Ao comemorar o Jubileu de Ouro de atuação no
Rio Negro (AM), em 1965, os Salesianos então sob a direção de dom Pedro Massa
publicaram um livro registrando os caminhos percorridos e os personagens –
eclesiásticos e leigos – que cooperaram na obra. Abuso do livro editado – De
Tupan a Cristo, postando algumas páginas bem esclarecedoras, páginas que
fornecem pormenores da história amazonense.
O senador Lopes Gonçalves é o personagem desta postagem, e quem conta o fato é o próprio prelado. Augusto Cesar Lopes Gonçalves nasceu em Vitória do Mearim (MA) em 1870 e faleceu no Rio em 1938. Bacharel pela Faculdade do Recife, foi senador (1915-23) pelo Amazonas e Sergipe (1924-30). Houve uma Escola com o nome deste senador em Manaus, localizada na esquina da rua Luiz Antony com Dez de Julho, ora pertencente ao sistema SENAI.
Página do livro referente ao senador |
Certa vez, discutia-se no Senado o projeto que declarava o dia 25 de dezembro, dia festivo em comemoração da data cristã universal. Ele opunha-se com maior ou menor felicidade aos argumentos apresentados por João Luiz Alves, senador pelo Espírito Santo, que defendia o projeto. Este havia me pedido que ficasse perto de sua cadeira para sugerir-lhe alguns argumentos que não lhe ocorressem no momento, na emergência da refrega que subia de calor e intensidade, interessando vivamente os senadores.
Rui Barbosa estava ausente, mas defenderia o
projeto se estivesse presente, como em seguida declarou.
Lembro-me que em determinado momento, Lopes
Gonçalves disse: “A Constituição não reconhece a Deus. Este nome aqui não deve
ser pronunciado e dou minha razão que agradará ambas as partes. O nome de Deus
(desculpem reproduzir a palavra que ele usou), suja a pureza do nosso regime e também
a política suja o nome de Deus; é por esse motivo que nos é proibido
pronunciá-lo aqui”.
Por grande maioria o projeto foi aprovado e o Dia de Natal entrou no número dos feriados da República. O senador, embatendo-se comigo, pois não havia notado minha presença, pela escuridão do recinto, não se alterou dizendo-me: Padre, eu defendo a religião, não a ataco. Talvez fosse esta a sua intenção.
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