CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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terça-feira, agosto 21, 2012

A Imprensa no Amazonas



Lançado em Manaus, em 1908
Em 1908, na celebração do primeiro centenário da imprensa no Brasil, o Amazonas participou de maneira exemplar, brilhante. A comissão composta do bacharel João Batista (JB) Faria e Souza e do acadêmico Alcides Bahia concretizou um trabalho modelar. Além do material exposto na Capital Federal, constituído dos exemplares de jornais editados em Manaus que, asseguram, constituía a coleção do bacharel JB e, posteriormente, adquirido pelo governo e incorporado ao acervo do IGHA, também foi publicado um livro.

Editado sob os auspícios do governo do Estado, que então desfrutava das benesses da exportação da hevea, a publicação – A Imprensa no Amazonas –1851-1908 (Manaus: Tipografia da Imprensa Oficial) veio a público em generoso trabalho gráfico. Apresenta capa dura, a cores, e o miolo em papel cuchê, tanto que o exemplar que conheci apresenta-se em primorosa condição.

Duas palavras sobre os jornais destinados ao Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA). Estão sem condições de uso, primeiro, porque compreendemos que o papel de jornal não oferece muitos recursos. Segundo, aliado a isso, a má conservação facilitou o estrago de inúmeros deles. Todavia, agora surge uma boa notícia: a Fundação Biblioteca Nacional (www.bn.br) já expõe em seu site parte desse material. Para encurtar a conversar, o primeiro jornal circulado na província amazonense, Cinco de Setembro, lá se encontra.

Mais cem anos adiante, ou seja, em 2008, o saudoso acadêmico e professor da Ufam, Narciso Lobo, intentou executar um novo trabalho sobre a Imprensa no Amazonas, para saudar o segundo centenário brasileiro. Não conseguiu, apesar das tratativas e, especialmente, das aspirações... Estive envolvido no projeto, objetivava redigir acerca da trajetória do Diário Oficial, criado em 1893, porém, não deu...

Aproveito o ensejo para reproduzir parcela do livro do primeiro centenário. 

Resumo histórico
     

Alcides Bahia
Realizou-se em 5 de setembro de 1850 a mais cara das aspirações dos habitantes do Amazonas, com a promulgação da lei que constituiu este território em província do Império. Coube a honra de ser o instalador da província ao maior batalhador pela realização dessa ideia, o pranteado Joao Baptista de Figueiredo Tenreiro Aranha, a quem o Amazonas deve inolvidáveis serviços.

O amor que votava a esta terra, que ele desejava ver próspera e engrandecida fê-lo, antes de partir de Belém, para tomar posse do governo, convidar vários de seus amigos que residiam naquela capital para auxiliarem-no na administração da incipiente província.

No número dos que acederam ao convite de Tenreiro Aranha contou-se o Sr. Manoel da Silva Ramos, que era hábil artista, empregado na grande oficina tipográfica de Honório José dos Santos, em Belém, o qual partira antes mesmo da vinda de Tenreiro Aranha.

Cercando-se destes amigos, este pensava, e pensava bem, que a atividade dos que o acompanhassem poderia ser de muito bom proveito ao Amazonas, onde tudo quase estava por fazer, já no desenvolvimento de algumas iniciativas, já no estabelecimento de outras que a província carecesse.

Silva Ramos chegando à então cidade da Barra, hoje Manaus, montou a tipografia em que imprimiu  o primeiro periódico publicado no Amazonas. Foi assim, portanto, fundada a Imprensa no Amazonas, cuja folha tinha a denominação de Cinco de Setembro e veio à luz da publicidade a 3 de maio de 1851, alguns meses antes da instalação da província.

Pode-se dizer, portanto, que a Imprensa no Amazonas nasceu com a sua autonomia política. (segue) 

Catálogo geral (1851-1889) 

1851 

CINCO DE SETEMBRO
Apareceu o 1º número em 3 de maio de 1851. Depois da inauguração da província tomou o título de Estrella do Amazonas (7 de janeiro de 1852). Era seu proprietário o Sr. Manoel da Silva Ramos.

O Cinco de Setembro foi o primeiro periódico que se publicou em território da província do Amazonas, na cidade da Barra do Rio Negro, hoje Manaus. 

1852

ESTRELLA DO AMAZONAS
O 1º número deste periódico tem a data de 7 de janeiro de 1852 e o seu editorial desse dia é assim concebido:
Havendo o patriotismo dos Representantes da Nação presenteado o povo amazonense com a lei nº 582, de 5 de setembro de 1850, tomamo-la para título de nosso periódico; mas agora, que, com a posse do Exmo. Sr. Presidente Aranha e a instalação da província, uma nova Estrela apareceu no diadema imperial, para, sem inveja das demais enriquecê-lo., entendemos dever mudar o título desta folha para o de Estrella do Amazonas. A nossa marcha será a mesma que até agora temos seguido; esforçando-nos quanto em nossas forças couber para tornar instrutivas e úteis as publicações que fizemos.

Contamos com a coadjuvação dos briosos amazonenses e esperamos merecer a mais alta proteção do Exmo. Governo da Província, sem a qual não podemos continuar.
Valha isso de prospecto ou de aviso. 

A Estrella do Amazonas viveu até 30 de junho de 1866, data de seu último número (138).
Tendo falecido o seu segundo proprietário, Francisco José da Silva Ramos, a 28 de outubro de 1865, o Sr. Pedro Celestino da Silva Ramos aceitou o encargo de editor e responsável da Estrella do Amazonas, sendo seu impressor Olympio Symfronio da Silva Ramos e depois Manoel José Zuany de Azevedo.
Liquidados os negócios relativos ao espólio de Silva Ramos, foi a tipografia da Estrella do Amazonas arrematada, passando a pertencer a Antônio Cunha Mendes, que mudou o título deste jornal para O Amazonas, em 9 de julho de 1866. (segue)

terça-feira, maio 31, 2011

Aviação amazonense no Diário Oficial

Sempre que alguém me pede orientação sobre canais de pesquisa, indico o Diário Oficial do Estado (DOE). E sempre vejo surpresa no interlocutor. Mas, o Diário Oficial? Aquele que publica somente os atos administrativos dos três poderes e seus agregados?

Bem, em nossos dias acontece isso mesmo, porém, anteontem na história de nosso Estado o órgão oficial relatava inúmeros fatos. Houve um período em que o DOE circulava aos domingos, como qualquer outro periódico. Vendido nas bancas, com publicidade e coluna social.
Houve momento em que descrevia os acontecimentos mais destacados de nossa história. Também publicou anexo literário, divulgando nossos artistas das letras e da ilustração.

Obviamente, todos esses detalhes interessam aos pesquisadores contemporâneos. Para ilustrar esses enfoques, vou reproduzir duas informações, concernentes a aviação em Manaus.
Pela ordem, falo primeiro do Aeroclube. Nascido com o nome de Aéro Clube do Amazonas (ACA), com incentivo financeiro do interventor Álvaro Maia, cujo governo “doou à promissora instituição um aparelho da marca Funk”. Informa ainda mais este periódico: “Aéro-Transporte do Amazonas é uma organização que contribuirá com o esforço de guerra, ligando Manaus aos núcleos mais distantes da hinterlândia. A Interventoria Federal adquiriu duzentas ações da ATA, no valor de Cr$ 200.000,00”.
Diário Oficial do Estado. Manaus, 14 nov. 1942
Assim começou o Aeroclube do Amazonas, em plena Segunda Guerra. Segue evoluindo, modernizando-se, em benefício de tantos, não somente do interior do Estado.

A outra, diz respeito à construção da Base Aérea de Manaus. Em 13 de março de 1944, o DOE publicava na primeira página a matéria: A Futura Base Aérea de Manaus.
E prosseguiu: Em fevereiro passado esteve em Manaus o Dr. Salgado Filho, titular da pasta da Aeronáutica. O ilustre ministro estudou os nossos problemas e prometeu, dentro de seu setor de atividade e administração, uma série de iniciativas e providências louváveis e úteis, condicionadas ao incremento do transporte comercial pelos céus do Amazonas e a dotação, a essa área imensa, de um equipamento de defesa aérea capaz de assegurar as necessidades da defesa nacional do Vale.
Montagem sobre Diário Oficial do Estado.
Manaus, 13 mar. 1944
Quisera que o esforço feito para dotar Manaus de uma Base Aérea Militar e uma rota segura para o transporte aéreo eficiente – registrou o ministro Salgado Filho – fossem fatores práticos para a garantia de sua integridade territorial e o seu desenvolvimento econômico.

A gravura que estampamos documenta a envergadura do empreendimento: Essas custosas e modernas instalações serão erguidas em local estratégico com técnicos e numerário nacionais. A Base Aérea de Manaus aí está. As suas obras serão iniciadas dentro em breve, sob a superintendência do coronel Ivo Borges, comandante da 8ª Zona Aérea.