CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

quinta-feira, dezembro 06, 2012

QUARTA LITERÁRIA: FIM


Renan Freitas Pinto, palestrante
Quase uma centena de aficionados deste movimento, reuniu-se ontem no horário costumeiro. A palestra estava a cargo do doutor Renan Freitas Pinto, que falou sobre a obra Galvez, o imperador do Acre, de Márcio Souza.

Os participantes já sabiam antecipadamente que iriam apreciar a última palestra, pois estava decretado o encerramento da Quarta Literária. Por isso, antes do palestrante, falou o proprietário do Grupo Valer, Isaac Maciel, que sacramentou o réquiem com meias palavras, talvez buscando consolar aos inúmeros frequentadores que, em 14 anos de existência, viam o fim deste empreendimento.
Isaac Maciel, do Grupo Valer

Acenou Maciel com o prosseguimento, mas que este passava por uma reestruturação. Em palavras mais simples: devemos aguardar. Mas, não era isso que os ouvintes queiram ouvir. A turma queria mais e melhor.

Encerrada a sessão, quando se consumia o “chá literário”, a conversa básica era a forma de se manter a QL. Se o movimento estava consolidado, com forma compacta, testada e conhecida, precisava-se apenas de um local para sua reabertura.

Dessa maneira, foram surgindo opiniões, foram catalogados locais no Centro que podem acolher a QL. Como em política, e como as nuvens que mudam de forma abrupta, os apelos podem levar a direção da Valer prosseguir com a Quarta. Prometemos manter a frequência e a divulgação.

Ausente o maior divulgador, Tenório Telles, a noite cultural recebeu dois personagens marcantes: um dos fundadores,  Zemaria Pinto (ao lado),  e o primeiro palestrante, professor Marcos Frederico. Até breve.

terça-feira, dezembro 04, 2012

PRAÇA ANTÔNIO BITTENCOURT

Como todas as praças do Centro Histórico, este logradouro é bem mais conhecido por Praça do Congresso. Situado no alto da avenida Eduardo Ribeiro, em frente ao Instituto de Educação do Amazonas, teve seu traço modificado no governo municipal de Manoel Ribeiro. Nessa ocasião, o trânsito de veículos foi desviado para a rua Monsenhor Coutinho, situação que ainda vigora, a despeito dos reparos implementados pela Secretaria do Estado de Cultura (SEC).

Fragmento de impresso distribuído na inauguração da praça

Mais uma praça que passa ao cargo da SEC que, decisivamente, será conservada. A prefeitura de Manaus com estranheza conserva apenas a Praça da Saudade, porque me parece custou o esforço da atual administração. As demais vão se “fulecar” (de fuleco, o tatu-mascote da Fifa para a Copa 2014).

Mas, de regresso à praça do Congresso, alcunhada dessa maneira a partir de 1942, quando ali foi realizado as cerimonias mais destacadas do 1º Congresso Eucarístico de Manaus, obra de Dom João da Mata, bispo do Amazonas. A festa de inauguração foi importante pelas luzes, pelo colorido dos fogos, pela árvore de Natal e seu vistoso Papai Noel. Não devendo esquecer as bancas de livros usados (sebo).

Serviu igualmente para relembrar a figura de seu patrono oficial, refiro-me ao ex-governador Antônio Bittencourt que,neste dezembro, completa o centenário de seu governo, de modo lamentável, uma administração sempre lembrada pelos atropelos cometidos.

O impresso distribuído pela SEC conta um pouco desse governo. Esqueceu-se de registrar o fato acontecido em 22 de dezembro, quando oficiais da Polícia Militar do Estado, mancomunados com políticos adversários de Bittencourt, promoverão uma rebelião no Estado.

Nesse dia, os amotinados depuseram o comandante, coronel Pedro José de Souza, assumindo o Quartel da Praça da Polícia. Em seguida, constituíram um triunvirato, sob as ordens do coronel Onofre Cidade, que marchou sobre o Palácio do Governador, instalado na Praça de Dom Pedro II, o antigo Paço da Liberdade, sede da prefeitura de Manaus.

O governador Bittencourt desertou, segundo alegou, temeroso por sua vida e de seus familiares. Convocado o vice-governador, desembargador Sá Peixoto, também este seguiu o mesmo caminho. Assim, coube a essa Junta assumir o governo do Amazonas que durou 48 horas de turbulências.

O acontecimento inusitado pode parecer lenda urbana, todavia, encontra-se registrado em jornais e no Diário Oficial do Estado. E, a mestra Etelvina Garcia, ao inventariar os governadores de nosso Estado, registra o triunvirato (coronel José Onofre Cidade, majores João Fragoso Monteiro e Amâncio Clementino Fernandes) na condição de governantes.  

domingo, dezembro 02, 2012

OURO QUEBRADO

Em novembro de 1942, Aldo Moraes, filho do escritor Raymundo Moraes, lançou o livro intitulado Ouro quebrado , publicado em Manaus pela Imprensa Pública, leia-se Diário Oficial. Trata-se de um livro de suas crônicas, que a imprensa local divulgou com entusiasmo. São passados 70 anos.
Capa do livro e o recorte de O Jornal,
Manaus, 8 novembro 1942 (abaixo)


sábado, dezembro 01, 2012

CHÁ DO ARMANDO NO SÁBADO



Armando de Menezes falando
para a Globo e para o mundo
A estranheza desse fato repousa em que o encontro chazista ocorre sempre a partir do entardecer das sextas-feiras. Neste sábado, todavia, pela manhã e na Academia Amazonense de Letras, ocorreu o lançamento do livro O Chá do Armando em prosa e verso. Trata-se de produção literária desta reunião que, além de promover a libação de Black e outros destilados, lança a terceira publicação de sua editora. Quem perdeu o encontro, não imagina o que perdeu de iguarias.

Incluído entre os contumazes chazistas, colaborei com a crônica intitulada -- Antes do Chá do Armando

Antes que uma nuvem mais espessa me faça esquecer essa lembrança, quero registrá-la nesta retrospectiva. As primeiras libações com a matéria-prima que depois ganharia até páginas literárias ocorreram no Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, daqui para frente, IGHA ou Casa de Bernardo Ramos. Tudo começou quando, no 00 da virada do século, o então presidente, sócio Arlindo Porto, autorizou-me a organizar o acervo do Instituto que se encontrava desarrumado em decorrência da restauração do prédio.
 
O Salão do Pensamento Amazônico enquanto chegam
os chazistas, que foi um recorde de público
Tomei o encargo e consegui com o auxílio irrestrito de colegas dessa Casa e da chefia da Secretaria de Cultura, devo proclamar, satisfazer a incumbência. A descrição desse feito entremostra-se no texto bondoso e doce do mestre Armando de Menezes, com o título de Ascenção cultural, lavrado e registrado na Revista 24 da Academia Amazonense de Letras (2002).

Dissertando sobre associações operantes, nosso paraninfo das sextas-feiras relatava: “muito natural que transitaram por variáveis de atuação, nestes últimos anos marcaram, como ainda registram um portentoso desempenho intelectual.” E seguiu lembrando o desempenho do IGHA. Arlindo Porto conseguiu restaurar o prédio. Robério Braga recuperou o acervo geral. E depois de citar outros correligionários, louvava “o coronel Roberto Mendonça e o bibliotecário Geraldo Xavier dos Anjos, preparados e incansáveis pesquisadores da história amazonense, com elogiável atuação na reorganização do Museu e da Biblioteca (...) da Casa de Bernardo Ramos”. Obrigado, meu padrinho.

Vou repassar um pouco mais. A Ascenção de Menezes propala um tempo primoroso que a abertura do século, coincidentemente, infiltrou nos dois maiores institutos culturais do Estado. Tanto o IGHA quanto a AAL empreenderam iniciativas renovadoras. Esta, no discernimento de sua chefia, quando reconstruiu seus quadros e escancarou o futuro salão do Pensamento Amazônico para acolher a cultura popular, seduzindo aos estudantes, preferencialmente. Enfim, para amplo regozijo, essa renovação ainda se sustenta.

No IGHA, a passagem pôs-se em marcha com a restauração do edifício. A seguir, ocorreu a catalogação do acervo e, finalmente, a Casa também escancarou suas portas (literalmente) para a consulta aos seus vastos recursos. Enquanto isso ampliou seu patrimônio adquirindo um imóvel centenário. Nesse diapasão, viajava para um salto de qualidade... Pena que tenha ficado pelo caminho, afinal, “No caminho tinha uma pedra.”

(A minha mais dura refrega foi contra a restauração da biblioteca Ramayana de Chevalier. Os livros e outros elementos afins, amontoados de qualquer modo, submetidos aos respingos de tinta, a extrema poeira e outros inimigos dos livros, jaziam (isso mesmo!) em um salão. Adaptei um processo de recuperação e, sendo bem sucedido, soergui a biblioteca que, na opinião de técnicos, estava irrecuperável, condenada.) Ao menos, não toquei fogo nos livros!

Então tá. Depois de árduo trabalho, em que a limpa exigiu revirar todos os cantos do edifício, preparei uma sala existente na ilharga do museu. Nesse recinto, refrigerado, a diretoria passou a se reunir, no meado de 2000. Com o avançar das reuniões, com a presença maior de associados, estas foram se encorpando. Daí veio a sugestão de que a reunião se realizasse às sextas-feiras, ao final da tarde. E assim se passaram alguns encontros.

Até que, conversa vai conversa vem, nada melhor que para isso “molhar a garganta”. Assim, encerrada a sessão, foi servido um uísque, oferta do ighano Armando de Menezes, com os aperitivos fornecidos pela direção da Casa. Depois, como as finanças do Instituto apresentavam-se robustas, Humberto Figliuolo, o tesoureiro, engendrou um café regional. Era mais que regional, era uma fartura.

Bom, as reuniões da diretoria prosseguiram com o mesmo dispositivo, tornando corriqueiro o uísque do Armando. Mas,  a mudança da direção do IGHA, modificou esse calendário. As reuniões se tornaram ralas, não mais acolhendo uma plateia condizente.

Até aqui falei de “um pouco antes“ do Chá do Armando, sacrossanto privilégio, batizado acidentalmente com este codinome na própria Academia de Letras, e pelo próprio presidente Max Carphentier, onde se abrigou ao sair do IGHA. Até me lembro de uma presepada que aprontei, creio que em 2003. Em meu aniversário (17 de junho) fiz chegar ao encontro um bolo acompanhado de um cartão, que simulava ter sido oferta de minha consorte (uma das). Tá lembrado, mecenas Armando? Se não, vou anexar a foto.

Espero com esta lembrança ter contribuído com o propósito de escrever um pouco dessa história. Fatos que me interessa, especialmente porque desvendei que eu estava presente ao pontapé inicial. Ou, diria melhor, aos fartos pontapés.

Enquanto aguardo o barman Sérgio Luiz abrir com devoção a milésima garrafa de Black, aqui vai “o além depois”, copiando o saudoso mestre Samuel Benchimol. O Armando tea´s prossegue servindo em todas (salvo a sexta-feira santa) sextas-feiras, em algum canto da bem querida Manaus.