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| Violeta Branca, 1939 |
Compreendo o empenho da respeitada imortal na divulgação da obra vanguardista, da vida marcante de Violeta Branca. Também eu tento manter acesa a chama da lembrança de outro poeta, engolido pelo esquecimento. Cuido de padre Luiz Ruas ou mais semplesmente, de L. Ruas.
Sei quanto, apesar de minha dedicação quase diária, e na condição de “catador de papéis”, é difícil completar o trabalho. Imagino quanto ficou de fora sobre a poeta, quando sei que a autora teve apenas dois meses para editar seu livro.
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| A Tarde. Manaus, 19 fev. 1939 |
Espero, pois, que os papéis expostos colaborem na divulgação da arte da “poetisa do Amazonas” Violeta Branca.
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| A Tarde. Manaus, 19 fev. 1939 |
O texto e os recortes foram publicados no vespertino A Tarde, de Aristophano Antony. Implementavam a edição de 19 de fevereiro de 1939, quando o periódico comemorava o segundo ano de circulação.
A legenda da foto da homenageada sinaliza para outro mistério. Os poemas expostos fariam parte de outro livro – A festa da vida, que nunca veio a lume. Assim, temos a indicação de um quarto livro de poesia. O terceiro - Concerto a quatro mãos, Novoa tratou em seu livro.
Este último recorte recolhi de O Jornal, na coluna Velhos Tempos, de André Jobim. O poema de Violeta Branca circulara na revista Cabocla, em julho de 1936.
EXTASE
Percorri os caminhos essenciais da alegria e do amor.
Pequei na embriaguez emotiva
dos sons, das cores
dos contatos e dos sabores,
na amarga delícia de fugir de meu próprio espírito,
para viver
a vida unânime dos sentidos.
Percorri os caminhos abertos às emoções humanas
na ânsia total
de desvendar o sortilégio da alma,
a aflição da carne,
o transcendentalismo do pensamento.
Percorri todos os caminhos,
rolei em abismos transfigurados,
pairei em surtos infinitos,
vivi ascensões vertiginosas
e descidas rápidas de estrela cadente,
quando, como uma alvorada luminosa,
que se abre
numa imitação rubra de rosas matinais,
eu percorria
os caminhos essenciais
da beleza e de esplendor,
vibrando, extasiada, na glória suprema de ser
a escrava pagã
da alegria e do amor.



