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domingo, março 29, 2020

INVASÃO DA SHARP


A ocupação do terreno da Sharp no Distrito Industrial, hoje consolidada, se não estou mal informado, ocupa um terreno em declive. Teve início em 1994, e logo os dirigentes da empresa e da própria Suframa recorreram ao judiciário, a fim de evitar outra invasão.

No ano seguinte, em março, a Justiça determinou a reintegração de posse. Para a execução, seguiram os oficiais de justiça acompanhados de força estadual. Além de máquinas para agilizar a desocupação. Compartilhei de A Crítica (29 março 1995), circulada há 25 anos.
Chamada do jornal na 1ª página
Observando a reportagem, vejo que ainda em nossos dias esse tipo de operação repete três diretrizes: 1) os invasores sempre adotam o nome de político ou de santo para proteger o local. No caso, utilizaram o nome de Carlos Braga, pai do atual senador Eduardo Braga; 2) o pessoal da Justiça é sempre escoltado pela força policial, no caso, a PMAM. Todavia, a destruição autorizada dos bens acaba sob a “responsabilidade” dos policiais, ao menos sob a apreciação jornalística. Nesse fato, o título da reportagem incriminava aos policiais pela ofensiva. 3) os invasores nunca “têm onde morar ou para onde ir”. Basta ver o final da reportagem.
Recorte da publicação de A Crítica (29 março 1995)

Cerca de 200 famílias que moravam na invasão Carlos Braga, Distrito Industrial, Zona Leste, tiveram seus barracos destruídos ontem, por um trator, em cumprimento a um mandado de reintegração de posse, expedido pelo juiz da 4ª Vara Cível, Rui Morato, em favor da Sharp da Amazônia. Dois oficiais de justiça, Manuel Cardoso e Mariano Farias, escoltados por um grupo de aproximadamente 30 policiais armados, chegaram ao local - Av. Buriti com a Grande Circular - por volta das 12h, leram o mandado de reintegração de posse e iniciaram a derrubada das casas. Revoltados com a situação os moradores afirmaram não ter para onde ir e garantiram que iriam aguardar a saída dos policiais e oficiais de justiça para reerguer os barracos. 
A invasão Carlos Braga começou em novembro de 1994. No início do ano foi expedido o primeiro mandato de reintegração de posse e, inclusive, esteve no local um cidadão fazendo o cadastramento dos invasores para transferi-los para o bairro Jorge Teixeira.
Como as casas do bairro não foram liberadas, os moradores voltaram a ocupar os barracos no Distrito Industrial, contactaram um advogado e recorreram da decisão da Justiça alegando que o terreno que a Sharp dizia ser dela era, na verdade, de um senhor chamado Hidelbrando que não existe. "Nós ganhamos na justiça porque os representantes da Sharp não compareceram à reunião marcada pelo juiz. Não sei o que está acontecendo. Eles estão destruindo tudo o que é nosso", dizia indignada a invasora Márcia Gomes, que mora no local com dois filhos pequenos.
Aspecto da operação de reintegração (mesmo jornal)
O oficial de justiça, Manuel Cardoso, confirmou que aquele era o segundo mandato de reintegração de posse expedido pela Justiça. Garantiu que o documento havia sido assinado, há alguns dias, pelo juiz Rui Morato e que ele estava apenas cumprindo ordens. "Nós avisamos a todos que deveriam sair do local, caso contrário teríamos que derrubar os barracos para cumprir a lei. Eles não podem ficar aqui. O terreno pertence à Sharp. E preciso que essa gente procure uma outra área para morar", disse Cardoso, acrescentando que algumas casas não seriam destruídas porque estavam fora do terreno da Sharp. O juiz Rui Morado não foi localizado pela reportagem de A Crítica para esclarecer os fatos.
A derrubada de todos os barracos da invasão Carlos Braga durou cerca de duas horas e meia. Os invasores permaneceram no local sem saber o que fazer. A maioria deles não tem onde morar e nem para onde ir.

segunda-feira, outubro 23, 2017

BR 319 MANAUS-PORTO VELHO

Os Braga mencionados são o pai (Carlos) e tio (João)
do senador Eduardo Braga
Próximo de completar 50 anos, reproduzo a entrevista do falecido coronel EB Aluísio Weber, então comandante do 5º BEC, sediado em Porto Velho (RO), falando da iniciativa do Governo Militar em construir rodovias na Amazônia. 

Entre outras rodovias, comentou sobre a BR 319, de nosso interesse, que chegou a ser pavimentada e utilizada. As querelas de controle do meio ambiente e de outras pragas administrativas, todavia, impedem a capital amazonense de se ligar com o Brasil.

O noticiário mencionado circulou na edição de O Jornal (23 outubro 1969).



Pouco antes de retornar a Porto Velho, levando uma equipe de repórteres da TV francesa, para ampla reportagem sobre a estrada Madeira-Mamoré — o coronel Aluísio Weber, comandante do 5° Batalhão de Engenharia e Construções [BEC], ontem no Hotel Amazonas, manteve contato com a reportagem dos nossos DIÁRIOS, fazendo novas considerações a respeito da missão de que está incumbido, qual seja, a construção de três rodovias, de notável importância para a integração rodoviária do Amazonas ao Brasil.
Previstas pelo Plano Nacional, com empréstimo do BID, as três rodovias, resultante do desmembramento da antiga BR 29, são: a BR 364, ligando Cuiabá a Porto Velho, cuja consolidação está faltando; a BR 319 entre Porto Velho-Abunã; e, BR 26, de Abunã a Rio Branco-Feijó, a qual o cel. Weber considera "a forma de integração ao Acre".

Disse que quase três mil quilômetros de estrada já foram parcialmente vencidos, com 1.500 deles implantados, entre Cuiabá-Porto Velho.

O BEC — continua o coronel Weber — realizou 1.992 kms de plataforma, tendo sido um mesmo trecho patrolado mais de uma vez; encascalhou 300 kms de estradas e construiu cerca de 600 metros de bueiros "Armco", acrescentando que o tempo de realização efetiva dessas obras está em função dos recursos que as mesmas vierem a obter, frisando, mais adiante, o entusiasmo do marechal Costa e Silva pela integração do Amazonas, particularmente.

Ontem mesmo, o coronel Weber avistou-se com o governador Arthur Reis, definindo-o como "homem de ideias avançadas". O coronel acredita que, através do convênio DNER-Deram, a ligação Manaus-Porto Velho virá "dar ao Amazonas a integração de que tanto precisa".


Finalizando, revelou o coronel Weber, que o Batalhão está em fase de recebimento de equipamentos, inclusive aguardando, pela "Comarsa", o envio de dez possantes máquinas, para reforçar as obras na próxima estação chuvosa, reafirmando ser partidário e entusiasta da integração do nosso [?] ao resto do país.