CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

domingo, novembro 01, 2026

POESIA DOMINICAL (25)

A arte deste domingo é de autoria do saudodo José das Graças Barros de Carvalho (foto) -  que foi advogado, poeta, jornalista, procurador do Estado do Amazonas até 1998; professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal e membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA). Nascido em Manaus, aqui faleceu em novembro de 2020, vítima da Covid-19. 


 

Circulado no Jornal do Commercio, 08 março 1970

 

Banana não ne [é] mercado de prata

assim como o mar não é de ferro.

É triste a chuva de papel sem pauta

que molha o povo brasileiro.

O papel em que escrevo o futuro

esteve dormindo na floresta.

Mas o povo não se cansa de amar

a vida de vidro que vive sorrindo.

O jornalista trouxe do Palácio a notícia

que o operário mordeu na face do domingo.

No Parlamento brasileiro não há pássaros

ensinando os congressistas.

O estudante vinha sobre o rio Negro

quando a tarde se despiu sobre a cidade;

não houve nenhuma flor capaz de transformar

em jardim a sujeira da Praia do Mercado.

Nasceram angústias na filosofia de Copacabana

em noites cariocas que inflamaram a Noção.

Esta é uma lição tirada da pedra

de João Cabral de Mello Neto

sábado, outubro 31, 2026

MANECÃO - TRANSPORTE COLETIVO

 No aniversário da cidade – há quarenta anos, quando Manoel Ribeiro ocupava o cargo de prefeito de Manaus, foi revelada uma evolução no transporte coletivo. Ao lado do governador Mestrinho, o prefeito mostrou aos usuários o novo modelo de transporte, batizado de Manecão, em razão do seu tamanho e do nome do alcaide. Era um ônibus puxado por um cavalo mecânico, aquém das normas vigentes até então. Pouco após a apresentação, surgiu a curiosidade sobre a origem da ideia e do prazo de validade: vou consultar meu amigo Ed Lincon a respeito.

Em função do festejo – 24 de outubro de 1986 –, o jornal A Crítica circulou em edição especial, de onde retirei as fotos.




sexta-feira, outubro 30, 2026

BAIXA DA ÉGUA (EDUCANDOS)

Nasci naquele bairro, assim posso testemunhar a situação da ladeira que o popular apelidou de "Baixa da Égua", mas não sei explicar este codinome. Como a via era utilizada apenas pelos poucos ônibus de madeira, não havia  reclamação de urgência. Todavia, o barranco foi-se deteriorando, ruindo, em direção ao rio Negro, há 50 anos!. Até que caiu de uma vez... e, por isso, veio a publicação do jornal. 

Reportagem de A Crítica, 17 abril 1975

O barranco localizado na Rua Boulevard Rio Negro (Baixa da Égua) Bairro de Educandos — continua desabando e levando sério perigo aos moradores das proximidades, que ontem abandonaram suas casas em pânico com a queda de uma avalancha.

A rua Boulevard Rio Negro ficou repleta de curiosos assistindo a queda do barranco que cada vez mais aproxima-se das casas ameaçando derrubá-las, caso ocorra nestes dias um forte temporal. Disseram os moradores que as chuvas caídas sobre Manaus, provocam o desmoronamento da “Baixa da Égua”: que se alastra e ninguém toma uma providência para evitar a sequência do perigo.

PÂNICO - Ontem, quando os moradores da rua Boulevard Rio Negro almoçavam foram alertados por um barulho estarrecedor: Era mais uma avalancha de terra que caía diluindo-se nas águas da Beira Mar do bairro de Educandos. A terra começou a quebrar e os mora dores em pânico correram se distanciando do local.  Com a queda da avalancha, a terra partiu e se desabar um temporal demorado, possivelmente destruirá a “Baixa da Égua”, por muito tempo esquecida pelas autoridades municipais, que não procuraram solucionar o problema há tempos — Do jeito quo vai não poderemos mais dormir sossegados, disse dona Maria Chaves. “Já pensou se esse barranco desabar mesmo com vontade, não vai dar tempo de qualquer pessoa escapar. Isso eu garanto”.