CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

sexta-feira, abril 09, 2021

EVOLUÇÃO DO SERVIÇO DE SAÚDE NA PMAM

Já publiquei neste Blog algumas notas sobre o Serviço de Saúde, prestado na Força Policial do Estado. Ano passado, todavia, voltei ao tema com mais disposição, atendendo a sugestão de integrantes do quadro médico. A ideia agora é organizar o registro da evolução do serviço sanitário da corporação, cujo passo inicial ocorreu em 1876.

Com esta postagem, pois, dou partida à retrospectiva que se encontra nos retoques finais para sua divulgação.


Brazão da Diretoria
de Saude

ANTECEDENTES

Nenhuma notícia se alcança sobre esse assunto em vasto período da existência da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), no período que se estende de sua criação, em 1837, até o ano da primeira renovação (1876). A partir deste progresso, reinaugurada como Guarda Policial do Amazonas, encontram-se em seu Arquivo Histórico preciosos dados, tanto sobre quarteis e localização, quanto sobre a administração e o serviço sanitário, assunto que mais interessa nesta retrospectiva. Desse modo, pesquisando nos arquivos mais remotos, encontram-se relatórios presidenciais e de comandantes da corporação, bem como assentamentos pessoais, todos contribuindo fartamente com essa produção.

O mais antigo registro encontrei no Relatório de fevereiro 1884: informa ali o presidente Teodoreto Souto aos parlamentares que, no período, foram exclusos 25 praças. Entre outros motivos, 14 “por incorrigíveis” e sete por incapacidade física. A legislação de antanho não perdoava, o funcionário, o Guarda Policial, que perdesse a capacidade física seria dispensado incontinenti, sem quaisquer direitos. Situação muitíssima distinta de nossos dias.

Há outro registro contemporâneo. Ao transmitir o encargo ao vice-presidente Joaquim Sarmento, Teodoreto Souto sanciona a Lei 679, de 20 de junho de 1884, concedendo “licença por um ano a diversos funcionários públicos”, entre esses, ao Dr. Jonatas de Freitas Pedrosa, “diretor e professor de francês da Escola Normal e médico da Guarda Policial”, adiante governador do Estado (1913-17)

No ano seguinte, ainda registro no relatório presidencial: o tratamento hospitalar era realizado na Santa Casa de Misericórdia. E, de março a julho, acolá foram atendidos 26 praças, tendo falecido dois soldados e um cabo, sem identificação. E mais outro apontamento: em 25 de agosto de 1886 – a concessão de três meses de LTS (Licença para Tratamento da Saúde) “fora da província, ao Dr. Jonatas de Freitas Pedrosa, médico da Guarda.” Para substitui-lo, foi nomeado a 3 de setembro o Dr. Júlio Mário da Serra Freire, que adiante foi substituído pelo Dr. Joaquim Mariano Bayma do Lago. Enfim, a licença do titular foi prorrogada por igual período, em 29 de novembro. 

Dessas ressalvas, pode-se concluir que o atendimento médico na Força Estadual era realizado por clínico contratado entre os raros médicos existentes na província, sem vínculo com a hierarquia. A pequenez da cidade permitia facilmente o atendimento no próprio quartel aos poucos guardas. Lembrando que à época, o quartel da Força ocupava prédios locados, impróprios para a atividade policial, porém, naquilo que existia na temporada.

domingo, abril 04, 2021

POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS: 184 ANOS

Acontece hoje o aniversário da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), completando 184 anos de existência. O grave estado sanitário que enfrentamos, de certo não permitiu ao comando da entidade festejar esse tempo.

Ao registrar esta efeméride, e para brindar o feito, vou repisar as diversas denominações que acometeram a Força Estadual ao longo desse período.

Inaugurado em 1895, foto de álbum 1908


GUARDA POLICIAL - 1837

GUARDA POLICIAL DO AMAZONAS - 1876

CORPO POLICIAL DO AMAZONAS - 1887

BATALHÃO DE POLÍCIA - 1890

BATALHAO MILITAR DE POLÍCIA DO ESTADO - 1891

BATALHÃO MILITAR DE SEGURANÇA DO ESTADO - 1892

REGIMENTO MILITAR DO ESTADO - 1897

BATALHÃO MILITAR DO ESTADO - 1908

BATALHÃO DE SEGURANÇA - 1913

FORÇA POLICIAL DO ESTADO - 1917

POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO AMAZONAS - 1938

FORÇA POLICIAL DO ESTADO - 1940

POLÍCIA MILITAR DO ESTADO - 1947

POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS - 1969

DOMINGO DE PÁSCOA

 Encontrado em seu livro Aparição do clown, apelo ao poema do saudoso padre-poeta L. Ruas (1931-2000) para recomendar a Ressurreição do Senhor, comemorada nesta data festiva para o cristianismo.

vigiai vigiai,

preparai a veste

acendei o círio

acendei a ribalta

ressuscitai as rosas

e aguardai no amor

que o pássaro virá.


Vitral da Igreja do Coração de Jesus -
Brasília-DF


sábado, abril 03, 2021

CLUBE FILATÉLICO DO AMAZONAS (CFA)

 A postagem de hoje pertence ao jovem Adriel França, tão jovem que acaba de receber a convocação para o serviço militar. Encontrei-o nos Correios, abelhudando os colecionadores de selos, porém, com quê entusiasmo. Um ano depois, quando o presidente Jorge Bargas decidiu renunciar, Adriel me estimulou a presidir o Clube Filatélico do Amazonas (CFA). Estou presidente.

Agora, a nossa situação: semelhante a do país, cheia de incertezas e de desequilíbrios. A incerteza pela situação dos Correios, haverá a privatização? Havendo, como fica a estrutura de produção de selos e outros artigos afins? Outra questão superior, a improbabilidade de ainda se enviar correspondências, restando esse privilégio aos filatelistas, obrigados pelas permutas de selos. Ou seja, “ninguém escreve mais ao coronel”, como assegura o cronista.

Estamos tentando nos manter na superfície. Sabido que a comunicação virtual nos domina e nos comanda, basta informar que os leilões de variados objetos, incluídos os selos e as moedas, são diários. Tudo na tela de nosso book ou celular. No entanto, o entusiasmo do articulista Adriel França nos impulsiona. 

Publicado no Jornal do Commercio,
1º abril 2021

 

Possuímos rotinas e afazeres, e sempre a realizar alguma atividade, trabalhando, cumprindo as obrigações do dia, mas, em nossa maioria, sempre temos uma atividade que nos prende e que transformamos em hobby. Ler, caminhar, tocar instrumentos são hobbies. O maior exemplo de lazer pessoal é o ato de colecionar, sejam moedas, selos, carrinhos e até mesmo caixas de fósforos, por sua vez estes colecionadores criam clubes, um lugar ideal para criar amizades e trocar conhecimento.

Poucos foram os clubes sociais criados em Manaus no século 20, que resistiram ao tempo e à modernidade e chegaram ao século 21. Um destes guerreiros do tempo é o Clube Filatélico do Amazonas, um clube de colecionadores de selos e outros objetos, criado em outubro de 1969, há meio século, portanto. Com muitas facilidades para se enviar uma mensagem, as cartas, onde iam os selos, quase não existem mais, apesar de existir ainda milhares de escritores de cartas, como eu. Os selos na carta eram sempre a parte mais legal de ver, depois claro, a mensagem recebida, e essa peça tão pequena, leva em sua arte uma mensagem do seu local de origem, seja uma paisagem, uma personalidade, um fato histórico, e muitas outras variações o que os tomam um itera colecionável de todas as formas.

 

O Clube, que aqui em Manaus se formou, começou a reunir pessoas fascinadas pelo valor cultural que o selo possui. Lembro de meu primeiro selo, ganhei de um funcionário dos Correios. Neste selo vinham algumas obras de William Shakespeare, e até hoje ainda o guardo. Depois de um tempo, conheci o Clube Filatélico do Amazonas, funcionando na época, na parte de trás de uma tradicional agência dos Correios, no Centro de Manaus. Lá fiz novos amigos, mais experientes que eu, em sua maioria jovens senhores de idade, com muito conhecimento para transmitir. Funcionando modestamente, o Clube tem um grande valor cultural para Manaus. Por lá passaram e ainda passam empresários, cônsules de vários países, poetas, artistas, médicos, e outros de grande intelecto desconhecidos em nossa cidade. Em cada reunião do Clube, sempre saem boas conversas, risadas, em algumas vezes, deliciosos lanches os quais os sócios repartem entre si.

Lembro ainda da minha primeira reunião, cercado de conhecimento, uma verdadeira terapia para a alma estressada com as responsabilidades da vida, ambiente agradável, cercado de amigos, trocando selos, contando uma história pessoal, ou mesmo, aprendendo mais sobre a nossa história local, partilhando as novidades, claro, às vezes um deslize, alguém se exalta, mas nada que machuque. Há tantos e tantos clubes e associações em todo o país onde, com certeza, o ambiente é quase o mesmo. A filatelia é amizade, cultura e conhecimento. Quem coleciona selos, tem um pedaço do mundo em sua casa, mesmo nunca tendo viajado para os lugares vistos naquele pequeno objeto de papel.