CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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segunda-feira, julho 27, 2026

MEUS OITENTANOS (11)

  

FASCÍCULO 11 


Ao me apresentar na caserna em janeiro de 1972, o comando me consultou sobre a aceitação de frequentar o CAO, curso policial militar obrigatório, em Fortaleza.  A despeito da obrigatoriedade, eu poderia ter adiado por um ou mais períodos, porém, diante do entusiasmo com a recente viagem, como podia levar a família, e o curso se estenderia até dezembro, aceitei prontamente, trocando-o pelas benesses da Tesouraria.

Comemoração do Dia de Tiradentes, no
quartel da Praça da Polícia - 1971

Em Fortaleza, aluguei a casa antiga de um dentista, na rua Ildefonso Albano (na época rua Antonio Bezerra), próximo à praia no bairro de Meireles; um ponto de referência era a primitiva fábrica da Coca-Cola na avenida Monsenhor Tabosa, a duas quadras de meu endereço, outro, era a sede da Secretaria de Educação. Antes de prosseguir devo esclarecer que a cidade estava longe de dispor dos recursos que a transformaram em atração turística nacional.  A PM cearense, organizadora do CAO (Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais) acabara de inaugurar a Academia de Polícia, aproveitando instalações antigas, situada na avenida Mister Hull, prolongamento da avenida Bezerra de Menezes, zona oeste de Fortaleza. O detalhe auspicioso era o funcionamento do curso na parte vespertina, que me servia para circular pelas adjacências nas manhãs. 

Por ser o primeiro curso realizado na corporação cearense, enfrentou os percalços pertinentes de uma estreia. A turma compunha-se de oficiais locais, além de dois do Maranhão e dois do Amazonas. Dediquei-me com afinco, sem grande dificuldade, pois vinha diretamente dos bancos da faculdade, e o programa foi desenvolvido exclusivamente em sala de aula. Não houve atividades externas nem conhecimento do serviço prático, como visitas às unidades do interior alencarino. Tive o deleite de deixar uma marca indelével no brasão da Academia, iniciativa do distinguido capitão Paula Pessoa. Coube-me apresentar a proposta vitoriosa do lema: Vigilando discimus, isto é, aprendemos para vigiar. Ainda que a aparência do emblema não seja jeitosa, marquei minha frequência no CAO/1972.

Até então não usava óculos, o motivo era simples: nunca havia me consultado. Havia ludibriado o médico ao ingressar no Exército e, ao incluir na PM do Amazonas, sequer passei por exames. Aos 26 anos, observando as dificuldades para ler a placa do ônibus em direção à Academia, ou as legendas de filmes nos cinemas da praça do Ferreira, ou na televisão recém inaugurada a cores, recorri ao especialista, que então era nominado de Oculista. Aconteceu no hospital da Polícia Militar do Ceará meu primeiro exame de vista, há 54 anos! O nome desse facultativo o implacável tempo desmanchou da minha memória. Estava tão deteriorada minha visão que, interrogado pelo oculista pelas letras na parede, devolvi: “que parede?”. A prescrição inicial foi de três graus em cada lente, a fim de ser observada a evolução do tratamento. O olho direito, o mais avariado chegou a cinco graus; hoje, após o reparo da catarata, uso óculos civilizados. Encomendei as lentes em uma ótica situada na Praça do Ferreira e, quando as recebi, ainda relembro o entusiasmo que me tomou ao estrear os óculos. As cores estavam vibrantes e todos os letreiros do entorno foram devassados, assim como o dos ônibus, enfim, estava em condições de assistir à inauguração da TV em cores, realizada na citada praça, comigo presente.

A visita ao hospital me proporcionou preparar a ficha do atendimento de minha esposa Graça, gestante do terceiro filho, com parto previsto para dezembro. No feriado da Semana da Pátria, voltei a Santos com a família. Na despedida, aceitei que a esposa retornasse em novembro, permitindo o nascimento de um santista. No entanto, quando no início de novembro festejei o 1º aniversário do Roberto filho, acelerei o parto da Graça. Como havia acertado, o hospital da PM acolheu a parturiente e, pela madrugada de 5 de novembro, nasceu o Carlos Eduardo. Ao retornar à casa, fui interrogado pela apreensiva avó Edna: “que tal, como foi o parto?”, respondi, sem atentar para o sentido do gracejo: “tudo bem, nasceu o cabeça chata”. Soluçou ela: “oh! meu Deus!” Eduardo, hoje, é casado com a Cintia e pai do Eduardo Souza.

      Avó Edna e Eduardo

Premiando o curso, o comando da Academia custeou uma viagem de estudos, incluindo visita a São Luiz do Maranhão, em razão dos colegas; seguimos a Belém, de onde voamos de Catalina rumo a Altamira para observar a construção da rodovia Transamazônica, tida como a obra-símbolo do governo militar na Amazônia e, para encerrar o trajeto, graças aos alunos amazonenses – eu e o capitão Carneiro – visitamos a Zona Franca de Manaus. Em reunião realizada no quartel da Praça da Polícia, constatei que o comando havia promovido uma reforma interna no edifício, ao construir um corredor que dividiu os amplos salões em espaços menores para atender à reorganização administrativa.

Alunos do CAO 72-PMCE, chegando a Manaus

Ao retornar a Fortaleza, veio a formatura do CAO, que aconteceu em 15 de dezembro, e foi realizada no Ginásio Paulo Sarasate. Obtive aprovação entre os cinco primeiros, fato que me deixou exultante, em especial, diante do desastre padecido no curso de armamento. 

quinta-feira, junho 11, 2026

PMAM - CEARENSES NO COMANDO (2)

 A postagem expõe a segunda parte do trabalho sobre os oficiais nascidos no Ceará que estiveram no comando da Polícia Militar do Amazonas.

4. Camillo de Lellis Pacheco Amora - coronel PM graduado

19 outubro 1901 – 13 agosto 1902 (interino) 

Oriundo da capital cearense, onde nasceu em 15 de julho de 1863. Não há registro de quando desembarcou em Manaus, porém, sua iniciação maçônica ocorreu em 11 de dezembro de 1886, aos 23 anos, na Loja “Amazonas”. Dois anos depois, ingressou na Guarda Policial do Amazonas, como alferes (06 jul. 1888); e seguiram as promoções: tenente (29 ago. 1891); capitão (26 abr. 1892); major (1º nov. 1897) e tenente-coronel (29 out. 1898).

Algumas funções exercidas na corporação: capitão fiscal do 2º Batalhão (1897); ajudante de pessoa de governador Silvério Nery (1900 e 1904); comandante interino. Diversas atividades políticas: superintendente (prefeito) de Fonte Boa (1896-97); de Coari (1902); de Floriano Peixoto (1903 e 1905).

Casado com Raimunda Amora, era pai de Honorina e Marina Amora, nascidas na capital amazonense; estas jovens eram formadas em Odontologia pela antiga Universidade de Manaus, atual UFAM, e possuíam gabinete cirúrgico-dentário localizado na Praça dos Remédios, 5. Também se notabilizaram pelo ensino de piano e canto, diplomadas pela Escola Normal e Conservatório de Música do Amazonas.

Inexiste, todavia, foto e data do falecimento deste oficial nos arquivos da entidade. 

 

5. Pedro Vidal de Negreiros - capitão PM

07 outubro 1910 – 12 junho 1912 

Embora oficial intermediário, este capitão assumiu de fato o comando da corporação em face de um acontecimento marcial, que atingiu o governo do Estado. O episódio é conhecido na historiografia amazonense por “Bombardeio de Manaus”, ocorrido em 10 de outubro de 1910 (data singular: em 10.10.10). No entanto, a 7 desse mês o comandante titular foi reformado (diagnostico: arteriosclerose). Face à ausência do governador Antonio Bittencourt, a situação do Estado estava caótica, tanto que foi o desembargador Benjamin Rubim, no exercício do cargo de governador, que nomeou para o comando do Batalhão, em 28 de outubro, ao capitão Pedro Vidal de Negreiros.

Negreiros era natural do Ceará, filho de João Antônio e de Liberalina Barroso Vidal de Negreiros, nascido em 19 de maio de 1874. Foi incluído na Força amazonense como alferes em 08 out. 1896; tenente em 04 ago. 1898; capitão em 15 maio 1900. Tão logo assumiu o comando da corporação, foi promovido a tenente-coronel em 1º de novembro de 1910 e, finalmente, coronel enquanto exercia a chefia, em 26 de janeiro de 1911.

Deixou o comando no ano seguinte, mas permaneceu residindo em Manaus, onde veio a falecer aos 41 anos, em 30 de novembro de 1915. Encontra-se sepultado em jazigo existente na Quadra 09 e SP 7869 do cemitério São João Batista. 

6. José Onofre Cidade - coronel PM          

22 dezembro 1912 – 21 janeiro 1913 

Ilustre natural do Ceará, filho de José Joaquim Cidade Filho, nascido em 1875, a comandar a Polícia Militar do Amazonas, ainda que para tanto tenha promovido um festival de subversão da ordem. Sua inclusão na corporação aconteceu em 1896, na condição de soldado. Em 1899, foi promovido a 2º tenente; em 1903, 1º tenente; em 1908, capitão; em 1911, major; em 1912, tenente-coronel e coronel. Finalmente, agraciado com uma distinção incomum: funcionário público vitalício, em dezembro de 1912.

A questão primordial que o conduziu ao comando teve início com a eleição regional, que elegeu Jonathas de Freitas Pedrosa (1848-1922), a tomar posse no primeiro dia de 1913. Os vencidos na eleição, as vivandeiras políticas bateram no portão do quartel da Praça da Polícia. Atendidas, conseguiram aliciar alguns oficiais que, descontentes por motivos que nunca faltam em quartel, fizeram acontecer. Escolhido pela oficialidade, Cidade constituiu um triunvirato – com os majores João Fragoso Monteiro e Amâncio Clementino Fernandes – que, a 22 de dezembro, assumiu o comando da Força Policial, e, seguidamente, escorraçou o governador Antônio Bittencourt, em fim de mandato.

A insurreição perdurou por 48 horas, com o estado “governado” pelos oficiais insubmissos. Movimentação judicial oportuna pôs fim ao movimento, porém, na Praça da Polícia, a corporação prosseguia sob o comando do rebelado coronel Onofre Cidade. Empossado, o governador Pedrosa obviamente deparou-se com a Força Policial desestabilizada, fracionada e sob enormes suspeitas. Logo, em 23 de janeiro, promoveu a reorganização da corporação, expurgando os elementos sediciosos e nomeando novo comandante. Coronel Onofre Cidade faleceu em sua residência, em Manaus, a 1º de dezembro de 1936, aos 61 anos.

sábado, novembro 16, 2024

IGREJAS EM CARTÃO POSTAL

Durante algum tempo mantive a busca por Cartão Postal de igrejas, ao tempo quase exclusivamente católicas, existentes no Brasil e alguns exemplares do exterior. No entanto, a desativação deste comércio me fez paralisar a coleção, daí meu empenho em divulgar o acervo.

1. Igreja Matriz de São José - Aracaju / 2 e 3. Igreja de Nossa Senhora de Fátima - Fortaleza
4. Igreja e Convento de São Judas Tadeu - Aracaju