FASCÍCULO 9
O ano de 1970 ficou marcado pelo tricampeonato do Brasil no futebol e, em Manaus, pela inauguração do estádio Vivaldo Lima (Vivaldão), evento que contou com a presença da delegação brasileira em preparação para o México. No início do ano levei a filha Valeria para “receber a benção” do avô Manuel e, com esse gesto simples, consegui restabelecer a harmonia familiar; foi alegria em dobro. A situação financeira na casa do meu pai não era boa, em função do encargo de sustentar quatro filhos menores e um adolescente – Renato, que já trabalhava. Meu outro irmão – Antonio, havia se fixado em Santos e, com a situação organizada, viabilizou a mudança da família para o Sul ao final do ano.
| Vivaldão, na inauguração - 1970 e em 2004👇 |
Eu seguia na chefia da Tesouraria da Força, função que me oportunizava generosos presentes, amizades agradáveis e certo conforto no lar. O quartel, ainda situado na Praça, tornava-se cada vez pequeno para o número de policiais cuja incorporação agora passava a interessar à coletividade. Havia, no entanto, um detalhe: serviam à instituição, mas mantinham atenção nas indústrias da Zona Franca que vinham se instalando no Distrito Industrial. A Força seguia ampliando-se como ocorreu com a criação do segundo batalhão, para cuidar dos destacamentos interioranos, igualmente acontecia com o comércio na área central. Esse movimento atraia turistas de todo o país pelas novidades importadas, atração que os cursos policiais desde então incluíam no currículo como “viagem de estudos” a Manaus.
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| Formatura no BEASA - 1971 |
A inauguração do estádio Vivaldo Lima, o Vivaldão (demolido para a Copa de 2018), ocorreu em 5 de abril de 1970. Naquele dia, Manaus assistiu a dupla apresentação da seleção nacional, mesclada com jogadores locais. A seleção ficou hospedada no Centro de Treinamento Maromba, hoje pertencente à arquidiocese de Manaus. O estádio ainda estava em construção, razão pela qual os torcedores preocuparam-se em chegar cedo, a fim de alcançar algum lugar. Havia necessidade de levar algum alimento, pois no local tudo era improvisado e, se alguém deixasse o lugar por algum motivo, era improvável retomá-lo. Todavia, valeu todo o sacrifício, asseguro, pois presenciei na arquibancada ao lado da esposa. No dia de São Pedro ocorreu o final da Copa, no México; os colegas do quartel decidiram ouvir – ainda não havia TV em Manaus – a partida no balneário do senhor Mário, proprietário da firma S. Monteiro, em seu balneário no km 22 da atual rodovia AM-010. A festa seguiu bem até o final do primeiro tempo; no segundo, como a atuação do Brasil prometia vencer, a turma retornou à cidade para se incorporar à festança geral.
Iniciei a conversação com o Antonio articulando a mudança da família para Santos, a mim tocou fornecer o transporte. A ideia foi prontamente acordada com a família, apesar do pouco entusiasmo de meu pai; Dona Dora – a mãe – foi a artífice dessa epopeia, que se iniciou em dezembro, quando ela viajou com os filhos mais jovens: Luiz (8 anos) e Ricardo (6 anos). Ainda hoje me penitencio por não adquirir passagens comerciais para este grupo de familiares; à vista de minha proximidade com a Base Aérea consegui vagas em avião da FAB, ignorando ser a primeira viagem aérea de Dona, com o inconveniente do voo encerrar no Galeão e o Antonio trabalhar em São Paulo. Os vários inconvenientes teriam espantado a muitos, enfim, a viagem foi uma fortuna.
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| 1º aniversário da Valeria - 1970 |
Antecipando o Natal, festejei o 1º aniversário da Valeria, reunindo amigos e parentes na residência da família. Com a mudança de parte dos irmãos junto com a mãe, a presença da família foi mínima. Lamento registrar que os transtornos da vida me fizeram ausente, de modo que somente voltei a participar dos 50 anos desta filha, comemorados em Brasília. Logo em janeiro, os manos Zemanuel e Miguel (12 e 11 anos, respectivamente) viajaram pela empresa aérea VASP, na inauguração de nova linha entre Manaus e São Paulo. E, após igual período, embarquei meu pai na mesma empresa, assim concluindo a mudança da família. A casa em Manaus ficou entregue ao Renato, que cursava o NPOR (Núcleo de Preparação de Oficiais da reserva) e iniciava o ensino superior.


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