CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quinta-feira, maio 28, 2026

PRAÇA DA SAUDADE

 Pela manhã vi a postagem de Manaus de Antigamente sobre o edifício demolido na Praça da Saudade, à tarde, consultando ao Ramayana de Chevalier, encontrei sua crônica A Vez da Juventude, circulada em A Gazeta, edição de 3 de maio de 1961. O autor era então secretário de Administração do governo Gilberto Mestrinho (1959-63). A postagem reproduz parte da crônica.

Edifício demolido na Praça da Saudade

(...) Tudo isso me ocorreu, numa destas tardes de sol caboclo, sentado democraticamente num dos degraus do Palácio dos Espelhos, onde se abriga o Atlético Rio Negro Clube, olhando a praça da Saudade. Dentro do esquema idealizado pelo governador Gilberto Mestrinho, estive a sonhar com a nossa futura ágora amazônica, em cujo redondel se travarão as mais puras discussões filosóficas e se resolverão os mais intrincados problemas técnicos. Ali, na praça da Saudade, se erguerá, em tempo recorde, um centro universitário de entusiasmar. Segundo as diretrizes do Professor Mestrinho, esse guapo diretor dos destinos amazônicos até janeiro de 1963, a praça onde se levanta, imponente, a estátua ao primeiro Governador do Amazonas emancipado, terá, em cada face, um edifício moderno, abrigando a cultura. As construções devem obedecer a um critério moderno, de linhas aerodinâmicas, elegantes, finas, atraentes, sóbrias, utilitárias.

Serão quatro prédios que, pela minha vontade, eu veria montados sobre pilotis, deixando à visão dos pedestres e dos que viajam em carros, toda a amplitude da praça graciosa e remodelada em jardins amazônicos, em palmas e tinhorões coloridos, em flores tropicais de excelsa beleza. Enroscando-se nesses pilotis, teríamos as nossas trepadeiras ornamentais, de flores sugestivas, revestindo o plano inferior dos edifícios, num dossel. Não perturba a mirada do monumento, não obstrui a contemplação da praça ajardinada, com os seus bancos estendidos ao longo dos passeios, convidando à meditação ou ao colóquio, como de resto se usa em todos os países do mundo. Nos quatro cantos da praça, entradas largas irão, em X, até ao monumento, cortadas por círculos de cimento. Ali se instalarão a Faculdade de Filosofia, a Faculdade de Ciências Econômicas, a injustamente esquecida Escola de Comércio Sólon de Lucena e a própria Secretaria de Educação e Cultura, cada uma no seu próprio edifício e os quatro, cercando a praça, numa visão arcádica. (...)


quarta-feira, abril 10, 2024

DE FUTEBOL E POLICIAL EM MANAUS: HÁ 50 ANOS

A postagem reescreve uma notícia envolvendo um oficial da PMAM (Polícia Militar do Amazonas) em razão de sua interferência em partida de futebol do ARNC (Atlético Rio Negro Clube). Trata-se do falecido coronel Aurefredo Melo de Souza, que à época integrava o departamento de futebol do “Barriga Preta”. A nota foi produzida pelo Jornal do Commercio, edição de 10 abr. 1974, portanto, há exatos 50 anos.

A foto mostra o árbitro Carlos Costa (dir.) e o então capitão Fausto Ventura (esq.) que,
certamente era o comandante da patrulha da PM no jogo.

quinta-feira, fevereiro 22, 2024

RELÍQUIA MANAUARA (2)

Compartilhada da revista RIONEGRINO, circulada em 1939, pertencente ao arquivo da Biblioteca Mário Ypiranga, no CC Povos da Amazônia.


A foto reúne sem muitos detalhes os treinadores de voleibol e basquetebol do Clube Barriga Preta, o Atlético Rio Negro Clube. Da tríade, é fácil distinguir ao Arthur Virgílio do Carmo Ribeiro Filho (1921-87), genitor do prefeito de Manaus e senador do Amazonas Arthur Virgílio do Carmo Ribeiro Neto (1945-). 

quinta-feira, fevereiro 15, 2024

VISITA MANAUS JOSÉ VASCONCELOS (1926-2011)


José Thomaz da Cunha Vasconcelos Neto (artista do humor), à época com seu “Eu sou o espetáculo”, vem a Manaus patrocinado pelo ARNC (Atlético Rio Negro Clube), em outubro de 1964. Ainda pode ser visto esporadicamente na TV Viva na reprise da “Escolinha do professor Raimundo”.

A legenda do matutino Jornal do Commercio resume a recepção ao humorista, “pioneiro brasileiro masculino no gênero humorístico, atualmente chamado de comédia stand up” (Wikipédia).

Jornal do Commercio, 21 out. 1964

JOSÉ VASCONCELOS EM MANAUS – Chegou ontem à nossa capital, o fabuloso José Vasconcelos (foto ao alto à esquerda) desembarcando do avião. Ao lado, recebe os cumprimentos do governador Arthur Reis, que se encontrava no aeroporto de Ponta Pelada, por ocasião da chegada do famoso artista brasileiro. Em baixo, José Vasconcelos, tendo ao seu lado o sr. Waldemar Pinheiro de Souza, agente da VASP em Manaus, o sr. Armando Flores, diretor do Rio Negro e sócio de Manbra S.A. e a tripulação do aparelho que o trouxe a Manaus. (Fotos de José Batista)

domingo, fevereiro 19, 2023

EDIFICAÇÕES EM MANAUS

 

(sentido horário) Biblioteca Pública | Beneficente Portuguesa
| Faculdade de Medicina UEA | Atlético Rio Negro Clube |
Colégio Dom Bosco e Colégio Militar de Manaus  

(cima) Largo São Sebastião e (ao fundo) hotel Taj Mahal e 
Yara monumentalizada em prédio.
(abaixo) Policlínica Gilberto Mestrinho

domingo, janeiro 22, 2023

MANAUS DE ONTEM

 

No sentido horário: Cervejaria XPTO, bairro de Aparecida (sem utilização); Hospital da Beneficente Portuguesa (fachada); Penitenciária Central (desativada); Cine Eden (inativado); Sede do Atlético Rio Negro Clube (em processo de falência) e Centro Cultural Chaminé (sem funcionamento) 
(fotos de Gunter Engel)

sábado, maio 01, 2021

POESIA NO DIA DO TRABALHADOR

Recolhi este poema de Violeta Branca (1915-2000) na revista Rionegrino nº 14, circulada em novembro de 1929, editada pelo Atlético Rio Negro Clube.

Violeta Branca - 1939

Extraido de Rionegrino, 1929

BUENA DICHA

Há muito tempo, numa tarde lilás de abril

veio uma cigana vivaz, olhos rasgados,

muito gentil

para ler a minha mão.

Disse, que eu seria feliz, teria glórias, amor,

que a minha vida toda, seria de esplendor.

Disse mais: o teu coração

será de um rapaz do Norte,

moreno... elegante... forte...

E foi-se embora, contente com a moedinha na mão,

a linda ciganinha, que era mesmo

uma tentação.

 

Tenho convicção,

que a ciganinha errou ao ler a minha mão,

e dizer que a minha sorte

estava num rapaz moreno do Norte;

pois dentro desta bela manhã azul,

sinto a minha vida muito presa

a de um rapaz louro, bem do extremo sul.

 VIOLETA BRANCA


sábado, abril 17, 2021

VOLEIBOL EM MANAUS

O esporte em suas várias modalidades floriu com vigor na capital do Amazonas. Faz algum tempo, certamente. Mesmo os amadores depararam nos clubes sociais um ponto de apoio. Nesta postagem vou destacar a final de voleibol disputada entre os dois dos mais lembrados clubes de Manaus: Rio Negro e Nacional. O evento ocorreu em julho de 1976, na quadra René Monteiro.

Roberto Gesta

Um detalhe convém se destacar: a movimentação de desportistas levou à criação da Federação Amazonense de Voleibol, cuja presidência foi exercida pelo entusiasmadíssimo dirigente Roberto Gesta (1945-), que se destacou nao apenas no Amazonas, mas como dirigente por décadas do esporte brasileiro.

 

Recorte do jornal A Crítica, 5 julho 1976

Rio Negro — Paulinho, Sérgio, Ozenir, Atala,
Paulo, Osvaldo, Advar, Hamilton, Manoel e Mário.

O Rio Negro manteve sua superioridade no sábado à noite, no Ginásio Renê Monteiro, ao derrotar o Nacional por 3 a O, sagrando-se Hexacampeão Amazonense de Voleibol Masculino Adulto. Nos dois primeiros sets, a equipe do Negão aplicou dois capotes: de 15 a 02 e 15 a 04. No terceiro, o técnico Thales Verçosa lançou vários reservas para que seus principais elementos fizessem descanso de 10 minutos, e depois voltaram com todo gás e liquidaram a fatura, com o set de 15 a 06.

Nos dois primeiros sets, o jogo estava sem motivação de torcidas, em face da fragilidade do time adversário. Mas nos primeiros minutos do último set, a torcida rionegrina começou a festejar o título de hexacampeão, conquistado com méritos pela melhor equipe do voleibol do Amazonas.

Os nacionalinos não conformados com os capotes aplicados pelo Rio Negro, resolveram catimbar a partida, tentando talvez desequilibrar o bom senso do juiz Alcimar Sampaio, que por sinal conseguiram. Porém, o resultado da catimba acabou causando a expulsão do atleta Marcão. Antes do jogo, os atletas do Nacional se recusaram entrar na quadra para decidir o título contra o Negão. Mas, tão logo isso aconteceu, o presidente da FAV, Dr. Roberto Gesta de Melo, agiu de bons modos e conseguiu convencer os nacionalinos.

Quadro do Nacional — Márcio, Manasseh, Marcão, Tadeu, Beto e Humberto. 

quinta-feira, fevereiro 27, 2020

ANÚNCIOS DO SÉCULO PASSADO

Estas propagandas comerciais foram recolhidas de duas revistas circuladas em Manaus. O Rionegrino era de responsabilidade do Atlético Rio Negro Clube, tendo circulado até a década de 1950. A outra, era a Victoria-Regia, que circulou apenas na década de 1930, e em cuja direção fez parte o saudoso Mário Ypiranga Monteiro. 
A coleção de ambas as revistas podem ser consultadas na Biblioteca Mário Ypiranga, situada no Centro Cultural Povos da Amazônia (Bola da Suframa).


Revista Rionegrino (circulada em 1939)

Circulada na revista Rionegrino (1950)

Revista Rionegrino (editada em 1929)

Compartilhado da revista Victoria-Regia


segunda-feira, setembro 23, 2019

ATLÉTICO RIO NEGRO CLUBE - CERTIDÃO


CERTIDÃO DE NASCIMENTO DO RIO NEGRO CLUBE, publicada na revista Rionegrino, edição nº 24, de novembro de 1939


Na tarde de 13 de novembro de 1913, ocorreu a fundação do Atlético Rio Negro Clube, à rua Henrique Martins, 149, residência do senhor Manoel do Nascimento. No local, reuniram-se os associados Edgard Lobão, Raimundo Vieira, Schinda Uchôa, Manoel Nascimento, França Marinho, Leopoldo Neves, Basílio Falcão, Paulo Nascimento, João Falcão, Ascendino Bastos e Afonso Nogueira, sob a presidência provisória do primeiro.

Endereço do local de fundação
A providência inicial foi escolher a primeira diretoria; apurada a votação, ficou assim constituída: presidente, Edgard Lobão, com oito votos; vice-presidente, Raimundo Vieira, com quatro votos; secretário, Schinda Uchoa, com seis votos; tesoureiro, Manoel Nascimento, com cinco votos; e capitão-geral, França Marinho, com cinco votos.

Veio a seguir a escolha do nome, cuja indicação – Atlético Rio Negro Clube, obteve dez votos. E a do distintivo do clube, que consistia em calção preto e camisa branca com escudo. No entanto, até a definição do escudo houve muita discussão. Após o consenso, o proprietário da residência mandou servir o vinho do Porto (que tornou tradicional, servido em cada aniversario). Nascimento, então, agradece a todos muito sensibilizado, por ver realizada “sua ideia de fundar o clube de futebol, e pedia para brindar o progresso harmonioso do Atlético Rio Negro Clube. E seguiram brindes e mais brindes.

Recorte da publicação do Rionegrino citado
O centenário clube, no entanto, vai de mal a pior. Desapareceu o setor social e o clube de futebol luta na segunda divisão estadual.

sábado, setembro 21, 2019

ATLÉTICO RIO NEGRO CLUBE - 1954


Reconfortante recordação do Rio Negro Clube, quando ele disputava o campeonato amador do Estado em condições superiores. Em nossos dias, tenta voltar à primeira divisão estadual.

A foto revela do presidente Manuel Bastos Lira, outros dirigentes e vários atletas veteranos, encerrando com a princesa, filha do presidente, Inês Maria Lira, adiante Inês Benzecry.

domingo, setembro 01, 2019

FLORIANO MACHADO (1901-76)


Floriano da Silva Machado nasceu em Manaus, em 1901, e faleceu no Rio de Janeiro, em 1976. 

Floriano Machado
Era filho de Rafael Alvares Machado que, na condição de capitão honorário, integrou a tropa da PMAM na Campanha de Canudos (1897). Há registro de que fosse sobrinho de Silvério José Nery, governador do Amazonas (1900-04).

Floriano concluiu o curso das armas no Exército em 1922. Em setembro de 1924, foi promovido a primeiro-tenente. Posto à disposição do Ministério das Relações Exteriores, cinco ano adiante, integrante de uma Comissão de Demarcação com a Colômbia, este oficial transita por Manaus, quando a  revista Rionegrino (nov. 1929), órgão do Atlético Rio Negro Clube, expõe a homenagem abaixo compartilhada.

Por ocasião da Revolução de Getúlio Vargas (1930), e devido ao retorno de sua unidade - o 27 BC - a Manaus, foi qualificado de “coronel revolucionário”. Nessa condição, assumiu o governo militar do Amazonas por curto lapso de tempo: de 24 a 27 de outubro de 1930, quando foi substituído pelo interventor Álvaro Maia.
Seguiu promovido na Força Terrestre, tendo passado à reserva no posto de marechal.

VIAJANTESFazendo parte da Comissão de Limites com a Colômbia, chegou pelo paquete Campos Sales o nosso mui querido amigo sr. tenente Floriano Machado, distinto oficial do nosso Exército, arraigado legionário rionegrino. O jovem militar, pessoa de vastas relações sociais nesta terra, de onde é filho, e que ele muito honra, demorou-se poucos dias nesta capital, pois já seguiu, acompanhando a referida Comissão, para Cucui.
RIONEGRINO, que conta em Floriano Machado um dos seus melhores amigos deseja-lhe uma viagem feliz, augurando-lhe, ao mesmo tempo, o mais completo êxito no desempenho da sua missão.

domingo, março 11, 2018

ATLÉTICO RIO NEGRO CLUBE

Em novembro de 1971, a Federação Amazonense de Futebol (FAF) organizou um torneio pentagonal, intitulado Taça Comando Militar da Amazônia (CMA). Apesar da reportagem referir-se a penta, somente quatro clubes participaram: Atlético Rio Negro Clube, Olímpico Clube, Fast Clube e Nacional FC, saindo vencedor o primeiro.

Recorte do Jornal do Commercio, 30 novembro 1971

domingo, fevereiro 04, 2018

DOMINGO DE FUTEBOL

Aconteceu em 30 de maio de 1965. O time do São Paulo Futebol Clube passou por Manaus em excursão, como era hábito de outrora. O futebol amador amazonense, representado pelo Atlético Rio Negro Clube, não resistiu ao tricolor paulista. Foi uma peia, como então se dizia, hoje, um "chocolate".
O local do desastre foi o saudoso Parque Amazonense ou o Estádio da Linha Circular e outros epítetos. Ao final do primeiro tempo, o Rio Negro trocou de goleiro, entre outras mudanças, mas não teve jeito. Placar final: Visitante 6x0 Rio Negro.
Tudo isso mudou, porém são cenas do próximo capítulo, que relembrarei, na condição de comandante do policiamento do Vivaldão (estádio anterior à Arena Amazônica e ao futebol local em perdido estágio).

O time do Rio Negro (acima) a escalação (abaixo) mostrando o grande
número de substituições, recortes de A Crítica, 31 maio 1965


domingo, junho 14, 2015

ATLETAS DE MANAUS

Quatro formações esportivas 

Equipe de futebol de veteranos do Atlético Rio Negro Clube, 1954

Vencedores da Corrida pedestre Archer Pinto, em 1970, em frente
ao diário O Jornal

Equipe campeã do Colégio Estadual do Amazonas, início dos 1960

As equipes da Máquina e do Bagaço, compostas de oficiais da PMAM,
no campo do Clube dos Oficiais, 1980

sábado, julho 20, 2013

FUTEBOL AMAZONENSE


Artes do futebol amazonense são aqui apresentadas por um lembrado cronista esportivo. Leal da Cunha conta-nos duas histórias, e, como assegura o próprio autor, a primeira vem travestida com as lendas recolhidas em nossos beiradões. A segunda é verdadeira. Ainda há quem a confirme, por ter participado do acontecimento. Não assisti ao jogo (1962), mas encontrei no quartel da Praça da Polícia (1966) alguns personagens, tanto jogador do quadro nacionalino quanto policiais presos.

 Leal da Cunha (*)

Futebol com doze

Pode até parecer mentira, brincadeira ou gozação, mas o certo é que o Juca Zangão conta essa passagem no futebol como verdadeira e real. Desenrolada no interior do Estado.
Jogavam dois times da mesma Liga. Dois times de grandes torcidas e dirigidos por gente muito importante. Era uma decisão de campeonato promovida pela tal Liga. Tão importante que para dirigi-lo, à sua arbitragem, foi convidado um juiz (árbitro) do município vizinho.

À hora do jogo todos estavam a postos. Jogadores, juízes e bandeirinhas. Foi dado início ao jogo, e, de repente, o capitão de uma das equipes se dirigiu ao árbitro para reclamar do time adversário, por quanto estava jogando com doze elementos em campo, o que não é permitido pela regra de futebol.
O juiz se dirigiu ao jogador que estava protestando contra aquele absurdo e esclareceu:
- Olha aqui, meu filho: três jogadores foram escalados pelo juiz de Direito; três, pelo promotor; mais três jogadores, pelo prefeito, e ainda mais três, pelo padre paroquial. Logo o que é que jogar onze elementos num time.
- Ora, rapaz, não me venha com esse negócio de regra ou de Lei! Há tanta coisa que a Lei proíbe e, no entanto, muita coisa também se prática ou se comete em desrespeito à lei. Deixe isso pra lá, amigo. Nós vivemos num país que "manda quem pode e obedece a Lei quem quer ou é leso!” Por isso, aconselho que você coloque mais um jogador no seu time pra ficar tudo igual, isto é, doze contra doze.
E, assim foi dito e cumprido, sorte que tudo terminou bem, não havendo mortos nem feridos.





O estádio do Parque Amazonense em demolição,
vendo-se apenas a o prédio coupado pelos cronistas,
1991.

 
Parque Amazonense

Pois bem meus amigos, em Manaus, em 1962, aconteceu no Parque Amazonense, um fato também pitoresco e que pode dissipar a dúvida de quem achou pouco confiável o que antes foi dito.
A regra de futebol é clara quando diz que o jogador expulso de campo NÃO pode ser substituído (grifo nosso). Rionegrinos e nacionalinos decidiam no velho Parque o título de campeão amazonense de 1962. O meu brilhante amigo Josué Claudio de Souza era quem mandava no time rionegrino, enquanto o Dr. Plínio Ramos Coelho, à época governador do Estado, era o presidente do Nacional.

O Parque estava cheio de gente. Na partida preliminar os juvenis nacionalinos abriram uma porrada com os soldados da Polícia Militar. Alguns “garotos” tomaram uma cacetada. O Dr. Plínio Coelho não gostou de a sua polícia bater nos seus meninos e, ato contínuo, ordenou a prisão de um dos soldados que ali estavam para o quartel.

Porém, o negócio mais pai-d’égua foi no jogo principal. Aos 16 minutos do primeiro tempo, o arbitro expulsou o jogador Lacinha, que era do time nacionalino, consequentemente, o time do governador. Então, diante de toda essa embuança, criou- se aquele ambiente de sai e não sai, com o tempo desenrolando e jogo paralisado, e apenas 16 minutos haviam sido jogados. 

A essa altura do campeonato sempre aparece um "profeta", desse tipo como político demagogo que se diz defensor do povo. Foi chegando perto os conflitantes e sempre dizendo: "o povo não pode ser prejudicado; o povo pagou para assistir 90 minutos de jogo e não 16 minutos. E agora ninguém pode devolver o dinheiro, porque as entradas não tinham o canhoto".

O pessoal das emissoras de rádio queria saber o que o árbitro dizia. E, sua Sia. não se fazia de rogado: o jogador Lacinha está Expulso de campo. Algumas pessoas falavam: cuidado, "seu" árbitro, o Sr. está expulsando um jogador do time do governador!...  

E, aquela figura de político de campo de futebol voltava atacar: "o povo não pode ser prejudicado". Ele dava a entender que o povo não podia ser roubado como se fosse aquela a primeira vez que o povo era roubado.  

Conversa vai, conversa vem, e, depois de muito jogo de palavras acordaram as partes litigantes que, para o “bem do povo e a felicidade geral da Nação”, o jogador ali expulso de campo poderia ser substituído. E assim foi cumprido. Saiu o Lacinha e entrou o Luizinho. O jogo também chegou ao seu final com a vitória dos rionegrinos por 2x1, sagrando-se, portanto, o campeão da cidade.

Assim meus amigos, isto é, aqueles que duvidaram que um time de futebol não pode ter doze jogadores em campo, assistiram diante desses fatos que um jogador expulso de campo foi substituído por outro jogador de sua equipe, é claro.
No entanto, se alguém duvidar do que aqui escrevemos podem perguntar ao Baú Velho, do Carlos Zamith, do meu amigo CIóvis Lemos de Aguiar e do velho jornalista Josué Claudio de Souza.

(*) O texto foi publicado em A Crítica, em 17 de novembro de 1991  

quinta-feira, março 28, 2013

ATLÉTICO RIO NEGRO CLUBE: CENTENÁRIO (1)

Benedito Souza, o atleta, em
primeiro plano, 1950
Em novembro deste ano, o Atlético Rio Negro Clube (ARNC) completa o primeiro centenário. A marcante efeméride de certo será condignamente festejada. Ainda que distante, tomei a liberdade de marcar essa data neste espaço, tendo inaugurado há dias, com o mesmo título, a inciativa. Espero cumprir o prometido com a dignidade que o “Clube Líder da Cidade” merece.
Para isso, valho-me da revista – Rionegrino -- que o ARNC fez circular por vários anos. Da edição nº 29, do início de 1950, transcrevo a notícia da participação do Amazonas na prova de São Silvestre, que ocorre na virada do ano. Lembrando que em nossos dias, sob o patrocínio da TV Globo, passou para a tarde e, no ano passado, para a manhã desse dia.

Recorte da revista Rionegrino, 1950

 

Constituiu, sem dúvida, um acontecimento impar na vida da cidade, a realização em Manaus, a 10 de dezembro (1949), da Prova Preliminar da XXVI “Corrida de São Silvestre”, promovida pela A Gazeta Esportiva, de São Paulo, destinada a indicar o representante do Amazonas à maior prova pedestre da América do Sul, que se realiza todos os anos, na capital bandeirante, à meia-noite do dia 31 de dezembro.

O Atlético Rio Negro Clube esteve presente à grande prova, não como simples participante, mas como sério concorrente, e alinhando uma equipe valorosa, preparada graças ao esforço de Manoel da Costa Reis, professor Waldir Oliveira e Carlos Almada.

E o “Alinhaderrimo” juntou ao rosário de feitos gloriosos que ornam seu pavilhão mais um triunfo, cabendo-lhe a grande honra de dar à terra de Ajuricaba o seu representante à XXVI Corrida de São Silvestre, que o idealismo do saudoso jornalista Casper Libero fez realizar, pela primeira vez em 1926, e que hoje pertence não apenas ao Brasil, mas ao mundo inteiro, dado que o empreendimento de A Gazeta Esportiva já rompeu as fronteiras de nossa Pátria, irrompendo nas Américas; deixou de ser também das Américas, para propagar-se na Europa, para firmar-se como uma das mais importantes do mundo.

Venceu o Rio Negro, através do atleta Benedito Constantino de Souza, “sprinter” dos mais consagrados na barelândia, cobriu a distancia de 5.000m, em 17min07, credenciando-se a participar em São Paulo, como representante do Amazonas na tradicional prova da meia-noite. 

 
A 20 de dezembro(1949), daqui partiu a delegação do Amazonas, integrada do jornalista Irisaldo Godot e do atleta rionegrino  Benedito Constantino de Souza, sendo portadora das apresentações do  Atlético Rio Negro Clube aos seus coirmãos Clube do Remo, de Belém do Pará, e São Paulo Futebol Clube, da Pauliceia. (...)
Ambos colocaram à disposição do atleta baré as suas instalações, salientando-se o clube bandeirante, que foi de uma fidalguia a toda prova, cercando Benedito Constantino de Souza e Irisaldo Godot de todas as atenções, procurando servi-los em tudo que estivesse ao seu alcance. 

Sob forte aguaceiro, foi disputada a majestosa prova da meia-noite, em São Paulo. Venceu categoricamente o atleta belga Lucien Theys, colocando-se o corredor amazonense, dentre 1.600 concorrentes, em 234º lugar, fazendo jus à valiosa medalha, vencendo o corredor do vizinho estado do Pará, cuja classificação foi a 285ª.

O texto oferece várias e reluzentes informações: o Rio Negro possuía vários apelidos: entre outros, o de Alinhaderrimo. O Benedito pertencia à equipe do “atleta sozinho”, pois seguia acompanhado apenas de um jornalista; será que a viagem ocorreu de avião? Deve ter sido de navio, com parada em Belém. Finalmente, para não enfadar, a provincial disputa entre Amazonas e Pará, aqui patenteada com a posição do amazonense sobre o paraense, que sequer teve o nome registrado. Quem fim levou o Benedito Constantino de Souza?

domingo, março 17, 2013

ATLÉTICO RIO NEGRO CLUBE: CENTENÁRIO

De uma revista editada por este Clube, ao tempo em que era comum esse tipo de comunicação em qualquer entidade, retirei as fotos postadas. Rionegrino era o título desta publicação, que contava as glórias sociais, esportivas e literárias de seus associados. Afinal, o Rio Negro desfrutou da reputação de clube líder da cidade, por décadas.

Na edição nº 24, de novembro de 1939, Rionegrino divulgou fotos da construção da sede, a mesma que conhecemos, construída na avenida Epaminondas, em frente à praça da Saudade.

Em nota, a direção do ARNC informa que o projeto tem a assinatura do arquiteto amazonense Dr. Aluízio Araújo. A execução da obra está a "cargo dos conceituados construtores" J. Lopes & Cia., sob a fiscalização dos velhos “rionegrinos”, engenheiros Argemiro Pessoa e Ariolino Azevedo. Encerrando a nota, vangloria-se de que “a construção vem sendo levantada com a energia e o idealismo da mocidade que forma sob a bandeira gloriosa do ARNC”.
 



 

quarta-feira, outubro 24, 2012

ANIVERSÁRIO DE MANAUS (2)



Obelisco do centenário de Manaus,
inaugurado em 24 outubro 1948
É hoje. Manaus completa 343 anos de existência, contados da instalação do Forte da Barra do Rio Negro. Os matutinos de Manaus derramaram elogios e escritos de diversas autoridades. Todos responderam sobre aquilo que lhe perguntaram. Curioso, mas não houve qualquer manifestação do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (Igha), do qual faço parte, sobre esta efeméride. Nenhuma palavra.

A agremiação que em tempo do século passado tinha voz altiva. Possuía competência para determinar regras na linha do tempo; possuía ingerência sobre decisões do governo nessa área; possuía disposição para apreciar tema controverso, convidado ou não, e expor sua opinião. Enfim, o Igha participava com envergadura. 

Na postagem anterior, relembrei a publicação do Diário Oficial sobre o centenário da elevação da Barra à condição de cidade, portanto, esta era a data do “nascimento” de Manaus.
O texto é de 1948, lembrando a lei nº 145, de 24 de outubro de 1848, outorgada pela Assembleia Provincial do Pará.
Programa do centenário, Diário Oficial de
24 outubro 1948

Dentro das condições da decadente capital da borracha, a festa foi intensa, ao menos em espaço. Durou mais de uma semana, pois se prolongou de 17 a 24 de outubro.
No domingo 17, a comemoração começou ás 7h30 com o concurso de tiro ao alvo, no estande da Polícia Militar (construído no fundão existente ao final da atual avenida Castelo Branco, onde hoje existe a EE Getúlio Vargas). Houve ainda jogos de futebol, retretas, palestras em grupos escolares, provas esportivas. Dia 23, houve sessão solene na Câmara Municipal, no diretório da UDN, no bairro de Constantinópolis (hoje Educandos) e à noite, outro encontro solene na Casa do Trabalhador. Para encerrar o dia, baile no Atlético Rio Negro Clube.

Dia 24, domingo, o encerramento das comemorações começou mais cedo, às 5h30, com a alvorada pelas bandas de música que percorrerão (a pé) a cidade, deve ter sido o centro da cidade. Seguiu-se a missa campal, na Praça do Congresso, “para pedir a benção de Deus” para a esta cidade. Ao final da missa, os jovens de colégios e escolas e grupos escolares desfilaram em direção à praça da Matriz, onde foi inaugurado o Obelisco (aquele mesmo que ainda resiste ao vandalismo e outras ameaças). Para encerrar a manhã, a Maçonaria fez inaugurar obras no templo da Loja “Esperança e Porvir”.

À tarde, no Parque Amazonense, a Tuna Luso de Belém (PA) enfrentou um combinado amazonense (desconheço o resultado).

E à noite, encerrando os festejos do centenário de Manaus, duas atividades: às 20h, a sessão solene no Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (Igha), consagrando a data. E, às 20h30, espetáculo público no Teatro Amazonas, como acontece hoje para os 343 anos. Como afirmei acima, o meu Igha deixou de operacionalizar a história amazonense.
Até o próximo parabéns pra você, Manaus (abaixo, em foto de 1980).


terça-feira, março 08, 2011

CLUBE DOS OFICIAIS DA POLÍCIA E BOMBEIROS (2)

Na sexta-feira, 12, o Clube dos Oficiais da Policia e Bombeiros Militar escolhe seu novo presidente. São dois candidatos: o da situação, há doze anos na direção, promete manter a “forró da ladeira”; o da oposição, obviamente, deseja subir a “ladeira”, mas parece que falta força. Vou comparecer para rever os colegas, mas aqui vou lembrar algumas “paradas” deste Clube.

Mas, antes de prosseguir, quero consertar a informação ontem postada. Apareceu o mais velho oficial da corporação: falo do major José Areosa de Assunção, nascido em 29 de agosto de 1914. Isso mesmo, vai completar 97 anos. Apesar de quase centenário não consserva informações sobre a criação do Clube. No entanto, aqui não interessa os primeiros dias do COP, interessa para os eleitores os últimos dias.

Confraternização natalina da PM no Rio Negro Clube, em 1976
A partir do crescimento dos oficiais, foi possível ampliar os recursos do clube e pensar numa sede social. Mas, em toda década de 1960, a turma se encontrava na “casa” dos outros, em especial para fazer festa. De outra maneira, o Governo Militar a partir de 1964, impondo o comandante da Força Terrestre acentuou a mudança na Força Policial.
Lembro da primeira festa de carnaval promovida pelo clube. Aconteceu no Rio Negro Clube, na sexta-feira gorda. A ideia era de que os oficiais poderiam comparecer sem atropelos, pois o carnaval propriamente “pulado” começava no sábado. Pouco depois, tornou-se inviável, pois, o Rei Momo expandiu seu reinado e... a festa dos oficiais foi para o brejo. Era o ano de 1974, e o comandante geral da PM era o saudoso coronel Lucy Coutinho.

Depois veio o coronel Ossuosky, ainda vivo, que pode melhor ampliar esse trecho. Foi comandante entre 1975-79, durante o governo de Henoch Reis. Ainda hoje se diz que ele possui o mérito de balizar a evolução da PMAM. Antes e depois dele...
Falando de festas, coube a ele institucionalizar a comemoração de Natal dos oficiais, com as primeiras festas no Rio Negro Clube. A ilustração mostra o então capitão Fausto Ventura que, possuidor de voz de baixo (tinha de ser) forçada, fazia a apresentação da festa.

Festa natalina, com o então capitão Fausto Ventura fazendo
a apresentação, em 1976
Na mesa, o governador Reis e esposa, além do comandante Ossuosky, o general comandante do CMA e o coronel Jorge Teixeira, então prefeito de Manaus.

Confraternização de Natal da PAM, em 1976, no Rio Negro Clube,
todos a rigor.
Outra feliz iniciativa do coronel Ossuosky foi a instalação do almoço dos “cardeais”, ou seja, dos oficiais próximos, que o jargão militar identifica por “peixes”. Não era bem assim, ele costumava convidar diferentes companheiros, pois seu interesse era unir os futuros dirigentes da PM. Tão feliz foi a iniciativa que, ainda na última sexta-feira de fevereiro, os antigos coronéis se reuniram. Com um detalhe, ouvindo os candidatos ao clube.

Enfim, foi em seu comando que o COP conseguiu sua sede, com ladeira e tudo. Cresceu, quando a sociedade buscava se reunir, levar a família, divertir-se e tomar aquelas “geladas”. Os antigos sabem, a ajuda era constante e fundamental da corporação, tudo saía do quartel para equipar o clube. Lá estiveram dirigindo o clube o coronel Okada, que comprou a primeira piscina, dessas coloridas. Foi um desastre. Presidiu o clube o coronel Medeiros, o Brandão e o Arnaud. Tem muito coronéis mais, breve irá ao espaço a relação dessa turma.

Mas, como enfatizei, um dia dos anos 1990 os clubes começaram a se desintegrar. Os clubes foram encerrando as portas. A falência varreu a cidade, que possuía uma eternidade de locais associativos. Do Rio Negro, passando pelo Ideal Clube, Nacional, Barés... Ckeik e Bancrevea, na Getúlio Vargas. Todos da Cachoeirinha, do Educandos. Qual ainda resiste? Nem os clubes militares.

Então tá. O mesmo aconteceu com os clubes do pessoal da PMAM. Viraram “sindicatos”, prometendo apenas aumento salarial, como a PEC 300, de infeliz memória. E distribuindo “cesta básica”. Daí para o “forró da ladeira” foi um passo, criando um arranca-rabo que se discute a cada dois anos. Ao tempo das eleições.


O comandante-geral da PM tem competência para resolver o problema, amanhã opino. (segue)