CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

domingo, novembro 01, 2026

POESIA DOMINICAL (25)

A arte deste domingo é de autoria do saudodo José das Graças Barros de Carvalho (foto) -  que foi advogado, poeta, jornalista, procurador do Estado do Amazonas até 1998; professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal e membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA). Nascido em Manaus, aqui faleceu em novembro de 2020, vítima da Covid-19. 


 

Circulado no Jornal do Commercio, 08 março 1970

 

Banana não ne [é] mercado de prata

assim como o mar não é de ferro.

É triste a chuva de papel sem pauta

que molha o povo brasileiro.

O papel em que escrevo o futuro

esteve dormindo na floresta.

Mas o povo não se cansa de amar

a vida de vidro que vive sorrindo.

O jornalista trouxe do Palácio a notícia

que o operário mordeu na face do domingo.

No Parlamento brasileiro não há pássaros

ensinando os congressistas.

O estudante vinha sobre o rio Negro

quando a tarde se despiu sobre a cidade;

não houve nenhuma flor capaz de transformar

em jardim a sujeira da Praia do Mercado.

Nasceram angústias na filosofia de Copacabana

em noites cariocas que inflamaram a Noção.

Esta é uma lição tirada da pedra

de João Cabral de Mello Neto

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