CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

domingo, novembro 06, 2022

MANAUS: OLHAR PRESENTE

FOTOS DE GUENTER ENGEL







sexta-feira, novembro 04, 2022

PMAM – SERVIÇO DE SAÚDE (1)

Já relatei neste canal alguns fatos relacionados com o estado sanitário da tropa da Polícia Militar do Amazonas. Em novo empenho, rebuscando os arquivados livros de registros, outras informações vão ao público.

 

Antigo quartel da Polícia Militar

Desativada em novembro de 1930, a Polícia Militar do Amazonas esteve mais de 5 anos “fora do ar”, melhor dizendo, impedida de executar seu ofício. Ao retornar, em 20 de abril de 1936, parecia mais criteriosa. Após reagrupar seus integrantes, a corporação foi paulatinamente se recompondo, com novas provisões sendo incorporadas à instituição. Talvez a mais exponencial tenha sido a criação do Serviço de Saúde.

Para melhor compreensão: em 1935, ocorreu relativa mudança no Poder Executivo quando, a 19 de fevereiro, o interventor Álvaro Maia torna-se governador. Mudança apenas de nomenclatura, pois o governante permanece. A 2 de junho, o Poder Legislativo promulga nova Constituição do Estado, onde nada se encontra sobre a Força Estadual, porque esta inexistia. Contudo, um movimento sobre a situação das Forças Auxiliares transcorria no Congresso Nacional, que acabou por aprovar legislação pertinente.

Em decorrência dessa decisão, o Legislativo local sancionou a Lei 55, de 31 de dezembro, que “restabelece a Força Policial do Estado”, concedendo ao governador seis meses para sua reorganização. O art. 1º é categórico: “é criada a Força Policial do Estado do Amazonas”. Recordo que ela fora desativada, não extinta, todavia, como se vê, foi aqui recriada. 

Ramayana de Chevalier

Antes do prazo limite, em 20 de abril de 1936, Maia baixou o decreto 99, para cumprir o dispositivo. Na mesma data, segundo o Ato 1039 escalou os oficiais para seu direcionamento, sob o comando do tenente-coronel PM José Rodrigues Pessoa. E pelo Ato 1040, nomeou “o senhor doutor Ramayana de Chevalier para exercer o posto e o cargo de 1º tenente médico da Força Policial do Estado”. Embora mambembe, estava criado o Serviço de Saúde (SS).

Em tempo anterior à desativação, o atendimento clínico era realizado por médico do Estado, que visitando a caserna consultava aos policiais. Os casos gravosos eram encaminhados aos hospitais da cidade, com mais frequência à Santa Casa de Misericórdia.

Chevalier logo foi promovido ao posto imediato. Este médico nasceu na

residência da família situada no cruzamento das ruas Quintino Bocaiuva com

Dr. Moreira. A família o enviou à Salvador (BA), onde Chevalier frequentou a

Faculdade de Medicina da Bahia, concluída em 1933. O pioneiro no SS legou

uma trajetória pouco edificante: abandonou esta função e mudou-se para o Rio,

ingressando na imprensa. Isso acarretou-lhe a demissão do Serviço de Saúde,

porém, amicíssimo de políticos, o governo amazonense devolveu-lhe, em 1951, ocargo com direito à promoção e ressarcimento pecuniário. E mais: foi reformado coronel, por ato de 22|06|1953.

Portanto, a partir de 1930, é possível relacionar os oficiais integrantes deste serviço. Observei a ordem cronológica e, onde foi possível, a ordem hierárquica. Apontei algumas exceções, como a demissão e o posto na passagem para a reserva. Inclui a naturalidade, o ano de nascimento e a escola de formação.

1936

1º tenente médico

20|04| Walmik Ramayana Paula e Souza de Chevalier - AM   (1909-75)

No contexto da Segunda Guerra, no biênio 1942-43 o aquartelamento da Praça da Polícia ganhou uma enfermaria, que foi construída no andar superior, sobre a edificação postada pela rua José Paranaguá, e ela foi utilizada até a instalação do Hospital da Polícia Militar em 1984.

Nesse período bélico, o SS recebeu o auxílio de médicos do Exército, tão-somente para compor a JMS (Junta Médica de Saúde). Foram alcançados no livro de apresentação de oficiais, existente no Museu Tiradentes, os seguintes:

1) 1º tenente Flavio Silva Martins – do 27 BC – dispensado em 12|05|1944;

2)   2º tenente R/2 Salomão Morais Levy – apresentado em 14|05|1944 e dispensado em 20|07| – residente à rua Dr. Moreira, 190 – fone 1049;

3)   1º tenente Hyssarro Ferreira – apresentado em 01|08|1944 – morador da rua Lauro Cavalcante, 237 – fone 1285;

4)   2º tenente Jesuíno de Souza Lins – a partir de 09|06|1945;

5)   2º tenente R/2 Cristovam Paulo Martins – da 1ª/4º Batalhão de Fronteira – apresentado em 24|10|1945.

quinta-feira, novembro 03, 2022

“CAMPO SANTO”, NÃO MAIS

 Ontem, como de hábito, depois do aconchego na sepultura familiar, circulei pelo São João Batista. Finalidade: encontrar sepulturas dos mais destacados, dos “santos”, dos amigos e parentes. Tem mais, ver as novas edificações. Aqui e ali o celular funciona, no modo máquina fotográfica.

Detalhes de SP no cemitério
São João Batista 

O detalhe mais significativo que me sucedeu foi o mausoléu com as gavetas protegidas por corrente e cadeado, que a foto demonstra. Explicação: os detalhes em metal incrustados na SP (sepultura perpétua) são facilmente removíveis, ou melhor, levados pelos ladrões. Como o delito não pode ser cometido pelos mortos, os suspeitos são os inúmeros trabalhadores presentes no “campo santo”. Sem qualquer controle, o campo perdeu há muito sua santidade.

Corrente e cadeado segurando
os "vivos" no S. Joao Batista

Logo me lembrei do acontecido na SP de minha família, a qual cuido. Os ladrões da casa surrupiaram a lousa que eu havia adquirido. O fato já serviu de postagem neste Blog, Veja link abaixo:

http://catadordepapeis.blogspot.com/2022/08/furto-no-cemiterio.html 

Hoje, lendo o matutino A Crítica, vejo que a ladroagem não acontece apenas no cemitério central. Também no cemitério Nossa Senhora Aparecida, localizado no bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus, consoante a denúncia explícita deste periódico. “No Dia de Finados, pai e filha descobrem que o túmulo da mãe foi saqueado em cemitério de Manaus. Acompanhada pelo pai, a estudante de enfermagem Juliana Lima encontrou a lápide da mãe totalmente roubada, deixando a sensação de dor e um prejuízo de mais de R$ 800.”

Foto de Clovis Miranda, em
A Crítica, de hoje

Aproveito para me dirigir à SEMULSP (Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos), responsável pelos cemitérios da cidade: não se trata de poucos vigilantes, o roubo é realizado pelos executantes de obras no local. Posto que, sem controle adequado das SP, assim como das construções e reformas no local, que deveriam passar pelo crivo desta secretaria, e com a circulação de veículos sem qualquer registro, tudo pode acontecer. E como acontece!


quarta-feira, novembro 02, 2022

DIA DOS FINADOS

 Cumpri a tradicional visita aos cemitérios, hoje no Dia dos Finados. No cemitério São João Batista se encontram minhas avós, minha mãe e meu filho. No São Francisco, existente no Morro da Liberdade, estão meu pai e minha madrasta-mãe (mais mãe que...). O clima ajudou, pude sentar-me na sepultura e dialogar com a eternidade. Retirei-me mais rejuvenescido.

Escolhi uma das tantas cruzes marcantes no campo santo para ilustrar a postagem. A cruz e a vela bruxuleante.

A cruz e as velas no 
São João Batista

O texto abaixo pertence ao mano Renato que, ainda que distante, relembra com devoção os seus mais queridos.  

REFLEXÕES DO DIA DE FINADOS

 Renato Mendonça 

“Eu sou a Ressurreição e a Vida.

Quem crê em mim, ainda que morra, viverá.

E quem vive e crê em mim, jamais morrerá.” Jo (11,25-26).

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue,

tem vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia...” Jo (6, 54-55)

 

Este Dia de Finados, como em todos os anos, nos traz lembranças, sentimentos e emoções que nenhuma lógica humana é capaz de explicar. O clima diferente, que nos envolve, nos faz diminuir as palavras e aumentar nossos sentimentos de pesar, de perda e de tristeza.

Para quem nos amou muito, teve sua participação efetiva, tanto na nossa geração como na nossa criação e educação, e, se ainda os amamos tanto, essas almas merecem a nossa reverencia, nossa dedicação e memória. Creio que o pior da morte, visto pelo lado humano de quem ainda permanece entre nós, não é morrer — afinal somos finitos —, é ser esquecido, abandonado em túmulos e nem ao menos ser visitado nestes dias de dedicação aos mortos.

 Qualquer lógica doutrinária que tente nos afastar dessa homenagem, para o cumprimento de um dever meramente humano, não tem lógica, não tem respaldo a partir da fé em Jesus Cristo. A morte dos outros nos faz pensar na nossa, é inevitável. Mas, essa realidade cruel, não nos diminui o sentido da vida, pelo contrário, nos dá argumentos e fé para viver como se fosse a eternidade.