 |
| Jornal Amazonas Em Tempo, 17 abril 1988. |
Orçado inicialmente em Cz$ 70 milhões [de cruzados], já está em construção o
quartel do Esquadrão de Cavalaria, na rua Tiradentes, conjunto D. Pedro, bem atrás
do Colégio La Salle, para que dentro de, no máximo seis meses, seja implantado
em Manaus o Esquadrão de Polícia Montada, com um efetivo de 86 praças, 8
oficiais e 70 cavalos, comandados pelo major Wilde de Azevedo Bentes, que já
está sendo nomeado para o cargo.
Modelada no Esquadrão de Cavalaria de Minas Gerais,
"por ser a polícia mais bem equipada na área de cavalaria, segundo
explicou o chefe da 5ª Seção da Polícia Militar, tenente-coronel Orleilson
Guimarães, a Polícia Montada de Manaus dará mais segurança à cidade, penetrando
em locais onde as viaturas não conseguem entrar, no caso, nas ruas de difícil
acesso, principalmente nos bairros periféricos.
Ocupando uma área superior a 23 mil metros quadrados,
o quartel do Esquadrão de Cavalaria terá três baias (locais onde ficarão os
cavalos), picadeiro (onde se exercitarão os animais), área de encilhamento
(local para se guardarem as arreias dos animais), garagem, depósito de rancho
dos animais, alojamentos e pavilhão de comando.
 |
| Quartel atual |
Assegurou Orleilson Guimarães que, a exemplo dos
batalhões existentes em São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas e outros grandes
centros, Manaus também terá sua cavalaria de grande serventia para segurança
maior da população. “O coronel Pedro Lustosa, comandante da Polícia está agilizando
todo o processo de emprego de seu pessoal, esperando tão somente a conclusão
das obras para entrar em atividade o Esquadrão”, ressaltou o Chefe da 5ª Seção
da PM [hoje Diretoria de Comunicação
Social].
Ele disse, também, que até, a comunidade está participando
da criação da Polícia Montada, pois dois cavalos já foram doados para a
corporação. Segundo explicou, o Esquadrão de Cavalaria será formado por cavalos
que se adaptem às condições climáticas da região.
Observações sobre esta notícia:
Conhecendo, como conheço, ao coronel aposentado
Orleilson Guimarães (perene diretor do trânsito), a notícia repleta de
platitudes partiu de seu empenho em propalar a Polícia Militar. Até porque, à
repartição que então dirigia, competia esta obrigação. Tem mais, ele sabia
fazer isso muito bem, possuía competência em falar ao microfone de qualquer
emissora, em especial a de TV.
Duas notas para a história do Esquadrão:
no primeiro momento, a comunidade do Dom Pedro aprovou a ideia, pois a unidade
policial traria mais segurança ao bairro. Tanto que veio apoio incondicional
até com doação de animais. No entanto, o espaçoso aquartelamento absorveu outras
unidades da PM, tal descumprimento aborreceu os moradores vizinhos.
Os cavalos foram adquiridos no Rio Grande
do Sul. E, para transportá-los para Manaus, foi montada uma operação original, supervisionada
pelo então major Antonio Ferreira Lima (falecido há dois anos). Era um policial
de vasta experiência com “beiçudos”.
Em 29 de abril de 1988, tomou posse o
primeiro comandante – major Wilde Bentes, que foi comandante-geral e hoje
empresta seu nome ao esquadrão.
 |
Coronel Lustosa saúda o governador
Vivaldo Frota (mesmo jornal) |
Três décadas depois, a Cavalaria perdeu grande
poder de policiamento, pois há viaturas demais na corporação, capazes de adentrar
qualquer local. O espaço vem sendo bem aproveitado para aplicação da equoterapia (tratamento
com uso de cavalos).
Enfim, o coronel aposentado Pedro
Rodrigues Lustosa, comandante-geral da PMAM (1988-89), foi o gestor desta
empreitada. Conseguiu com o governo a verba necessária e junto à comunidade a
área para a edificação.