Aposentado da Petrobras, o autor analisa com sagacidade a decisão da empresa em retomar a Fábrica de Fertilizantes em Camaçari-BA, daí a CRÔNICA DA FAFEN
19.05.2026
Renato Mendonça
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| Brasão de Camaçari-BA |
Não é um governo o que passou — foi uma nuvem negra. E das sombras nasceram falácias contra a Fafen, como se a fábrica fosse apenas um peso morto, um resquício de tempos que não voltariam mais. Porém, eis que o presente, com mãos firmes de um governo devotado à classe trabalhadora, devolve à luz o que tentaram sepultar.
Na
quinta-feira passada, no coração industrial de Camaçari, a Fábrica de
Fertilizantes Nitrogenados da Bahia voltou a pulsar. O que antes fora arrendado
à Proquigel, empresa privada hoje em recuperação judicial, regressa ao
seio da Petrobras como quem retorna ao lar. Não é apenas uma planta retomada: é
soberania que se ergue, é alimento que se garante, é o Brasil que se recusa a
ajoelhar diante da dependência externa de fertilizantes.
A
engrenagem volta a girar com promessa de abundância: 1300 toneladas de ureia,
1300 de amônia, e o reagente ARLA-32, que move os pesados motores da estrada.
Cada grão de ureia, cada molécula de amônia, é mais que química — é pão na
mesa, é pasto verde para o gado, é esperança de preços mais justos no mercado.
E, junto à produção, florescem empregos: quase mil diretos, milhares indiretos,
como raízes que se espalham pelo solo fértil da Bahia. O Porto de Aratu, com
seus terminais de amônia e ureia, será o escoadouro dessa nova colheita
industrial. A logística se torna poesia de ferro e mar, garantindo que o fruto
da fábrica alcance cada canto do país, para melhorar a vida do consumidor.
As
elites, sempre ávidas por ganhos imediatos, defenderam a importação, o lucro
rápido, o subsídio estatal ao gás privado. Queriam transformar a Petrobras em
serva de interesses estrangeiros, em ponte de renda para poucos — para uma
elite gananciosa. Mas o plano ruiu quando o preço internacional do gás expôs a
fragilidade da ambição. Restou a lição: não há futuro na dependência
estrangeira, não há soberania na entrega de riquezas.
O debate,
no Brasil, raramente é ideológico no sentido nobre da palavra. É, antes, um
jogo de falácias, uma disputa onde a classe dominante parasitária veste
argumentos como máscaras, para ocultar sua fome de apropriação indébita. Mas a
retomada da Fafen é mais que política: é o gesto simbólico, é a vitória
concreta do campo progressista, é uma lembrança de que desenvolvimento
industrial e política energética não podem ser reféns de interesses escusos.
A fábrica
renascida é metáfora do país trabalhador que insiste em se reinventar. Entre
aço e amônia, entre ureia e suor, ergue-se a certeza de que o Brasil, quando
decide caminhar com seus próprios pés, não há sombra que o detenha.
