CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sexta-feira, agosto 01, 2025

VIVALDO FROTA NA POLÍCIA MILITAR

 

Vivaldo de Barros Frota (1928-2015) abdicou do cargo de vice-governador para se candidatar a prefeito de Manaus, em maio de 1988. Em visita ao quartel da Praça da Polícia agradeceu aos policiais, na pessoa do comandante coronel Pedro Lustosa. Na ocasião, Frota delineou o vasto apoio que vem recebendo. Não obstante, Artur Virgílio Filho foi o vencedor das eleições, administrando Manaus entre 1989-93.

 

Recorte do Jornal do Commercio, 20 abril 1988, com foto
no Auditório do quartel da PMAM
 


O candidato do Governo a Prefeitura de Manaus, Vivaldo Frota, despediu-se do cargo de vice-governador, ontem pela manhã, onde as 10 horas foi homenageado pelo Comando-Geral da Polícia Militar (...) “Vamos ganhar com apoio de Amazonino Mendes, o governador que mais trabalhou e detém o maior índice de popularidade”, declarou Vivaldo. Disse ainda contar com o apoio de Gilberto Mestrinho, “líder carismático, lideranças mais expressivas da Assembleia Legislativa e do Congresso.”

“Novamente aceitei o desafio e vou tranquilo, pois não é possível que um prefeito de uma capital mantenha relações estremecidas com o Governo, pois é para manter o bem de todos que estou indo para a Prefeitura” concluiu Vivaldo Frota.

terça-feira, abril 24, 2018

PMAM: CAVALARIA


Jornal  Amazonas Em Tempo, 17 abril 1988.
Orçado inicialmente em Cz$ 70 milhões [de cruzados], já está em construção o quartel do Esquadrão de Cavalaria, na rua Tiradentes, conjunto D. Pedro, bem atrás do Colégio La Salle, para que dentro de, no máximo seis meses, seja implantado em Manaus o Esquadrão de Polícia Montada, com um efetivo de 86 praças, 8 oficiais e 70 cavalos, comandados pelo major Wilde de Azevedo Bentes, que já está sendo nomeado para o cargo.
Modelada no Esquadrão de Cavalaria de Minas Gerais, "por ser a polícia mais bem equipada na área de cavalaria, segundo explicou o chefe da 5ª Seção da Polícia Militar, tenente-coronel Orleilson Guimarães, a Polícia Montada de Manaus dará mais segurança à cidade, penetrando em locais onde as viaturas não conseguem entrar, no caso, nas ruas de difícil acesso, principalmente nos bairros periféricos.
Ocupando uma área superior a 23 mil metros quadrados, o quartel do Esquadrão de Cavalaria terá três baias (locais onde ficarão os cavalos), picadeiro (onde se exercitarão os animais), área de encilhamento (local para se guardarem as arreias dos animais), garagem, depósito de rancho dos animais, alojamentos e pavilhão de comando.
Quartel atual
Assegurou Orleilson Guimarães que, a exemplo dos batalhões existentes em São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas e outros grandes centros, Manaus também terá sua cavalaria de grande serventia para segurança maior da população. “O coronel Pedro Lustosa, comandante da Polícia está agilizando todo o processo de emprego de seu pessoal, esperando tão somente a conclusão das obras para entrar em atividade o Esquadrão”, ressaltou o Chefe da 5ª Seção da PM [hoje Diretoria de Comunicação Social]. 
Ele disse, também, que até, a comunidade está participando da criação da Polícia Montada, pois dois cavalos já foram doados para a corporação. Segundo explicou, o Esquadrão de Cavalaria será formado por cavalos que se adaptem às condições climáticas da região.

Observações sobre esta notícia:

Conhecendo, como conheço, ao coronel aposentado Orleilson Guimarães (perene diretor do trânsito), a notícia repleta de platitudes partiu de seu empenho em propalar a Polícia Militar. Até porque, à repartição que então dirigia, competia esta obrigação. Tem mais, ele sabia fazer isso muito bem, possuía competência em falar ao microfone de qualquer emissora, em especial a de TV.
Duas notas para a história do Esquadrão: no primeiro momento, a comunidade do Dom Pedro aprovou a ideia, pois a unidade policial traria mais segurança ao bairro. Tanto que veio apoio incondicional até com doação de animais. No entanto, o espaçoso aquartelamento absorveu outras unidades da PM, tal descumprimento aborreceu os moradores vizinhos.
Os cavalos foram adquiridos no Rio Grande do Sul. E, para transportá-los para Manaus, foi montada uma operação original, supervisionada pelo então major Antonio Ferreira Lima (falecido há dois anos). Era um policial de vasta experiência com “beiçudos”.
Em 29 de abril de 1988, tomou posse o primeiro comandante – major Wilde Bentes, que foi comandante-geral e hoje empresta seu nome ao esquadrão.

Coronel Lustosa saúda o governador
Vivaldo Frota (mesmo jornal)
Três décadas depois, a Cavalaria perdeu grande poder de policiamento, pois há viaturas demais na corporação, capazes de adentrar qualquer local. O espaço vem sendo bem aproveitado para aplicação da equoterapia (tratamento com uso de cavalos).
Enfim, o coronel aposentado Pedro Rodrigues Lustosa, comandante-geral da PMAM (1988-89), foi o gestor desta empreitada. Conseguiu com o governo a verba necessária e junto à comunidade a área para a edificação.

quarta-feira, março 09, 2011

CLUBE DOS OFICIAIS DA POLÍCIA E BOMBEIROS (3)

O programa pós-carnaval do Clube dos Oficiais da PM: na quinta-feira 11, forró da ladeira, e, na sexta-feira 12, eleição para a escolha da nova diretoria. A escolha básica está entre a diretoria situacionista, há doze anos no poder, prometendo manter o forró e aumentar o salário policial; e a oposicionista, obviamente, tentando subir a “ladeira”, mas implorando por mais HP.

Vou na sexta-feira para rever os colegas (que um dia eu deixei a...), enquanto isso, sigo relembrando umas “paradas” do Clube.

O comandante geral da Polícia Militar tem competência para resolver este problema. O problema a que me refiro é a utilização pouco recomendável do clube dos oficiais. Uma grita insistente repercute pela corporação. A eleição pode ser uma ocasião propícia para solucionar o impasse, tanto que até as redes sociais estão sendo utilizadas, sem muito sucesso.

Robério Braga (à dir.), governador Vivaldo Frota e coronel Medeiros
e a esposa Olga (à esq.), no Clube dos Oficiais, 1990
Já disse, deixamos de ter um clube. Temos um “sindicato”, com pelegos e seus secundários. Há muito tempo a família policial deixou de se encontrar no seu canto. Houve momentos consagradores. Com a presença do comandante supremo da PM, o governador Vivaldo Frota (sobrinho do major dentista Achilles), quando o coronel Medeiros Filho era o comandante. Hoje, as festas da corporação são realizadas em bufês, obviamente melhor estruturados para acolher os simpatizantes de um “boca livre”.

No entanto, como manter uma instituição se não existem recursos financeiros? Volto aqui a repetir, nos bons tempos o maior sócio era a própria corporação, que subsidiava amplamente o clube.

Mas isso desapareceu por vários motivos. Os três mais visíveis: a fiscalização mais competente das contas da PM; a quantidade e o valor da mensalidade e, principalmente, as costumeiras dissensões. Não se podem esquecer as iniciativas tomadas para suprir a necessidade financeira, são exemplos: associação de civis, a construção de apartamentos, de lojas, aluguel da sede etc.

Antes de prosseguir, vou determinar a data da primeira festa de carnaval do Clube. Ocorreu em 24 de fevereiro de 1974, no parque aquático do Rio Negro Clube. Foi na sexta-feira gorda, presente o coronel Lucy Coutinho e os oficiais e família. Revendo as fotos, vê-se que o jargão – e éramos todos jovens! – é perfeitamente aplicável.

Tenentes Benfica e Matias comandam a festa. Jornal A Crítica
A partir da esq. capitao Fausto, major Osorio, tenentes Vital e
Pereira. Jornal A Crítica
Enfim, se a eleição não possui o condão de solucionar o impasse da “ladeira”, restam duas alternativas: o comando geral da Polícia Militar e a Justiça estadual.
Em diversas oportunidades assisti a intervenção do comando da PMAM em clubes associativos de seu pessoal. O clube dos cabos e soldados pode muito bem confirmar esta história. Repito: o comandante geral possui essa atribuição e, se não a cumpre, resta a terceira via, a Justiça.

Os "adjetivos" da campanha eleitoral de 2009 dirigidos
ao comandante-geral da PMAM
O comando não pode “intervir” como fez na última eleição, quando o coronel Dan Câmara integrou a chapa adversária. Ao concorrer (e ser derrotado), deixou de ser comandante para ser apenas sócio. Nivelou-se na “ladeira”, sofrendo um ataque sórdido nunca visto no clube, que sempre respeitou àquela autoridade. Por isso, estou convicto de que o Clube dos Oficiais (e os demais clubes da PMAM) transmudou-se em “sindicato”. (segue)

domingo, julho 11, 2010

BOMBEIROS DO AMAZONAS (IX)

O efetivo inicial desta corporação em 1961 era de quatro oficiais, oito sargentos, seis cabos e 28 soldados. Total – 45 homens, diante de 36 do ano precedente. Sobre as viaturas: dois auto tanques (carro-pipa, no popular), seminovos ou aproveitados, assim, nada novo no quartel do Monteiro.

Novamente o famigerado agosto. Dessa vez o sinistro ocorreu em âmbito nacional, quando o Presidente Jânio Quadros renunciou à presidência da República. Duas notas postadas no Boletim Interno (21 ago. 1961) abriram algumas questões.
O comandante recebeu “ordem superior” para dispensar por 12 dias o tenente Thomaz Monteiro. Qual a motivação? No tópico seguinte, o comandante passou o comando da CBM ao tenente Vicente do Nascimento, “por ter este Comando sido designado para compor a comissão de relações públicas do Presidente da República, durante a permanência do mesmo nesta Capital“. Eis os questionamentos: Janio Quadros viria a Manaus? Se positivo, quando?


Positivo. Janio Quadros viria a Manaus para presidir a Reunião dos Governadores Nortistas, programada para o período de 31 de agosto a 2 de setembro. Entre outros eventos, estava agendada a inauguração “das instalações da Compensa”, pertencente ao Grupo Sabbá.

O Jornal, 17 ago. 1961. Leonidas (à dir.) e Bernardo Cabral, ao lado


Para ultimar os preparativos, desembarcou em Manaus, a 15, o destacamento precursor. Na chefia, o major Leonidas Pires Gonçalves, do gabinete militar da Presidência. Lembrando ao mais novos que, no Governo Militar (1964-1985), no posto de general, este oficial viria comandar o Comando Militar da Amazônia. E, mais adiante, assumiria o Ministério do Exército, no governo José Sarney (1985-1990).
O Jornal, 21 ago. 1961


Enquanto organizava o calendário da visita do presidente J. Quadros, que ficaria hospedado no Palácio Rodoviário, o major Leonidas teve oportunidade de avaliar uma série de reivindicações, como a exposta no editorial de O Jornal (17 ago. 1961), intitulada - Um lembrete ao major Leonidas.


Não deu em nada, pois, no Dia do Soldado, o Presidente JQ abandonou o governo. E o restante da história do período segue contada em dobro.


Nesse 15 de agosto, Monteiro Filho reassumiu o comando, “em face do atual momento político nacional“. E, no mesmo Boletim, respondeu a questão sobre a dispensa do tenente Thomaz Monteiro, ao cassar a dispensa concedida, “em face da renúncia do Presidente da República, Dr. Jânio da Silva Quadros“. Diante da renúncia e de seus desdobramentos, os Bombeiros de Manaus passaram 14 dias de prontidão. Ainda em dezembro, havia elemento da Companhia conquistando as diárias do tempo passado sob aquele regime extraordinário.


O fogo, este sim, marcou presença em Manaus, apontando ao major Leonidas Gonçalves a penosíssima situação dos combatentes do fogo. “O Fogo destruiu Loja 4.400” (O Jornal, 15 ago. 1961), uma loja de referência, por isso, bastante frequentada.
Curiosidade: Um jipe dos Bombeiros Voluntários, em que viajava o Dr. Vivaldo Frota, titular da Delegacia de Segurança Pessoal, quando se dirigia à garagem da CERA, onde o Dr. Vivaldo ia solicitar o auxilio dos carros tanques ali existentes, colidiu com o ônibus Orlandino, ao alcançar o cruzamento da av. Joaquim Nabuco com a rua Ramos Ferreira. Felizmente não houve vítimas, apenas os veículos sofreram danos.
O Jornal (15 ago. 1961). Loja funcionando provisoriamente
na rua Marechal Deodoro

Agosto – supersticiosamente conhecido como o “mês do desgosto” – mais uma vez assinala, nos anais da vida amazonense, um acontecimento trágico, cujas proporções arrastaram para as ruas da cidade uma grande multidão, às carreiras, para testemunhar mais um espantoso incêndio.


Destruído o prédio das 4.400: Faz poucos meses, em Fortaleza, as “Lojas Brasileiras de Preço Limitado S/A“, poderosa organização comercial brasileira, perdeu uma de suas filiais. Ontem, à noite, perdeu, também, a de Manaus, que estava recentemente funcionando no prédio de número 206, da rua Marechal Deodoro, enquanto no seu local tradicional esquina da Sete de Setembro com a Eduardo Ribeiro, se iniciava a construção de um edifício sede, previsto com linhas modernas e expressivas. O fato consternou a todo o povo e especialmente os círculos comerciais por todos esses aspectos, sobretudo porque, de hoje em diante, quase uma centena de jovens amazonenses ficarão ao desemprego.


O expediente das Lojas 4.400 encerrou-se às 18 horas. Quarenta e cinco minutos depois um incêndio, dentro da noite, destruiu o estabelecimento, irrompendo no seu interior. Quando os “soldados do fogo”, soldados da Policia Militar, Bombeiros Voluntários, populares e comerciantes chegaram à Marechal Deodoro, as possibilidades de salvamento do prédio estavam praticamente, como realmente aconteceu, tolhidas.


Colaboraram igualmente, a SAME (emprestando escadas), a Petrobras (com alguns extintores pequenos), Prefeitura Municipal, funcionários da firma J. G. Araújo & Cia. Ltda., Polícia Civil, Polícia de Trânsito, jornalistas, fotógrafos, comerciantes, oficiais e praças do 27.º BC etc.


Presença de padres redentoristas: Além do Governador do Estado, em exercício, deputado Josué Cláudio de Souza, Prefeito Loris Cordovil, Chefe de Polícia, e tantos outros, estiveram no local, os padres redentoristas Patrício e Leão. Os sacerdotes rezaram no local, cumprindo ao mesmo tempo alguns ditames litúrgicos. Felizmente, não se registrou nenhum acidente, assim como o perigo do fogo alastrar-se por outros prédios foi imediatamente eliminado.
De fato, o desgosto do mês parecia insaciável. Apenas 48 horas depois, “Mais um incêndio” (O Jornal, 17 ago. 1961) convocava os bombeiros. Lá estiveram, somente os voluntários.

O fogo foi extinto pelos homens da Sociedade dos Bombeiros Voluntários que estiveram no local, sob a orientação do comandante Ventura. Entretanto, não houve vítimas e nenhuma casa foi atingida pelas chamas, graças à interferência do Corpo de Bombeiros Voluntários que agiram eficientemente.
Às 13 horas e 45 minutos de ontem a Delegacia de Segurança Política e Social, foi informada, através de um telefonema que havia um incêndio de grandes proporções no bairro de Petrópolis. Disse ainda o informante que três casas já haviam sido consumidas pelas chamas e que também havia diversas vítimas. A notícia logo se espalhou pela cidade. O povo ficou aterrorizado pensando no gigantesco sinistro que lavrou às primeiras horas da noite de segunda-feira última nas Lojas Brasileiras de Preço Limitado S.A., instalada no prédio 206 da rua Marechal Deodoro, destruindo totalmente aquela popular casa comercial.

Final de ano, antes das festas, outra desgraça: “Incêndio destruiu depósito de asfalto do Deram” (O Jornal, 6 dez. 1961). Repetiu-se a sequência do acidente do ano anterior, que matou o subcomandante dos voluntários. Nessa ocasião, foi colhido pela mesma fatalidade o próprio comandante (foto). Em uma das curvas da rodovia Manaus-Itacoatiara, após vencer mais um combate contra o fogo, o jipe dos voluntários capotou e, no local, morreu o comandante Ventura. Ao seu lado, tombou o voluntário Mário de Assis Sá, estudante da 3.ª série ginasial do Colégio Brasileiro, cumprindo o dever que havia abraçado espontaneamente.  
Origem do fogo: Trabalhadores do Deram operavam com asfalto, numa caldeira que comporta 10 tambores, quando verificou-se uma explosão. O fogo propagou-se rapidamente. Felizmente, ficou circunscrito aos 10 tambores, apesar da grande quantidade de asfalto existente no local. Isto foi possível, graças ao trabalho desenvolvido pelos Bombeiros Voluntários, trabalhadores do Deram e japoneses moradores nas proximidades do local. Os prejuízos somam a trezentos mil cruzeiros.A vida da Cidade, todavia, precisava fluir. Quase sempre em dezembro, como recompensa, o prefeito de Manaus reajustava os vencimentos dos servidores municipais. Nesta ocasião, o capitão comandante passou a vencer Cr$ 13.000,00, acrescido de Cr$ 2.000,00, como gratificação. O soldado, somente Cr$ 8.956,00!
Às primeiras horas da noite de ontem a cidade foi despertada pela notícia de que um incêndio estava destruindo uma usina de asfalto do Departamento de Estradas de Rodagem do Amazonas, localizada na rodovia AM-10 (Manaus-Itacoatiara).

Imediatamente, acorreram ao local as autoridades da Delegacia de Segurança Política e Social, bem como os abnegados Bombeiros Voluntários, à frente o destemido comandante José Ventura, além de membros da colônia japonesa, situada nas proximidades do sinistro - quilometro 40, da rodovia AM-10, onde o Deram mantém um depósito de asfalto.