CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sábado, março 26, 2016

CENTENÁRIO DO IGHA: NOTAS (6)


Sede do IGHA, março 1996 
Este Instituto, inaugurado em 1917, seis anos depois empenhou-se nas comemorações do 1º Centenário da Independência do Brasil que, no Amazonas, possui data bem diferenciada. Ao que tudo indica, a pretensão do IGHA foi acolhida, e a Praça 9 de Novembro foi implantada e conservada.

Todavia, há mais de dez anos desapareceu, pois, em seu lugar restam somente tapumes aplicados pela Prefeitura de Manaus. Resta lembrar que este abandono já consumiu três governos municipais: Serafim Correa, Amazonino Mendes e, em final de mandato, Arthur Neto.


Ofício do IGHA (*)

Ofício de 8 do corrente, do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, o qual, a requerimento do Sr. Intendente Marçal Ferreira, transcreve-se na ata:

Exmo. Sr. Dr. Presidente e demais membros do Conselho Municipal de Manaus.
Este Instituto empenha-se em dar realce às comemorações, que se projetam, para o dia 9 de novembro próximo, 1º centenário da adesão do Amazonas à Independência Nacional, bem assim o momento em que ergue o lábaro da sua autonomia, como parte integrante da nova e esperançosa nacionalidade.

Trata-se de uma data a que não podem ser indiferentes todos os bons amigos desta terra, pois assinala um evento importantíssimo da nossa evolução política, porque tanto se bateram os nossos maiores. Os predicamentos de liberdade, que hoje gozamos, foram obra sua. Seus nomes não devem ficar esquecidos, no meio das homenagens que se vão tributar ao nosso passado.

Seria uma falta de civismo deixar no olvido as nossas efemérides queridas, que são as provas do nosso orgulho e o sinal das nossas expansões de gente civilizada.

O Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, desejando concorrer para a exaltação de uma data tão significativa para nós, resolveu, em sessão de ontem, fazer um apelo à V. Exas., no sentido de substituir o nome da atual praça Tamandaré pelo de “9 de Novembro”, passando a dar o nome daquele ilustre e denodado almirante à rua que está designada de Tenreiro Aranha.
Não desaparecerá, da nossa urbe, o nome do primeiro Presidente do Amazonas, pois já tem uma praça a lembrá-lo, além do monumento em bronze que, ali, a nossa gratidão fez implantar. Não há necessidade de duas denominações idênticas, dentro de Manaus.

Não desaparecerá o nome de Tenreiro Aranha, e ficará perpetuado, como um padrão de civismo, o dia 9 de Novembro.

O Instituto não se contenta, somente, com este alvitre: pede ainda permissão para inculcar no patriotismo de V. Exa. a ideia de um monumento comemorativo, na aludida praça, porque foi exatamente nesse local que se proclamou, há um século, a autonomia da Amazônia, pela voz dos defensores da sua liberdade.

E' este o respeitoso apelo, que faz ao Poder Legislativo da cidade, certo da sua benemérita interferência nessa solidariedade de espirito e de coração do Povo Amazonense.

Aproveitamos o ensejo, em nome do Instituto, para saudar a V. Exa. e patentear nosso mais alto apreço e subida estima.

(aa) Bernardo de Azevedo da Silva Ramos, Presidente
Agnello Bittencourt, 1º Secretario.  

(*) Diário Oficial do Estado, 9 out. 1923

sábado, janeiro 01, 2011

Antigos e novos governantes

Janeiro, 1º

1852 – Instalação, em Manaus, da Província do Amazonas, com a posse do primeiro presidente, João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha.

1853 – A barca Marajó, da Companhia de Comércio e Navegação do Amazonas, constituída pelo barão de Mauá, deixa Belém em direção a Barra (hoje Manaus), aqui chegando após dez dias e dezesseis horas de viagem.

1874 – Lançamento da pedra fundamental do Paço Municipal, hoje a “velha” sede da Prefeitura de Manaus. Onde em 1880 foi instalada a sede do Palácio do Governo provincial, “alugado por quatro contos de réis anuais”. No governo de Constantino Nery (1904-07), este edifício recebeu ampliação. Ali esteve a sede do governo estadual até 1917, quando foi transferida para o Palácio Rio Negro, sendo governador Pedro de Alcantara Bacellar.

1876 – Entra em circulação o semanário A Foz do Madeira, em Itacoatiara (AM), o segundo jornal daquela cidade.

1913 – Jonathas de Freitas Pedrosa, médico nascido na Bahia, foi empossado no governo do Estado. Quatro anos depois, Pedro de Alcântara Bacellar, também médico, também baiano, assumiu o governo do Amazonas.

1918 – Fundação da Academia Amazonense de Letras, sob a presidência de Araújo Lima, contando com Péricles Moraes (primeiro presidente) e José Chevalier, entre outros. A data da fundação vem sendo questionada pelo acadêmico Zemaria Pinto. Para este, a data correta é 9 de janeiro, consoante comprova em publicação inserida na Revista da Academia nº 29, dez. 2010.

1921 – César do Rego Monteiro tomou posse no Poder Executivo. Nascido no Piauí, graduou-se pela Faculdade de Direito do Recife. No Amazonas, foi desembargador e presidente do Tribunal de Justiça entre 1899-1901. O encerramento de seu mandato governamental foi antecipado pela rebelião de Ribeiro Júnior (23 jul. 1924).

1926 – Tomam posse no governo do Estado, Ephigenio Salles, natural de Minas Gerais, e, na prefeitura de Manaus, José Francisco de Araújo Lima.

1930 – Dorval Pires Porto foi empossado na chefia do Poder Executivo. Nascido no Rio Grande do Sul, bacharel em Direito, havia sido Prefeito de Manaus e deputado federal pelo Amazonas. Dorval Porto, no entanto, manteve-se no poder por exatos nove meses, devido o desfecho da revolução de Getúlio Vargas.

1949 – Instalada em Manaus, a Delegacia Regional do SESI, sediada na esquina da avenida Getúlio Vargas com a rua Ramos Ferreira.Hoje tem sede própria na rua Henrique Martins e oferece serviços em outros endereços.

1951 – A Companhia de Bombeiros passa a subordinação da Prefeitura de Manaus, ainda que ocupante de dependência do Quartel da Praça da Polícia, com entrada pela rua José Paranaguá. O comandante interino era Isidoro Castilho, 1º tenente da Polícia Militar, com efetivo de 20 abnegados “soldados do fogo”.
Plinio Coelho

1958 – Criada a Faculdade de Ciências Econômicas (FCE), por iniciativa do governador Plínio Ramos Coelho. A despeito do proceder ao vestibular, com aprovação de nove alunos, nada disso possuía validade, pois a Casa de Ensino não recebera a necessária aprovação do Ministério da Educação e Cultura (MEC). Somente em 2 maio 1958 ocorreu a sessão de instalação em dependência do Instituto de Educação do Amazonas (IEA), sob a presidência do cônego Pedro Mottais. A formatura da primeira turma de economistas sucedeu em 23 dez.1961, no Teatro Amazonas. Em nossos dias, a FCE está integrada a Universidade Federal do Amazonas.

1966 – Álvaro Botelho Maia assumiu a presidência da Academia Amazonense de Letras, nela permanecendo até 28 de novembro do mesmo ano.

1999 – Amazonino Armando Mendes, governador reeleito, retoma a data para a posse do chefe do Poder Executivo, como ainda vem sendo mantida.

2003 – Carlos Eduardo de Souza Braga assume o mandato de governador do Estado.
Omar Aziz (à esq.) e Eduardo Braga, 2010
2005 – Serafim Fernandes Corrêa, do Partido Social Brasileiro, e Mario Frota, eleitos pela oposição, tomam posse como Prefeito e Vice de Manaus, respectivamente.
Amazonino Mendes, 2010

2009 – Amazonino Armando Mendes, do Partido Trabalhista Brasileiro, e Carlos Souza, do Partido Popular, como vice, assumem a Prefeitura de Manaus.

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Economistas do ano

Não sei de fato o dia, sei apenas que o jornal de 20 de dezembro publicou. Muito comum a época, quando os valores ainda permitiam uma publicação, o matutino dos Archer Pinto encheu uma página com os novos Economistas de 1970. São passados quarenta anos.

Recolhi daquela página apenas quatro nomes e fotos. Perdão pelo descuido, mas a dica está completa.

Montagem do quadro de formandos. Jornal do Commercio, Manaus, 20 dez. 1970
Inicio por um que não seguiu a carreira: Moacir Couto de Andrade, o nosso conhecido artista plástico e homem de letras. Ainda recentemente, em conversa, ele fez questão de lembrar a conclusão deste curso superior. Também sua mais recente biógrafa, ressaltou o recebimento do diploma.
Hoje, Moacir Andrade pertence a alguns institutos históricos, e com destaque a Academia de Letras amazonense. Segue lutando pela saúde e distribuindo cores em quadros de alcance internacional.


Serafim Corrêa, 2010
Serafim Corrêa é outro nome contemplado. Homem afeito a luta profissional, exerceu suas atividades na Receita Federal. Depois, engajado na política, elegeu-se vereador e prefeito de Manaus. Segue oferecendo seus conhecimentos pela internet.


O terceiro é o Isper Abrahim, atual secretário de Fazenda do Estado. Economista dos quadros da Prefeitura de Manaus, onde exerceu diversas funções de realce, até ser levado para a Fazenda estadual


Enfim, Edmilson Melo de Oliveira, irmão de Aluisio meu colega no Seminário São José. Aliás, pertencentes a uma família católica lá de São Raimundo, tivemos o prazer de conviver por alguns anos. Exerceu a função de fiscal da Secretaria da Fazenda.

sábado, agosto 21, 2010

Prefeitura de Manaus

Durou muito pouco - somente o mandato de Serafim Corrêa - para que um "dístico" espetaculoso (nem sempre bem entendido) viesse marcar as ações da Prefeitura de Manaus: VOCÊ MERECE UMA CIDADE MELHOR.
Para recordar: Serafim optou pela marca do Brasão municipal, que apesar da neutralidade, ainda houve quem sentisse um ranço português no símbolo. Para reforçar a ideia, o ex-governador Eduardo Braga optou pela Bandeira do Amazonas, esquecida, enganosa, para alguns. Na verdade, nenhum pouco conhecida, salvo a partir da inauguração do Parque Jefferson Peres, onde ela tremula, claro, ao vento artificial produzido pela indústria.

Agora, vem a Prefeitura de Manaus prometendo a cidade que nos merecemos. Então tá. Vou aqui mostrar uns detalhes que podem ser facilmente consertados.
Até breve, Manaus.
Avenida Eduardo Ribeiro

Avenida Getúlio Vargas

Avenida Sete de Setembro

Cemitério São João Batista

sábado, agosto 14, 2010

Deu no Jornal do Commercio IV

São três memoráveis cidadãos, competentes no fazer, cada qual no seu pedaço. Encontrei-os num dia aziago - 13 de agosto de 1971, desconhecendo se era sexta-feira, tal como ocorreu ontem, quando brindamos aos oitentanos do poeta Jorge Tufic.
Localizei a trindade nas páginas amareladas do Jornal do Commercio, em uma das tantas pesquisas que realizo, também não sei bem pra quê.

Em ordem alfabetica: Aldísio Filgueiras, jornalista e poeta e imortal. Se não for nessa linha, me perdõe, pois sei que o "poetinha" saca muito mais, parceria de teatro e outros Dessana, dessana.
A foto de jornal é uma droga, mas, um detalhe sobressai. O registro de uma fã diante da exuberante figura, realizado a Bic no salão de leitura da biblioteca: Aldísio, meu amor.

Aldísio Filgueiras

Outro é Joaquim Marinho, do cinema, da filatelia, do rádio. Tem mais outras atividades, mas hoje a idade e o peso vêm lhe tomando o tempo e restringindo até "aquela" busca incessante.
Que bonito, Marinho de óculos, com vasta cabeleira e pouca calva, e um ar de que "tudo está no seu lugar".

Joaquim Marinho

O terceiro é o Serafim Corrêa (foto), da política e da política. Quando da foto, dedicava-se à Receita e a escola. Apesar da pose de pensador, há um instrumento em sua frente destoando: uma faca. Há como ver, ou estou enganado?  O detalhe estimulou a publicidade.