A arte deste domingo é de autoria do saudodo José das Graças Barros de Carvalho (foto) - que foi advogado, poeta, jornalista, procurador do Estado do Amazonas até 1998; professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal e membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA). Nascido em Manaus, aqui faleceu em novembro de 2020, vítima da Covid-19.
| Circulado no Jornal do Commercio, 08 março 1970 |
Banana não ne [é] mercado de prata
assim como o mar não é de ferro.
É triste a chuva de papel sem pauta
que molha o povo brasileiro.
O papel em que escrevo o futuro
esteve dormindo na floresta.
Mas o povo não se cansa de amar
a vida de vidro que vive sorrindo.
O jornalista trouxe do Palácio a notícia
que o operário mordeu na face do domingo.
No Parlamento brasileiro não há pássaros
ensinando os congressistas.
O estudante vinha sobre o rio Negro
quando a tarde se despiu sobre a cidade;
não houve nenhuma flor capaz de transformar
em jardim a sujeira da Praia do Mercado.
Nasceram angústias na filosofia de Copacabana
em noites cariocas que inflamaram a Noção.
Esta é uma lição tirada da pedra
de João Cabral de Mello Neto

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