Filatélico e Numismático do Amazonas, parte integrante dos festejos, vem solicitar a V. Exa. se digne apresentar um projeto de Lei, na Câmara Federal, no sentido de ser autorizado a emissão de dois selos comemorativos assim discriminados: Cr$ 0,60 e Cr$ 1,20. 
3. O selo de Cr$ 0,60 será representado pela sua Igreja Matriz e o de Cr$ 1,20 representando um jesuíta e dois índios. Justificando as nossas sugestões, desejamos adiantar à V. Exa. que a referida igreja foi um dos baluartes durante a Guerra dos Cabanos, quando a mesma serviu de forte, hospital de sangue e abrigo das famílias fugitivas, que procuravam refúgio.
O segundo, tem sua justificativa, uma vez que Borba deve toda a sua civilização e colonização aos Jesuítas que, juntamente com padre João Sampaio, seu fundador, subiam os rios do Amazonas, em busca de índios para aquele núcleo recém fundado.    
4. Carimbo comemorativo – Alusivos em todas as comemorações e centenários, também solicitamos a sua valiosa interferência junto ao Exmo. Sr. Diretor Geral dos Correios e Telégrafos para que, seja autorizado a confecção de um Carimbo obliterador, redondo, usual para comemorações, em metal e para tinta preta. 
5. Queremos frisar, outrossim, que no caso de aprovada e autorizada essa nossa solicitação, sejam os selos e o respectivo carimbo enviados à Diretoria dos Correios e Telégrafos do Amazonas em tempo não além do dia 25 de maio, uma vez que há necessidade de os mesmos serem remetidos à cidade de Borba, com o tempo necessário para o seu lançamento no dia do Centenário. 
6. Na expectativa de uma honrosa atenção para esse pedido, colocamo-nos à disposição de V. Exa. para ulteriores entendimentos, sobre o que ficamos no aguardo de uma breve contestação. 
Antecipadamente gratos, subscrevemo-nos com estima e apreço.
(*) A Gazeta, 3 de fevereiro de 1956

segunda-feira, julho 02, 2012

Memórias amazonenses

1908 – Nasceu em Mossoró (RN), Avelino Pereira, filho de Luís Florêncio Pereira e de Josefa Maria da Costa Pereira, casado com Elsa de Sá Peixoto Pereira. Médico pela Faculdade de Medicina da Bahia. Em setembro de 1943, foi contratado para o Serviço de Socorro de Urgência do Amazonas, com especialização em oftalmologia. Foi proprietário do extinto jornal A Gazeta. E nessa época participou da fundação do Aero Clube de Manaus.

1951 – O presidente Getúlio Vargas estabeleceu o Dia do Bombeiro Nacional. No Amazonas, a corporação dos homens do fogo surgiu em 11 de julho de 1876. Com a desvinculação deste organismo da órbita da Polícia Militar, a festa maior ocorre em novembro, para celebrar a independência do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas. Fogo!

Dom Alberto Ramos
1952 – Abertura do 2º Congresso Eucarístico Regional, em Manaus, com a presença de Dom Jaime de Barros Câmara, arcebispo do Rio de Janeiro. Na mesma ocasião, foi instalada a arquidiocese do Amazonas, criada pelo Papa Pio XII, consoante a bula Ob Illud. Na ocasião, foi empossado o primeiro arcebispo, Dom Alberto Gaudêncio Ramos, que já exercia o bispado.

1969 – Instala-se em Manaus (AM) transferido de Belém (PA), o Comando Militar da Amazônia (CMA), sob o comando do general Rodrigo Otávio Jordão Ramos. O atual comandante é o general Eduardo Villas Bôas.

domingo, maio 01, 2011

DIA DO TRABALHADOR

Minha homenagem aos trabalhadores de diversas categorias e sem, no seu dia.

Bispos e padres na Catedral de Manaus

Bombeiros militares

Juvenal, extrativista de babaçu

Jornalista entrevista Amazonino Mendes

Marqueteiros e políticos na última eleição

Músicos e banda de música

Palheta, artsita plástico, e sua obra Nua (abaixo)


Operários da AG (acima e abaixo)
 

Policiais militares no dia da formatura

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Memorial Amazonense (XLVI)

Fevereiro, 16


1876 – Nasce em Manaus, o bacharel Heliodoro Balbi, formado pela Faculdade de Direito do Recife, em 1902. Jovem competente, daí ter sido selecionado como orador da turma. No retorno a Manaus, conquistou uma cátedra no Ginásio Amazonense.
Dividiu-se entre o jornalismo e o magistério, mas teve que exercer a profissão para manter a família. Quando da criação da Universidade Livre de Manaus (1909) foi um dos fundadores e professor na Faculdade de Ciências Jurídicas.

As dificuldades políticas e financeiras levaram-no a incursionar no Tribunal do então Território Federal do Acre. Não mais voltou, morreu em Rio Branco, a 26 nov. 1918.
Também foi fundador da Academia Amazonense de Letras, em janeiro de 1918, meses antes de sua prematura morte. Ocupou a cadeira 2, de Tito Lívio Castro, que uma reformulação acadêmica tornou 27, de Castro Alves. Sua produção literária quase desapareceu, restando raros poemas e algumas crônicas editados em jornais.

Dom Basilio Pereira
Entre as homenagens recebidas, acabo de alcançar a do bairro de Guadalupe, no Rio de Janeiro. Ali, encontra-se a rua Dr. Heliodoro Balbi (21660-310), junto a outros nomes nossos conhecidos: Joaquim Sarmento, Manoel Barata, Torquato Tapajós, general Salgado dos Santos. Passando pela Avenida Brasil, do Rio, basta esticar o pescoço para ver a rua de nosso conterrâneo.
Tomara que lá o nome de Heliodoro seja mantido, não seja substituído como em Manaus, onde a sua praça é da Polícia.

1926Dom frei Basílio Olímpio Pereira toma posse, em Manaus, tornando-se o 4º bispo diocesano do Amazonas.

1946Júlio José da Silva Nery, bacharel, é nomeado Interventor Federal do Amazonas. Nascido em Manaus, era filho do ex-governador Silvério Nery. Seu curto mandato estendeu-se até 31 de agosto.
Julio Nery (ao centro) e Álvaro Maia (à dir.), no dia da posse,
O Jornal, 16 fev. 1946
1952 – O papa Pio XII, consoante a bula Ob Illud, erige a província eclesiástica de Amazonas, desmembrando-a do Pará. Aproveita, e promove Dom Alberto Gaudêncio Ramos a arcebispo, por sinal, o primeiro, seguido de Dom João de Souza Lima.

2003 – O embaixador José Viegas Filho, ministro da Defesa, aliás o primeiro, desembarca em Manaus para conhecer a Amazônia. Entre outras atividades, visita o SIVAM (Sistema de Vigilância da Amazônia).

segunda-feira, janeiro 31, 2011

MEMÓRIAS AMAZONENSES (LI)

Janeiro, 31

1871 – Nasceu em Viçosa (CE), Angelino Bevilaqua, engenheiro agrônomo formado na Universidade Livre de Manaus. Aqui permaneceu desempenhando a profissão, com entusiasmo e idealismo, até sua morte em outubro de 1940. Sua atuação ensejou que o governo premiasse o Parque de Exposições local com seu nome, situado na rodovia AM-01, km 9. A honraria, todavia, foi cassada em 2009, quando o mesmo tomou o nome do finado Euripedes Lins.
Entre seus irmãos, o mais respeitável foi o jurista Clóvis Bevilaqua, autor do Código Civil Brasileiro, do início do século XX. Sua irmã Clotildes, casada com o farmacêutico Francelino de Araújo, também residiu em Manaus. Angelino deixou uma filha, Rosali. Em Manaus, portanto, ainda existem descendentes dos Bevilaqua.
Para saber mais: Dicionário Amazonense de Biografias: Vultos do passado, de Agnello Bittencourt, 1973; e O Jornal. Manaus, 5 out. 1940

Alvaro Maia
1900 – A Companhia italiana de Operetas e Óperas Cômicas de Calil e Apréa, estreia no Teatro Amazonas com a peça Fan-fan la Tulipe, de Louis Varney.

1949 – Dom Alberto Gaudêncio Ramos, do clero paraense, toma posse do bispado do Amazonas, tornando-se o sexto prelado nesse encargo. Três anos depois se torna o primeiro arcebispo do Amazonas. Diante do progresso do Estado e das obrigações eclesiásticas, hoje o arcebispado cuida basicamente de Manaus. Seu titular é Dom Luiz Vieira.

1951 – Álvaro Botelho Maia, eleito pelo Partido Social Democrático (PSD), foi empossado no governo do Estado. Seu governo se estendeu até 1955, quando foi sucedido por Plínio Ramos Coelho, ambos nascidos em Humaitá (AM).

domingo, outubro 31, 2010

Memorial Amazonense XXXVII

Em 31 de outubro de 1954, na Catedral de Manaus, Dom Alberto Ramos ordenou o padre Luiz Augusto de Lima Ruas.

Jornal Em Tempo. Manaus, 12 nov. 2004


Padre Ruas iniciou a função sacerdotal no bairro de São Jorge, que se implantava na cidade. Sem local próprio para a celebração, o novo vigário celebrava missas e outras atividades religiosas em residências de paroquianos. É considerado o primeiro pároco de São Jorge. Também exerceu o ministério sacerdotal nas paróquias de Educandos, Colônia Oliveira Machado, dos Remédios, onde se despediu da atividade religiosa, Sagrado Coração de Jesus, na rua Ferreira Pena, e Nossa Senhora das Dores, na Redenção.


L. Ruas, como assinava, se destacou em várias atividades, em especial nas artes da prosa e do verso. Para melhor lembrá-lo, transcrevo um poema publicado em O Jornal, 26 nov. 1961.
Morreu em 1º de abril de 2000.


l. ruas

a picasso de 1935 a 1946

esta face é irreal
esta face real.
impossível ver as coisas
com olhar horizontal

as linhas se prostituem
muito aquém do objetivo.
e os olhos mal redescobrem
o real tão irreal.

é preciso refazer
esta face ambiguidade
e revelar sem cautela
a nova face total.

olho-fronte
olho-lábio
olho-mão
e coração.

é vão supor ver além
deste ângulo visual
e gerar na tinta o signo
do teu querer paralítico.

cem olhos seriam poucos:
apenas tangenciariam
a carapaça do ser
apenas confundiriam
inda mais a dança frouxa
e alucinada das linhas
que ocultam rosas e crimes.

quanto mais o olhar deslocas
para o queixo
para a testa
para o ventre
mais se envolve o ser-largata
em seu casulo – em ti mesmo
e se conspurca nas cores.

e é parvo teu dom. apenas:
angústia-de-ver cativa
do cárcere-superfície
das linhas limitativas.

sexta-feira, julho 02, 2010

Memorial Amazonense XXVII

JULHO, 2

1908 – Nasceu em Mossoró (RN), Avelino Pereira, filho de Luís Florêncio Pereira e de Josefa Maria da Costa Pereira, casado com Elsa de Sá Peixoto Pereira. Médico pela Faculdade de Medicina da Bahia. Em 3.09.1943, foi contratado para o Serviço de Socorro de Urgência. Envolveu-se na política, mas não exerceu posto político. Ao contrário, foi proprietário do jornal A Gazeta.

Dom Alberto Ramos

1952 – O papa Pio XII, consoante a bula Ob Illud. cria a arquidiocese do Amazonas. Na ocasião, foi empossado o primeiro arcebispo, Dom Alberto Gaudêncio Ramos.


1969 – O Comando Militar da Amazônia (CMA) foi instalado em Manaus (AM), transferido de Belém (PA). Na ocasião, sob o comando do general Rodrigo Otávio Jordão Ramos, conhecido por RO.