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terça-feira, maio 19, 2020

POLÍCIA FEMININA PMAM: NOTA HISTÓRICA


Havia apenas dois anos que a Polícia Feminina fora criada na Polícia Militar do Amazonas, quebrando aquela hegemonia masculina centenária. Enquanto se preparavam as mulheres para dirigir esse quadro, os oficiais masculinos
Tenente Arlene e Dona Amine
tiveram esse encargo. Pronta, em abril de 1982, a 2º tenente Arlene Oliveira (primeiro oficial feminina da corporação amazonense) assumiu o comando, em substituição ao tenente Ewerton Amaral. Os zelos dispensados na formação do primeiro grupo, e a dedicação dessa turma converteram a solenidade em brilhante festa. Dona Amine Lindoso, esposa do governador, escolhida a madrinha do Pelotão, veio prestigiar a posse.

O texto abaixo foi compartilhado do Jornal do Commercio (16 abril 1982).

Extraído da página do Jornal do Commercio (16 abr. 1982)

Em solenidade realizada às 15h 30 de ontem, no Quartel do Pelotão de Polícia Feminina, em Petrópolis, sob a presidência do coronel PM Guilherme Vieira dos Santos, comandante-geral da Polícia Militar do Amazonas, assumiu o comando daquele Pelotão, a 2º tenente feminino Antonia Arlene Silva de Oliveira, cujo cargo vinha sendo exercido há um ano e sete meses, pelo 1º tenente João Ewerton do Amaral Sobrinho.
A solenidade contou com a presença da primeira dama do Estado, sra. Amine Lindoso; coronel PM Guilherme Vieira dos Santos, comandante-geral da PMAM; bacharel João Valente de Azevedo, secretário de Segurança do Estado, que se fez acompanhar de seu oficial de gabinete, sr. Luiz Gonzaga de Souza; coronel Flavio Rebelo, subsecretário de Segurança; oficiais; a imprensa escrita, falada e televisada, e regular número de pessoas de diversas classes. A transmissão de comando constou formatura da tropa, passagem de comando, leitura da Ordem do Dia pelo oficial substituído, desfile da tropa em homenagem à Primeira Dama do Estado, entrega de um ramalhete de flores à nova comandante daquela unidade e um coquetel que foi servido a todas as pessoas convidadas.
A nova comandante do Pelotão Feminino da Polícia Militar, foi muito cumprimentada pelo grande número de pessoas presentes ao evento e, na oportunidade, falou à imprensa dizendo que sentia-se honrada naquele momento por assumir um comando e sentia-se feliz em poder servir à sociedade amazonense como oficial PM, e ao ensejo, incentivava todas as mulheres que admiram o militarismo a seguir tal carreira, que serão bem recebidas.
A jovem oficial é amazonense, nascida em 15 de fevereiro de 1960, filha do sr. Raimundo Valente de Oliveira e de dona Euza da Silva Oliveira. Ingressou na Polícia Militar do Amazonas, em 1º de abril de 1980 e possui os seguintes cursos: Técnico em Contabilidade, pelo Colégio Sólon de Lucena; Relações Públicas, no Senac; Curso de Formação de Sargento PM, tirado no CEFAP, e, finalmente, Curso de Habilitação ao Quadro de Oficiais da Policia Feminina, pela Academia de Polícia Militar do Barro Branco, na Polícia Militar do Estado de São Paulo.

segunda-feira, fevereiro 08, 2016

POLÍCIA FEMININA DA PMAM: 36 ANOS

Hoje, 8 de fevereiro, a Polícia Feminina (PF) que integra a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) totaliza 38 anos de existência.
Polícia Feminina no desfile do Dia da Pátria,
na avenida Djalma Batista

Quando esta completou 20 anos de frequência na caserna da Praça da Polícia, na virada do século, escrevi o texto aqui postado com algumas inserções, que o decurso do tempo me impeliu.

Escrevi à época que não havia motivos para congratulações, afinal, nem seu tutor recordou a efeméride. Sim, ninguém mesmo! Mas acreditava que a data seria a ocasião propícia para uma reflexão sobre o andamento da “polícia de saia”.

Esperava contribuir com alguns conceitos e, perdão, alguns preconceitos. Vi a PF (maldita sigla pejorativa –prato feito) nascer e colaborei como instrutor em seus passos iniciais, e a segui até a comemoração dos sempre festejados 15 anos.

Conta a lenda que, em certo dia de 1979, no governo de José Lindoso, a primeira dama –dona Amine, viajou a São Paulo, acompanhada de seu ajudante de ordens, o então capitão Moacir Carioca. Lá, o governo paulista colocou à sua disposição uma oficial feminino da Polícia Militar de São Paulo (PMESP). Detalhe: São Paulo foi o primeiro estado a constituir um corpo feminino, ainda na década de 1950. O segundo, foi o Paraná.

A atuação da policial posta à disposição encantou a protegida, tanto que esta, ao retornar a Manaus, empenhou-se junto ao marido na criação da congênere amazonense. Portanto, quando em 8 de fevereiro de 1980, o governador José Lindoso assinou o Decreto n° 4 819, criando o Pelotão de Polícia Feminina, gerou a terceira organização policial feminina no país.

O próprio comandante-geral da PMAM, coronel EB Wilson Raizer, evangélico convicto e atuante cuidou pessoalmente da instalação e dos primeiros passos do pelotão. Convocou para comandá-lo o 1° tenente Claumendes Cardoso (hoje coronel da reserva) que, como nada conhecia sobre a neófita organização policial, foi enviado à São Paulo para examinar o emprego do seu pessoal feminino.

Duas décadas depois, assinalei então que me parecia que a PM ainda não havia encontrado o definitivo emprego das mulheres. A razão foi que que, depois de evoluir para Companhia, consoante o Decreto n° 9 650, de 4 de agosto de 1986, foi a partir de uma decisão de 1989 que começou o desaparelhamento dessa fração da Força Policial.

Explico: naquele ano, seu efetivo, já composto de oficiais e praças intermediários e de execução, perdeu a subordinação à unidade original e ao quartel onde servia. A tropa foi classificada nas unidades da PMAM, ou seja, cada policial feminina passou a pertencer a qualquer quartel, não mais o da Polícia Feminina, que foi desativado.

E, assim, permanece. Sem um aquartelamento e um comando distinto, exercido pelas oficiais. Na época, refiro-me a 1989, havia em seus quadros a major Sandra Bulcão, uma das inauguradoras da primeira turma.

Mais um recuo: o curso inaugural em 1980 teve a duração de dez meses, e formou apenas sargentos, em número de trinta, sendo as primeiras: Antonia Arlene Oliveira (exonerada a pedido quando capitão) e Sandra Regina Bulcão (em nossos dias, coronel da reserva). Uma decisão no meio do caminho fez a PMAM enviar as mencionadas policiais para estagiar na PMESP, e, assim, se tornaram as primeiras mulheres a atingir o oficialato na PMAM.

Depois vieram os soldados femininos. Na conclusão do curso preparatório, Rosa Neire Soares o fez com distinção, daí ser considerada a primeira soldado feminino.

Aos 20 anos, eram cerca de 500 policiais femininas. Agora, aos 38 anos, deve ter dobrado esse efetivo. Todavia, onde se encontram tantas policiais? Um efetivo de um batalhão ou mais, porém nem quartel próprio existe. Seria interessante reunir este pessoal no mesmo aquartelamento? Nem tanto, ponderava a major Sandra, porque “os problemas afetos ao sexo feminino sempre afloram, resultando em embaraços”. Melhor é, argumenta, a atual disposição, em que o pessoal feminino convive com o masculino, e assim se "policiam". Os problemas se diluem, e teremos melhor desempenho. Não creio, vi muitas interações indevidas.

O decreto de criação estabelecia a função primordial da PF: atender aos menores e idosos e, obviamente, as mulheres. No entanto, observada a plástica das jovens então ingressas, foram incumbidas do policiamento do aeroporto Eduardo Gomes. E foram ocupando outros espaços, porém, em nossos dias, poucas são vistas no policiamento, depois que o serviço de trânsito foi alijado da Polícia Militar.


Enfim, onde anda a PF? Melhor seria perguntar pelas policiais femininas, posto que a Polícia Feminina, assim entendida a organização policial militar dispondo se aquartelamento e comando não existe. Existe um bom número de policiais femininas, as quais merecem a lembrança deste memorável dia.